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A Visita de Maio

Sexta-feira, 30.05.08

Jornal O Despertador

Nº 233 – 28 de Maio de 2008

  

A Mulher, tinha nascido na aldeia de Santa Clara do Lorêto, a que toda a gente, não sei porquê, chamava de aldeia da Boa- Vista.

Pensando agora nisso fico surpreendida por, enquanto vivi em Beja, nunca me ter dado à curiosidade de investigar o porquê destas duas designações para a mesma localidade, estando ali tão perto…

Eu tinha feito o Liceu em Beja. Na minha vez de o frequentar já se chamava de Diogo de Gouveia

– pedagogo e teólogo que nascera em Beja em 1467 – (reza a história que foi ele quem fez vir para Portugal os Jesuitas, aí por 1540, e entre eles S. Francisco Xavier, que se havia de tornar o apóstolo do Oriente.)

 Dois anos antes de mim, minha irmã entrara, para o velho Liceu Fialho de Almeida, situado, então, na ampla e bela Praça da República, que pelo novo foi substituído quer no nome, quer na localização.

Fialho de Almeida

Fialho vivera em Cuba, a vila onde me casei, na casa que havia de vir a ser habitada pela minha família. É evidente que, criança que era, não me importou, na altura, a mudança do nome que mais tarde viria a deplorar, pois morar na casa que fora de Fialho dava um certo frisson e, fazia ainda mais desejar para ele todas as homenagens possíveis, principalmente depois de conhecer a sua obra e, pormenores da sua personalidade narrados a cada passo por pessoas que, com ele, ainda, haviam convivido.

A casa era antiga e bela, com um amplo quintal, cheio de violetas nascidas ao acaso pelo chão e, em tufos, rente ás paredes. Tinha uma acácia de copa majestosa, de flores brancas como a da casa de Camilo em Seide, por onde o meu gato se aventurava intrépido perseguindo, em vão, a passarada.

 Dela, também se poderia dizer comoRégio da sua própria: “Cheia dos maus e bons cheiros – Das casas que têm história, - Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória – De antigas gentes e traças, - Cheia de sol nas vidraças – E de escuro nos recantos, Cheia de medo e sossego, de silêncios e de espantos, _ Quis-lhe bem como se fora – Tão feita ao gosto de outrora – Como ao do meu aconchego.”

Era assim – também -  que eu a sentia e, em viver nela me deliciava.

Ora esta conversa encadeou-se, sem que disso, quase, me desse conta, porque a postura absolutamente vertical daquela – tal mulher -  a que dei trabalho e depois se tornaria uma grande amiga que ainda conservo, volta e meia, retorna à minha memória como me ficou registada no coração especialmente quando vejo gente, sem reagir, acomodada ao infortúnio.

E, isso aconteceu, quando regressei a esses locais onde havia passado infância e juventude para, então com meu marido, voltar a habitar em plena época do vinte e cinco de Abril.

A mulher que se postou na minha frente para contratar trabalho, era ainda nova. Trinta anos, talvez.

Deixara o campo, porque sofria do estômago e já não conseguia suportar a dureza dessa vida.

          

Todos os habitantes, da aldeia, como ela também, pagavam foro ao dono do povoado para lá terem suas casas, porque todo o chão lhe pertencia.

Era tudo gente nascida e criada nesses tempos de submissão e dependência dos grandes proprietários.

Pois mesmo assim, ou por virtude disso, ao outro dia quando se apresentou para trabalhar, olhou-me de frente, bem nos olhos e perguntou, numa voz segura e fria: - para onde é que a senhora manda o meu corpo?

 

É desta fibra a minha gente alentejana.

 Isaurinda Brissos esta é a tua gente

                    Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:27

A escrita

Quarta-feira, 28.05.08

Jornal O Linhas de Elvas

Nº 2.889 – 26-Outubro 2006

Conversas Soltas

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.. 

Foi por causa dos telefones que me lembrei da escrita. Estava a dar uma contagem de electricidade, e, do outro lado do fio, uma voz gravada gizava passo a passo o comportamento que eu deveria seguir.

De repente, aquele rigor de tecnologia, atingiu-me como uma agressão sem rosto num vazio escuro, uma voz de fantasmas, e comecei a pensar no tempo, ainda relativamente recente em que as vozes do telefone faziam parte “ das nossas amizades” de família.

Levantava-se o auscultador e, uma voz conhecida, perguntava-nos o número pretendido. Muitas vezes, enquanto a ligação não se estabelecia até se trocavam dois dedos de conversa.

         Lembro-me de pedir que tocassem com insistência quando queria falar para casa de meus pais dado que sofrendo eles de falta de ouvido, era difícil ouvirem o telefone estando no quintal.

Também era corrente pedir às senhoras dos telefones para nos chamarem o médico, ou outros apoios, em casos de aflição.

         Nesse tempo, o mundo, ainda não era apodado de “aldeia global”, nem a Internet e toda a sofisticação de meios de agora tinham desumanizado toda esta rede de serviços.

A ideia que tínhamos de “aldeia”, era a de família alargada, era a da terra onde habitávamos, e, onde todos se conheciam.

Não era virtual, era real.

Nesse tempo, não havia segredos que o telefone consentisse, por isso não havia escutas nem os consequentes escândalos, apenas mexericos sem agravos de maior.

Nem eu, nem ninguém escrevia em computadores, e a escrita, era como um rio, que corria e deixava marcas de percurso.

Pensava-se uma coisa. Passava-se ao papel, e, até encontramos a expressão certa, rasurava-se, emendava-se, substituía-se o termo, a frase, o que não nos soasse ao ouvido, não nos parecesse bem, não nos agradasse, ou não atingisse a força, a veemência, a ternura, a alegria que se queria transmitir.

Quando o resultado nos parecia aceitável, passava-se a limpo. Apurava-se a letra. A caligrafia - como pretensiosamente se dizia.

E, nessa altura, tudo o que fora esforço, dor, revolta, convulsão, confusão interior, já só passava ao teste final de forma civilizada, arrumadinho na letra apurada e limpa como fato de ir à rua.

Apresentável – legível.

Porém, o caminho, com suas hesitações e sobressaltos deixava seu rasto nos rascunhos como as enchentes dos rios quando transbordam para as margens.

Toda a gestação ficava aí expressa nos despojos que a enxurrada deixara pelo caminho...

E, por esses rastos, se podia reviver a emoção, a alegria ou o sofrimento de onde o texto nascera.

Agora, não.

Com o computador, escreve-se, apaga-se e, das hesitações, das controversas emoções, só fica e aparece o produto final, como se não tivera tido raízes, sofrido a queima das geadas, a loucura dos ventos, das chuvas e sois, e surgisse, escorreita, sem passado e sem história.

Então, lembrei-me de dois versos magníficos, de um poema de Vitorino Nemésio que guardo na memória e no coração:

 

“...Esta vontade de cantar que pulsa no pessegueiro

E cria no poeta o indício de alguns versos

        Que antes de serem voz, hão-de doer primeiro!”

 

E, pensei: - é verdade! – É isso!

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:11

Adeus Poeta! Adeus Poetas!

Quarta-feira, 28.05.08

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.699 – 28-Fevereiro-2003

...@@@...

 

O telefone tocou, no momento exacto em que eu, mais uma vez, verificava a impossibilidade de coadunar as horas das minhas obrigações com o horário de visitas aos doentes do Hospital onde o coração me pedia que fosse.

O telefone tocou, e a notícia que através dele recebia, era a mais dolorosa. Morrera o meu velho amigo e compadre Casimiro da Piedade Abreu.

Passado o breve instante do impacto incontrolável da notícia, aflorou-me á boca, com um sorriso carinhoso e triste a frase que serve de epígrafe a esta crónica.

- Adeus Poeta!

- Depois, pensando em Álvaro Abreu, seu irmão, e, também ainda recentemente falecido, achei de justiça juntar os dois nomes no meu tributo de apreço e saudade.

Assim um plural, os junta, num mesmo sentimento de respeito e admiração porque ambos foram poetas.

 

O Álvaro, durante anos, colaborou no Linhas sobre temas variados. Crónicas que todos liamos com interesse verdadeiro e que, muitas vezes, provavam o amor que o atava às suas raízes.

Por sua vez, ele também lia as minhas crónicas e, sobre elas se pronunciava nas cartas que me endereçava. Assim criamos uma convivência literária que permitiu dar aso a uma amizade que resistiu até ao fim da sua vida.

Na última carta que me escreveu, citava com muito humor e ironia, a lista dos remédios que ao longo da sua vida tomara, e que fora anotando rigorosamente, facto que comentava com inteligência e muito espírito.

Por vezes, desde que por doença, ou pela idade deixara de escrever, enviava-me poemas e curiosidades que cheguei a utilizar para artigos meus, o que me confessou dar-lhe prazer.

Era o meu jeito de corresponder à deferência que me dispensava.

Um dia, por acaso, tive conhecimento que os seus restos mortais tinham chegado para o último sono a esta nossa terra que foi seu berço.

Também com um sorriso de tristeza, dentro da minha alma lhe disse: - Adeus Poeta! – Porque foi de poeta o seu enlevo pela vida, e foi de poesia a obra que, ainda homem moço, escreveu.

Hoje, frente à notícia do desaparecimento de Casimiro, gostaria, de encontrar as palavras de justiça a que a sua qualidade de Homem da poesia e escritor tem direito, gostaria de saber falar dos seus livros, gostaria de ser capaz de o definir como pessoa no seu desajuste pela realidade, na grandeza do seu sonho de um mundo melhor, um mundo perfeito que sempre idealizou.

“ eu sou dum mundo aparte,

Vivo num universo de fantasia...

E leio tudo em verso... E matizo com poesia

Os falares deste meu mundo!”

            E, assim foi.

Viveu, como a si próprio se definiu em “intróito”, poema com que abre o seu primeiro livro: - Pórtico – editado em 1947.

Nesse mesmo poema escreve ainda:

“E quer no ranger da porta,

Quer no silvo da nortada,

Anda a verdade encontrada,

E tudo rima por sorte!”

Depois de Pórtico, veio: “Mais Além” e “Quarto dos Santinhos”. (que teve duas edições)

            Entre eles colaboração em jornais, revistas, exposições de pintura e tudo o mais que se relacionasse com beleza e sonho.

Foi Casimiro Abreu um dos fundadores do Linhas de Elvas, com Ernesto Ranita Alves, Marciano Ribeiro Cipriano, e outros...

Foi Casimiro quem “fez” as Pedras Negras. Casimiro, sonhava, semeava e deixava ao vento a colheita, partia para outro sonho...

Casimiro era uma alma inquieta, sempre em procura de um sonho cada vez maior...

Não é fácil o percurso de Vida para quem, excede a medida do convencionalmente tido como exemplar.

Mas se ele conseguiu ser sempre, como acredito, ter sido, fiel ao seu coração, e esse é, penso, o verdadeiro segredo da autenticidade da Vida, terá terminado em paz o seu percurso entre nós; e poderemos parafrasear, para ele, como epitáfio o que ele próprio escreveu para a pedra tumular de seu primeiro filho, morto ao nascer:

“Pisem o chão devagarinho que o nosso filho adormeceu”

 

Avisemos a cidade com o mesmo toque de alma, escrevendo:

 Pisem o chão devagarinho que um poeta de Elvas, adormeceu...

 

Junto à mágoa da família, e de todos os seus amigos, a minha, se mo permitirem.

 

 

 

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    Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 01:08

Faz de conta...

Terça-feira, 27.05.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.716 – 27- Junho-2003

Conversas Soltas

 

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É indiscutível que somos animais de hábitos.

Na minha memória está tão arreigado o hábito de aliar ao som da chinfrineira dos altifalantes a promessa da visita do Circo, que antes de tomar consciência do que nos querem impingir, em altos berros, os carros de propaganda que, de rua em rua, de beco em beco, de porta em porta nos “vendem o seu peixe”, antes disso, frente ao despropósito do alarido,

        

canta-me no coração a lembrança das alegrias e deslumbramentos que os espectáculos circenses com a bicharada, os palhaços ricos que me intimidavam, e os pobres cujas desastradas proezas me fascinavam, sempre me ofereciam nos meus tempos de criança...

Assim que, só depois da íntima evocação, venha o acordar de consciência que nos faz descobrir a origem dos sons, identificar o assunto, pensar e fazer conjecturas...

                     

Segue-se, então o encolher de ombros, o sorriso, o esquecimento ou o despertar de algum interesse.

Ainda há bem pouco tempo foi assim.

Logo, logo, todo aquele carnaval foi caindo em cesto roto, mas a insistência frenética a pouco e pouco aguçou a curiosidade e, vá de tentar, cada qual, entender a causa da barafunda, que, se não fora o “pregão”, para a maior parte passaria em brancas nuvens.

Uma vez postos, quase à força, na peugada dos vestígios, todos pensam de acordo com os ditames da sua cachimónia, e, como é lógico, dos factos e pessoas que conhecem!

Fica-se alerta e ouvem-se nas rádios os “edificantes” improvisos.

Pois é!

Mas, paremos por aqui.

 

Quem recorda os velhos Circos da sua infância, fatalmente recorda fábulas e contos.

Lindas algumas. Horripilantes outras.

Terrífica a fala do lobo que arreganhando a voraz dentuça, disse ao cordeiro: - se não foste tu que sujaste a minha água, foi o teu pai que é mais velho.

E fez imperar, um silêncio de morte.

Daí que, faz de conta, que nada aconteceu.

Vitória, vitória, acabou-se a história!

E, a esta hora todos lá estão comendo pão com melão e deram-me um prato de lentilhas que à luz do sol se transformaram em mentiras.

Alvíssaras para mim que este conto chegou ao seu fim!

 

 

 

                     Maria José Rijo

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:58

Outono

Domingo, 25.05.08

 

O Outono já chegou…

Deitou as folhas ao chão!

E procurou ávido, curioso,

O âmago, o coração!...

Veio em redemoinhos…

Veio nos pés do vento…

Não atendeu um lamento,

E devassou, e despiu

Sem carinho, em gesto cru,

Quis ver tudo bem por dentro…

Tinha a volúpia do nu!...

 

Era satânico, cruel,

Mas disfarçou seu intento

Num entardecer doce, lento,

Que o simulava de santo

No seu manto de burel!

Sob tanto enfeite lindo

De frutos, folhas, flores,

O Outono desconfiou

Que as árvores queriam esconder

Erros de estranhos amores!...

 

Então a raiva cegou-o!...

Chegou, despojou, varreu…

Em procura de pecados

Quase nenhuma esqueceu!

Mas parou envergonhado

Porque disfarçadas nas graças

Que a Primavera lhes deu,

Tudo o que as árvores fizeram

Foi crescer direito ao céu!...

 

Enganara-se o Outono

No conceito de beleza…

Primavera – é mocidade

E ser menina – é pureza!

 

Então o Outono triste,

Cheio de mágoa recuou…

E deixou passar o Inverno

Que a tristeza – chorou!!!

.

Maria José Rijo

1953

.

 

 

 

I Livro de Poemas

Poema nº 13

Pág 73

Desenhos da autora

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:36

Inquéritos e não só...

Sexta-feira, 23.05.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.635 – 7/Dezembro/2001

Conversas Soltas

 

 

Nas horas de sombra do anoitecer de cada dia, apetece por vezes, muitas vezes, o conforto de uma companhia que comungue do arrepio de beleza e medo que sempre causa o momento em que se pode escrever a palavra: fim! – Seja lá do que quer que for que na Vida termine.

         Então, para muitas outras pessoas, como, também, para mim, algumas passagens de livros, – uma oração que mentalmente se evoca, um fragmento de poema que à lembrança nos vem, – são-nos tão reconfortantes como a mão de alguém amigo que apertasse a nossa quebrando a solidão.

         

Não é qualquer coisa de acaso que se lê então.

Escolhe-se o livro conforme a circunstância. Nem todos os amigos são desejados em todos os momentos.

Eu, lia, neste entardecer- de Hugo de Azevedo- “Em defesa do homem”.  E, tinha fechado o livro, distraído.

Reabri-o ao acaso.

Fez-me sorrir o título: - “Inquéritos”

 

Cito:

“Os inquéritos servem sobretudo para sabermos o que dizem de si os cidadãos e o que acham que se deve dizer acerca dos problemas actuais. Servem menos para conhecermos o que realmente pensam. E não servem quase nada para compreendermos como são. Deus nos livre de extrair delas conclusões certas sobre o «país real». Precisamos para isso de muitos outros instrumentos de observação.”

             

Já antes me fizera deter a reflectir um outro trecho do mesmo artigo que diz: Com efeito, perante um interrogatório qualquer, por mais neutral que pareça, a maioria dos interrogados tende a desenhar o seu perfil ideal, e não tanto a fazer um sincero exame de consciência. E um perfil ideal, que geralmente tem mais a ver com o que hoje «se deve» pensar e dizer, do que com o que efectivamente se pensa. Ainda por cima, o que se pensa, frequentemente, não coincide com o que se vive...Enfim, todo o inquérito está sujeito a vários desvios da realidade, e as respectivas análises hão-de tomar sempre isso em conta.

Para já não falarmos da primeira inevitável «refracção» consistente na selecção, ordem e forma das perguntas, que pressupõem desde logo a escolha de determinada perspectiva na formulação dos temas investigados.

       

...Chegam-nos aos montes, nesta altura de eleições, listas, inquéritos, propagandas de toda a espécie.

Já nada interessam. Sabe-se de antemão o que papagueiam.

Mas, faz dó ver os rostos abertos em sorrisos que, só por si, já desdizem o que, tantas e tantas vezes, ouvimos em desabafo e confidencia de raiva e revolta, contar, sem que algo lhes fosse perguntado, espontaneamente na nossa própria casa...

Faz dó, reconhecer a falta de rigor de listas impressas a cores e impingidas porta a porta onde até o nome de uma menina de onze anos (que eu conheça!..) aparece como apoiante de um político encartado...

É assim tão imprescindível a trafulhice, a demagogia?...

Faz dó reconhecer como as borboletas entontecem com o brilho das chamas... onde quase sempre se queimam...

Apetece perguntar para cada qual responder ao inquérito secreto da sua própria consciência:

Quantos ídolos já reverenciou?

Todos os que dispõem de poder, não é verdade?

Mas, só enquanto poderosos, claro! Não precisa confirmar. É por demais evidente.

Para quê, então, estes inquéritos caseiros, se só se interroga quem se sabe, antecipadamente, o que vai responder, e, a resposta se inscreve na política das conveniências e não na das convicções...

 

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:16

As Siglas

Quinta-feira, 22.05.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.611 – 15- Junho-2001

Conversas Soltas

 

 

            Ninguém sabe mais os nomes de nada.

          As siglas estão na ordem do dia - é a : NATO, o FAOG, os PALOP, é a CE, o ICAM, O APEL, o CAM, o MARL, o INFARMED, o ARTA, a ENMP, a CAP, o FISAC, o diabo a sete... porque, é a falar assim que ninguém sabe do que se fala.

            Têm dúvidas?

             

            Vejamos: - se eu disser: - morreu uma criança - qualquer de nós pensa e sente : que pena! Mas, morrem crianças todos os dias e a vida segue em frente.

            Se eu disser - morreu aquela criança - já me perguntarão : qual? E se eu acrescentar dados que a identifiquem, então, a criança já pode passar a ser a nossa e o impacto da notícia nunca será o mesmo.

            Pois é!

            A habilidade consiste em despojar o facto de identificação de modo a torná-lo BANAL.

            Banalizar é a chave para se tratar tudo sem emoção, sem sentimento, sem coração, tão friamente que desumanizado tudo se permita porque tudo se confunde. 

            Um soldado - é um homem - uma pessoa - eu, tu, ele...

            A tropa... é muito mais vago...

            Salva-se por instinto a formiga que caiu na água ou, até a mosca! - mas destroi-se o formigueiro...

            Vem isto a talho de foice pela habilidade e inteligência ( outra coisa dela, não se poderia esperar ) com que Helena Roseta ,na Assembleia da Republica pôs o caso do aborto.

            Façamos uma breve retrospectiva:

            Começou por se falar de aborto. O povo menos instruído designava tal acto como: um desmancho.

            Desmanchar, ainda não mudou de sentido, quer dizer: - desfazer, tornar nulo.

            Tornar nula uma Vida é, simplesmente, destrui-la.

            Destroi-se anulando . Se é vida, quer dizer : matando.

            Depois, para dissimular a violência das palavras ensinou-se, impingiu-se até  à banalização a polida definição de : - interrupção voluntária da gravidez !

            Assim, o desmancho, o aborto provocado, de uma Vida passa a parecer APENAS um acto médico, preciso, asséptico, até bonito!!!

Coisa limpa, feita às claras. Nem sequer já parece aparentado com a sua verdadeira finalidade: desmanchar...destruir uma Vida!...   

   

            Agora, porém, está encontrada a maneira ainda mais dissimulada de falar nesse tal assunto a que já se tirou (tirou, mesmo?) todo peso de PROBLEMA – social e moral com todas as letras e doloroso, trágico, significado - porque não é reduzindo-o a uma sigla que se lhe reduz o peso, a gravidade e o valor.

         

            Claro que não é !

            Mas, para banalizar, tornar mínimo, tão insignificante, que tenha apenas a medida da nossa pequenez, esse acto desumano, cruel, anti-natura, designa-se por: - I V G! - Querem mais perfeito? Ou mais perverso?

            Penso que é o máximo! - Parabéns!    

            Não estou a dar pareceres sobre decisões que só em consciência cada qual pode tomar.

            Longe disso.

            Estou apenas a querer dizer que os bois devem ser chamados pelos nomes e cada um que toma uma decisão a deverá assumir sem rodriguinhos hipócritas.

 

 Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:16

O preço da diferença

Quinta-feira, 22.05.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.965 – 17 de Abril de 2008

Conversas Soltas

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Alentejo.jpg 

Partiu há dias, umas duas semanas, apenas.

Partiu, levando com ela, nas sentidas lágrimas que a choraram a admiração e estima de uns, a simpatia de outros, a indiferença e incompreensão de mais alguns que, embora reconhecendo-a diferente, a apontavam por isso. Sem nunca se preocuparam em entende-la.

                   

Aliás, ninguém agrada a todos.

Partiu deixando uma dor sincera em quem de perto privou com ela e entendendo-a, admirou a sua coragem, grandeza de alma e coração.

Em quem sabia com que determinação encarava as contrariedades da vida, com que alegria se levantava nas madrugadas para arregaçando as mangas, trabalhar sem cansaço dando, largas à sua criatividade, às suas capacidades de lutadora, que nunca virou o rosto a dificuldades.

                           

Era uma elvense de alma e coração.

Falava, como ninguém, das minúcias dos antigos festejos do São Mateus.

Quando tudo isso evocava com entusiasmo e saudade na voz desenhando com as mãos os gestos de enlevo pelos carros de canudo, pelos fatos dos romeiros, pelos costumes que o tempo criou e depois foi desfazendo, transfigurava-se, e as imagens surgiam aos nossos olhos como se fora um pintor a grava-las numa tela.

Quando assim acontecia, ela tinha o dom de nos fazer sentir a riqueza que é uma perfumada e farta fornada de pão com a côdea quente e estaladiça a provocar a gula...

Ela tinha o dom de nos fazer sentir o despertar da terra na frescura das alvoradas quando o dia nasce.

Ela tinha o dom de tornar majestosa qualquer refeição, por mais singela que fosse porque era impecável no asseio, na ordem e no culto da beleza de que revestia tudo em que as suas mãos tocassem.

                                              

Ela falava dos coentros como se louvasse o mais delicado e caro perfume francês.

Ela era inigualável. Ela era, ela foi diferente.

Ela amava a Vida e respeitava-a até nas suas mais modestas manifestações.

                  

Uma certa vez, confessou-me o sonho de escrever um conto. Pediu-me ajuda. Senti-a inquieta no receio de não termos oportunidade de o conseguir.

Assim aconteceu.

Lamento com toda a minha alma que assim tivesse sido.

“A filha do Lavrador”, se chamaria.

Era a odisseia de uma rapariga Que lutava contra todas as contrariedades, mas nunca desanimava, nem perdia o amor e a fé nas pessoas, coisas e animais. Que se derretia em ternura por crianças e infelizes e que evocava os arraiais, as sementeiras e colheitas e tudo o mais que fazia a história do seu Alentejo e, em particular da sua Elvas e, que nem no meio das maiores tormentas perdia o gosto pela Vida e a capacidade de sonhar...

Sei que à cabeceira da sua cama, quando partiu – tinha um caderno e uma caneta prontas para escrever esse conto de gente da terra, perfumado pelo odor das eiras em tempos de Verão e de terra molhada com as “águas novas” de Setembro.

Se eu tivesse capacidade para o fazer, escreveria por ela essa saga e, poria à heroína o nome de Lili. Como homenagem a alguém que até ao fim da vida foi leal e pura de coração como são os que acreditam na bondade e sabem ser devotadamente amigos do seu amigo.

 

            Maria José Rijo

 

Dois Mundos - 96.5 kb

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Carta ao “Zéi”

Terça-feira, 20.05.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.967 – 2 Maio de 2008

Conversas Soltas

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No dia do meu aniversário estava numa zona onde não tinha sinal e o telemóvel apenas registava mensagens.

Quando regressei a casa, vi-me confrontada com mensagens várias e, uma delas, dando-me um puxão de orelhas, era tua Amigo.

Com toda a força do hábito que te está enraizado dos teus tempos de docência deixaste-me uma bela duma “ real descasca”, para falar à moda das gentes lá das nossas bandas.

Nas tuas pretensas razões enunciavas: os telemóveis são para estar ligados.

Para que o queres, Maria, se não o ligas...

Queria-te dar os parabéns e não sei por onde andas...

E, mais um rol de críticas que queriam apenas dizer: não me esqueci de ti, vinha ouvir-te e dar-te parabéns etc. etc, etc. e, estou decepcionado por ter feito várias tentativas sem o conseguir.

Era isto, ou não era?

Era certamente. Também eu lamento o desencontro e, como já perdi o jeito de escrever cartas pelo correio, respondo-te por aqui.

Quero que saibas que sempre me toca o coração a tua presença nestas datas, como me enternece a tua amizade a que correspondo com muito carinho desde os velhos tempos do liceu.

E, vão setenta anos, bem contados...

Quanto à “desanda” , achei-lhe aquele sabor especial – a conversa de mestre – a que o senhor doutor Orrico Horta nos habituou, e de onde só transparece atenção e amizade.

Um beijo – meu Querido - e obrigada.

E, já agora ao correr das lembranças, evocando o nosso comum professor de alemão o Dr. Leitão de Figueiredo, de quem sofreste – para proveito dos teus alunos e, afirmação tua, como professor – marcante pela qualidade impar – de que deste testemunho uma vida inteira...

Já agora, se é que te não lembras, vou evocar - aquela brincadeira de Carnaval desses anos distantes.

Desde garota, como sabes, que eu fazia versos. Então, como o nosso professor algumas vezes dizia querer deixar o Liceu de Beja - que considerava um sertão - trocando por outra cidade mais do seu gosto, fui solicitada pelos colegas de alemão, para lhe escrever um postal de Carnaval.

Juntando “ a fome com a vontade de comer” logo acedi.

Comprei então um postal com dois porcos. Um pequeno e um grande a cumprimentarem-se frente a frente de chapelada e, com toda a irreverência da juventude escrevi:

Olá amigo Leitão!

Como se dá cá pelo sertão?

Se soubesse como sofro, nem m’o perguntava!

Assim?...

A cidade e o Liceu são um tormento para mim     

Mas... então quer ir embora?

Não compreendo, porém...

Cá na terra das bolotas é que os leitões vivem bem!

O nosso homem julgou tratar-se de provocação dos colegas de hotel e, levou o postal para a aula achando a brincadeira muito engraçada. Foi então que toda a turma desatou à gargalhada a olhar para mim e, Herr Doktor, percebendo a origem do postal, entre risos, mandou, a um e um, todos ao quadro para traduzir o texto para alemão mas, deu-me parabéns.

 

 Mocidade! Mocidade!

Já pensaste a que distância?!

Saudades...

 

                       Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:03

A pedrada no charco

Segunda-feira, 19.05.08

Contou-me o próprio João Eloy, que dissera aos microfones de uma das nossas rádios, não gostar de Elvas.

Evidentemente que sorri, fixando-o.

Ele acabara de “dar” a Elvas um testemunho de amor, editando através de “ Há cultura”- Criação e Produção de Eventos Culturais, Lda.- cuja responsabilidade comparte com A. Camões Gouveia -  um disco precioso que grava sem pieguismos, nem folclorices, mas sim, com perfeita autenticidade os cantares de Natal, das nossas gentes,  ao som das roncas, que eram, como que as luzes que alegravam as nossas almas em tempos de adoração ao Deus Menino, até há mais ou menos sessenta anos.

Não querendo fiar-me em absoluto nas minhas recordações que já me reportam a datas desses tempos, conversei sobre este “achado” com uma querida e respeitável Amiga, em cuja memória e saber muitas vezes me apoio, e que, me confessou deliciada que se trata de um fidedigno e precioso testemunho dos nossos hábitos ancestrais.

Estou a falar da Senhora dona Maria Júlia Lopes Celestino da Silva, senhora muito inteligente e culta, que deve ser, presentemente, a pessoa que mais sabe sobre hábitos, costumes e tradições da cidade de Elvas.

A edição deste trabalho teve o apoio de: Bombeiros Voluntários de Elvas e, Confraria do Senhor Jesus da Piedade.

Se o trabalho foi possível porque teria João Eloy, dito que não gostava de Elvas?

Possivelmente pela mesma razão que algumas vezes eu própria faço afirmação idêntica!

Qualquer de nós é natural da terra onde nasce - é obvio - mas, se as circunstâncias da vida para outros lugares nos empurram; onde nos fixar o amor, a família, o trabalho, os amigos, aí nos enraizamos e criamos a naturalidade da nossa eleição.

A mais verdadeira, porque, adoptada por escolha e afecto.

Assim que, sendo João Eloy, elvense de origem, e eu, elvense por sentimento, pode acontecer e acontece, que algumas vezes nos apeteça gritar que não gostamos de Elvas.

Não gostamos que as instituições oficiais se desinteressem do património cultural, e, não promovam e apoiem a recolha do que é autêntico e preserva os testemunhos da história dum povo...

Não gostamos que se desvirtue um centro histórico com pequenas pias, bebedouros de mau gosto, para rebanhos que não passam...

 

           Não gostamos que se erga uma fonte majestosa – aliás bonita – numa rotunda de utilidade discutível, traçada num plano inclinado, que em horas de ponta, provoca a confusão que se sabe! e que, tendo sido classificada, no acto da sua inauguração como  uma obra que com o rodar dos tempos competiria em importância com o AQUEDUCTO ,logo aí, se declarou como um desafio saloio ao nobre monumento, cujas belas perspectivas ensombra com o seu despropositado volume ,em altura, para o local a que se destinava...

 

Vejo, da minha janela, retalhar o pequeno morro sobranceiro à Piedade...

          Vejo, e sofro.

Como já sofri com a deformação que sofreu a Quinta do Bispo...

Agora, o que lá está é como um rosto queimado com ácido.

Não há cosmética que lhe valha...

Arrepiou-me o novo palmeiral perto da Pousada de Santa Luzia!

- Como poderemos dormir tranquilos quando nos garantem que o separador, digamos assim, que vai ser colocado entre as construções e a Igreja da Piedade será constituído também por um palmeiral!!!

- Obrigada, João Eloy!

- Obrigada, por ter dito – em voz alta – que não gostava de Elvas.

- Quem pode gostar de quem consente com indiferença e silencio que se deforme uma Cidade linda e diferente de todas as demais?

Quem pode segurar a revolta, vendo desvirtuar uma Cidade nobre que poderia progredir sem ser adulterada no que lhe é próprio? – No que a torna ímpar, no que mais a enobrece! - Quem pode ver com indiferença esvaírem-se as possibilidades de a consagrar como uma capital turística, por excelência, para o que está vocacionada pela sua história, nobreza, e raridade de arquitectura militar, além de riqueza gastronómica, costumes, cantes populares, igrejas, e, ainda musica erudita dos Mestres de Capela dos tempos do Bispado. Em suma, um mundo de factores que fariam inveja a quem quer que seja. Até ao aproveitamento do Cancioneiro de Elvas, cujo Achador ,- Manuel Joaquim - Que eu saiba – nem a nome de rua ainda chegou...

- Como o Hospital, que bisou o nome já atribuído ao de Viana do Castelo ( o que, ao que me consta, causa confusões...) e, deixou para traz o nome ilustre de Adelaide Cabette- ou seja, Adelaide Brazão,  médica célebre – natural desta nossa cidade,  conhecida e admirada dentro e fora de portas...

O costume... 

           

Ou já se esqueceram, também, que o país deve a Elvas pelo sacrifício e coragem das suas gentes a consolidação da independência de Portugal, e que o 14 de Janeiro, está reduzido a um feriado local? 

Quando factos desta importância, não são mencionados com o devido relevo, nos noticiários nacionais, onde quase se contam as cores da roupa íntima de qualquer futebolista... sabe, João Loy, eu vou mais longe no meu protesto e afirmo para ser mais violenta a pedrada no pântano: - não gosto deste país...

Nem deste país, nem desta cidade que amamos até ao desespero por ver que não lhe honrando o passado, lhe roubam a grandeza do futuro e o respeito do presente a que tem direito....

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                              Maria José Rijo

@@@@

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.694 – 24- Janeiro.--2003

Conversas Soltas

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