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ROSA

Domingo, 30.03.08

Rosas Azuis

A rosa que me deste

morreu hoje

Chegou em promessa, - fechada num botão

como fechada

estava a tua mão que a segurava...

Com ternura de mãe

a recebi, a amei e lhe sorri

Sorria-lhe todas as manhãs, desde então,

agradecendo - em silêncio - a sua companhia...

que renova no meu coração - a esperança

que é sempre filho e flor...

Depois, todo o tempo ela comigo compartia -

a beleza que a fazia ser rosa ! me vergava a seus pés,

e que eu recebi, como se, só para mim,

ela fosse nascida...

... Há cada vaidade nesta vida !

Ontem - achei-a diferente

Ela já não me respondeu...

Tinha a cabeça curvada

O ar vencido de quem tudo teve

e tudo já perdeu

Hoje - recolhi-a pétala a pétala

Era ela toda - e já era nada !

Toda, - na minha mão fechada

e toda desfolhada...

Como penas de ave - sem voo

- sem bater de coração...

Já não era, nem fresca, nem formosa...

já nem era rosa ...

Era ausência e frio

Sem o calor da vida - nem era sorriso ...

- mais um arrepio...

mas, sempre, lembrança doce e triste e linda,

que na alma se fecha silenciada

e, como perfume emanado da rosa...

dela se guarda a ventura que se goza...

na alegria pura, como a pura dor...

de viver um sonho -

ainda que breve

- como um tempo breve de flor ...

 

Maria José Rijo

LIVRO DAS FLORES

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publicado por Maria José Rijo às 11:45

Reminiscência – Caligrafia e ortografia

Sexta-feira, 28.03.08

As garotas não têm uma caligrafia capaz.

Foi (mais ou menos há 70 anos) a sentença de minha Avó, ao passar em revista a arrumação e o asseio dos nossos cadernos escolares. Daí à decisão de termos que fazer uma cópia por dia em cadernos de “duas linhas”, para apurar a letra, não houve distância no tempo.

Apurar era um verbo muito usado nesses tempos.

Veste-te com apuro. Arranja-te com apuro.

Lava-te e penteia-se com apuro.

Lava os dentes com apuro. (usa pasta! – era marca Couraça. picava na língua e era cor de rosa vivo)

Lava muito bem as mãos e, vê lá o apuro dessas unhas! – Olha que, mãos limpas, distinção certa.

Não te sentes de pernas cruzadas. Nada de atitudes desmazeladas...

Como porém tudo o que se relacionava connosco tinha sempre algumas segundas ou terceiras intenções na manga; a oportunidade de apurar a letra, serviu, já que era trabalho de casa, para nos espicaçar a curiosidade escolhendo para a circunstância um romance (próprio para “essas” idades) e assim ir provocando o vício da leitura.

Foi então que ao copiar a palavra “pároco” escrita com “ch” indaguei: - o que é um parocho?

Foi-me dito – entre gargalhadas - que era a forma antiga da palavra que eu muito bem conhecia com outra grafia – pároco.

Comecei então a reparar que enquanto meu Pai actualizava a sua escrita, minha mãe, e tias continuavam a escrever aí, com h, ahi, farmácia, com ph, fotografia, também com ph, e um sem número de termos que – modernamente – como elas acusavam, não se escreviam como haviam aprendido e se recusavam a alterar porque assim mantinham o orgulho de escrever sem erros.

Vão anos e anos que não saberia quase, contar, sobre estas decisões familiares de como enfrentar mudanças tão profundas no que tinham por verdades adquiridas.

Pois, naquilo que nos parecia (a nós, agora) quase intocável também um novo acordo ortográfico reacende uma certa relutância às alterações impostas como novas regras.

E, não é que o tempo me põe a mim e aos da minha geração na obrigação de decidir como fazer.

A caligrafia, aprendida a preceito, com apuro, não resistiu, – não resiste em ninguém - à interferência, da personalidade, da velocidade com que se pensa e escreve, ao calor , ao entusiasmo, ao amor ou à raiva com nos damos à vida , como vibramos com cada circunstância que se nos depara , e muito naturalmente à frequência com que se escreve – de tudo isso se define o jeito peculiar de cada qual escrever.

Mas, a ortografia, não. Escrever à pressa pode provocar má caligrafia, gatafunhos pouco legíveis, mas escrever com erros é sinal de ignorância.

A minha geração já tinha sido ameaçada de ser considerada analfabeta se não aprendesse a utilizar computadores...

Também teremos agora que nos sujeitar a que sejam os computadores a assinalar a vermelho, cada palavra, como faziam a lápis as exigentes professoras doutros tempos,

Apraza a Deus que a perfeição da técnica não seja tal, que lá de dentro, não espiche um ponteiro ou uma régua para castigar os refractários a tanta modernidade, ou, nos cole à cadeira até escrever dez vezes cada palavra errada.

O correio, agora traz facturas, saldos de Bancos e coisas afins.

Dantes, mão a mão o carteiro entregava porta a porta as cartas que se identificavam antes de abertas pelas letras que conhecíamos de cor, de pais, filhos, família e amigos.

A letra de minha Mãe era certinha, inclinada para a direita, muito elegante. Antes de fechar os cabazes de fruta que nos enviava cobria tudo com flores do quintal. Rosas, de Santa Terezinha, sempre que as havia e rematando pequenos bilhetes.

Era profunda, mas discreta nas manifestações de afecto

Tenho um, no meu missal, que diz apenas: hoje recebi notícias tuas e de tua irmã. Foi um dia feliz. Beijos Mãe.

É verdade, já me esquecia de dizer que aprendi a escrever saudade, acentuando o – u - com trema, que, como se sabe, também caiu em desuso.                          

 

                               Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.962 – 27 Março de 2008

Conversas Soltas

 REMINISCÊNCIAS - 31

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publicado por Maria José Rijo às 22:54

Quase um conto...

Quinta-feira, 27.03.08

Porquê eu? – Inquiriu a minha interlocutora.

Porque sempre tive em muito boa conta, a tua lucidez, a tua inteligência, a honestidade dos teus julgamentos e, porque também contabilizo o capital que te advém para o entendimento humano da tua profissão de “Relações Publicas”.

Serve a resposta? - Retorqui.

O seu apreço, se bem que me honre, constrange-me um pouco...mas, está bem, aceito a sua proposta.

Então lê, pondera e diz-me que espécie de pessoa pensas tu que é, – ou, que pode ser - quem escreve isto e passei-lhe para a mão um rectângulo de papel branco com a hermética frase escrita a tinta preta.

amigos

Uma vez que considera como pessoa amiga e convive de perto consigo, não quero menosprezar o seu julgamento, mas, onde lê admiração pela inteligência e apreço pela pessoa cuja formação elogia e cujo caracter respeita, eu só posso, por isto que leio, intuir vaidade, pedantismo e afectação...

Não será extremamente duro esse parecer?

Julgo que não, foi a resposta, e, explico as minhas razões.

Como pode uma pessoa amiga em confidência, pôr em termos tão pretensiosos qualquer dúvida íntima! Eu não entendo.

Só, se, se tratar de alguém com tanto convencimento da sua própria importância, alguém tão convencido da sua superioridade que ao invés de abrir o coração propõe com palavras rebuscadas uma pergunta para a qual, se vê que, já tem a resposta.

E, mais, essa resposta, é-lhe tão favorável em termos de auto-elogio que ela própria, apesar dessa convicção tem uns resquícios de pudor da nudez evidente do seu convencimento.

Pareceu-me a conclusão demasiado dura, demasiado rigorosa, mas, a verdade é que, se no meu íntimo não admitisse a dúvida, ou a suspeita de que algo me escapava no entendimento, na compreensão, daquela maneira de ser algo constrangedora, apesar da correcção de atitudes e da preocupação evidente de se fazer admirar, não me teria ocorrido fazer tal pergunta a Matilde.

Vão anos passados depois que esta conversa aconteceu. Creio bem que ao longo deles nunca mais em tal pensei.

A vida joga um pouco com as nossas posições e, desloca-nos, como os peões num xadrez. Os que hoje estão perto, o acaso que as junta, também as separa, e lhes dá o xeque-mate.

Agora, inesperadamente, nesta onda de expurgo, encontrei, muito dobradinho no bolso dum casaco velho o bocado de papel onde a frase que suscitou esta conversa estava escrita.

Num ápice tudo ficou presente, e, como é natural a estes anos de distância, o meu olhar sobre o assunto já não é o mesmo.

brumas

Penso agora que a opinião que na altura me surpreendeu, seria neste momento, inteiramente subscrita por mim.

Sem dúvida, a amizade e a presença, pesa muito nos conceitos que emitimos sobre as pessoas que nos rodeiam, e, por vezes, a distância, torna-nos mais objectivos e, descortinamos em nós, com absoluta evidência, o que nos recusávamos a aceitar.

São sempre mais independentes, a ajuizar, os olhares de quem está descomprometido, com o complicado mundo dos afectos.

Não sei a frase de cor, e, agora que a queria citar, verifico que inadvertidamente deitei o papel no lixo, mas, estou certa: Matilde, não se deixara iludir, tivera razão.

Reconheço o meu equívoco.

 

                                      Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.706 – 18/Abril/2003

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 21:04

POEMA - Balada da infância

Quarta-feira, 26.03.08

Ai, mundo da infância,

         Como cabes neste mundo?

Ai, promessas,

         Desejos que é bom não cumprir !

Aí, anseios vagos de raro sabor...

Como a vida a cumprir-vos,

Vos rouba o valor!...

 

… Eu lembro-me ainda!

E como esquecer o mundo das gavetas,

          Proibido de mexer?

As malas da Avòzinha e das Tias,

Que só elas abriam… e em certos dias!...

                           

Ai, encantos meus!

Retalhos de seus encantos…

Que punham cobiça em meus olhos

E nos seus névoas de prantos!...

Bocadinhos de tecidos,

Recordações de bordados

De vestidos e arrebiques

De bodas e batizados!...

 

Ai, tremuras dessas mãos,

Tão velhinhas e tão queridas!...

Ao abrirem as caixinhas,

Onde dormiam as chaves,

Dos caixões das falecidas!...

 

Ai, poemas de saudade,

Em palavras tão singelas!...

 

-- “ Vês isto aqui, minha filha?

“Este caracol tão loirinho?

“Era de teu tio avô, meu irmão,

“O que está neste retrato...

“Morreu muito pequenino…

“Coitadinho!...

“Coitadinho!...

 

(Dizia a avó bondosa

A repor o medalhão,

Entre as dobras de d’algum fato.).

Grande mundo das caixinhas,

Sempre fechadas!...

 

Algumas que se abriam a meu pedido,

Tinham missangas, continhas,

Flores secas e plumas,

Restos de sonhos vividos

Que tinham sempre uma história,

Que eu escutava toda ouvidos!

 

-- “Isto aqui...  

 

(Quanta saudade

          Havia em seu recordar!...)

 

 

“… É um pouco de cambraia

“Que sobrou das camisinhas

“Do enxoval de teu Pai,

“E foram feitas da saia

“Do vestido que eu levei

“Na primeira Comunhão!

“Recordo tanto esse dia!...

“Quando voltámos para casa,

“Vinha eu entre os meus Pais,

“E a ambos dava a mão!

 

-- E esta fita tão linda?

 

--“ Não lhe toques deixa estar!

 

            (E uma nova emoção assomava ao seu olhar!..)

 

             

--“ Foi a última que usou

“Antes de ir para noviça

“A minha amiga de infância,

“Minha prima, a Clarinha,

“Que chegou a superiora

“No convento onde morreu

“E do qual era Padroeira

“A Virgem Nossa Senhora!

        

-- E isto aqui, o que tem?

 

 

           (Logo a Avó, com carinho,

            Desmanchava para eu ver

            Um embrulho feito em linho,

            Não fosse a traça comê-lo!)

 

  

--“ É a trança do seu cabelo!...

  “Vês, querida, como era belo?!...

 

………………………………………………

 

E enquanto febril, extasiadas,

E me quedava a sonhar…

A avó fechava a mala,

Com religioso carinho;

E às vezes, no outro dia,

Inda no ar se sentia

Um cheiro muito suave

De alfazema e rosmaninho!...

 

Foi essa mala tesoiro,

Foram caixas e retalhos,

Foram pontinhas de rendas,

Foram retratos e prendas

Dos noivos de minhas Tias

(De minhas Tias solteiras)

Foram leques, pedrarias,

Restos de sonhos sonhados,

Que a morte fez em bocados,

Que geraram, bem o sei,

Os primeiros sonhos que tive,

Os mais lindos que sonhei!...

 

…………………………………………………

 

Minha avozinha morreu…

Não mais mexe em suas malas.

Agora… mexo-lhes eu!...

 

 

Maria José Rijo

19- Março – 1954

 

I Livro de Poemas

Poema nº 11

Pág. 61

Desenhos da Autora

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publicado por Maria José Rijo às 21:26

SE UMA COISA MERECE SER FEITA...

Quarta-feira, 26.03.08

Vinha serenamente.

Regressava lá das bandas onde o Guadiana fingindo-se parado espelha melhor o céu, e fica mais azul.

Perto das “Casas Novas”, detive-me porque um homem que assara sardinhas na berma da estrada e acocorado as aconchegava numa travessa de esmalte tinha a seu lado um companheiro que zurzindo o resto das brasas com um ramo de ervas molhadas espalhava cinza e fumo de tal modo que parecia rescaldar um incêndio.

Identificada a situação segui o meu rumo, lentamente, porque aquela nesga de caminho, à direita, até apanhar a estrada de “Forte de Botas” conserva

ainda aquele cunho de paisagem castiça do fundo dos tempos, que é a raiz do Alentejo e, muito me encanta. Deveria, penso, ser considerada paisagem protegida pela presença da autentica vegetação indígena da nossa zona que ainda evidencia - mato de sobro, azinho, oliveira, zambujeiro...

Seguem-se uma ou outra Quinta beirando a estrada. Logo depois, as habitações pululam pela beira do caminho até há bem pouco desnudo. Penso de imediato se haverá população para o surto desenfreado de construção que nos rodeia. As pequenas quintas naquela zona nada descaracterizam. Antes embelezam. Já o mesmo não sucede com os prédios altos, engaiolados, que cortam o horizonte desta cidade, atalaia, traçada com requintes de sábia engenharia de onde um “forte” avistava outro “forte” e onde a nobre traça mandava que nada empanasse a vigilância cortando o alcance do olhar sempre atento aos horizontes.

Nesses outros tempos, havia vagar para sentir melhor que uma cidade não é apenas o conjunto volumétrico das suas construções.

Uma cidade tem, também, a sua feição histórica, religiosa, romântica, laboriosa, gastronómica, tradicional, típica que lhe confere alma própria e cunho particular e que sendo indizível se capta com a sensibilidade do coração e se interioriza.

Uma cidade tem cor – tem cheiro – tem alma.

Elvas é ocre. Ganhou esse tom, quase dourado, do reflexo do céu nas suas velhas muralhas.

Elvas tem cheiro de terra seca e de restolho no Verão. Guarda em cada parede, com o travo da cal, o perfume das eiras desde tempos imemoriais, e de olivais em flor, e da terra húmida e fértil onde o suor dos ganhões, e o sangue dos soldados que deram em definitivo a independência a Portugal se mistura com a promessa das sementes novas que em misterioso silêncio germinam no mesmo chão.

Elvas resplandece em cada pedra das suas fortalezas num halo luminoso e mítico de perfume de história como flores de saudade.

 

Elvas em Setembro Resende a incenso, foguetes, rastos da festa das almas que louvam ao Senhor da Piedade; e aos petiscos gulosos que satisfazem o paladar, e deixam a flutuar no aconchego dos lares um persistente cheirinho de tradição que se renova cumprindo-se...

Assim pensando, passei com a saudação do costume: - Bendito seja o Senhor Jesus da Piedade! - Pela igreja que para as festas já se começa a engalanar, e dei com as obras de alargamento da estrada que corre entre a Tapada da

Saúde e, a saudosa Quinta do Bispo, de cujo desbarato o futuro ainda há-de falar. (a nova lei de classificação dos solos para Elvas já vem tarde. Guterres acordou só agora! E, é pena...)

Das olaias, amoreiras, conteiras, etc. etc... que durante quase um século, seguramente, fizeram alas para quem passava - nem o rasto. Vim então pensando se, também ali, em seu lugar, iriam surgir palmeiras...como agora parece ser moda em Elvas.

Deus queira que não! Senhor, tende piedade!...

Na nossa zona dão-se bem as sebes de giesta que, quando em flor, fazem a festa do amarelo, as sebes de romãzeira, de loendros, de piricanta, espinheiro,...Dão-se bem olaias, jacarandás, conteiras, e tantas mais, para quê, e porquê a palmeira guarda sol, de imagem tão exótica, como separador de estradas?

Porque não amoreiras, que, como nenhumas mais, fazem parte do historial de Elvas?

É que:  “datam  dos fins do século 15º, (estou a citar Vitorino de Almada) as notícias que aparecem no Arquivo municipal de Elvas sobre a cultura obrigatória da Amoreira, para o desenvolvimento da industria da sêda,...

Mandou el Rei D. Manuel por carta sua, escrita ao concelho em 1498,que cada pessôa que possuísse quintas e heranças puzesse em cada uma d´ellas, nos primeiros quatro anos seguintes, 50 árvores novas entre pereiras, maceiras, e cerejeiras, e só fixava o número d´amoreiras, que seriam 10”

Mais tarde, segundo a mesma fonte, o Príncipe D. Pedro em 1678, por carta, à vereação, volta a insistir no cultivo da amoreira.

O tempo passa, a história prossegue, a obrigação do cultivo é destinada por derrama a cada fazenda segundo a sua extensão e importância.

E, assim “Ao todo sommam as amoreiras que n´este termo se devem plantar, segundo enumeração acima, (refere os nomes de todas as quintas e hortas) na quantia de 1598 amoreiras.

 

Concluindo: a árvore histórica de Elvas é a amoreira.

Ela baptiza não só o Aqueduto, como muitas quintas, hortas, e lugares.

Não se trata, aqui de criticar por criticar, trata-se de apresentar alternativas, justificadas pela história e pelas obrigações que ela nos impõe.

Trata-se de história. História de Elvas.

Sejamos, então, coerentes e reconheçamos que a presença de palmeiras na rotunda do aqueduto, além de despropositada e feia é quase ofensiva...

Deixemos a profusão de palmeiras para onde elas são naturais e são tão cartão de visita como a azinheira é entre nós... deixemos os passeios sem calçada à portuguesa para as ruas da vizinha Espanha...

Sejamos portugueses de brio.

Respeitemos no possível o que é genuinamente nosso, que fala da nossa história e tradição, o que tem a ver com a nossa cultura ancestral.

É o mínimo que podemos fazer por respeito ao passado e ao futuro.

Até porque: - se uma coisa merece ser feita, merece ainda mais ser bem feita.

                             Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.622 – 7 /Setembro/ 2001

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:30

Vai a Procissão na Rua

Segunda-feira, 24.03.08

 

Globo - Livro de leituras para o Ciclo Preparatório

Do Ensino Secundário

Carlos Alberto Silva

Prof. Efectivo do Ensino Secundário

Depositária - Atlântida Editora, S.A.R.L.

Coimbra 1968

Texto de Maria José Rijo

na página - 114

 

 

 

.... "Aquele, Senhora, é o meu!"

Disse a criada a tremer

Na dupla e doce emoção

De apontar para o filho,

E de ver a procissão!

Aquele ?!

-- Mas qual, mulher?

Vai ali a escola inteira,

São mais de cem, certamente!

-- "O descalcinho, na frente

Ao pé de Nosso Senhor!"

E toda se debruçava

(Sobre a colcha de damasco

Que a janela cobria,

E que a aragem ondulava

Para saudar outras janelas

Onde a riqueza sorria)

E enlevada dizia:

"-- Olhe lá, Senhora, olhe!

Que bem lhe fica a batinha!..."

.......................................................

Na rua, por entre cânticos,

Subia o cheiro das velas,

E ainda mais alto que elas

O incenso em seu odor!...

E mais alto, bem mais alto,

Subiria aquele amor

Que olhava o filho descalço

Seguindo atras do andor!

 

 

Maria José Rijo

31- Maio - 1956

 

II Livro de Poemas - Paisagem

Poema nº 9

pág - 45

Desenhos da Autora

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:55

“Não me move, Senhor, para querer-Te”

Sábado, 22.03.08

            Por vezes, de um ou de outro ponto do País, onde o “Linhas de Elvas” chega, recebo notícias, recortes de jornais, documentos, que alguns leitores cuidam ser de utilidade para mim – o que muito me sensibiliza e agradeço.

            Desta vez, Viana do Castelo, recebi “farto” presente, quer na quantidade das sugestões que me são propostas, quer na qualidade.

            Pego, para já, numa delas que, confio, há-de encontrar alguns outros apreciadores.

                         O Êxtase de Santa Teresa (grafito anónimo, Lx, 1994)

Trata-se de um soneto que em 1746 foi publicada com privilégio real em Lisboa sendo pelo Padre Fr. Joan Franco que o editou, atribuído, como pode ver-se a S. Francisco Xavier.

                                                

Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido:
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido.
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu, ainda te amara
E a não haver o inferno te temera.

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.

                                                         

            Sobre a qualidade do poema, não me manifesto.

            Quanto eu ousasse dizer, seria apenas sombra embotando a luz que dele irradia.

                           

            Porém, o curioso da situação é que o mesmo soneto é citado em mais dois artigos que também me foram enviados – como sendo da autoria de Santa Teresa de Ávila.

            O autor de um dos textos – Joaquim Montezuna de Carvalho -  entre considerações várias cheias de interesse, conta, que a autoria do célebre poema também foi (ou é ? ) imputada a Santo Inácio de Laiola, ao frade Pedro de los Reyes, ao Beato Juan de Ávila, a Lope de Vega ...

Por sua vez, Fina d’Armada (professora e escritora) sob o título: - “A cidade da Santa Doutora “ fala com entusiasmo e admiração de Santa Teresa afirmando que Ávila célebre pelas suas muralhas (as mais bem conservadas do mundo) e por toda a sua beleza – é mais célebre ainda pela sua Santa, cujo culto, aliás, é universal.

            Refere, a certo passo, como curiosidade que até na gastronomia a Santa é venerada designando-se por gemas de Santa Teresa, uns doces deliciosos da região. Conta ainda o pormenor da maneira como é permitida a visita a algumas dependências do Convento onde a Santa viveu.

            Nos compartimentos sem janelas – a luz vindo apenas do alto – os visitantes são fechados lá dentro sozinhos.

            Para sair tocam a sineta puxando uma grossa corda.

            Recria-se desta forma a sensação de clausura de quem por ali habitou, pensando, rezando e meditando.

Teresa de Jesús

 A emoção assim provocada, deduz-se, está também contabilizada no interesse turístico que gera.

 Estas e outras curiosidades, ao fim e ao cabo, enredam-se em torno dum poema de perfeição, beleza e espiritualidade que não permite dúvidas – mas – cujo autor não está, ao fim de séculos, perfeitamente identificado. 

De qualquer forma esta prova de amor por amor – este amor de graça votado a Deus – não deixa margem de dúvidas a ninguém que, só pode ser, linguagem de santos.

 

                Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.373 – 25 de Out. 1996

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:49

POEMA – Oh, Minha Mãe, Não Sorrias!

Sexta-feira, 21.03.08

Viajei no teu olhar,

Minha Mãe!

Quando para mim não olhavas

E estavas queda a olhar

Essa menina que fui

Num passado que lembravas

Quando a sorrir, arrumavas

Roupinhas que eu já vesti!...

 

Viajei no teu olhar,

Minha Mãe!

Fui procurar a menina

Que tu estavas a ver,

E para quem assim sorrias,

Onde ela devia estar,

Aqui bem dentro de mim.

 

Oh, minha Mãe, não sorrias

Que a menina não te vê!

Eu não a pude encontrar.

Minha Mãe, olha p’ra mim!

Oh Mãe, não rias assim!

 

Mãezinha, peço-te eu!

Oh, minha Mãe!

Pois não vês

Que essa menina morreu?

 

Choremos por ela Mãe!...

 

Maria José Rijo

1955

II Livro de Poemas Paisagem

Poema nº 19

Pág – 87

Desenhos da Autora

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publicado por Maria José Rijo às 21:03

Fonte da Fé - Senhor Jesus da Piedade de Elvas

Sexta-feira, 21.03.08

Com desejos de uma Santa Páscoa

para todas as pessoas

que passarem por este blog.

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publicado por Maria José Rijo às 15:58

Dia da Primavera - 21 de Março

Sexta-feira, 21.03.08

um passeio pelas Olaias

 

...

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publicado por Maria José Rijo às 11:38


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Pensamentos de Mª José

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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