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PENSO QUE DEVO

Sexta-feira, 04.04.08

Enquanto eu viver, enquanto cada um de nós viver, por muito que uns concordem e outros discordem – enquanto eu viver, enquanto cada um de nós viver – estou e estarei, estamos e estaremos no nosso tempo.

            Porque o meu tempo, - o tempo de cada um de nós -  o nosso tempo, não se cinge apenas à duração da nossa juventude.

O nosso tempo é o tempo das nossas vidas. 

Quando muito, poderemos dizer: - quando eu era jovem.

Quando éramos jovens...

Ou, também:- na época da minha juventude, ou, na época da nossa juventude mas , nunca, em caso algum, referir o passado como o nosso tempo , e afirmar que o presente já não nos diz respeito.

Admitir que terminada a juventude a vida se nos esgotou, e que o presente é apenas um património dos jovens onde por tolerância nos consentem ser testemunhas presenciais, não é nem verdadeiro, nem honesto.

É, na minha opinião, e, penso que devo dize-lo – uma atitude mentirosa e cobarde.

E, se assim a designo é porque ela se me afigura como uma falsa premissa que faz intuir que a inteligência e o conhecimento variam na razão directa da musculação e resistência física.

Às vezes, não tão poucas quanto seria desejável, ouço na televisão e leio em jornais criticas a pessoas que, já com uma certa idade, ainda não saíram da cena política e insistem em emitir pareceres que, “esses tais críticos” consideram fora de propósito

Como se ancião e imbecil fossem sinónimos.

Penso que, quem assim critica, ainda não parou para reconhecer que aos seus, embora muito grandes saberes, pode também, faltar algo que só o tempo lhe dará se lá chegar – a sabedoria da idade – a experiência de quem tem uma vivência que só o peso dos anos permitiu.

Também não iremos cair no exagero de afirmar que as virtudes são apenas apanágio da idade.

Parece-me ser justo afirmar que as pessoas que gozam a plenitude das suas faculdades, têm o direito e , até o dever de dar o seu testemunho, porque assim se faz a história – sobre o registo e  memória do passado.

Essa, é alias, a base da evolução e do progresso: - somar ao conhecimento adquirido por uns as experiências e descobertas de outros.

Também houve que tivesse desejado a resignação do Santo Padre João Paulo II.

          

Dão-se hoje graças a Deus, porque tal não aconteceu.

Embora as vidas não se avaliam pela extensão, também não se poderá afirmar que quer a longevidade quer a fragilidade física alterem ou fatalmente anulem a qualidade moral e intelectual do valor do testemunho de uma existência.

             Flyyy way...

Vida, é Vida desde o primeiro até ao último momento e, sempre única para qualquer idade.

Não se pode viver para se ser agradável ou simpático ou para dizer e fazer o que outros, por muito importantes que se julguem neste mundo, queiram que seja dito ou feito.

Vive-se para se dar testemunho de ser gente – ser pessoa – cada um de nós – filho único de Deus.

Procuro, por isso, fazer o que penso que devo.

                           Maria José Rijo

 

@@@@@@

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.810 -- 21-Abril – 2005

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 16:10

UM BOM LIVRO

Sexta-feira, 04.04.08

Há livros e livros! – Toda a gente sabe,

Quase se poderia até brincar – (parafraseando a velha história de: há pássaros, passarões, passarinhos, passaroucos, aves de gaiola e papagaios e cucos, milharucos e pardais cada vez há mais) – dizendo que: hà livros, livrinhos, livrecos, calhamaços, cartapácios, enciclopédias, alfarrábios, dicionários, missais, almanaques, incunábulos, manuais, e outros tantos mais … mas… a verdade é que para cada um de nós há quase sempre – um livro especial.

Um livro que quase sem se dar por isso começou a fazer parte da nossa vida. Um livro que se leu e não se esqueceu mais. Um livro que se volta a ler e a reler, no todo ou em parte. Um livro que se leva de viagem como companheiro, sabendo desde logo, que se mete na mala e nem sequer temos tempo de o abrir ou ler, mas que – mesmo assim – vai connosco.

Então um belo dia, é essa presença que nos acompanha como um hábito – que se nos impõe e faz pensar e, nos pode, talvez, fazer descobrir do conhecimento de nós próprios reflectindo sobre tudo o que dele pensamos ou dissemos.

Quando eu era adolescente, lia e relia “Brigitte”.

Ainda hoje as recordo com saudade – como se recorda a amiga de infância que partiu para outro continente, não mais se verá, mas teceu de sonhos e ternura uma boa parte do nosso coração.

Depois… era o tempo de ler francês, por obrigação, e veio a descoberta de: O Principezinho – que mesmo soletrado se tornou outro mestre…

                              

“il faut aprivoiser – dit le renard”

“L’essentiel est invisible pour les yeux”

Uma frasezinha de nada que se nos agarra à consciência.

Depois… Jean Chistophe… (que maravilha meu Deus).

Depois…Cartas a um Poeta… (aquele Rilke!)

Depois – pela mão de Régio – “A imitação de Cristo”

E… se eu tivesse que escolher só um – qual seria?

É que escolher um – seria excluir os outros.

Acabo de reconhecer que essa decisão me era impossível de tomar – porque há livros que fazem de tal maneira parte da nossa formação, que guiaram de tal modo o nosso pensamento que – para onde quer que vamos – estão em nós.

Na verdade – há livros e livros – mas, um livro – um livro a sério – é essa coisa maravilhosa e indivisível que é apenas – “ um bom livro”.

 

                                       Maria José Rijo

 

@@@@@@@@

 

Á La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.832 – 11 Abril de 1986

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publicado por Maria José Rijo às 13:57





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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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