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QUATRO EXCLAMAÇÕES

Quarta-feira, 06.08.08

À Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1804 – 20 de Setembro de 1985

São Mateus 1985

Quando um ventinho assobia e só servem os sentidos

para saber entanguidos, e engadanhados de frio,

os dedos entorpecidos de articulações doloridas,

e nas botas empedernidas – mais duras do que torrões –

em que a terra se tornou, e onde se avança aos baldões,

com todas as intempéries…

-- os pés são pesos de chumbo…

-- É o Inverno, com chuvas, vento,trovões,

e geadas de rachar…

-- Ao proteger o gado, afrontando o temporal…

-- “Ah, vida dum filha da mãe!

      Raio de tempo dum sacana!”

      Desabafa o maioral!...

            

Quando a seara desponta, e só servem os sentidos

para atentar se é bem nascida (o que é o pão da vida)

        

de quem na terra trabalha…

-- Quando é a perder de vista

verde, verde, o que se avista…

-- Se a azeitona deu bem, e os lagares ainda gemem…

-- E o Fevereiro não veio quente (com o diabo no ventre).

-- Se de tudo há novidade na sezão em que era esperada…

-- Vendo de longe a mulher que veio espreitar à porta

               

para ver chegar o marido, o aguarda no umbral

-- Sorrindo – orelha a orelha,

acena com gesto largo…

“Olha lá pr’a este enlevo!

  Disto não me lembro igual!

  Vai um ano dum sacana!...

Diz a esperança que canta nas falas do maioral.

 

Quando o calor zumbe aos ouvidos, e só servem os sentidos

para ter medo de os perder…

     

-- Quando o ar que se respira parece estar a arder,

e a garganta e os pulmões se engasgam com o suão…

e, coitado, o coração bate apressadamente, aflito

como um pobre pardalito, fechado na mão de alguém!

           O tempo no Alentejo ...

-- Sem dar perdão a ninguém, a canícula avassala!

-- “É dura a vida dos pobres!

      Ah! Calorina real

      Raio de tempo dum sacana”

-- Desabafa e limpa o suor, ofegante o maioral!

 

Quando toda a safra acaba, e só servem os sentidos

para almejar uns festejos,

convívios com gente amiga que só se vê de ano a ano…

-- E o que lembra é um copo, uma cerveja fresquinha,

cantar umas brejeirices, largar umas baboseiras,

galhofar de tudo e nada…

reinventar a mocidade

(onde aparece que coube tudo o que se soube)

-- E a feira de São Mateus

-- Festas, jogo e arraiais!

     e ao chegar à Piedade

-- Com o azeite da promessa – em prudência inteligente,

alinha os seus pensamentos,

(de joelhos – cheio de fiel ar beato - agradecido )

desfia o que a alma sente:

“Rezo pouco e cá p’ra mim!

  Oh, meu Deus – não é por mal!

-- É que a gente tem pendência p’ra…

     P’ra largar só asneiradas…”

Remedia ainda a tempo

bem contrito o maioral.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:41

O nosso fado

Quarta-feira, 06.08.08

A La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1743 – 13 de Julho de 1984

 

 

A evidência impõe-se! – O nosso fado é corrido.

Por eles somos falados e conhecidos.

AGOSTINHO, celebrizou-se, com a sua bicicleta – por ter corrido!

ROSA MOTA é célebre e disputada – por ter corrido!

FERNANDO MAMEDE é célebre e disputado – por ter corrido!

FERNANDO MAMEDE e

 

CARLOS LOPES enchem os cabeçalhos dos jornais e aparecem nas televisões de todo o mundo – por terem corrido!

                        

PAULO FERREIRA, um sportinguista, há pouco só conhecido da

 

família, veio ás luzes da ribalta por… ter corrido!

A evidência impõe-se!

É fado nosso! Fado corrido – fado falado!

É o próprio fado que o diz:

(Ninguém foge por mais forte, ao destino que Deus dá!)

Vamos lá, então, correr, todos e de vez, com a incúria, a malandrice crónica, o desleixo dos costumes, os burlões e as falcatruas, as fraudes e os contrabandos, os oportunistas sem escrúpulos, os sabotadores, as greves selvagens e os selvagens que as fazem, etc, etc, etc…

Corrido a sério, sem etapas, o que há para correr neste País, teremos vencido a corrida da sobrevivência que – por destino – é fado nosso ganhar…

 

Fugir nem sempre é correr

Também se foge – não indo!

Não fujamos à corrida

Nem vamos correr – fugindo

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:08





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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