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Minha casa, minha brasa...

Sexta-feira, 25.04.08

Não sei que espécie de influência os contos, as tradicionais histórias de fadas, bruxas, gnomos e duendes, tiveram (ou não tiveram) na formação da personalidade de quem, na infância as escutou.

Pessoalmente tenho consciência que foram um elemento enriquecedor na minha vida.

Lembro-me de não perceber, às vezes, perfeitamente o que me contavam, mas, mesmo assim, e talvez por isso – pelo mistério que algumas situações envolviam -  por me emocionarem sem bem compreender - gostar  e pedir para que me repetissem o que , tantas vezes, até, já conhecia de cor.

Todos procuramos um sentido para a nossa vida.

Mas o sentido da vida não se adquire de repente. Toda a caminhada do crescimento, desde a compreensão de nós próprios, e dos outros é também feita passo a passo, como o próprio crescimento do corpo que também não é repentino.

Qualquer trabalho que nos propúnhamos executar, cresce pouco a pouco. Qualquer página que se pretenda escrever, cresce letra a letra, linha a linha, como crescem os ninhos que as aves constroem – também, pouco a pouco

 Tudo tem o seu tempo, e eu, continuo a pensar que os contos de fadas são um apoio necessário para alimentar o crescimento saudável da maturidade psicológica das crianças.

Se para os adultos é difícil lidar e conviver com a injustiça, a mentira, a ofensa, e, por aí fora, não custa imaginar, como nas mesmas situações se avolumará o sofrimento e a confusão de qualquer criança, sem maturidade ainda para ajuizar as emoções que de tais situações lhe advêm, e que tem que suportar no seu confronto com a vida real.

Nos contos de fadas as crianças entram em sintonia com as angústias, as alegrias, os medos, terrores até, mas também esperanças e coragem dos seus heróis. Vivem-nas com intensidade e aprendem o valor da luta para a procura de soluções sem que, por forma directa, sofram as humilhações, frustrações e peripécias porque passam os seus heróis, que não perdendo a esperança, no final de cada história, são sempre, de qualquer forma compensados.

                   Mas toda esta conversa vem a propósito de uma lenda muito antiga que gosto de contar às crianças embora pense que isto de contos e lendas vêm a calhar em todas as idades. Nela se conta que um casal de velhos lenhadores que vivia numa cabana no meio de uma imensa floresta, deu abrigo ao rei e à sua comitiva que surpreendidos por enorme temporal, lhes pediram abrigo contra o frio, chuvas, raios e trovões.

Tendo o rei verificado as condições de pobreza do casal, resolveu como forma de gratidão levá-los para habitar uma dependência do palácio real onde nada lhes faltaria.

Partiu contente o casal para a aventura de viver sem trabalhar, vestir com conforto e comer e beber sem cuidados.

As primeiras impressões foram de deslumbramento. Tudo era novo e bonito. Porém com o passar do tempo começaram a ficar tristes, e já não respondiam à família real com o mesmo entusiasmo.

Estranhando a mudança foi a rainha espreitá-los.

Então, ouviu que a pobre mulher nem tendo sequer provado a lauta refeição que lhe fora servida nesse dia desafiava o marido a voltar para a sua cabana, dizendo: anda marido!

Vamos embora!

Nossa casa, nossa brasa, nosso lar, nossa panelinha!

Vamos dizer adeus ao rei, mais à rainha.

E, assim voltaram felizes para o sua choupana, com seu lume de lenha a arder na lareira, sua sopa de couves na panelinha de barro rente às brasas a fumegar, seu reino de gente pobre com gosto de liberdade, e por lá se quedaram felizes.

E, ainda devem estar vivos a estas horas porque os personagens dos contos, são eternos...

 

                        Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.854 – 23/ Fev./ 2006

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 23:34

Cravo

Sexta-feira, 25.04.08

 

Do Cravo – diria assim:

Veste vermelho – espanhola

Que são rubros - cor de sangue

os cravos de que mais gosto!

- Põe “peinetas” nos cabelos

e a prender a mantilha

que em sombras te borda o rosto

que sejam ainda os cravos

cor do poente em Agosto!

Que são os que melhor casam

com o som das castanholas

e falam de sol e toiros

e de tacões batendo o chão

de palmas, sapateado

e ... olés! Bem compassados

com ciganas “salerosas”

e  guitarras dedilhadas

por homens esguios - “mui machos”

cingidos de roupas negras

com voz rouca e nervos tensos

como galos bem treinados

antes de entrar em combate !

... era esta a voz dos cravos

mesmo pintados em leques

em brumas de S. João

lá nos Junhos da memória!...

mas... um dia

Quando em 25 de Abril

se fez “ 31” na história

dum povo ordeiro e pacato

a evocação dos cravos

mudou de mão e cenário

e em todos os continentes

por gentes de qualquer raça

Pode o cravo ser contado

como a flor que encontrara

um novo significado!

- Se ainda falava de dança

se falava de alegria

mais falava em liberdade

que semeara a esperança

dum povo reencontrado

“à sombra duma azinheira

que já nem sabia a idade ! “

- mas a esperança também morre

e ao morrer traz piedade!

E, o cravo rubro de cor

Que em Portugal ganhou nome

falando em Paz e Amor

Já foi tão atraiçoado

que nem sabe que mais diga

- já é apenas um fado

e o fado é sempre cantiga .

 

 

 

Maria José Rijo

LIVRO DAS FLORES

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:03





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