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Á LAIA DE RESPOSTA

Sábado, 05.04.08

Muita gente me pergunta onde vou buscar assunto para escrever em cada semana, e eu, sem saber como responder, apenas encolho os ombros como resposta.

Porém a pergunta tem sido tão repetida, que da inssistencia me surgiu quase que a preocupação de encontrar uma explicação, para mim própria.

Toda a gente contacta dia a dia com pessoas diferentes, e melhor ou pior, para cada um e para cada ocasião, procura e encontra o discurso mais adequado.

Pelo doente mostra-se interesse e cuidado, pela criança mimo protector. Aos amigos dá-se ou pede-se companhia, fazem-se confidencias e desabafos, com os amigos se convive e colabora.

Para as vistas guardam-se e exploram-se os assuntos de circunstância, as cadeiras da sala e a falta de intimidade. Para os vizinhos a cortesia, o interesse ou desinteresse, mais ou menos simpatia… amizade às vezes.

Com a família gasta-se o carinho, a paciência, percorrem-se todas as escadas da intimidade, do apoio,, da alegria, do sofrimento, da dor.

Enfim… por aí fora, desta, ou de outras maneiras, por entre aplausos, rancores, invejas, admirações, despeitos, alegrias e lutos, cada um tem das pessoas e do meio, das coisas e das circunstâncias, um conceito próprio que lhe fica da maneira de olhar em redor.

Todos dispomos, pela graça de Deus, da capacidade de pensar.

Parece-me assim, que não fugindo eu á regra do comum dos mortais, e dispondo já de um “arquivo de lembranças” com algumas dezenas de anos, acaba por não me ser difícil trazer à conversa pequenas coisas que guardo comigo.

Eu sei!... Verdade que sei… como é engraçado o saltitar com que se desloca o pardal… como é bonito o desenho escurinho das suas penas (como cotim) como eles são felizes quando se espojam no pó da terra ou, se banham nos pequenos charcos das chuvadas de Outono a gozar um raio de sol.

Eu sei! … Verdade que sei… como é angustiante vê-los à cinta dum garoto, (espingardinha ao ombro) enfiados pelos olhos por um pé de junco.

 

E porque sei estas coisas breves, da vida sem fim, falo delas aos apressados que, menos felizes do que eu, passam sem as olhar.

 

                             Maria José Rijo

@@@@@

Á LÁ MINUTE

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.846 – 18 de Julho de 1986

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:14

“ Estar na berlinda”

Sábado, 05.04.08

Quem, ou quantos, de entre os que se interessam por estas “conversas soltas”, se lembrarão dum “Jogo de prendas”, bem antigo, que muito divertia e entretinha crianças e adultos, antigamente!

            Era o jogo da berlinda.

             

            Se pensarmos que a “berlinda” (um pequeno coche de dois lugares inventado em Berlim no séc. XVII) era utilizada nesses velhos tempos, como hoje são os carros de luxo, teremos a noção de como eram sinais de estatuto social ou grandes dinheiros e, como por consequência, chamavam a atenção evidenciando quem nelas viajava.

    

            Desse destaque se tirou o nome do jogo.

            Tirava-se à sorte, ou oferecia-se o primeiro, para início da brincadeira.

            Sentava-se o “eleito” numa cadeira afastada das outras – a berlinda – e depois dois “pajens” percorriam a assistência escutando em segredo as razões pelas quais cada qual achava que tal situação lhe fora imposta.

            Recolhidos os depoimentos, fazia-se vénia ao visado e numa ordem arbitrária denunciavam-se as razões indicadas pelos jogadores.

            ... Estás na berlinda por isso, ou aquilo ou, aqueloutro...

            Assim se escutavam graças, ironias, louvores, críticas. Ás vezes, até, se destapavam segredos, se apontavam ridículos encobertos, gostos, manias, fraquezas de cada um.

            Tudo que pudesse provocar surpresa ou qualquer divertimento na assistência sempre curiosa por novidades – era válido.

            Ponderadas as sentenças, escolhia a “vítima” para que lhe sucedesse na berlinda, quem mais directamente a tivesse atingido ou pelo elogio ou pela ferroada.

            Fazia-o tentando adivinhar de onde partira a flecha, pagando “prenda” se errasse.

            Quando “vi” mais uma vez alguns políticos de tripas ao sol – não é que pensei que agora é moda jogar à berlinda!?

            Se isto não for brincadeira – não lhe vejo remédio capaz – nem acho graça.

            Se isto é jogo de prendas! – Lá as fazem, lá as baptizam – ou, como dizem os brasileiros: são brancos, que se entendam!...

            São coisas de festas de família, onde, quer se queira, quer não – há sempre intrigas e invejinhas torpes.

            Mas... se não fôr?

            Ah! – Então daqui a pouco as berlindas começam a andar vazias porque os impolutos críticos de ontem, quando sentados nelas, ficam tão vulneráveis que nem precisam de um Guilherme Tell para acertar nas maçãs que lhes ofereceram a tentação.

                         

E, se calhar, quando todos andamos a pé e nos conhecermos melhor, havemos de cometer menos erros e viver menos equívocos.

            Sabe-se, lá!

            Pelo menos de esperanças vive o homem.

 

 

                                           Maria José Rijo

@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.347 de 19 de Abril de 1996

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:09





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