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O Fiasco

Sábado, 12.04.08

Não vou falar de política local.

Dessa cruzada, praticamente, já desisti, até porque moro aqui mesmo na frente da Quinta do Bispo, e a dor, de presenciar o que ali se fez, em lugar do que se poderia ter feito, por certo me acompanhará até ao fim dos meus dias.

E, também, porque sei que o maior cego é aquele que não quer ver.

Também, não me apraz falar de política a nível do país.

Estamos todos saturados, do que não era para ser, mas acabou sendo e da falta de compostura de quem, podendo ou devendo ser,

respeitável pela obra executada, na linguagem nos envergonha com desaforos da mais ostensiva falta de senso.

Também de nada serve invectivar o terrorismo.

Palavras e mais palavras, promessas e mais promessas não servem para levar às compras e trazer, em troca, para casa com paz e segurança, o pão-nosso de cada dia.

       Assim sendo, vou contar uma curiosidade que encontrei numa folha de almanaque já muito envelhecida, com que alguém que nunca saberei quem foi, marcou uma página de leitura, dobrando-a muito bem dobradinha.

É evidente que quando se encontra um papel muito dobrado o primeiro instinto, leva-nos a desfazer dobra por dobra e ler o que lá está escrito nem que seja, como já me aconteceu, o anúncio de uma loção capilar- o restaurador olex - que deve ter estado na moda no século passado, ou o retrato do rei de Saxe, que segundo constava da legenda, em rodapé  na imagem, visitou Lisboa em 1907.

                                 

A história do “Fiasco” remonta no entanto a épocas muito mais remotas, e narra assim:

“Nos fins do século XVII, existia em Bolonha um artista chamado Biancolelli, que era o mais célebre arlecchino da cidade.

Todas as noites improvisava em cena um monólogo, tomando por assunto um objecto qualquer – por vezes o mais insignificante - que trazia dos bastidores : uma carta, que dizia ter encontrado, uma cabeleira, etc.

Ora uma noite entrou em cena com um frasco (fiasco, em italiano). Infelizmente não estava nas suas noites de espírito e o monólogo resultou sem graça nenhuma. O público começou a dar pateada e o arlecchino, atirando o frasco ao chão, exclamou: - Vês, tu é que tens a culpa! Alguns espectadores riram, mas Biancolelli tinha perdido a sua popularidade.

Desde então, o público bolonhês quando algum artista era menos feliz, habituou-se a dizer: - è um fiasco!

A expressão espalhou-se por toda a Itália, chegou a outros países e, em português, deu o conhecido “fazer fiasco.”

Assim, quem não sabia, e por acaso, esteve aqui, comigo à conversa, ficou a saber a origem da expressão que todos aplicamos cheios de sinceridade quando pensamos para onde nos têm empurrado os nossos beneméritos políticos.

- Que Deus lhes pague e os ajude a gastar com proveito o dinheiro que têm acumulado, incluindo – se o tiverem - o que tiverem em bom recato nas contas da Suíça .

 Que assim seja!

-          Amen!

 

                         Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

14-Julho – 2005 – Nº 2.822

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:40





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