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Domingo, 20.04.08

Eu sei, sei perfeitamente, que não sou, nem de perto, nem de longe, a pessoa mais indicada para vir a público falar de Joaquim Tomaz Miguel Pereira.

Mas também sei que tendo tomado conhecimento da sua morte, não me sentiria bem se calasse a sensação de perda que me tocou e, também a consciência de que todos os elvenses, mesmo aqueles a quem o seu desaparecimento aparentemente nada diga, só porque sendo, como ele era - natural desta nossa terra – merecem tomar conhecimento de que, a nossa cidade, perdeu um filho ilustre, um homem de carácter, inteligente e bom, culto e muito devotado a tudo que envolvesse o progresso de : “esta Elvas, esta Elvas” – seu berço..

Nunca tive intimidade, nem com Miguel Tomaz Pereira, nem com sua Mulher.

Porém, como intimidade, não significa – amizade - tenho em  verdade o gosto de afirmar que fomos amigos, e confesso-me sua admiradora intelectual, embora não tenha um conhecimento profundo da sua obra.

Possuo, por oferta do próprio, alguns dos seus trabalhos literários, mas neste momento, mais do que tudo queria lembrar os artigos sobre a história da vida da nossa cidade que publicou em vários jornais locais, as causas que defendeu olhando sempre o seu desenvolvimento cultural assente no respeito pela nossa história e tradições e a sabedoria que deles imanava. Tenho como convicção, que, como eu, muitos interessados os terão coleccionado como fonte de conhecimento e consulta.

Quando ainda jovem, Joaquim Tomaz Miguel Pereira, escreveu também poesia que em 78 editou num livro intitulado:

“ Sonhar a Madrugada” – dele respigo – “Saudade” – poema dedicado ao Senhor Jesus da Piedade

 

       Som longínquo e presente de saudade

       Longínquo som de dor e de amargura

       Murmúrio manso de passado ausente,

       Algo feito de sangue e de tortura,

       Algo que se não vê, mas que se sente...

       Que se sente pairando – aonde, aonde?

       O sonho é sonho – e sonho alevantado,

       Na paisagem esbatida do destino,

       A imensa saudade do passado:

       S. Mateus dos meus tempos de menino!                                           

                                                   Elvas, Setembro 1963

 

Escrevo estas considerações, um pouco em cima do joelho –( da mala já fechada, neste caso) - porque me estão esperando para viajar, até onde também me leva a saudade dos meus tempos de menina...mas não fui capaz de me ausentar sem  “ partilhar com todos”  um pouco deste “Sonhar a Madrugada” de quem,  nesta hora, já plenamente a vive e foi entre nós, como pessoa – um cidadão  exemplar.

Expresso o meu pesar à família enlutada e à cidade, que, por ter perdido quem a serviu com saber, honra e brio, também ficou mais pobre.

 

 Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.847 – 5-Janeiro. -2006

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:29

JUNQUILHO

Domingo, 20.04.08

Em qualquer solo

mesmo pobre

Meio à sombra

meio escondido

Viceja e cresce o Junquilho!

Simboliza a Amizade

Assim, de si se esquece

E, sem exigências, floresce.

Mas, no perfume?

São a pura extravagância

na fragrância que exalam

Cheiram, cheiram…

como quem fala e não se cala

E, não dão por tal!

Se, nem é por mal!...

É por generosidade

que sufocam, sem pensar

o anseio, mesmo ténue

de qualquer privacidade

onde suspire outro odor,

que queira viver ao redor

Pasmados e ofendidos

quando preteridos

não se tocam que

de tanto querer – sufocam!

Maria José Rijo

LIVRO DAS FLORES

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publicado por Maria José Rijo às 13:18

O Forte, o Professor e eu

Sexta-feira, 18.04.08

É sempre consolador ver como aqueles que admiramos apreciam e enaltecem o que também nos encanta e nos orgulha.

Foi essa, uma das razões que me prendeu frente ao programa que o Senhor Professor Hermano Saraiva dedicou à cidade de Elvas.

Para mim, para o meu desejo, a reportagem, teve um defeito…

- Foi pequena!

Queria muito que de norte a sul, todo o país percebesse e sentisse que Elvas é uma cidade diferente, impar no contexto nacional, que de forma alguma merece os problemas de empobrecimento que lhe estão infligindo.

Daí, que todo o louvor que lhe é feito, se me afigure escasso frente ao seu encanto valor e beleza.

Então, quando é o “Mestre” da reportagem histórica que lhe dá a honra da sua atenção e do seu saber, tudo nos sabe a pouco, embora nos torne gratos e nos delicie a forma sábia e extremamente elegante, até, com que faz os seus reparos.

Foi o caso da “cafetaria”.

(No projecto que foi apresentado ao então Presidente Dr. Mário Soares, quando da presidência aberta em Elvas em 89. Projecto que  -  em data mais recente -  se viria a concretizar , não no todo – pelo menos  até agora - havia  uma  estalagem medieval, e outros factores conducentes a uma intervenção activa do Forte na vida da cidade, e no desenvolvimento turístico.

Aliás, a reconhecida necessidade que, já então, se antevia como premente, de se incrementar em Elvas um turismo – de qualidade – sustentado, também, pela valorização da história em todas as suas minúcias para provocar um desenvolvimento capaz de impedir a situação de despromoção em que se está a cair, e pudesse chamar até nós outras e diversas actividades, era parte dessa visão de futuro que,  jamais poderia contar com a eliminação da Quinta do Bispo e outras tristes e irreparáveis realidades.)

De qualquer forma, tenho a convicção de que todos os elvenses que costumam seguir os programas do insigne Historiador e, com ele aprendem, como eu, a ver com um olhar novo todo e qualquer recanto de Portugal a que dispense a sua atenção, não deixarão, no íntimo do seus corações de guardar um sentimento de gratidão, porque, desta feita, foi o nosso país, por inteiro, que pode descobrir a beleza e a história que se respira em cada pedra, em cada recanto ao redor de nós, nesta nossa terra.

 

Outro assunto que não posso deixar em silêncio é o artigo de - Velez Correia – em que o “meu colega”  aqui nestas andanças das escritas, teve a generosidade e também a delicadeza e a solidariedade de reagir frente à agressiva e desajustada violência que a minha diferença de opinião suscitou ao poder instituído.

Na realidade, como escreve, não nos conhecemos pessoalmente, o que lamento – porém, isso não impediu que a sua inteligência, e a sua coragem intelectual, o tivessem levado a interpretar à luz dos valores da sua formação moral o que escrevi e, eu, tivesse recebido o favor da sua atenção  na  correcta interpretação do que pretendi dizer.

Se todos os mandantes do mundo entendessem como ódio a diferença de opiniões … não haveria mais esperança para a humanidade.

Embora eu não mereça os seus elogios, obrigada, obrigada sempre, pela sua compreensão, cortesia e tolerância.

Bem-haja!

Obrigada! – E, obrigada a todos que, quer pelo telefone, quer por carta, quer pela Internet me oferecem apoio.

Sentir que somos úteis, dá responsabilidade e sentido à nossa existência.

Obrigada mais uma vez!              

Bem hajam!

 

 

                          Maria José Rijo.

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.865 – 11 – Maio - 2006

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:57

POEMA - MARIA LUZIA

Sexta-feira, 18.04.08

Às vezes, saio à rua contente

À escolher os meus filhos

Entre os da outra gente!

 .

À minha filha mais velha,

A que eu sonhei primeiro,

Encontrei-a ontem

Quando já tinha,

E comigo levava,

A saudade doutros filhos,

Mais novos que ela

E que eu conhecera

A andar na rua

Ou a olhar da minha janela!...

 .

Mas a mais velha…

Ontem – vi-a

E pus-lhe de nome:

Maria Luiza!

Tinha de ser…

Com aquele olhar,

Doce – suave,

Longas pestanas,

Faces magras, pálidas,

(Está na idade ingrata)

Coitadinha!

Quase uma mulher…

Uma mulherzinha!...

Não tem formas…

É um tronco novo, airoso, esguio,

Onde a Primavera

Ainda não surgiu!

E é uma menina!

Tem cabelos loiros

Lisos, escorridos

(Eu queria em caracóis)

Mas amei-os assim,

Sedosos, compridos!...

Que saberá da vida

Aquela cabecinha?

O que pensaria

No momento

Em que eu a conhecia?

 .

Estava parada

Olhando um menino.

O que pensaria?

-- Que também ela

Seria mãe um dia?

 .

Ou só o sentiria,

Sem o perceber,

Naquele jeito de olhar

E mais sonhar, que ver?

Sim, era!

Seria!

Porque assim,

Só assim, eu queria

A luz dos meus olhos,

À minha Luzia!

 .

Maria José Rijo

24 – 12 – 1955

Vila Boim

.

II Livro de Poemas

PAISAGEM

Poema nº 16

Pág – 73

Desenhos da Autora

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:01

Não haja duvidas!

Quarta-feira, 16.04.08

Não haja dúvidas de que quem tem a faca e o queijo na mão sempre corta por onde quer!

Porém, não haja duvidas de que quem assim procede, sabe, sabe de forma inequívoca quando está a cortar por onde deve, ou, por onde apenas serve as suas conveniências.

Pode cada qual esconder-se de toda a gente! – Pode! – Mas de si próprio jamais alguém se esconderá!

Chegam-me às mãos papéis de Sindicatos. Melhor dito seria, queixas de Sindicatos.

Denunciam pressões, atropelos, desvirtuamentos na interpretação de atitudes e circunstâncias que se quereriam límpidas e transparentes, mas não o são.

Não posso desempeçar meadas cujas pontas não conheço. Mas posso sentir pelo desencanto e revolta que se estão a instalar de norte a sul do País, que muitas, ou pelo menos, algumas decisões bem importantes para o Povo Português, estão a toldar de forma assustadora o futuro de todos nós.

Fazem-se bandeiras vivas e avoluma-se o espalhafato que sempre cerca o futebol na corte que envolve quem vive como reis.

Depõem-se “Poderosos” porque, não saberiam explicar como, sem competições, podiam viver como ases da bola! Transfere-se para os resultados desejáveis do Campeonato do Mundo o orgulho e grandeza duma Pátria cuja esperança no reconhecimento de outros valores definha a olhos vistos e, assim se embebeda na vã glória possível.

O prestígio dum País está nos pés de onze jogadores.

Exporta-se “massa cinzenta” prodigiosa que não encontrou por cá “clubes” à sua dimensão.

Endeusa-se o dinheiro. Abrem-se alas para que passem os magnatas. Reverenciam-se os poderosos como se fossem Deuses.

Ignora-se a incomodidade dos “pequenos” que se podem amontoar em filas infortunadas de espera, seja lá para o que for...pelo tempo que calhar, porque a arraia miúda só conta quando ergue com a força dos seus braços o conforto dos grandes, ou dá com a soma dos seus votos vitória a quem tudo oferece – Antes – de chegar e, tudo esquece quando atinge a meta das suas ambições, mais ou menos narcisistas.

As vozes da ambição, já há muito que calaram o doce balbuciar das falas do coração.

Quero esquecer.

Vou contar uma história!

O homem estava sentado à porta a descansar, pitando um cigarrito. Veio a mulher e disse-lhe: mesmo agora parti a colher de pau!

Deixa lá, Mulher, que te vou fazer outra.

Com o machado cortou uma pernada ao pinheiro de ao pé da porta. Com a enxó atentamente desbastou-a e talhou uma colher nova que cheirava a seiva e a resina fresca.

A mulher olhou-a, mirou-a, revirou-a, passou-a pela pele do rosto como num afago e disse: ainda ontem era poleiro de pássaros e balouçava ao vento...

Disse, e suspirou fundo.

O homem escutou-a calado; só embevecido.

Pitou outro cigarrito e ficou a olhar longe, ou para dentro! - Nunca se sabe!

A mulher sumiu-se no interior da casa.

Mais tarde reapareceu. Tinha estreado a colher! - Trazia nas mãos um prato de barro raso de arroz doce tresandando a canela. Comeram-no ambos, saboreando lentamente enquanto a tarde descia.

Quando os filhos chegaram da escola, farejaram o perfume da gulodice. A Mãe sorriu dizendo: - na cozinha está o quinhão de vocês.

Entraram de roldão ao som da recomendação: lavem bem as mãos

O que serão quando crescerem disse o Pai, mal eles desapareceram da vista.

Calaram-se ambos por instantes, apreensivos, talvez sonhando!

- Que sejam gente de bem e procurem sempre os caminhos que levam ao mistério da alma das coisas e das pessoas, disserem depois a uma voz, como se combinados!

E ficaram de mãos dadas vendo a noite aproximar-se.

 

                                     Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.871 – 22 – Junho 2006

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 23:53

Amor-perfeito

Terça-feira, 15.04.08

 

Amor-perfeito – é flor

Que mesmo só em flor

o Amor

pode ser assim perfeito!

E de perfeita – a flor

qualquer que seja - é amor!

Porque - Amor - sem ser flor !

Nunca é amor – perfeito!

E, ás vezes, mesmo em flor

Não chega a ser escorreito

Sendo embora – amor-perfeito

Quanto mais – perfeito amor!

Que ser amor – sem ter defeito

E ser ainda – amor-perfeito

Já se disse: - só flor!

É que o mais perfeito amor

ao nascer, sempre é flor - mas,

mesmo que amor perfeito

tem três dias para viver

para encantar e morrer...

Por isso mesmo - o amor

Com mazela ou sem defeito!

Tem que ser amor presente

P’ra ser um amor-perfeito

Porque em amor - o pretérito

inda que sendo perfeito - ou - até

mais que perfeito

Já não é amor igual

ao amor que está presente!

Em amor - Também não serve

Futuro ou condicional

Porque de amor - o melhor

é aquele que se tem

se diz: - “dele” - ou se diz: “dela”

se abraça e aperta ao peito

Se beija do nosso jeito

mesmo que tenha mazela!

Que quando o amor é nosso

Mazelas - ficam feição

e já é amor - perfeito

Se nos enche o coração!

Assim sendo! - Fica aceito;

que em vida - perfeito amor

não requer comparação

em beleza ou duração

com qualquer amor perfeito

 

Maria José Rijo

LIVRO DAS FLORES

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:34

FALAR DE TURISMO? - E PORQUE NÃO?

Terça-feira, 15.04.08

 

Turismo é em primeira instância a tendência dos povos civilizados e abastados para viajar através de outros países em procura de pitoresco, monumento raros, testemunhos históricos, arqueológicos, folclore, artesanato, gastronomia, paisagem, etc. ,etc. ,etc...

Em resumo: o turista procura a novidade e a diferença procura o conhecimento directo, daquilo que mais lhe interessa e mais o encanta, explora a descoberta daquilo que o pode cativar.

Logicamente, deseja e é-lhe devida segurança nas ruas, conforto e perfeita higiene nas instalações que escolher a qualquer nível refeições bem confeccionadas e, preços justos.

E, também, ou talvez, em primeiro lugar autenticidade, isto é: que ninguém lhe dê gato por lebre.

Postas estas simples coordenadas não é difícil descobrir que: se o turismo se alicerça na diferença -não há vantagem em igualizar.

 Onde é branco, com êxito num local, pode justificar-se o amarelo noutro local semelhante

Onde é típico o asseio, uso ancestral de lavar dia a dia o poial da pota e pelo menos um metro de calçada em redor (até se fornece o detergente) não se tisna o chão!

Onde a árvore nativa é a oliveira e muito especialmente a Rústica, Majestosa e Sólida Azinheira de folhinha miúda e fruto de polimento castanho com chapéu de veludo verde - ( ninguém receie os trinta anos que uma arvore destas leva a crescer  !- e não se abuse da palmeira por exemplo ,que jamais lhe dará sombra tão generosa!

Quer isto dizer que é preciso ter sempre presente o cuidado de não descaracterizar

Não se transija porque é o somatório das pequenas cedências é o eliminar descuidado do pormenor que permite a ruína progressiva e o aniquilamento do cunho que faz a diferença e mantém o encanto e o interesse nascidos da diversidade.

Isto não quer dizer que não se evolua e não se modernize. De forma alguma! – Apenas significa que em cada circunstância cabe investigar, respeitar e seguir a maneira correcta de o conseguir.

 Elvas é uma cidade medieval, diferente de todas no nosso país.

 Linda como poucas.

 Única no seu formato de estrela.

 No Natal bem apetecia contorná-la a luz e convidar o mundo para vir admirar esta estrela jacente na terra alentejana.

 Ninguém virá a Elvas para ver monstros de cimento! – a não ser para aprender, in loco, o que não deveria ter sido feito; como se vai a Auschwitz para meditar na capacidade de destruição de que a inconsciência humana é capaz quando cega de soberba e orgulho.

 Muitas terras do nosso pai têm mostrado recentemente ter aprendido essas lições da história. Especialmente no norte!

 É ver o que Vizela fez...

 É ver a força de outro pequeno povoado a lutar pelo seu pároco!

É ver a leal cidade do Porto a bater o pé por causa dos molhes do porto de Leixões (e antes houvera consulta pública!)

Mas o Porto dá lições em bairrismo e cidadania a quem quer que seja! Exigem o que é seu de direito.

Não se deixam espoliar.

Quando foi do Teatro deram a volta por cima.

Disseram à seita mais endinheirada que tanto o cobiçava um rotundo – NÃO! E compraram-no.

Recuperaram-no e restituíram-no à cidade.

Chamam orgulhosamente seu ao que à cidade pertence – à sua cidade.

Sendo assim não admira que até no futebol sejam os primeiros.

Vibram em uníssono com a consciência de quem se sente uma família que defendendo os interesses colectivos está a defender os próprios e o futuro da sua terra.

Não se deixam ir na onda – cavalgam-na.

Eles sabem que progresso não se compadece com a destruição do passado e que para serem património do mundo, qualquer rasto, qualquer pegada, tem preço mais alto que o valor do dinheiro.

Eles sabem que defender o património e fomentar turismo requer também bom senso e humildade – entre outras coisas...

Eles sabem o perigo que é, ver em mãos de gananciosos estrangeiros qualquer parcela da sua cidade.

Eles sabem, sempre souberam defender o que amam e respeitam – por isso são assumidamente bairristas e a sua cidade tem por cognome: “ a Invicta”!

Só se colhe o que se semeia!

                                          

                                Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.451 – de 1-Maio-98

CONVERSAS SOLTAS

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publicado por Maria José Rijo às 00:05

Quando o incrível acontece...

Segunda-feira, 14.04.08

Jonas Savimbi. 

Por mais que queiramos, por vezes, é impossível resistir a uma dolorosa reflexão sobre certas notícias, que se ouvem, ou cujas imagens contendem com toda e qualquer sensibilidade.

Já não falando da trágica panorâmica do teatro das infindáveis guerras, sempre cruéis e injustas – dê-se-lhe a volta que se lhe quiser dar ou, invente-se-lhe a justificação que se quiser inventar - ficam-nos como marcas de ferro em brasa a visão dos enfoques de pormenores que chegam a requintes de crueldade  incríveis e que fotógrafos e operadores de imagem ,cruamente,  mostram.

Penso, sem encontrar resposta, que motivos, que causas, que sentimentos podem assim despojar os homens da sua humanidade, da fraternidade, da piedade até, que os devem unir aos outros homens!

Como e porquê gente que também é vulnerável, que também morre, que ama e sofre, se transfigura e afunda em ódio, e mata o seu semelhante e se compraz depois em vilipendiar os seus despojos, como que a ultrajar-lhe, até a memória para além da morte.

Estranho é o ser humano, capaz de tanta grandeza e de tanta miséria...

Vi o corpo de Savimbi descomposto, à mercê das moscas e dos curiosos.

Só lhe faltava, sobre o ventre, a bota de um qualquer caçador vitorioso sorrindo e mostrando a arma do abate. Vi, com uma varinha, que alguém manobrava, erguer duas fitas que ele usava á cintura como amuleto.

                   Jonas Savimbi morto em combate II (Foto Miguel Souto/LUSA)

Inútil sortilégio...

Lembrei-me dos zoólogos investigando pelos excrementos a trilha dos animais... É assim, tal e qual, com a distância necessária, para evitar a contaminação...

Não me arrepia mais por se tratar de Savimbi.

 Só que, por ser mais conhecido, serve melhor de paradigma para o desprezo com que se lida com a Vida. Para a sanha com que se mata. Para a maneira insultuosa como se tratam os corpos dos vencidos.

Lembro os prisioneiros que os americanos – que tanto pregam os direitos do homem – detêm como se sabe...pelo que se conta e as imagens mostram...

Vejo, também, até de olhos fechados, a imagem indelével do jornalista americano, vendado, arma encostada à cabeça, humilhado, manietado, condenado, indefeso!

É outro paradigma da miséria humana, da bestialidade a que se pode descer. Da irracionalidade.

Pergunto-me se já alguma vez o mal, a brutalidade, a violência, solucionaram qualquer conflito...

Pergunto-me que guerras solucionaram problemas da humanidade ou criaram paz estável...

Ficaria a perguntar muitas coisas mais, mas nem vale a pena.

Progride-se na técnica e na ciência - é certo.

Julga-se, até, não ser necessário acreditar em Deus porque para tudo se vai encontrando explicação...

Perde-se a noção do valor divino do humano mas, o homem, procede como se deus fora!

Com tantos “deuses” à solta só o incrível pode acontecer...

 

Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº. 2.650 – 22-Março-2002

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:37

Quem diria!

Domingo, 13.04.08

                      O Diário de Salazar          

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Quem diria!

Quem me havia de dizer para que eu acreditasse que “O diário de Salazar” me havia de oferecer tantos motivos de meditação, surpresa e descoberta da alma humana!

                                                

Quem diria, quem me diria, como por debaixo da couraça dura de um ditador pulsava o coração extremoso de um filho e a alma amargurada de um menino humilhado a quem nem o poder, afinal, deve ter conseguido dar resposta para encontrar o caminho de ser feliz.

Não vou, não é essa a minha proposta, falar de tudo o que na leitura deste livro me encantou e repito, surpreendeu.

O meu propósito consiste em aguçar a curiosidade de quem gosta de ler para que não perca esta oportunidade de tentar entender os quês e os porquês da génese dum ditador.

Isto, para além de espreitar a inteligência, determinação, argúcia, até astúcia, mas também a requintada sensibilidade daquele homem de rosto sem sorrisos, sempre vestido de escuro, como que embrulhado em panos de luto, de voz esganiçada, quase desagradável, que durante quarenta anos pôs e dispôs da vontade dum povo como quem mexe as pedras dum xadrez

Vale a pena!

Vale muito a pena.

Vale sempre a pena procurar entender as razões dos outros se nos queremos entender a nós próprios

Compreender os fundamentos de certas atitudes, talvez nos torne mais humanos, mais tolerantes e, também, mais justos nos nossos julgamentos.

O que certamente nos deixa mais em paz e mais felizes.

 .

                                     Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

19-Maio – 2005 – Nº 2.814

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:43

Dúvidas

Domingo, 13.04.08

Qualquer opinião que se dê, não é como uma fotografia que se mostre. Na fotografia fica à vista o que nos prendeu a atenção e se quis fixar, e, os comentários, cabem a quem a olha e interpreta. Na opinião escrita ou falada já vai a marca dos sentimentos, que nos perpassaram ao captar a imagem.

    Espera um pouco mais...

Daí que o retrato, por muito cruel que se afigure, consiga ser mais “inocente” do que o relato e, a palavra mais comprometedora embora se trate por vezes do enfoque da mesma circunstância.

Qualquer notícia de jornal, por muito imparcial que pareça já tem implícito o angulo de visão de quem a transmite.

Não será talvez errado afirmar que as nossas opiniões se formam mais pelo que nos contam, ou lemos, do que por aquilo que observamos, já que muitos dos assuntos de que nos ocupamos se decidem, bem longe, em fontes, como agora se diz, onde nos é impossível ir beber directamente.

     Retrato quente de uma tarde fria, nua de semblante

            Depois, há ainda, uma dificuldade acrescida para quem emite opiniões., e que pesa consideravelmente na forma como por vezes se abordam os temas.

Diz-se que as vidas são demasiado curtas para se cultivem inimizades. Ora quem assume expor-se, sabe à partida o que é popular ou louvável do ponto de vista da aceitação.

Quer dizer: sabe o que o torna simpático e granjeia “amigos”, mas sabe também que a medalha tem reverso, e um oneroso reverso...

Entretanto, quando as dúvidas surgem, impõe-se aceitar e seguir as regras da ética. Porém, aqui, bifurca-se o caminho.

Ética com a própria consciência, ou ética profissional?

Já que juntando-as a soma não é apenas uma ética. Não é como o açúcar no chá; uma não dissolve a outra.

      Manhã submersa

São distintas.

Por acréscimo nem que seja de ouvido, ou por reminiscência de infância vêm à memória os preceitos decorados desde a escola: erra-se por pensamentos, palavras, actos e omissões...

Então a dúvida cresce e confunde como um labirinto.

Mas os labirintos têm saída, este também a terá!

Deve ter! – Tem certamente, mas, nada garante que não seja para um beco, e, se assim for, quem não volver atrás não tem saída.

Quem resiste por via de regra soçobra, e diz o povo que mais vale burro vivo que sábio morto.

Talvez por isso tanta gente se desdiga só para sobreviver...

Talvez! – Porém, sobreviver pode não significar: - Viver – como se sabe!

        A wonderful life.

Todas estas dúvidas envolvem uma outra maior. Até que ponto seremos nós capazes de ser sinceros ou francos, plenamente francos, uns com os outros, ou corajosos de consciência...

Até que ponto somos autênticos...

Até que ponto cedemos, rodeamos, compomos frases e atitudes só pelo humaníssimo desejo de sermos amados ou apenas aceites!

           Até que ponto somos capazes de mentir e até que ponto a mentira se torna a necessária verdade do nosso coração para evitar fazer sofrer alguém – ou para nos eximirmos ao próprio sofrimento - não sei!

           Mas sei, estou certa, de que cada vez tenho mais dúvidas.

 

 

                                      Maria José Rijo

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Jornal linhas de Elvas

2 – Junho – 2005 – Nº 2.816

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 00:19






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Pensamentos de Mª José

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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