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Costumes

Sábado, 16.02.08

Num destes encontros de acaso que acontecem a quem para viajar compra um bilhete de camioneta e não pode imaginar sequer quem lhe calhará por companhia no assento ao lado, caiu-me em sorte uma velhota algarvia.

Era uma mulher do campo, gasta pelo trabalho, cheia de rugas no rosto ainda expressivo e com restos de beleza que uns olhos espertos dum azul incrível iluminavam como sois num céu.

Claro que levava farnel.

Claro que me ofereceu partilha-lo insistentemente, e, assim começou a conversa que preencheu o tempo da nossa viagem em comum, e, penso que daria até hoje, não fora o caso do percurso dela terminar em Quarteira.

                   

Acontece que grande parte da minha meninice foi vivida em casa de meus avós no Algarve, e, daí que fosse fácil termos pano para mangas na nossa conversa.

Cada qual puxava das suas memórias e, eram tantas e tão idênticas as evocações que nos fizeram rir quase todo o tempo.

Coisas houve porém, de que eu já perdera a memória, e que pela sua singularidade me pareceu oportuno trazer aqui à conversa.

Muitos costumes ancestrais se mantém ainda hoje no nosso dia a dia mas na aplicação de outros houve tais evoluções que contados agora parecem puras fantasias ou invenções.

                   As águas calmas e mornas das praias e o bucolismo da paisagem do Algarve.

Por exemplo: quem acreditará, hoje ao passar a ferro a roupa com um bom ferro a vapor, que ainda há poucas dezenas de anos se usavam ferrinhos de mão que se aqueciam sobre o lume e com eles “se corria” a roupa a ferro, como então se dizia.

Mais tarde os ferros passaram a ser aquecidos com as brasas no seu interior, porque alguém com sentido prático inventou essa nova e muito mais funcional maneira de, com menos esforço, conseguir mais eficiência no labor pretendido.

O tempo foi passando, o surto de invenções não pára jamais e aos primeiros ferros eléctricos, pesados e cansativos sucederam os ferros a vapor, leves, desenhados como obras de arte, em formas aerodinâmicas como carros de competição. São coisas tão banais tão do quotidiano de todos nós que nem sequer nelas se pensa.

                                   

Mas, eis que numa viagem de acaso, atravessando o Algarve, uma velha mulher, cheia de sabedoria de vida e de memórias do passado entre um mundo de recordações que ambas evocávamos me pergunta: - e... de quando se borrifava a roupa com os bochechos de água que se punham na boca! Lembra-se?

E, não é que me lembrava de ficar pasmada a olhar a caseira lá do monte de copo de água e jarro ao lado dando despacho a tal empreitada!

Como também a recordo ajeitando o “caparão para aparar a farinha sob as pequenas mós de pedra. A mó de cima tinha um furo no centro para onde a pouco e pouco se deitava o milho. Além do furo tinha também uma pega de madeira onde se agarrava para a fazer girar sobre a outra, moendo as sementes.

Assim nascia o ”xarém” com que se confeccionava a base do seu sustento: - as papas.

São lembranças de tempos passados, talvez pareçam até fantasiosas, mas que é bom lembrar que fazem parte da história de vida do povo que somos.

                            Maria José Rijo

@@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.831 – 15 / Setembro / 2005

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 17:56

Postal nº 11 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Sábado, 16.02.08

.

As matanças são tarefas próprias do tempo frio de Inverno.

Quando a Primavera chega e o cuco canta junto às ribeiras,

já os cardos estão espigados e as papoilas em flor.

Na hora da merenda, à meia tarde, “condutando”

(que deverão render para todo o ano), saboreiam-se

os enchidos e espraiam-se os olhos pelos campos em

redor, onde o silêncio

 mais a solidão geram o pão em bebedeiras de luz.

.

              Maria José Rijo

.

@@@@@

Colecção de Gastronomia - A matança do Porco

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:47





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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