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Partilhamos todos...

Domingo, 20.04.08

Eu sei, sei perfeitamente, que não sou, nem de perto, nem de longe, a pessoa mais indicada para vir a público falar de Joaquim Tomaz Miguel Pereira.

Mas também sei que tendo tomado conhecimento da sua morte, não me sentiria bem se calasse a sensação de perda que me tocou e, também a consciência de que todos os elvenses, mesmo aqueles a quem o seu desaparecimento aparentemente nada diga, só porque sendo, como ele era - natural desta nossa terra – merecem tomar conhecimento de que, a nossa cidade, perdeu um filho ilustre, um homem de carácter, inteligente e bom, culto e muito devotado a tudo que envolvesse o progresso de : “esta Elvas, esta Elvas” – seu berço..

Nunca tive intimidade, nem com Miguel Tomaz Pereira, nem com sua Mulher.

Porém, como intimidade, não significa – amizade - tenho em  verdade o gosto de afirmar que fomos amigos, e confesso-me sua admiradora intelectual, embora não tenha um conhecimento profundo da sua obra.

Possuo, por oferta do próprio, alguns dos seus trabalhos literários, mas neste momento, mais do que tudo queria lembrar os artigos sobre a história da vida da nossa cidade que publicou em vários jornais locais, as causas que defendeu olhando sempre o seu desenvolvimento cultural assente no respeito pela nossa história e tradições e a sabedoria que deles imanava. Tenho como convicção, que, como eu, muitos interessados os terão coleccionado como fonte de conhecimento e consulta.

Quando ainda jovem, Joaquim Tomaz Miguel Pereira, escreveu também poesia que em 78 editou num livro intitulado:

“ Sonhar a Madrugada” – dele respigo – “Saudade” – poema dedicado ao Senhor Jesus da Piedade

 

       Som longínquo e presente de saudade

       Longínquo som de dor e de amargura

       Murmúrio manso de passado ausente,

       Algo feito de sangue e de tortura,

       Algo que se não vê, mas que se sente...

       Que se sente pairando – aonde, aonde?

       O sonho é sonho – e sonho alevantado,

       Na paisagem esbatida do destino,

       A imensa saudade do passado:

       S. Mateus dos meus tempos de menino!                                           

                                                   Elvas, Setembro 1963

 

Escrevo estas considerações, um pouco em cima do joelho –( da mala já fechada, neste caso) - porque me estão esperando para viajar, até onde também me leva a saudade dos meus tempos de menina...mas não fui capaz de me ausentar sem  “ partilhar com todos”  um pouco deste “Sonhar a Madrugada” de quem,  nesta hora, já plenamente a vive e foi entre nós, como pessoa – um cidadão  exemplar.

Expresso o meu pesar à família enlutada e à cidade, que, por ter perdido quem a serviu com saber, honra e brio, também ficou mais pobre.

 

 Maria José Rijo

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.847 – 5-Janeiro. -2006

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:29

JUNQUILHO

Domingo, 20.04.08

Em qualquer solo

mesmo pobre

Meio à sombra

meio escondido

Viceja e cresce o Junquilho!

Simboliza a Amizade

Assim, de si se esquece

E, sem exigências, floresce.

Mas, no perfume?

São a pura extravagância

na fragrância que exalam

Cheiram, cheiram…

como quem fala e não se cala

E, não dão por tal!

Se, nem é por mal!...

É por generosidade

que sufocam, sem pensar

o anseio, mesmo ténue

de qualquer privacidade

onde suspire outro odor,

que queira viver ao redor

Pasmados e ofendidos

quando preteridos

não se tocam que

de tanto querer – sufocam!

Maria José Rijo

LIVRO DAS FLORES

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publicado por Maria José Rijo às 13:18





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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