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POEMA … E Vim cantar !

Domingo, 02.03.08

Vi o gesto do semeador…

Embriaguei-me!

E senti dentro de mim

Cânticos, revoadas, hinos,

Como que um alegre repicar de sinos,

Só de pensar

Que é à luz do sol, na terra quente,

Que se transforma e germina a mãe semente!

Que é entre pólen, perfumes,

Brisas suaves, chuvas passageiras,

Só assim entre beleza,

Que se tece o pão da nossa mesa!

Bendizendo a noite,

Amando a luz do dia,

E senti em cheio no rosto

O que era a Poesia!

Vi o gesto do semeador,

Vi semear!...

Embriaguei-me de beleza,

E vim cantar!!!...

 

Maria José Rijo

24-Maio – 1954

Pág .17

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publicado por Maria José Rijo às 20:12

A preocupação do momento

Sábado, 01.03.08

A preocupação do momento, a que domina o quotidiano das nossas vidas é, sem dúvida, a subida dos preços dos bens de consumo sem contrapartida eficaz de vencimentos.

Minha Mãe, quando nos ouvia lamuriar em situações destas, dizia sempre: - os preços não são altos, vocês é que ganham pouco!

Embora o comentário continue a ser verdadeiro, neste momento o desequilíbrio das finanças a nível do nosso país é tão evidente e, tão aterrador que a todos em geral, e a qualquer um de nós em particular, não sobra vontade, nem sequer para ironizar.

Não vale a pena, por exemplo dizer a um ministro, ou a um gestor de empresas, que as gravatas de seda natural e as roupas de marca que eles usam, envolvam verbas que para um vulgar trabalhador parecem prémios de milionários de totoloto!

Porque uns, em relação aos outros, estão distantes como antípodas.

Só vive a morte, quem morre.

Quem a chora, apenas assiste.

E, porque sentir na pele, não é uma experiência virtual não vale a pena pensar que a maior parte dos decisores queira perder direitos adquiridos a favor do bem comum. Cada um deles, defenderá as suas prerrogativas com o poderoso argumento de que paga todos os impostos e contribuições relativas aos seus proventos.

Esquecem-se apenas que qualquer outro as pagaria de bom grado se tivesse acesso a regalias idênticas, já que na verdade também pagam, mesmo sem tais contrapartidas.

Esquecem-se também do que representa para uma população inteira os pesados sacrifícios que são pedidos a quem é vitima da má governação a que a classe política tem sujeitado o país.

Não foi certamente com as viagens que os trabalhadores fazem, nem com os benefícios que auferem, nem com os carros de que dispõem, etc...etc,,,etc,,, que se chegou a este caos!

Então, que mais não seja do que por sentido ético, comecem pelos políticos as contenções.

Mas comecem a sério!

Pensem nos anos de trabalho, e de idade, que exigem à função pública, pensem!

Acabem as reformas ao fim dos seus curtos mandatos.

A política não pode ser um emprego! Tem que ser uma missão!

Que o serviço político seja considerado um serviço cívico e não um encosto para onde vão inúteis desocupados ávidos de mordomias, só na mira da reforma.

Que a prestação política seja um serviço de missão, - pago é certo, muito bem pago até, -  mas que uma vez terminado, volte cada qual à sua profissão sem mais  alcavalas para serem pagas pelos contribuintes.

Tenho a certeza de que a classe política seria logo reduzida à expressão mais simples e, só sobreviveriam os mais capazes, os autênticos, os verdadeiramente devotados à causa pública.

Numa altura em que, os mais sacrificados, são os de sempre – os que menos têm, – tenho consciência de que, mesmo assim ninguém se nega ao sacrifício heróico que lhes é pedido com a esperança que os filhos, ou os netos possam herdar os benefícios duma vida menos escravizada.

Tenhamos nítida consciência dessa generosa submissão do povo que somos, do povo que trabalha e que também paga, os tais impostos, que sustentam as benesses de alguns privilegiados, mas não cobrem muitas das suas carências essenciais.

Tenhamos essa consciência para que a classe política se dobre respeitosamente ante a massa humana dos trabalhadores, e pelo menos uma vez, desta vez, abdique dos seus excessos para que sobre pelo menos o essencial para todos os demais.

           Maria José Rijo

 

@@@@@

Jornal linhas de Elvas

9 – Junho – 2005 – Nº 2.817

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:54


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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

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