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E digo porquê!

Quinta-feira, 21.02.08

            Vi nos noticiários, a indignação da população de Cascais porque a pretexto de obras se estão a sacrificar árvores de porte majestoso – plátanos - com mais de quarenta anos, neste referido caso.

Lembrei-me então da notícia bem documentada fotograficamente no “ “Público” sobre o mesmo assunto e, também, da reacção da população de Coimbra porque se atentava com o mesmo fundamento - obras - contra árvores da cidade.

Mesmo sem determinação consciente, ocorreu-me o lamentável abate das olaias do jardim de Elvas; decisão que considerei e considero cruel e atentatória do nosso património, e, digo porquê.

Historiemos:

Havia um bosque de olaias.

Para esse espaço, sem bulir nas árvores, poderia ter-se criado um projecto de melhoramento. Penso, até, que existia um, que serviu de base à tese de fim de curso de uma senhora educadora de infância.

Não se quis saber, não se soube, ou não se pensou em estudar soluções.

 Um belo dia, deu-se largas ao serrote, e foi o que foi.

Entre frases pouco corteses, que melhor retratam quem as profere, do que beliscam quem quer que as escute... Foi explicado que ali iria nascer um parque de merendas...

Para tanto, em vez do repovoamento – sem abate – com a mesma espécie (olaias) plantaram-se árvores que: “ iriam crescer rapidamente“ para abreviar a realização do projecto enunciado.

As árvores não foram avisadas, (a linguagem delas é outra) cresceram no seu ritmo próprio, e, coitadas, foram também arrancadas para dar lugar a um espaço pelado, árido, que nada tem que ver com “um renovado espaço verde”, como canta a propaganda da nova imagem do jardim.

(Se, se quer um parque de merendas está lá o local,- por tratar e aproveitar - bem sombreado, com sanitários por perto - o defunto mini-golfe - que aliás, nunca teve adeptos. Vem de outros tempos, eu sei, mas isso não obriga, quem quer que seja, a chamar útil ao inútil...A seu lado, jaz outro projecto gorado - um tanque sem dimensões para sonhar com barcos...)

Não restam dúvidas a ninguém que o abate do pequeno bosque foi uma decisão avulsa, fora de qualquer ordenamento estudado e, portanto desnecessária e injusta , além de ter sido um atentado contra o ambiente.

Quere isto significar que estou contra a remodelação do jardim? - nem por sombras. Estou, sim, contra a areia nos olhos...

Mas, vamos por partes:

Um jardim é uma realidade. Um parque de diversões, outra, bem diferente.

O nosso jardim – como tal – foi amputado de um largo espaço dos seus verdes em favor duma zona de desportos radicais, que, sendo útil, nunca deveria estar situada onde a implantaram. Certamente, não fora o que foi e o local escolhido teria sido outro mais apropriado, que acrescentasse grandeza ao jardim, como acontece com o anfiteatro.

À entrada de um jardim querem-se flores, muitas flores, e árvores, muitas, árvores. Árvores vetustas, apontando o céu às árvores jovens...

Haverá alguém que não sinta que isto é verdade!

Haverá alguém que não veja que aquela zona de desportos radicais, justamente ali, esconde mal a ausência do velho bosque que ao longo de dezenas de anos perfumou e embelezou e coloriu aquele recinto?

Jean Guitton, escreveu:

A árvore liga o mais baixo ao mais alto. Pelas suas raízes, ela suga o solo, e pelas suas folhas, bebe o sol. A árvore mergulha nas trevas, expira na luz”.

E Rilke dizia

 das árvores despidas deixando ver a sua estrutura, que os seus ramos desfolhados são “raizes bebendo os céus”.

Quem ama a natureza, entende a voz dos poetas, que por sua vez escutam a voz das árvores...

Mas, continuando:

Haverá alguém que não sinta que, certo, era ter sido escolhido outro espaço para zona de desportos?

No resto, aparte pequenos pormenores menos elegantes - para meu gosto pessoal -como seja o atafulhamento de engenhos no lago da entrada. Pequeno para tanta exibição, o debrum de cimento contornando os canteiros material hirto, que freia a sensação de natureza em liberdade que sempre se pede aos jardins – todo o mais está equilibrado, limpo e bonito. Muito principalmente o parque infantil, que pela graça de Deus e sensibilidade de quem o desenhou não se viu rodeado de redes e privado de bancos de apoio para os avós, acompanhantes de netos, como coube em má sorte à “jaula” ou “galinheiro” da Praceta das Descobrimentos, renascido tão contra-natura que até destrói todo o equilíbrio estético dos veios diagonais, em tijoleira, do traçado inicial...

Outra coisa de louvar é o acesso sem entraves ao parque infantil.

Concluindo: a cidade ganhou, embora perdendo, porque todos verificamos que: sempre se podem implantar parques de diversão em jardins enriquecendo-os, ao invés de os empobrecer, com o corte impiedoso, de uma só que seja das suas árvores.

                              Maria José Rijo.

                                   

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 6/Julho/01 – Nº 2.614

Conversas Soltas

 

 

                              

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publicado por Maria José Rijo às 23:20

O Tema

Quarta-feira, 20.02.08

Por vezes, quando um assunto, que por qualquer razão de acaso me é sugerido, penso: - ora aqui está um tema para as Conversas Soltas. Depois é só agarra-lo e deixar correr as ideias.  

Noutras ocasiões, é o tema que se me impõe, ou pela actualidade ou pelo interesse que oferece, e, sou eu que lhe fujo.

E, fujo pensando: - para que me vou meter nisto?

             Porque me hei-de eu incomodar se não resolvo nada sozinha, e tão boa gente que se deveria pronunciar se queda refugiada num silêncio confortável e acomodado, como se nada de quanto se passa lhes dissesse respeito?

              

             Então aí, fico dialogando com a minha própria consciência, e perguntando-me se, por acaso, ando, ainda, por cá, só para ver andar os outros e se preciso de cabeças alheias, para identificar os meus deveres e os meus direitos.

              Depressa tiro as minhas conclusões, e, lá vou ao caminho, com a serenidade possível nas circunstâncias.

              Misturada em qualquer acção que se empreenda pode subsistir uma sombra de dúvida, mas também haverá um clarão de esperança, e uma irreprimível consciência de que ao que se tem como dever, não se pode fugir por maior que seja o desconforto que nos cause.

E, assim com estas e outras conjectures se escolhe, ou foge dum assunto que era, ou poderia ser um bom tema para conversar.

                              

È dos livros, quero dizer, é velho o subterfúgio de fugir a compromissos, equívocos, mal entendidos e outras situações mais ou menos ambíguas, falando do tempo.

Esse é, por excelência o tema ideal para que todos pareçamos corteses e bem-educados.

Que me conste, nunca o tempo veio pedir satisfações a ninguém por ter dito em tom azedo ou, mesmo bonacheirão que o tempo está feio, horrível ou qualquer outra designação por mais desprimorosa que ela tivesse sido.   

Ele aguenta que dele se diga que tem carranca, carantonha, que está manhoso, horrível, tórrido, gélido, farrusco e sei lá de que mais todos se lembram de o apelidar.

Verdade seja dita que segue com o seu bom ou mau humor, diga-se dele o que se disser!

Ora sendo assim, temos, sem rebuço, a franqueza de confessar que não há melhor tema de conversa.

Mas, que ninguém se iluda! – Que o tempo, que tudo ouve, e tudo consente, nada esquece. No tempo, tudo, como que sobrepondo-se sedimenta e permanece. Uns acontecimentos encobrem os outros. Formam como que uma crosta, que engrossa dando suporte a tudo o mais que vá acontecendo.

Que se lhe chame feio ou bonito, não interessa!

                                             

De tudo e todos pode, o tempo, rir, por mais grave que se considere o insulto que lhe dirijam.

No fundo, ele sabe, que a qualquer hora, em qualquer momento, tudo mostra e descobre porque o tempo é o único dono da verdade

Só no tempo, a seu tempo, chegam Vida e morte.

                              Maria José Rijo

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Jornal linhas de Elvas

Nº 2.717 – 4 / 7/ 2003

Conversas Soltas

  

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:52

JACINTO

Terça-feira, 19.02.08

A mesma terra

que gasta

que apodrece

e consome

A mais bela criatura

No mistério do seu ventre

alimenta

cria

liberta

Dum bolbo sem ar nem graça

como um nabo na feura

em milagre

a formosura

do Jacinto

a liliácea bolbosa

de florzinhas gomosas

cheirosas

de toque quente

como um bafo de desejo

como apetites dum beijo

de amor

jamais consentido

que nem a morte venceu

e em cada Primavera

renasce, vive e revive

como na alma refloresce

o que nunca se esqueceu.

 

Maria José Rijo

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LIVRO DAS FLORES

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POST - nº 500

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Fotos do Blog --  http://olhares-meus.blogspot.com/

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publicado por Maria José Rijo às 21:54

O Carrapato

Segunda-feira, 18.02.08

Umas coisas lembram outras. Sempre assim foi e será.

Até se repete, como desculpa quando nos enredamos no paleio que as conversas são como as cerejas, encadeiam-se umas nas outras e ao puxar um raminho, pode, quase, despejar-se um cesto.

Assim com os ditados populares se vai pontuando, de forma crítica, a vida do dia a dia.

Crítica quer dizer: apreciação, que pode ser positiva ou negativa, como é óbvio.

Ás vezes, até, mesmo quando ela pontua uma esperteza, uma encapotada “malandrice”, subjacente à censura, pode estar uma certa admiração pelo engenho com que o autor da armadilha prende os seus reféns.

Sempre, então, se pensa como seria de préstimo – se ao serviço do bem, da lisura e da verdade – se utilizasse a inteligência com que se monta o ardil.

No século passado, nascia-se em casa, crescia-se em família e em lugar de infantários eram as primas e tias solteiras ou viuvas que, com as avós ajudavam a criar as crianças entretendo-as contando-lhes histórias de família, lendas, orações, cantigas ou ensinando-lhes jogos.

Como essa sabedoria transmitida oralmente se destinava à formação moral da garotada todas escondiam um preceito moral, mais ou menos evidente.

Assim a história do carrapato, me ocorreu agora, em face de promessas que se arrastam e – calculadamente - não se cumprem para que as incautas vitimas, transformadas em moscas a espernear nas teias  da astuciosa manha, fiquem indefesas aguardando a morte lenta que friamente lhe foi reservada.

                           

Havia um afamado curandeiro, muito solicitado pela sua eficiência para todas as partes do reino onde surgisse doença estranha ou má de sarar.

Um rico homem, padecendo há muito de estranha maleita contratou-o, mandou que o convocassem e porque detinha dinheiro e poder, aboletou-o em sua casa para que o tratasse.

Tinha o curandeiro, vida farta e regalada à custa do rico homem que embora melhorando a olhos vistos, não sarava completamente.

Por curiosidade, o filho do mago que também do pai herdara a arte, foi visitá-lo.

Por cortesia também observou o doente e, logo ali, descobriu que dentro de uma orelha um pequeno carrapato vivia sugando e infectando o sangue do paciente.

Com ligeireza, desalojou-o, matou-o e o rico homem recobrou de pronto a saúde.

Disse então o filho: - Pai, como não viste o carrapato?

Respondeu o Pai: - Filho, como não viste tu que secaste a nossa fonte?

Às vezes as promessas são como os carrapatos, que são mantidos à custa do sangue de quem cai na lábia de falsários, que assim mantêm sob a sua alçada as crédulas vitimas.

Meu conto acabado.

Meu recado dado.

                  Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.881 – 31/Agosto/2006

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:53

Eu Tive um sonho!

Domingo, 17.02.08

- Esta frase tão simples, quase sem importância, que qualquer pessoa repete por qualquer razão…

- Esta frase tão sem importância, que qualquer pessoa repete no meio de qualquer conversa, a propósito de qualquer projecto pessoal…

               

- Esta frase, fez tremer as consciências do mundo inteiro, e foi fixada na memória dos tempos – quando – comovidamente – um homem de cor – que por esse seu sonho havia de ser morto – a proferiu em nome de um projecto de paz.

                                  

Fraternidade e harmonia entre os homens –  Luther King!

- Eu tive um sonho!”

                              

Diz-se eu tive um sonho, quase desde o berço, ao acordar. Um sonho bom, um sonho mau, um sonho bonito, um sonho feio – mas – um sonho, como os sonhos, que cabem no dia a dia de qualquer um de nós.

Mas – se é um homem – um homem só – que enfrenta um mundo hostil, em nome desse sonho para o bem dos outros homens – então essa mesma pequenina frase ganha a dimensão do mundo que envolve e avassala todas as consciências.

                

-- “Eu tive um sonho” – cantaram os “Abbas” e encantaram, porque encontraram a expressão melódica, certa, para o sonho de cada um.

Mas … sonhar o bem de todos, lutar por esse sonho, e dar a vida por ele – dá realmente um peso de universo a uma frasezita de nada! : - “EU TIVE UM SONHO”!

       primavera.jpg

Talvez, no âmago das misteriosas origens de tudo, após cada Inverno, a Natureza se espreguice, e diga: - Eu tive um sonho!

Penso que a Primavera

é o sonho de esperança da própria Vida.

 

Maria José Rijo

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Á la Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1932 – 18 Março de 1988

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 17:14

História

Domingo, 17.02.08

Passou o semeador…

Com o seu gesto a desenhar

A promessa de amanhã

Na bênção de semear!...

 

Passou o semeador!...

 

E uma semente no ar

Pediu ao vento a chorar:

<< -- Leva-me além para o cimo,

Para a gruta do rochedo,

Onde nem sol, nem tu mesmo

Me consigam meter medo!!!>>

 

E o vento, docemente,

Fez a vontade à semente…

………………………………………………

Tal rebanho paciente

Viveu a par a seara!

 

Se era o vento que a guardava

E ao passar assobiava…

A seara obediente

A seu compasso ondulava!

 

Se era a chuva que caía…

A seara obediente,

Olhava o céu e bebia!...

 

Se era o sol que a afogava…

A seara obediente,

Aquecia e exultava!

 

E lá do alto da gruta

A outra semente, olhava

E a dizer se comprazia:

<< -- Olha se eu sou do rebanho,

Tanto, tanto, que sofria!...>>

………………………………………………………..

E quando a ceifa chegou,

Prenhe de grão e feliz,

Toda a seara tombou!...

 

E lá do alto da gruta,

A sementinha dizia:

<< Se lá estou, hoje morria!

……………………………………………….

Mas o tempo que a criou,

Também um dia a levou

Mesmo do alto da gruta

Onde estava como em estufa!...

………………………………………………………

Nunca o vento a fez dançar,

Nunca a chuva a constipou,

Nunca o sol a aqueceu,

Nunca a semente sofreu…

 

Existiu!

Negou-se à vida,

Não floriu e morreu!

Maria José Rijo

Julho de 1956

.

Desenhos de Maria José Rijo

Livro Paisagem

Poema História

Poema nº 3

Pág. – 19-20-21

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publicado por Maria José Rijo às 14:38

Costumes

Sábado, 16.02.08

Num destes encontros de acaso que acontecem a quem para viajar compra um bilhete de camioneta e não pode imaginar sequer quem lhe calhará por companhia no assento ao lado, caiu-me em sorte uma velhota algarvia.

Era uma mulher do campo, gasta pelo trabalho, cheia de rugas no rosto ainda expressivo e com restos de beleza que uns olhos espertos dum azul incrível iluminavam como sois num céu.

Claro que levava farnel.

Claro que me ofereceu partilha-lo insistentemente, e, assim começou a conversa que preencheu o tempo da nossa viagem em comum, e, penso que daria até hoje, não fora o caso do percurso dela terminar em Quarteira.

                   

Acontece que grande parte da minha meninice foi vivida em casa de meus avós no Algarve, e, daí que fosse fácil termos pano para mangas na nossa conversa.

Cada qual puxava das suas memórias e, eram tantas e tão idênticas as evocações que nos fizeram rir quase todo o tempo.

Coisas houve porém, de que eu já perdera a memória, e que pela sua singularidade me pareceu oportuno trazer aqui à conversa.

Muitos costumes ancestrais se mantém ainda hoje no nosso dia a dia mas na aplicação de outros houve tais evoluções que contados agora parecem puras fantasias ou invenções.

                   As águas calmas e mornas das praias e o bucolismo da paisagem do Algarve.

Por exemplo: quem acreditará, hoje ao passar a ferro a roupa com um bom ferro a vapor, que ainda há poucas dezenas de anos se usavam ferrinhos de mão que se aqueciam sobre o lume e com eles “se corria” a roupa a ferro, como então se dizia.

Mais tarde os ferros passaram a ser aquecidos com as brasas no seu interior, porque alguém com sentido prático inventou essa nova e muito mais funcional maneira de, com menos esforço, conseguir mais eficiência no labor pretendido.

O tempo foi passando, o surto de invenções não pára jamais e aos primeiros ferros eléctricos, pesados e cansativos sucederam os ferros a vapor, leves, desenhados como obras de arte, em formas aerodinâmicas como carros de competição. São coisas tão banais tão do quotidiano de todos nós que nem sequer nelas se pensa.

                                   

Mas, eis que numa viagem de acaso, atravessando o Algarve, uma velha mulher, cheia de sabedoria de vida e de memórias do passado entre um mundo de recordações que ambas evocávamos me pergunta: - e... de quando se borrifava a roupa com os bochechos de água que se punham na boca! Lembra-se?

E, não é que me lembrava de ficar pasmada a olhar a caseira lá do monte de copo de água e jarro ao lado dando despacho a tal empreitada!

Como também a recordo ajeitando o “caparão para aparar a farinha sob as pequenas mós de pedra. A mó de cima tinha um furo no centro para onde a pouco e pouco se deitava o milho. Além do furo tinha também uma pega de madeira onde se agarrava para a fazer girar sobre a outra, moendo as sementes.

Assim nascia o ”xarém” com que se confeccionava a base do seu sustento: - as papas.

São lembranças de tempos passados, talvez pareçam até fantasiosas, mas que é bom lembrar que fazem parte da história de vida do povo que somos.

                            Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.831 – 15 / Setembro / 2005

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 17:56

Postal nº 11 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Sábado, 16.02.08

.

As matanças são tarefas próprias do tempo frio de Inverno.

Quando a Primavera chega e o cuco canta junto às ribeiras,

já os cardos estão espigados e as papoilas em flor.

Na hora da merenda, à meia tarde, “condutando”

(que deverão render para todo o ano), saboreiam-se

os enchidos e espraiam-se os olhos pelos campos em

redor, onde o silêncio

 mais a solidão geram o pão em bebedeiras de luz.

.

              Maria José Rijo

.

@@@@@

Colecção de Gastronomia - A matança do Porco

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:47

Magnólia

Sexta-feira, 15.02.08

Magnolia não tem rima

-mas como uma pomba branca

-que se sonhasse flor

-vive aninhada na rama

-(verde escura , envernizada

da árvore onde foi criada)

-espalhando fino odor

com candura delicada

Magnólia não tem rima

-mas nem precisa rimar

-é formosa e surpreende

-cativa qualquer olhar

-parece que veio da China

-e mostra, sendo impostora,

-pureza duma menina

-compostura de senhora

Magnólia não tem rima

-deve ser filha dum cisne

-vogando em lago parado

-que a julgava um nenufar

-como ele tinha sonhado

-e deslizava a seu lado

-num silencio de mistério

-do seu branco imaculado

Magnólia não tem rima

-até que em noite sem lua

-a sua vida mudou

-cansada de não ter rima

-roubou da alma do cisne

-o sonho de liberdade

-que sempre tem qualquer ave

-e ganhando asas voou

Magnólia    tem rima!

-sonhou , ousou, viveu, amou !

-magnólia já rimou!

.

Maria José Rijo

.

LIVRO DAS FLORES

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publicado por Maria José Rijo às 21:14

Postal nº 10 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Sexta-feira, 15.02.08

PAIO BRANCO

Vazios secam ao sol, em fileiras, os alguidares lavados,

Esperando o regresso à penumbra das despensas, onde já

Moram os tradicionais paios brancos, pendurados para secar.

“Acamam-se” os lombos bem direitinhos, enterrados em

Sal durante 12 horas, após o que se penduram uma hora ou

Duas, para escorrer, em sitio arejado. Seguidamente

Sacodem-se, limpam-se e untam-se com um nadinha de

Banha para escorregarem melhor ao serem “vestidos” na

tripa do porco, já cortada no tamanho conveniente.

Para conseguir atar uma extremidade do lombo com um

Cordel que, passado por dentro da tripa, enrolado numa

Colher de pau, facilitará a tarefa.

Os paios são cosidos num dos lados e no outro atados,

Deixando-lhes uma argola de fio para serem pendurados

No ar.”

                      Maria José Rijo

                  

@@@@@@

Colecção de Postais de Gastronomia - A Matança do Porco

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publicado por Maria José Rijo às 20:41






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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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