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Pensamento

Quarta-feira, 07.05.08

Não sou princípio

Nem fim!

Sou um ponto no caminho

Daquela linha partida

Que vinha de Deus para mim

Maria José Rijo

Julho de 1956

II Livro de Poesia

Poema nº 10

Pág.- 49

Desenhos da Autora

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publicado por Maria José Rijo às 23:54

Ciência de Almanaque II

Quarta-feira, 07.05.08

Cá estou eu, recorrendo de novo ao meu almanaque de 1908 para contar algumas das curiosidades que nele vou encontrando.

Desta vez, aprendi que o lenço, o vulgar lencinho de assoar, tão citado nos romances, que as damas de outrora deixavam cair para que os seus adoradores os apanhassem. Esses rectângulos de tecido onde se disfarça o bocejo, se abafa o espirro, se escondem as mucosidades, (como dizia no preciosismo do seu falar a elegante prima Alice), essa pequenas obras de arte, bordadas, pintadas, enfeitadas de rendas quer de bilros, de Peniche, quer de Bruxelas, de Alençon, de Bruges, de Milão, de Veneza, de Flandres, de Bruges ou rendas Valencianas, essa insignificância promovida a peça de luxo, tem também a sua história.

Vamos pois ao almanaque...Cito:

palacioversalhes_f_008.jpg

“Estamos aqui tentados a acreditar que as gerações antigas não se assoavam, ou, pelo menos, horror!... Que não se assoavam a um lenço! E assim, todas as suposições são permitidas e o nosso espírito flutua na dúvida em busca da solução do problema. Conclue-se do memorial de despesas reais no tempo de Luís XIII, que os lenços da rainha custavam nada menos que dezoito libras cada um. Nos enxovais de Luís XVI, não

               palacioversalhes_f_005.jpg

se fala em lenços de assoar, e mesmo nesta época a sua missão era apenas limpar o pó de arroz e o vermelhão. Eram luxuosos ou rudimentares? O luxo do lenço tinha feito poucos progressos no tempo

                       palacioversalhes_f_004.jpg

de Maria Antonieta; e os lenços dela eram avaliados apenas em vinte e quatro libras. A mulher nesses tempos trazia sempre o leque na mão, nunca o lenço de assoar, e as reconstituições históricas do teatro cometeram um anacronismo pondo um lenço de assoar na mão de uma mulher antes da época do Império.

Napoleão (Por Nimesh Desai)

Entraram então na Corte, porque Josefina tinha os dentes muito feios e negros, e por isso trazia sempre, a tapar a boca, um desses farrapos de baptista; e, naturalmente para justificar este hábito, era preciso que o lenço fosse elegante, bordado, ou guarnecido de rendas custosas.

                               Primeira mulher de Napoleão, Josefina de Beauharnais

Josefina não se esquecia também de mandar fazer as iniciais do seu nome encimadas pela coroa imperial. Como é fácil imaginar, todas as mulheres da Corte de Bonaparte, seguindo o exemplo da soberana, começaram a dar-lhe grande apreço e a fazer desse objecto maravilhas de bom gosto e de luxo; e mesmo para responderem às zombarias dos que no estrangeiro afirmavam que sob o governo do - Napoleão retratado por David Bonaparte  pequeno – as mulheres dos marechais, de origem baixa, se assoavam á mão, elevaram o lenço, como uma bandeira de protesto, tornando-o cada vez mais rico e obrigatório.”

O lenço hoje, já não tem estas conotações.

É uma peça utilitária. O que não a impede de, por ventura, poder ser um enfeite.

Os homens, que ainda não desistiram do vestuário clássico, continuam a exibi-los no bolso de peito dos jaquetões e paletós, casando as cores e desenhos a preceito com as gravatas...

Nas festas de casamentos, baptizados, comunhões ainda se completa o vestuário com adereços que incluem o lenço escolhido como um pormenor de requinte.

Nos fatos do dia a dia, esse que se impôs como um símbolo de luxo inútil, é uma peça imprescindível para cuidados de higiene.

E, até, o pobre mais pobre, que limpa as narinas, como dantes usavam fazer as mulheres dos marechais que não tinham pruridos de estirpes elevadas, até esses, não hesitam, por certo em puxar dele, para a lágrima irreprimível, incontida ou para o aceno de adeus, a quem partindo nos deixa partido o coração.

Que para isso o moderno lenço de papel que se impôs por ser prático e descartável, não tem “contextura poética”. Não dá para amarfanhar nas mãos, torcer como nos torce a alma o desespero e resistir como nós vamos resistindo e amadurecendo à medida que alegrias e mágoas nos vão dando lições de Vida...

 

Nota:

No século XVI uma veneziana de alta linhagem teve a ideia de cortar uma peça de linho em bocados que guarneceu de rendas, e utilizou, higienicamente, para limpar as fossas nasais. A ideia fez furor e, depressa passou os Alpes, vindo a expandir-se pela Europa. Nessa época os lenços não eram quadrados como hoje se usam. Tinham formas variadas. Só no séc. XVIII, o rei de França, Luís XVI, cedendo às reclamações dos tecelões, determinou que os lenços passassem a ter forma quadrada. Assim nasceu o lenço, segundo rezam velhos alfarrábios...

 

 

                                          Maria José Rijo

@@@@@

 Revista Norte Alentejo

Nº 26 – Maio/Junho - 2003

 Crónica

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publicado por Maria José Rijo às 00:13





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