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As Siglas

Quinta-feira, 22.05.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.611 – 15- Junho-2001

Conversas Soltas

 

 

            Ninguém sabe mais os nomes de nada.

          As siglas estão na ordem do dia - é a : NATO, o FAOG, os PALOP, é a CE, o ICAM, O APEL, o CAM, o MARL, o INFARMED, o ARTA, a ENMP, a CAP, o FISAC, o diabo a sete... porque, é a falar assim que ninguém sabe do que se fala.

            Têm dúvidas?

             

            Vejamos: - se eu disser: - morreu uma criança - qualquer de nós pensa e sente : que pena! Mas, morrem crianças todos os dias e a vida segue em frente.

            Se eu disser - morreu aquela criança - já me perguntarão : qual? E se eu acrescentar dados que a identifiquem, então, a criança já pode passar a ser a nossa e o impacto da notícia nunca será o mesmo.

            Pois é!

            A habilidade consiste em despojar o facto de identificação de modo a torná-lo BANAL.

            Banalizar é a chave para se tratar tudo sem emoção, sem sentimento, sem coração, tão friamente que desumanizado tudo se permita porque tudo se confunde. 

            Um soldado - é um homem - uma pessoa - eu, tu, ele...

            A tropa... é muito mais vago...

            Salva-se por instinto a formiga que caiu na água ou, até a mosca! - mas destroi-se o formigueiro...

            Vem isto a talho de foice pela habilidade e inteligência ( outra coisa dela, não se poderia esperar ) com que Helena Roseta ,na Assembleia da Republica pôs o caso do aborto.

            Façamos uma breve retrospectiva:

            Começou por se falar de aborto. O povo menos instruído designava tal acto como: um desmancho.

            Desmanchar, ainda não mudou de sentido, quer dizer: - desfazer, tornar nulo.

            Tornar nula uma Vida é, simplesmente, destrui-la.

            Destroi-se anulando . Se é vida, quer dizer : matando.

            Depois, para dissimular a violência das palavras ensinou-se, impingiu-se até  à banalização a polida definição de : - interrupção voluntária da gravidez !

            Assim, o desmancho, o aborto provocado, de uma Vida passa a parecer APENAS um acto médico, preciso, asséptico, até bonito!!!

Coisa limpa, feita às claras. Nem sequer já parece aparentado com a sua verdadeira finalidade: desmanchar...destruir uma Vida!...   

   

            Agora, porém, está encontrada a maneira ainda mais dissimulada de falar nesse tal assunto a que já se tirou (tirou, mesmo?) todo peso de PROBLEMA – social e moral com todas as letras e doloroso, trágico, significado - porque não é reduzindo-o a uma sigla que se lhe reduz o peso, a gravidade e o valor.

         

            Claro que não é !

            Mas, para banalizar, tornar mínimo, tão insignificante, que tenha apenas a medida da nossa pequenez, esse acto desumano, cruel, anti-natura, designa-se por: - I V G! - Querem mais perfeito? Ou mais perverso?

            Penso que é o máximo! - Parabéns!    

            Não estou a dar pareceres sobre decisões que só em consciência cada qual pode tomar.

            Longe disso.

            Estou apenas a querer dizer que os bois devem ser chamados pelos nomes e cada um que toma uma decisão a deverá assumir sem rodriguinhos hipócritas.

 

 Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:16

O preço da diferença

Quinta-feira, 22.05.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.965 – 17 de Abril de 2008

Conversas Soltas

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Alentejo.jpg 

Partiu há dias, umas duas semanas, apenas.

Partiu, levando com ela, nas sentidas lágrimas que a choraram a admiração e estima de uns, a simpatia de outros, a indiferença e incompreensão de mais alguns que, embora reconhecendo-a diferente, a apontavam por isso. Sem nunca se preocuparam em entende-la.

                   

Aliás, ninguém agrada a todos.

Partiu deixando uma dor sincera em quem de perto privou com ela e entendendo-a, admirou a sua coragem, grandeza de alma e coração.

Em quem sabia com que determinação encarava as contrariedades da vida, com que alegria se levantava nas madrugadas para arregaçando as mangas, trabalhar sem cansaço dando, largas à sua criatividade, às suas capacidades de lutadora, que nunca virou o rosto a dificuldades.

                           

Era uma elvense de alma e coração.

Falava, como ninguém, das minúcias dos antigos festejos do São Mateus.

Quando tudo isso evocava com entusiasmo e saudade na voz desenhando com as mãos os gestos de enlevo pelos carros de canudo, pelos fatos dos romeiros, pelos costumes que o tempo criou e depois foi desfazendo, transfigurava-se, e as imagens surgiam aos nossos olhos como se fora um pintor a grava-las numa tela.

Quando assim acontecia, ela tinha o dom de nos fazer sentir a riqueza que é uma perfumada e farta fornada de pão com a côdea quente e estaladiça a provocar a gula...

Ela tinha o dom de nos fazer sentir o despertar da terra na frescura das alvoradas quando o dia nasce.

Ela tinha o dom de tornar majestosa qualquer refeição, por mais singela que fosse porque era impecável no asseio, na ordem e no culto da beleza de que revestia tudo em que as suas mãos tocassem.

                                              

Ela falava dos coentros como se louvasse o mais delicado e caro perfume francês.

Ela era inigualável. Ela era, ela foi diferente.

Ela amava a Vida e respeitava-a até nas suas mais modestas manifestações.

                  

Uma certa vez, confessou-me o sonho de escrever um conto. Pediu-me ajuda. Senti-a inquieta no receio de não termos oportunidade de o conseguir.

Assim aconteceu.

Lamento com toda a minha alma que assim tivesse sido.

“A filha do Lavrador”, se chamaria.

Era a odisseia de uma rapariga Que lutava contra todas as contrariedades, mas nunca desanimava, nem perdia o amor e a fé nas pessoas, coisas e animais. Que se derretia em ternura por crianças e infelizes e que evocava os arraiais, as sementeiras e colheitas e tudo o mais que fazia a história do seu Alentejo e, em particular da sua Elvas e, que nem no meio das maiores tormentas perdia o gosto pela Vida e a capacidade de sonhar...

Sei que à cabeceira da sua cama, quando partiu – tinha um caderno e uma caneta prontas para escrever esse conto de gente da terra, perfumado pelo odor das eiras em tempos de Verão e de terra molhada com as “águas novas” de Setembro.

Se eu tivesse capacidade para o fazer, escreveria por ela essa saga e, poria à heroína o nome de Lili. Como homenagem a alguém que até ao fim da vida foi leal e pura de coração como são os que acreditam na bondade e sabem ser devotadamente amigos do seu amigo.

 

            Maria José Rijo

 

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