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Poema - Deve ser Bom estar louco

Sábado, 08.03.08

-- Ai, deve ser bom estar louco!

 

Nada fazer como os outros,

Ser espontâneo!

E tampouco

Recear a má figura!...

 

-- Ai, deve ser bom estar louco!

 

Fazer o que dá na gana,

Nada temer, nem ninguém!

Nem bondades, nem castigo,

Que é sempre prémio também!...

 

-- Ai, deve ser bom estar louco!

 

Fazer o que o pensamento

Como deus absoluto

Nos ordena e nos impõe!

Porque ser louco, afinal,

É ser bom e ser brutal,

Mas é sermos nós, finalmente,

Quando da vida e do mundo,

Tudo nos é indiferente…

Quando os últimos preconceitos

Cedem à nossa vontade…

 

-- Ai, deve ser bom estar louco!

Dentro da nossa verdade!!!

 

Maria José Rijo

24 – Abril-1954

 

Poema Nº 8

Pag 49

Desenhos da autora

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publicado por Maria José Rijo às 21:43

Dia Mundial da Mulher

Sábado, 08.03.08

Todos os dias são dias de tudo.

Em todos os dias se nasce, se morre, se sofre, se ri, se canta, se chora, se reza, se exalta ou maldiz a sorte, a Vida...

Penso, por isso, que dedicar um dia à árvore, à paz, aos avós, à criança, ao teatro, ao pai, à mãe, à música, não é nada mais do que privilegiar um assunto em especial, de cada vez, para faze-lo realçar da amalgama e interesses que em cada momento se confundem neste mundo de todos nós, onde a tudo cabe a sua importância relativa.

                        

Em dia 8 de Março, coube, ou cabe, como em cada ano nesta data, pôr em evidência a intervenção da Mulher no mundo actual.

Porquê a mulher e não o homem, parece ficar por demais evidente se reconhecermos que foi a mulher ao longo dos tempos considerada como ser inferior, subjugado ao poder dos homens, e, por eles comandada e a eles submetida como qualquer outro animal doméstico.

Da luta pela sua emancipação, toda a gente sabe e fala.

Foi de séculos a caminhada.

               

E, a falar de tudo isso teríamos “pano para mangas”, como soi dizer-se, até porque, na ânsia de conquistar o seu devido lugar, a mulher de hoje extrapola da sua medida (certa?) exigindo, não já a justa igualdade de direitos como ser humano, mas uma equiparação por decalque do modo de estar na vida como se mulheres e homens fossem uma e mesma coisa, o que como é evidente nunca poderá acontecer.

Será sempre no ventre da mulher que o ser humano será gerado, ainda que se entre no mundo tão maravilhoso como assustador das experimentações de clonagens e outras intervenções nos mistérios melindrosos da genética .

S_Mulheres.jpg (14092 bytes)

Mas, não é a esse assunto que venho, que, esse, pela vastidão da minha ignorância, só me pode emudecer...

Já que a escolha é minha, prefiro abordar o tema – Mulher - olhando a mulher como gente, como pessoa, ser humano, sujeito às mesmas vicissitudes que todo e qualquer ser humano .

                            

Prefiro fixar a minha atenção no drama da marginalização social que, muito principalmente na velhice atinge o ser humano, homem e mulher, indiscriminadamente.

Ouvi há pouco tempo na televisão, um actor brasileiro dizer, com bom humor, e muita inteligência, que só conhece um caminho para quem vive: - envelhecer!

               Picasso:  Woman with Book

            Estando a infância e a juventude no começo da existência, só serão velhos os que, ultrapassarem esses estádios e, para tanto, viverem.

Já que a idade é a consequência natural da vivência. E se toda a gente defende a sua própria vida, vale a pena olhar de frente estas realidades: - velhice, marginalização social e solidão!

   

Em “ Elogio da Velhice”Hermann Hess, escritor alemão e prémio Nobel, deixou escrito: - “ Envelhecer de modo digno e manter a atitude e a sabedoria condizentes com a idade que se tem é uma arte que não é de todo fácil; a maioria das vezes a nossa alma está adiantada ou atrasada em relação ao corpo

              

Este é um problema crucial do homem e da mulher, um problema de gente – um problema da “gente” – quero dizer, um problema de todos nós – o equilíbrio entre o corpo e o espírito que não envelhecem necessariamente ao mesmo ritmo.

Solidão é condição intrínseca do ser humano, mas não é apanágio da velhice, ou de qualquer idade específica.

Só que na juventude, pelo bulício, pela inquietude, pelas solicitações do mundo exterior, pela própria aventura de viver e experimentar emoções, quase nem fica espaço para pensar nesses assuntos. É o tempo de acção, da embriagues de tudo querer e tudo provar...embora, nada satisfaça em absoluto a ânsia que leva à desenfreada procura.

Então a velhice, porque estando no extremo oposto se afigura longe, aparece aos olhos dos jovens como uma coisa estranha, doentia, de uma fragilidade quase obscena, onde tudo de mau acontece.

                       

No entanto, nas emoções, nos sentimentos, na dor, no sofrimento, e na afectividade não há velhice, nem juventude.

Há apenas gente, que a nada do que é humano se pode eximir...Nem ao desencontro do ritmo do envelhecimento do corpo e do espírito!

É que a Vida é uma só.

Nela se entra nascendo e dela se sai, por uma porta única – a morte.

Não importa se somos bonitos ou feios, perfeitos ou disformes.

Não importa a nossa forma ou aparência, importa, sim, de que maneira se faz a travessia...

A todos o Criador permite aquele trajecto mais ou menos curto que nos permite dizer: - a minha Vida, a nossa Vida... Que é a mesma, igual para tudo e todos.

Nela respira a árvore e pulsa o infinito,

Deus não dá vidas usadas, vidas de saldo ou vidas em segunda mão.

Dá Vida. Concede-nos o direito de sermos – individualmente responsáveis – isto é: de sermos sós, cada um -  único - embora integrado activamente, no Universo - responsável pelo tempo que usa na sua trajectória desde o nascer ao morrer.

               

        Ainda que à nossa vaidade e pseudo importância pese, continua a haver dia e noite, Primavera e Verão, pássaros a cantar logo nas madrugadas e cigarras fazendo vibrar o ar quente quando o sol está a pino, e grilos cantadores matizando os sons dos campos com a estridência do seu cri-cri! E os morcegos continuarão a esvoaçar no escuro e as corujas e os mochos hão-de causar arrepios a quem ouvir o seu lúgubre piar nas noites de breu. E no céu hão-de brilhar estrelas e as nuvens hão-de esvoaçar com o sopro do vento, ainda que nós tenhamos partido para sempre...

Talvez a consciência desta nossa insignificância possa fazer brotar em nós o desejo de conquistar a única importância relativa que podemos adquirir, sendo solidários com o nosso semelhante.

Afinal : - amando o próximo como a nós próprios...

Ninguém repudia viver o Inverno ou a Primavera...

Todos aceitamos os ciclos do tempo.

Porquê descriminar a velhice, se, como o Inverno, ela é inevitável no seguimento natural das estações para quem já tenha ultrapassado as antecedentes...

Todos trazemos em nós o sinal, a marca da criação.

Uns chamam-lhe alma, outra consciência, outro espírito, não importa o nome que se lhe dê.

Importa que todos por esse sinal íntimo sabemos o que é o Bem e o Mal! –

Embalando os filhos as mulheres embalam o mundo!

Que seja o Amor, a Justiça, a Solidariedade, a Fraternidade o tempero do «alimento» que das suas mãos receba esse «mundo» onde – elas - já ganharam a visibilidade necessária para mostrar do que são capazes, ganhando  mais essa batalha.

            

Não olhemos os velhos como gente em saldo.

Não há saldo de Vida.

Sobre os novos têm eles, uma vantagem – têm a memória do passado, a riqueza das experiências vividas – o que lhes dá uma cumplicidade com a “solidão de ser” e um olhar de paz em relação à morte, a que  os  jovens ainda não têm acesso...   

 

Maria José Rijo 

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.700 – 7/3/03

Conversas Soltas

 

                       

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