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DOLORES Parabéns

Sexta-feira, 21.03.08

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Parabéns de nós duas

Felicidades

Tia Zé e Paula

...

E como estamos no inicio da Primavera

que tal comer o bolo à sombra

de uma Oláia em Flor

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publicado por Maria José Rijo às 00:13

Poema - Arrojo

Quinta-feira, 20.03.08

 

Se fores seguro da tua verdade

Mesmo a percorrer caminho errado,

Não pecarás…

Digo-te eu!...

 

-- Só é pecador o que por medo ou traição

Anda a percorrer rotas várias

Sem convicção!

 

-- O raciocínio é fraco?

 

-- Por ser humano é falível?

 

-- Não te importes!

 

Se foi Deus quem me criou,

Ele aceitará o fruto

Da inteligência com que me dotou!

 

Maria José Rijo

8 de Janeiro de 1954

 

I Livro de poemas

Poema - nº 7

Pag 45

Desenhos da Autora

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publicado por Maria José Rijo às 19:33

ESTEVA

Quarta-feira, 19.03.08

Mais intensa do que a cor

de uma giesta em flor

mais vibrante que a giesta

que veste amarelo em festa

É o perfume do mato

Quando o sol passando a pino

lhe aviva mais o destino

de fazer cheirosa a serra

E ... se é a esteva que a habita

com suas folhas escuras

(com folhinhas verde-escura )

e aquela flor bonita

recortada em seda mole

Quem há que não se console

de inspirar à saciedade

aquele ar de céu aberto

que sempre falta à cidade ?

e ... pode até relembrar

dos tempos da sua infância

a tal famosa  advinha

que tanto mistério tinha:

“Verde foi meu nascimento

e de branco me visto

as cinco chagas de Cristo

Representaram-se em mim !”

Depois, colhendo a flor

Verá como cada pétala

tem uma pinta de cor

uma dedada vermelha

que no branco alvo se espelha

como sangue num sudário

E... se pensar que essa flor

dá fruto: - “ as pióguinhas”

que nas mãos da garotada

jogadas como ao pião

bailam... bailam pelo chão

como sua mãe flor

que a cria lá pela serra

baila ao vento e canta a terra.

quando o sol quente de lume

a faz suar em delírio

o tal viscoso perfume!...

 

 Maria José Rijo

(13-4 – 85)

LIVRO DAS FLORES

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:43

Falando de Centenários

Quarta-feira, 19.03.08

Ele já era um homem quando entrei na sua vida. Ele foi meu Pai e eu a sua terceira filha.

As conversas sobre ele pareciam padre-nossos rezados de enfiada, tão semelhantes se afiguravam aos meus ouvidos de criança.

O Pai dá. O Pai ensina. O Pai disse. O Pai leva. O Pai trouxe. O Pai ganha o pão. O Pai contou à Mãe. O jornal do Pai. Os livros do Pai. Não se faz barulho que o Pai está a descansar – a ler. O Pai saiu. O Pai voltou. Dá a mão ao Pai. O Pai gosta – não gosta – fez – aconteceu…

Havia o Pai do Céu, que é Deus distante e havia o Pai dentro da nossa casa, que era o deus próximo, que tudo resolvia – directamente – e era o centro do nosso universo doméstico.

Se, porém era o Pai a falar, o eixo do mundo deslocava-se para a Mãe – que ficava então no centro de tudo.

Havia a família envolvente – Avós, tias – e a minha irmã, em cuja sombra eu me deslocava. Havia também “a filha que Deus tem” e estava connosco – principalmente – num quadro pendurado na parede à cabeceira da cama de meus Pais.

Era pequenina, vestida de rendas. Tinha um sorriso de estampa e, embora parecesse, na sua quietude, uma boneca, não era. Todos se comoviam só de olha-la. Estava no céu. Longe, portanto, embora exposta, noite e dia, na parede.

Mas, os adultos são tão grandes que, mesmo perto, estão sempre distantes e acima das crianças.

São precisos anos para os filhos descobrirem (e os pais consentirem em confessar) que os adultos também foram crianças. E isso é tão surpreendente que, na altura têm que ver fotografias e pedir a comprovação dos Avós para crerem na descoberta. A partir daí os Pais ficam menos distantes e quando vamos à escola já não são deuses, é ainda com a figura deles que se esgrime. São então os nossos heróis.

O meu Pai disse. Já lá esteve. Já viu. Hei-de contar ao meu Pai o que o disse o professor, porque o meu Pai sabe melhor…

Pai e Mãe são ainda as rodas dentadas que, encaixando-se, fazem girar o Mundo. São o relógio onde os filhos são os segundos, dos minutos, das horas, dos dias, dos anos da vida dessas figuras bíblicas de – Pai e Mãe.

Corre veloz o tempo. Um dia, formados, casados, solteiros, fardados, empregados, certinhos, desvairados – cada qual, parte à procura dum caminho à medida do seu pé – pé de filho – difere, de pé de Pai. “A procura do futuro” – é a frase usada na circunstância.

Como se o futuro fosse flor de corte ou, simplesmente, estivesse, ali, sentado à esquina, à nossa espera, para ser colhido. Só, se colhido de surpresa por ver gente, a passar, à procura “do amanhã” sem reparar que a existência é a soma de “hojes”.

Meu Pai teria feito 100 anos neste mês de Julho.

Há vinte que não o encontro senão em mim, onde permanece. Em mim o canto, o louvo, o conto, o choro, porque em mim vive consubstancialmente e em mim o preservo de ser esquecido.

Pensei, por isso, que era justo falar daqueles que, abaixo de Deus, estão no começo das nossas existências, estão lá com as mais nobre humildade porque nos aceitam antes de nos conhecer, e se propuseram receber-nos, amar-nos e proteger-nos até para além da esperança que porventura possam ter tido, de que lhes enchêssemos a vida de alegrias.

Mesmo desencantados, não se demitem da esforçada afeição que nos devotam até ao fim das suas, ou das nossas, vidas.

Comemoram-se centenários de Poetas, Artistas, Sábios e Santos.

Comemoram-se os centenários de todos quantos marcaram, pela poesia, pela arte, pela sabedoria, pela santidade os caminhos das nossas vidas.

Lembre-se também, cada um de nós, daqueles que nos receberam quando nascemos, nos embalaram, cuidaram e deram a mão enquanto crescíamos com o sonho de que descobríssemos, pela força do seu amor, que o Bem é um limite, tão possível quanto outro, e desejaram que fossemos capazes de dar testemunho honrado das vidas que nos transmitiram.

 

                                    Maria José Rijo

@@@@@@@@@

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.054 – 3 - Agosto – 1990

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:05

“Quand il est mort le Poéte, tous ses amís ont pleuré”

Segunda-feira, 17.03.08

É difícil determinar, por vezes, quais são as proporções acertadas para acentuar cada circunstância.

As grandes parangonas que os jornais usam para veicular uma notícia – nem por se ajustarem com sinceridade à emoção do momento – se adaptam, na maior parte dos casos, mais exactamente à verdade que pretendem sublinhar, como igual, para toda a gente.

        Gaivotas ...

A objectividade precisa de um olhar largo, que, às vezes, a emoção não consente. Cada pessoa tende para fazer pender a balança para o seu lado, olhando do ângulo que mais a conquista.

Qualquer tendência partidária, não é, necessariamente mais importante, ou mais sincera do que a outra.

Os factos históricos, só vistos à distância, sem paixão, adquirem as proporções mais certas – o que, não significa – menores!

Com as pessoas também assim pode acontecer. Só o tempo lhes alongará a presença ou a sombra…

                                      José Gomes Ferreira

Algumas porém, como José Gomes Ferreira, adquirem em vida, tal dimensão, que,

quando um dia partem – todos se apercebem de que, apenas continuam! – mais presentes talvez, na medida em que transcendendo os limites da sua existência humana – foi pelo pensamento que se tornaram vivos na consciência dos seus contemporâneos.

Mas… para falar de um Poeta – o melhor é a sua poesia:

                  Voei como Fernão Capelo Gaivota...

“Leva-me os olhos, gaivota”

 

Leva-me os olhos, gaivota,

e deixa-os cair lá longe naquela

ilha sem rota…

Lá…

onde os cravos e os jasmins

nunca se repetem nos jardins…

Lá…

onde nunca a mesma aranha tece

a mesma teia

na mesma escuridão das

mesmas casas…

Lá…

onde toda a noite canta uma

sereia

… e a lua tem asas…

Lá…

 

Deixo aqui, hoje – “lá dessa ilha sem rota” os “cravos e os jasmins” – numa molhada de mágoa que, com a minha mão anónima deponho à memória do Poeta e, alongo a homenagem a Nuno de Bragança, que também morreu agora, e,

                                       Sebastião da Gama

     

cuja presença não pára de crescer embora este mês se cumpra mais de três dezenas de anos sobre a sua morte.

 

                              Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.774 – 22 Fevereiro 1985

Á Lá Minute

        

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publicado por Maria José Rijo às 20:26

O ALECRIM

Domingo, 16.03.08

Foi uma cantiga, que me disse a mim, que a flor do mato era o alecrim.

O alecrim é uma planta popular. Cria-se sem cuidados em terrenos pobres,

como gente sem linhagem. Não impõe distância a ninguém como as

altivas e nobres flores de estirpe.

Do alecrim até se devia pensar em sentido colectivo - como quando

se diz: - Povo!

A flor do alecrim é azul anilada, miúda, franzinita, mas doce na sua modéstia.

As abelhas libam-na com gula e as pessoas cheiram-na com gosto.

Cresce nos campos, vive nos quintais e não desdenha mesmo como sebe,

viver em jardins mas... tem tradições !

Cumpre ritos e crenças. É cinza em Quarta – Feira de Cinzas!

Vai à missa em Domingo de Ramos.

Vai moiro – volta bento.

É oferecido para lapela de padrinho, decote de madrinha... onde fica

a murchar e a recordar obrigações de amêndoas para Quinta-feira Santa.

... “Aqui está este raminho!

Verde é e verde cheira...

e fica preso para Quinta-Feira!...”

Seca esquecido.

Vai para o lixo ou para o fundo da gaveta e dele nos apercebemos pelo

discreto e vago perfume, como de uma reminiscência...

- É tempero ! - vai ao forno no assado (há quem aprecie) mas, calha a

preceito no cozinhado do coelho manso a que corta a insipidez da carne

doce e branca !

- Faz chá de beleza para cabelos fracos. Recompõe roupas pretas já

gastas e ruças pelo uso...

- Entra nas mézinhas das bruxas quando fazem benzeduras!...

“Eu te coso, por carne quebrada e nervo torto!

Melhor cose a Virgem do que eu coso.

A Virgem cose por vão - eu coso pelo osso

Em louvor de Deus e da Virgem Maria

Padre Nosso e Avé Maria!

E... a velha a coser no novelo com a agulha sem linha e o alecrim

inocente - a arder! - a arder!... a arder!... - a consumir-se ao

som das loucas ladainhas .

É uma panaceia !

Aviva a memória! - conserva a juventude !

E... nas trovoadas’!!!

- Que é do alecrim ? - o alecrim benzido ?

- onde pára ele ? - onde está metido ?

p’ra queimar um pouco

que afasta os trovões !

Ai, Santa Barbara – nos acuda

Ai que aflições!

Barbara bendita - que no céu está escrita

e na terra assinalada!...

Superstição e fé de mãos dadas. Verdades e lendas com o

mesmo perfume: - alecrim!

- Ai alecrim, alecrim!

Também te cantam ! - Cantam-te aos molhos mas logo te acusam:

“Por causa de ti choram os meus olhos”

És pobre e modesto! - logo te culpam ! - Então como querias?

- mas tu, alecrim - porque não desmentes?

Ai alecrim! Alecrim!

Não fora a fogueira, o fumo

e toda a gente veria - se isto não fora assim como me ardem os olhos

como minhas faces queimam de chorar  triste por mim !

Ai alecrim! Alecrim!

Das cinzas que restam - do tempo passado

o vento que sopra - espalha sem dó

tudo o que encontra do fogo apagado

e no chão varrido - na mancha sem pó

Só baila a saudade

Só, saudade, só !..

  

Maria José Rijo

LIVRO DAS FLORES

@@@@@

Fotos do blog:

http://olhares-meus.blogspot.com/

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publicado por Maria José Rijo às 21:02

POEMA – COMO TE ENCONTREI

Sábado, 15.03.08

Andam por aí como loucos

Na ânsia de TE encontrar…

E remexem o universo

Quando TE querem explicar…

 

-- Não posso entender o mundo!

 

Quando acordei para a vida,

Logo aí TE pressenti…

… E não cuidei de pensar

Nem nas estrelas, nem na terra,

Nem na beleza do mar

Para TE poder encontrar …

 

… Foi tão simples!

Foi assim:

 

-- Senti-me criação TUA,

-- Achei-TE, olhando p’ra mim!!!

 

Maria José Rijo

6- Janeiro – 1954

I Livro de Poemas

… E Vim Cantar

 

POEMA nº 6

Pag. 41

Desenhos da autora

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:43

“Pão e amor”

Sexta-feira, 14.03.08

“Pão e amor” é o título de uma obra da autoria de Knut Hamsun, escritor norueguês a quem foi atribuído o prémio Nobel de Literatura em 1920.

Trata-se de um livro apaixonante, cujo enredo se desenvolve em torno da história de uma família de colonos que se instalam nas terras desoladas e frias do norte da Noruega; onde vivem os seus dramas e as suas alegrias com o espírito heróico dos desbravadores.

Fala-se nele, do amor à terra “origem de tudo, fonte primacial da vida”, – como no próprio romance se lê, e dos homens amando segundo a lei de Deus, e vivendo entre os animais que os ajudam no trabalho e no sustento.

Lembrei-me desta obra que, na adolescência, muito marcou a minha sensibilidade quando, recentemente, a nossa cidade foi invadida pela notícia brutal da morte de uma recém nascida em condições pouco claras.

E, lembrei-me porquê? – Lembrei-me porque a heroina dessa história, do referido livro, nascera com o lábio rachado o que, desfeando-a, lhe reservou uma vida de exclusão em relação a todos os prazeres e alegrias da juventude e, a fazia esconder-se com vergonha daquela fealdade que a expunha à curiosidade e repugnância de toda a gente que, por esse facto, a descriminava cruelmente.

Só aquele colono, pobre e feio a aceitou porque ninguém mais o queria, a ele também, e tinha necessidade da companhia de uma mulher, para a sua aventura em procura da posse de um pedaço de terra, nos difíceis tempos da colonização.

Assim que, ao sentir-se, meses depois, grávida, a mulher, disfarça o seu estado, e ao perceber perto, a hora de lhe nascer a criança, afasta o homem e, mata a filha porque vem ao mundo com o mesmo defeito que fizera dela um ser revoltado e infeliz toda a vida.

Arrepia! - Espanta! Revolta! – Mas faz pensar...

Como era de esperar a certa altura o crime é descoberto, a mulher é presa e, é julgada e condenada.

Na penitenciária, tem comportamento exemplar, recebe instrução, acaba sendo operada para correcção do lábio que fica escorreito. Durante o resto da sua existência ela carrega a mágoa e o remorso do infanticídio a que por ignorância, a força do amor pela filha a conduziu, na ânsia de lhe poupar o sofrimento de uma vida de tragédia igual aquela a que o terrível defeito a condenara.

Curiosas, são as considerações da advogada de defesa que, então, argumentava assim:

- “ Nós as mulheres constituímos a metade infeliz e oprimida da Humanidade. Quem faz as leis são os homens; as mulheres nem podem dar o seu parecer.”

“- E há ainda outro lado da questão a encarar. Porque é que o homem não é incomodado? A mãe que cometeu um infanticídio sofre a prisão e os rigores da lei; mas ao pai da criança, ao sedutor, nada se lhe faz”.

 Curioso é que este e outros argumentos usados há mais de oitenta anos ainda tenham actualidade. Pois que, se é verdade que as leis hoje não são feitas apenas pelos homens, não é menos certo que em muitos extractos sociais os homens tiranizam as mulheres, violentam as suas consciências, levam-nas à loucura causada pelo peso dos infortúnios que lhe infligem, batem-lhes, fecham-nas em casa, deixam-nas sobrecarregadas de trabalho e miséria, até nas pesadas horas de solidão e sofrimento físico que um parto causa.

Depois, depois...a sociedade que isto permite. A sociedade que esquece a educação, a assistência social, que discute tostões em reformas de miséria e faz estádios de exibicionismos milionários, etc, etc, espeta o dedo e acusa.

Dispor de leis justas e progressistas, não é solução para todos os males da humanidade.

Mais importante, ou tão importante é dar ao povo a preparação para as conhecer e cumprir.

É dar-lhe a consciência cívica dos seus deveres e direitos.

É garantir-lhe condições de dignidade de Vida.

É acordar, ou, criar a consciência de uma sociedade egoísta, alienada por falsos valores, que cultiva as aparências, mesmo à custa da fraude, que, quase sempre, julga e acusa sem meter a mão na consciência procurando e aprofundando as causas, as origens de certos crimes e delitos de que os réus são, muitas vezes, as principais vitimas...

E, ainda há quem defenda o aborto! – Espero, um dia, vir a entender qual é a diferença entre matar um filho às escondidas no segredo de um ventre ou, após o nascimento!...

A falha, é minha, por certo.

                                   Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.653 – 12/Abril/2002

Conversas Soltas

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:07

POEMA – DESEJO

Sexta-feira, 14.03.08

Que bom seria ser calhau da beira-rio!...

 

Redondo, oval, achatado,

Mas polido, amaciado

Tal calhau da beira-mar…

Sem arestas…

Calhau rolado, rolado…

Por mil ondas e marés!

Calhau rolado, rolado…

Sem destino fixado

No seu destino fatal!...

 

E não ser pedra cortada

Duma rua calcetada

Onde a mesma gente passa…

Que se vê amaciada,

Mas tem ângulos escondidos,

Enterrados, esquecidos…

E só mostra dia a dia

A face lisa e macia!...

 

Maria José Rijo

20-Maio-1954

LIVRO I

…E Vim Cantar

Poema- nº 12

Pag – 71

Desenhos da Autora

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:56

Casimiro Abreu

Quinta-feira, 13.03.08

Em dezanove de Fevereiro de dois mil e três, com oitenta anos, faleceu em Elvas este Poeta, que, também em Elvas tivera o seu berço em vinte e dois de Janeiro de mil, novecentos e vinte e três.

Foi a enterrar há três anos discreta e apagadamente.

Não deixou heranças fabulosas em dinheiros e bens materiais deste mundo.

Nada do que torna importantes, as pessoas, nesta vida.

Nada do que torna as pessoas colunáveis e condecoráveis.

Nada!...

Nem sequer foi jogador de futebol!!!

Nem ganhou o totoloto!

Não teve, por isso, um aceno de saudação, oficial, da sua terra, nem foi capa de jornais.

Não está na toponímia da cidade – não é nome de rua, nem de praça!

Nem de estádio!

Foi apenas um Poeta!

Um poeta que fez Elvas crescer na área em que o ser humano, realmente vale – em ideias, em iniciativas que tornaram a cidade conhecida por eventos culturais que alargou até Espanha.

Um poeta que idealizou progresso através de empreendimentos que outros aproveitaram para prosperar!

Um poeta, que com inteligente ironia, glosou em poemas satíricos os símbolos do conservadorismo e do atraso parolo, que impediam a sua cidade de olhar em frente...

Um poeta, cujo capital era massa cinzenta e, a coragem de a usar...

Um poeta que, está também, na génese dum jornal que dirigiu, e que foi lutador, valente e ousado, quando era difícil e perigoso sê-lo.

Um homem que sabia que a Vida, também é risco, e arriscava sem medo.

Um homem que não consentia que atacassem qualquer dos seus colaboradores, e considerava como feita a si próprio, qualquer beliscadura que alguém ousasse contra eles...

Um poeta com alma e coragem, que não virava costas a quem estivesse ao seu lado, lutando por valores que ele entendia como justos e promissores para o bem das gerações futuras.

Um poeta talentoso, que publicou livros onde evoca lugares e usos da sua terra natal, e reminiscências de infância que fazem história, porque referem costumes burgueses hoje, já quase desaparecidos.

Um poeta que encabeçava um pequeno “clã” - de amigos e admiradores - que manteve viva a chama da resistência à ditadura, sem esperar contrapartidas de cargos, honras ou regalias – mas que pelo contrário, lhes punha, a cada passo, a segurança e a liberdade em risco.

Um elvense, que, como outros, também hoje esquecidos, ajudou à instauração da democracia de que, outros “clãs” em proveito próprio, sem ética, nem pudor, (porque não basta à mulher de César, ser séria, é também preciso que o pareça!) se aproveitam afoitamente como se fossem monarcas com direitos de sucessão congénitos!

Enfim ! - fruto dos tempos! – Por certo!

Mas, falta de idealismo, também!

E, falta de outras coisas mais...

Às vezes, apenas egoísmo e apatia das “plateias” que – uma vez instaladas - adormecem frente aos acontecimentos, sem interiorizar o que escreveu Michel Quoist :“ Eu, sou o outro!”

 

Termino com dois versos, apenas, de um poema do livro “Pórtico” de Casimiro:

 

“Depois de ter escutado lamentos fora de mim,

Senti o peito repassado de ais, só iguais,

A choros que vêm de mim!”

 

 

                       Maria José Rijo

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.855 – 2/Março/2006

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 22:24






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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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