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“Pensar em voz alta”

Sexta-feira, 16.05.08

Responder: - porque sim! - Não é resposta.

            Responder: - porque não! - Também não satisfaz.

                            

            Responder. Sim ou não; depois de pensar e ter fundamento para o que se responde, é, parece-me, a atitude certa.

         Responder por embirração também não se me afigura atitude inteligente.

            No entanto, dizer não a uma proposta correcta porque nos é apresentada por alguém que não merece a nossa simpatia - é uso corrente entre nós. Tal como assentir por simpatia também é atitude vulgar.

            Qualquer das situações não se pode dizer exemplar.

            Sim e não implicam responsabilidade, esclarecimento, compromisso, respeito pela palavra, já que é pela palavra que nos entendemos, ou, pelo menos, nos deveríamos entender.

O sim e o não devem depender da razão, não do afecto, especialmente quando se referem a atitudes com repercussão na vida publica.

               

                Na vida privada, no amor, na amizade, o sim e o não podem ser resultados apenas e, até, só de caprichos... Tudo bem! Porém, quando do sim, ou, do não dependem resoluções que afectam o colectivo nenhum esforço é demais na procura da sinceridade, do equilíbrio, das razões da nossa convicção, do que se nos afigura como verdadeiro, justo e honesto.

                            

 Vem aí outro referendo                                                                                            Está em questão uma decisão importante.

            Tremendamente importante.

            Como retalhar, sem separar, ou ofender, as gentes ”deste quintal” onde até aqui nos temos entendido bem e tão unidos!

Não importa a ninguém o que penso. Não pretendo, nem me cabe, fazer escola!

 

            Já me parece ditame de consciência não deixar passar em claro um assunto que a todos nós diz respeito e, que, portanto, me afecta directamente também. 

            Nasci, cresci, e vivo num país rural com fronteiras definidas há séculos. Com três regiões, apenas: Norte, Centro, Sul onde as províncias se encaixam a contento.

            Era um país de estradas vicinais que se casavam com o casario, a rusticidade da paisagem, a pouca cultura dum povo - só rico - em sabedoria de  vida e em determinação para trabalhar.

            Nem tudo ainda mudou.

            Pelo menos não mudou o essencial.

As estradas já são à europeia! É bonito de ver! Porém os rurais continuam a ganhar e a comer à antiga portuguesa: pouco e mal e a ter do conhecimento adquirido pelo ensino uma vaga noção de que: ISSO, o que quer que -  isso - seja ou queira significar,  é coisa de ricos.

Como se poderá, sem conhecimento profundo das questões, decidir sem a influência partidária! - Não vejo , já que a inserção nos partidos foi feita não por ideais ou convicções, mas sim ,  por crédito em promessas de interesse pessoais.

Qualquer coisa falhou nestes projectos de grandeza que os afastou do princípio fundamental da filosofia cristã e dos direitos do homem: - começar pela valorização da pessoa humana, pela sua dignificação, pela sua justa inserção social

Doem-me tão boas estradas para tantos sapatos rotos!...

Para o parque automóvel mais velho da Europa (segundo as parangonas dos jornais)

.           Reconheço sem favor que os estrangeiros, principalmente, já por elas se espraiam velozes e felizes.

            Às vezes assusto-me um pouco com as comparações que me ocorrem

Recentemente lembrei-me do feudalismo

            Consultei a enciclopédia, dizia assim: “regime político-administrativo e económico-social caracterizado pela multiplicação dos laços de dependência pessoal como condição para a posse de terras ou cargos públicos. Fenómeno associado ao enfraquecimento do poder central teve o seu apogeu na Europa Central dos séculos IX a XV, sobretudo na Alemanha, França e Itália. O senhor feudal cedia propriedades, cargos ou empregos em feudo vitalício a um vassalo que se comprometia à prestação de determinados serviços    civis e ou militares: o feudatário, por sua vez, podia conferir o feudo ou parte dele a um terceiro que ficava seu vassalo - o que motivou a criação de uma hierarquia que se reflectia na graduação militar e na divisão de classes dentro da nobreza “        

            Se as nossas mentalidades tivessem evoluído pela acção de factores que tivessem levado cada indivíduo ao reconhecimento dos seus direitos e deveres e isso já fossem valores endógenos passados de pais para filhos como genes - se assim fora - não estaria eu a pensar  nos tachos e nos tachistas e não recearia mais uma possível oportunidade de os ver pulular.

            Porém, vendo o meu país (ainda) rural a crescer por fora e conservando por dentro o pão bolorento, quase receio, depois de ter vivido livre, vir a morrer num qualquer feudo sob o poder – talvez não benfazejo – de um qualquer senhor feudal...

            Até agora tenho -me afirmado: - portuguesa – alentejana - e, assim me sinto.

            Receios de velhice, talvez!

            Pensa-los em voz alta, às vezes, faz-nos bem. - Desanuvia...

 

                Maria José Rijo

 

§§§§

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.465 – 7-Agosto-1998                                                  

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publicado por Maria José Rijo às 20:51





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