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A pedrada no charco

Segunda-feira, 19.05.08

Contou-me o próprio João Eloy, que dissera aos microfones de uma das nossas rádios, não gostar de Elvas.

Evidentemente que sorri, fixando-o.

Ele acabara de “dar” a Elvas um testemunho de amor, editando através de “ Há cultura”- Criação e Produção de Eventos Culturais, Lda.- cuja responsabilidade comparte com A. Camões Gouveia -  um disco precioso que grava sem pieguismos, nem folclorices, mas sim, com perfeita autenticidade os cantares de Natal, das nossas gentes,  ao som das roncas, que eram, como que as luzes que alegravam as nossas almas em tempos de adoração ao Deus Menino, até há mais ou menos sessenta anos.

Não querendo fiar-me em absoluto nas minhas recordações que já me reportam a datas desses tempos, conversei sobre este “achado” com uma querida e respeitável Amiga, em cuja memória e saber muitas vezes me apoio, e que, me confessou deliciada que se trata de um fidedigno e precioso testemunho dos nossos hábitos ancestrais.

Estou a falar da Senhora dona Maria Júlia Lopes Celestino da Silva, senhora muito inteligente e culta, que deve ser, presentemente, a pessoa que mais sabe sobre hábitos, costumes e tradições da cidade de Elvas.

A edição deste trabalho teve o apoio de: Bombeiros Voluntários de Elvas e, Confraria do Senhor Jesus da Piedade.

Se o trabalho foi possível porque teria João Eloy, dito que não gostava de Elvas?

Possivelmente pela mesma razão que algumas vezes eu própria faço afirmação idêntica!

Qualquer de nós é natural da terra onde nasce - é obvio - mas, se as circunstâncias da vida para outros lugares nos empurram; onde nos fixar o amor, a família, o trabalho, os amigos, aí nos enraizamos e criamos a naturalidade da nossa eleição.

A mais verdadeira, porque, adoptada por escolha e afecto.

Assim que, sendo João Eloy, elvense de origem, e eu, elvense por sentimento, pode acontecer e acontece, que algumas vezes nos apeteça gritar que não gostamos de Elvas.

Não gostamos que as instituições oficiais se desinteressem do património cultural, e, não promovam e apoiem a recolha do que é autêntico e preserva os testemunhos da história dum povo...

Não gostamos que se desvirtue um centro histórico com pequenas pias, bebedouros de mau gosto, para rebanhos que não passam...

 

           Não gostamos que se erga uma fonte majestosa – aliás bonita – numa rotunda de utilidade discutível, traçada num plano inclinado, que em horas de ponta, provoca a confusão que se sabe! e que, tendo sido classificada, no acto da sua inauguração como  uma obra que com o rodar dos tempos competiria em importância com o AQUEDUCTO ,logo aí, se declarou como um desafio saloio ao nobre monumento, cujas belas perspectivas ensombra com o seu despropositado volume ,em altura, para o local a que se destinava...

 

Vejo, da minha janela, retalhar o pequeno morro sobranceiro à Piedade...

          Vejo, e sofro.

Como já sofri com a deformação que sofreu a Quinta do Bispo...

Agora, o que lá está é como um rosto queimado com ácido.

Não há cosmética que lhe valha...

Arrepiou-me o novo palmeiral perto da Pousada de Santa Luzia!

- Como poderemos dormir tranquilos quando nos garantem que o separador, digamos assim, que vai ser colocado entre as construções e a Igreja da Piedade será constituído também por um palmeiral!!!

- Obrigada, João Eloy!

- Obrigada, por ter dito – em voz alta – que não gostava de Elvas.

- Quem pode gostar de quem consente com indiferença e silencio que se deforme uma Cidade linda e diferente de todas as demais?

Quem pode segurar a revolta, vendo desvirtuar uma Cidade nobre que poderia progredir sem ser adulterada no que lhe é próprio? – No que a torna ímpar, no que mais a enobrece! - Quem pode ver com indiferença esvaírem-se as possibilidades de a consagrar como uma capital turística, por excelência, para o que está vocacionada pela sua história, nobreza, e raridade de arquitectura militar, além de riqueza gastronómica, costumes, cantes populares, igrejas, e, ainda musica erudita dos Mestres de Capela dos tempos do Bispado. Em suma, um mundo de factores que fariam inveja a quem quer que seja. Até ao aproveitamento do Cancioneiro de Elvas, cujo Achador ,- Manuel Joaquim - Que eu saiba – nem a nome de rua ainda chegou...

- Como o Hospital, que bisou o nome já atribuído ao de Viana do Castelo ( o que, ao que me consta, causa confusões...) e, deixou para traz o nome ilustre de Adelaide Cabette- ou seja, Adelaide Brazão,  médica célebre – natural desta nossa cidade,  conhecida e admirada dentro e fora de portas...

O costume... 

           

Ou já se esqueceram, também, que o país deve a Elvas pelo sacrifício e coragem das suas gentes a consolidação da independência de Portugal, e que o 14 de Janeiro, está reduzido a um feriado local? 

Quando factos desta importância, não são mencionados com o devido relevo, nos noticiários nacionais, onde quase se contam as cores da roupa íntima de qualquer futebolista... sabe, João Loy, eu vou mais longe no meu protesto e afirmo para ser mais violenta a pedrada no pântano: - não gosto deste país...

Nem deste país, nem desta cidade que amamos até ao desespero por ver que não lhe honrando o passado, lhe roubam a grandeza do futuro e o respeito do presente a que tem direito....

 @@@

                              Maria José Rijo

@@@@

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.694 – 24- Janeiro.--2003

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 23:46





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