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Quem diria!

Domingo, 13.04.08

                      O Diário de Salazar          

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Quem diria!

Quem me havia de dizer para que eu acreditasse que “O diário de Salazar” me havia de oferecer tantos motivos de meditação, surpresa e descoberta da alma humana!

                                                

Quem diria, quem me diria, como por debaixo da couraça dura de um ditador pulsava o coração extremoso de um filho e a alma amargurada de um menino humilhado a quem nem o poder, afinal, deve ter conseguido dar resposta para encontrar o caminho de ser feliz.

Não vou, não é essa a minha proposta, falar de tudo o que na leitura deste livro me encantou e repito, surpreendeu.

O meu propósito consiste em aguçar a curiosidade de quem gosta de ler para que não perca esta oportunidade de tentar entender os quês e os porquês da génese dum ditador.

Isto, para além de espreitar a inteligência, determinação, argúcia, até astúcia, mas também a requintada sensibilidade daquele homem de rosto sem sorrisos, sempre vestido de escuro, como que embrulhado em panos de luto, de voz esganiçada, quase desagradável, que durante quarenta anos pôs e dispôs da vontade dum povo como quem mexe as pedras dum xadrez

Vale a pena!

Vale muito a pena.

Vale sempre a pena procurar entender as razões dos outros se nos queremos entender a nós próprios

Compreender os fundamentos de certas atitudes, talvez nos torne mais humanos, mais tolerantes e, também, mais justos nos nossos julgamentos.

O que certamente nos deixa mais em paz e mais felizes.

 .

                                     Maria José Rijo

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@@@@

Jornal Linhas de Elvas

19-Maio – 2005 – Nº 2.814

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:43

Dúvidas

Domingo, 13.04.08

Qualquer opinião que se dê, não é como uma fotografia que se mostre. Na fotografia fica à vista o que nos prendeu a atenção e se quis fixar, e, os comentários, cabem a quem a olha e interpreta. Na opinião escrita ou falada já vai a marca dos sentimentos, que nos perpassaram ao captar a imagem.

    Espera um pouco mais...

Daí que o retrato, por muito cruel que se afigure, consiga ser mais “inocente” do que o relato e, a palavra mais comprometedora embora se trate por vezes do enfoque da mesma circunstância.

Qualquer notícia de jornal, por muito imparcial que pareça já tem implícito o angulo de visão de quem a transmite.

Não será talvez errado afirmar que as nossas opiniões se formam mais pelo que nos contam, ou lemos, do que por aquilo que observamos, já que muitos dos assuntos de que nos ocupamos se decidem, bem longe, em fontes, como agora se diz, onde nos é impossível ir beber directamente.

     Retrato quente de uma tarde fria, nua de semblante

            Depois, há ainda, uma dificuldade acrescida para quem emite opiniões., e que pesa consideravelmente na forma como por vezes se abordam os temas.

Diz-se que as vidas são demasiado curtas para se cultivem inimizades. Ora quem assume expor-se, sabe à partida o que é popular ou louvável do ponto de vista da aceitação.

Quer dizer: sabe o que o torna simpático e granjeia “amigos”, mas sabe também que a medalha tem reverso, e um oneroso reverso...

Entretanto, quando as dúvidas surgem, impõe-se aceitar e seguir as regras da ética. Porém, aqui, bifurca-se o caminho.

Ética com a própria consciência, ou ética profissional?

Já que juntando-as a soma não é apenas uma ética. Não é como o açúcar no chá; uma não dissolve a outra.

      Manhã submersa

São distintas.

Por acréscimo nem que seja de ouvido, ou por reminiscência de infância vêm à memória os preceitos decorados desde a escola: erra-se por pensamentos, palavras, actos e omissões...

Então a dúvida cresce e confunde como um labirinto.

Mas os labirintos têm saída, este também a terá!

Deve ter! – Tem certamente, mas, nada garante que não seja para um beco, e, se assim for, quem não volver atrás não tem saída.

Quem resiste por via de regra soçobra, e diz o povo que mais vale burro vivo que sábio morto.

Talvez por isso tanta gente se desdiga só para sobreviver...

Talvez! – Porém, sobreviver pode não significar: - Viver – como se sabe!

        A wonderful life.

Todas estas dúvidas envolvem uma outra maior. Até que ponto seremos nós capazes de ser sinceros ou francos, plenamente francos, uns com os outros, ou corajosos de consciência...

Até que ponto somos autênticos...

Até que ponto cedemos, rodeamos, compomos frases e atitudes só pelo humaníssimo desejo de sermos amados ou apenas aceites!

           Até que ponto somos capazes de mentir e até que ponto a mentira se torna a necessária verdade do nosso coração para evitar fazer sofrer alguém – ou para nos eximirmos ao próprio sofrimento - não sei!

           Mas sei, estou certa, de que cada vez tenho mais dúvidas.

 

 

                                      Maria José Rijo

@@@@@@

Jornal linhas de Elvas

2 – Junho – 2005 – Nº 2.816

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 00:19





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