Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



MARGARIDAS

Quinta-feira, 21.02.08

margaridas

Flor com nome de gente

gente em nome de flor ?

Não vou tirar isso a limpo

Nem sequer tomo partido

quer contra - quer a favor !

- que eu penso - valha a verdade

que aqui - perder ou ganhar

não é questão - p’ra se pôr!

- O que importa é que a flor

é tal e qual a rapariga

seja o seu nome qual for ...

tem seu tempo de crescer

seu tempo de se criar

seu tempo de florir

de dar semente e morrer !

Que uma vida - quando inteira

no seu caminho percorre

as estradas uma a uma

e delas todas recolhe

o seu fruto sazonado

e, é assim que ás vezes

já com o Inverno no sangue

nos aquece o coração

ver em cada Primavera

margaridas molhadas 2.jpg

as margaridas - bem vivas

brotar em moitas do chão

que só no tempo - a seu tempo

a Primavera ressurge

ano após ano - certinha

talvez - p’ra que a gente entenda

e veja e possa sentir

que sempre que flores murcham

ou pessoas vão partir

outras pessoas cá ficam

outras flores hão-de vir...

passar no tempo que passa

com seus rostos, seus feitios

seu andar ou sua voz

seu encanto, seu perfume

seu recorte, sua cor,

sejam rosas, sejam dálias

flores belas ou perpétuas

Eufrásias ou violetas

feitas mulher - ou flor

para viver as Primaveras

Image:Margaridas.jpg

que há no tempo e há na vida

e, porque é efémera a Beleza,

pelos tempos - tempos fora

com a saudade se chora

pessoa que foi - flor querida

seja o seu nome o de Eufrásia

Dália, Rosa ou Margarida.

 

Maria José Rijo

..

LIVRO DAS FLORES

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 23:52

E digo porquê!

Quinta-feira, 21.02.08

            Vi nos noticiários, a indignação da população de Cascais porque a pretexto de obras se estão a sacrificar árvores de porte majestoso – plátanos - com mais de quarenta anos, neste referido caso.

Lembrei-me então da notícia bem documentada fotograficamente no “ “Público” sobre o mesmo assunto e, também, da reacção da população de Coimbra porque se atentava com o mesmo fundamento - obras - contra árvores da cidade.

Mesmo sem determinação consciente, ocorreu-me o lamentável abate das olaias do jardim de Elvas; decisão que considerei e considero cruel e atentatória do nosso património, e, digo porquê.

Historiemos:

Havia um bosque de olaias.

Para esse espaço, sem bulir nas árvores, poderia ter-se criado um projecto de melhoramento. Penso, até, que existia um, que serviu de base à tese de fim de curso de uma senhora educadora de infância.

Não se quis saber, não se soube, ou não se pensou em estudar soluções.

 Um belo dia, deu-se largas ao serrote, e foi o que foi.

Entre frases pouco corteses, que melhor retratam quem as profere, do que beliscam quem quer que as escute... Foi explicado que ali iria nascer um parque de merendas...

Para tanto, em vez do repovoamento – sem abate – com a mesma espécie (olaias) plantaram-se árvores que: “ iriam crescer rapidamente“ para abreviar a realização do projecto enunciado.

As árvores não foram avisadas, (a linguagem delas é outra) cresceram no seu ritmo próprio, e, coitadas, foram também arrancadas para dar lugar a um espaço pelado, árido, que nada tem que ver com “um renovado espaço verde”, como canta a propaganda da nova imagem do jardim.

(Se, se quer um parque de merendas está lá o local,- por tratar e aproveitar - bem sombreado, com sanitários por perto - o defunto mini-golfe - que aliás, nunca teve adeptos. Vem de outros tempos, eu sei, mas isso não obriga, quem quer que seja, a chamar útil ao inútil...A seu lado, jaz outro projecto gorado - um tanque sem dimensões para sonhar com barcos...)

Não restam dúvidas a ninguém que o abate do pequeno bosque foi uma decisão avulsa, fora de qualquer ordenamento estudado e, portanto desnecessária e injusta , além de ter sido um atentado contra o ambiente.

Quere isto significar que estou contra a remodelação do jardim? - nem por sombras. Estou, sim, contra a areia nos olhos...

Mas, vamos por partes:

Um jardim é uma realidade. Um parque de diversões, outra, bem diferente.

O nosso jardim – como tal – foi amputado de um largo espaço dos seus verdes em favor duma zona de desportos radicais, que, sendo útil, nunca deveria estar situada onde a implantaram. Certamente, não fora o que foi e o local escolhido teria sido outro mais apropriado, que acrescentasse grandeza ao jardim, como acontece com o anfiteatro.

À entrada de um jardim querem-se flores, muitas flores, e árvores, muitas, árvores. Árvores vetustas, apontando o céu às árvores jovens...

Haverá alguém que não sinta que isto é verdade!

Haverá alguém que não veja que aquela zona de desportos radicais, justamente ali, esconde mal a ausência do velho bosque que ao longo de dezenas de anos perfumou e embelezou e coloriu aquele recinto?

Jean Guitton, escreveu:

A árvore liga o mais baixo ao mais alto. Pelas suas raízes, ela suga o solo, e pelas suas folhas, bebe o sol. A árvore mergulha nas trevas, expira na luz”.

E Rilke dizia

 das árvores despidas deixando ver a sua estrutura, que os seus ramos desfolhados são “raizes bebendo os céus”.

Quem ama a natureza, entende a voz dos poetas, que por sua vez escutam a voz das árvores...

Mas, continuando:

Haverá alguém que não sinta que, certo, era ter sido escolhido outro espaço para zona de desportos?

No resto, aparte pequenos pormenores menos elegantes - para meu gosto pessoal -como seja o atafulhamento de engenhos no lago da entrada. Pequeno para tanta exibição, o debrum de cimento contornando os canteiros material hirto, que freia a sensação de natureza em liberdade que sempre se pede aos jardins – todo o mais está equilibrado, limpo e bonito. Muito principalmente o parque infantil, que pela graça de Deus e sensibilidade de quem o desenhou não se viu rodeado de redes e privado de bancos de apoio para os avós, acompanhantes de netos, como coube em má sorte à “jaula” ou “galinheiro” da Praceta das Descobrimentos, renascido tão contra-natura que até destrói todo o equilíbrio estético dos veios diagonais, em tijoleira, do traçado inicial...

Outra coisa de louvar é o acesso sem entraves ao parque infantil.

Concluindo: a cidade ganhou, embora perdendo, porque todos verificamos que: sempre se podem implantar parques de diversão em jardins enriquecendo-os, ao invés de os empobrecer, com o corte impiedoso, de uma só que seja das suas árvores.

                              Maria José Rijo.

                                   

@@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 6/Julho/01 – Nº 2.614

Conversas Soltas

 

 

                              

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 23:20





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Fevereiro 2008

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
242526272829


comentários recentes

  • Anónimo

    Lindo,como sempre

  • Anónimo

    Querida Tia Maria JoséQue alegria chegar mais um d...

  • Anónimo

    Minha querida e Boa amigaque alegria chegar aos 93...

  • Anónimo

    Minha querida tiaEu sabia que era hoje o dia do se...

  • Anónimo

    Titia queridaQue alugria nesse seu aniversário.Des...


Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


links

Um pouco de mim...

EFEMERIDES

Blogs- quem nos cita

Deambulo por

Culinaria

K I K A

Paginas de Diário

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

2018

2019

Cá estou ...

Mais alguns...

Alguns...

Alentejo

Eurico Gama

Artigos sobre...

Escola Musica / Coral

Elvas Cidade...

Escritores e...

A Familia

Sebastião da GAma

Minhas sobrinhas Bisnetas

Meus sobrinhos Netos

Meus sobrinhos

Diversos...

Páscoa

São Mateus

Cartas especiais

noticias em Jornais

Dia da Criança

Cartas do Brasil- 1996

AÇORES

Juromenha

Col. de Gastronomia

O Natal

Exp. MuseuTomaz Pires-1984

Exposição PERCURSO-2008

HistóriasCmezinhasEreceitas

Revista Sénior

JOSÉ RIJO

Hospital e Maternidade

Livro de Reminiscências

Livros- de HistóriasInfantis

  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
  • O pequeno castanheiro

Dias festivos

Programa de Poesia (radio)

Crónicas na Revista

Livro de Poemas - I

Livro de Poemas - II

Livro de Poemas - III

Livro de Poemas - IV

Aniversários Linhas

Livro Rezas e Benzeduras

Livro das Flores

LivroJoaoCarpinteiro

A Visita - Despertador

Programas se SãoMateus

Entrevistas

Entrevista - TV-Videos,etc

Visitantes no Blog

Aniversarios Blog



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

arquivos