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Sobre um Poema

Domingo, 10.08.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.939 – 18 – Outubro - 2007

 CONVERSAS SOLTAS

MARIA JOSÉ RIJO

Sempre ouvi dizer que: - “os versos são como a música, ficam-nos no ouvido aqueles que nos encantam”.
O que já não se pode generalizar, é a razão pela qual nos encantam.
No entanto, não raras vezes, tocam-nos porque exprimem de forma tão precisa o que sentimos e gostaríamos de ter sido nós a dizer, ou escrever, que os ficamos a considerar como “nossos” independentemente da forma como se nos apresentam.
A poesia não é coisa que se retrate, no sentido exacto do termo.
Ninguém tira um retrato a um poema, embora a poesia possa nascer de qualquer circunstância tão visível e palpável como um tema para retrato.
O que “veste e despe” a poesia são as palavras.
As palavras formam como que um invólucro, uma casca que contém um fruto. E, aí, nas palavras, a riqueza, por vezes, é tanta e tamanha que cada qual usa as que mais, ou melhor, lhe parecem ajustar-se ao fruto que envolvem.
Depois a mensagem fica, ou julga-se que fica presa nelas, para que a recolha e a deguste a alma de quem a entender, a ame, dela necessite ou, até, que a repudie, o que também pode acontecer.
Ora, muito recentemente, pensava eu, em como me é difícil, concentrar para trabalhar quando o Verão com sua luz crua tudo mostra e devassa e quase com despudor penetra por frinchas, cantos e recantos, como se o mistério da Vida lhe fosse insuportável...
Pensava como o sol cega, alucina, traz recados dos desertos soltando miragens, até nas ondas de calor do alcatrão das estradas.
É impiedoso. Comanda as vidas como a violência duma chama, dum lume. Derrete-nos a vontade, o livre arbítrio...
Homens e gado obedecem-lhe, subordinam-se-lhe, escondem-se.
É intenso – imperioso, impiedoso.
Os dias quentes, excessivamente luminosos, como que nos suspendem a vida, entranham-se até à alma, sem deixar uma réstia de sombra onde segredos medrem, vicejem, ocultos no fundo do silêncio, como as raízes. Uniformizam, tornam tudo liso como um quadro limpo. Os olhos como que cegam e, só a memória consegue reter rastos dos trilhos por onde a atenção desconcentrada e perdida, vagueou.
Já estes dias em que o Verão se despede, sem terem ainda o peso dos dias tristes e escuros dos Invernos, nos criam um pouco a situação da fábula da cigarra e da formiga.
Remetem-nos para o celeiro, onde as provisões se foram armazenando e, aí com o intimismo que os dias cinzentos proporcionam, quando fechados sobre nós próprios, como que nos aconchegamos no escuro para olhar melhor dentro de nós e encontrarmos as pontas das meadas que “dobamos” na dormência do Verão para sustento do Inverno.
Pois foi então que se me recortaram na consciência dois ou três versos que, penso, a todos nós hão-de apetecer gritar quando alguém ou alguma coisa, nem que seja o calor, nos priva da liberdade com que desejamos percorrer o nosso caminho…


                              Preciso de ser livre
                              para poder voar
                              nas asas do vento
                              por todos os caminhos
                              que trago dentro...

Encontrei-os como legenda desta imagem, assinados apenas com estas iniciais – P.A.A. – Pareceu-me um casamento perfeito...que assim transmito.

 

    Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:01





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