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Datas

Sexta-feira, 15.08.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.500 – 16-Abril-1999

Conversas Soltas

 

         Em Fevereiro de 1984; o meu saudoso amigo Ernesto Alves, certa vez, ao cruzar-se comigo na rua, por acaso, chamou-me e disse-me: queria que você escrevesse qualquer coisa, à sua vontade para o “nosso” jornal. Gostava que fosse uma colaboração regular.

         Está bem, respondi. E, assim começaram os “à la minute” que mantive enquanto Ernesto viveu.

         Ernesto me convidara e Ernesto me deu no seu jornal o lugar que à sua consideração e estima eu, lhe merecia.

         Ernesto partiu, em Setembro de 1990, estando eu doente com uma hepatite.

         Parei então de escrever. Tinha para tal dois fortes motivos: faltava-me saúde e faltava o destinatário da solicitada colaboração que então deixou de ter interesse.

         Entretanto adensou-se também uma sombra profunda em meu redor e por aqui me quedei quieta no meu silêncio.

         Até que Amigos, com bondade e tacto, me foram de novo empurrando para o “vício” da escrita que cultivo desde que comecei a garatujar as primeiras letras.

         Surgiram assim as “Conversas soltas”. Ainda e sempre para o “Linhas”, pois que me recusei a escrever para qualquer outro jornal local, mesmo quando fortemente, instada para o fazer.

         Questão de maneira de ser e estar na vida.

         Mas, vamos ao que hoje aqui me traz ainda que mal refeita da gripalhada que quase dava o “pleno” a quem  me esconjura .

         É que este mês de Abril é o meu mês das datas. Das melhores e das piores.

Nasci em Abril. Neste mesmo mês minha Mãe festejará os seus 99 anos, se Deus quiser.

Foi também em Abril - há já cinco anos - acabam de me chamar a atenção para a data - que comecei a escrever estas crónicas..

         Foi pensando nisso que tive a noção exacta, precisa, de que há datas e datas.

         Enquanto que, neste caso, comentei com um sorriso: Já?!

Uma semana antes tinha sentido nítido, indelével, como um golpe de bisturi que o tempo pode ter outras contagens...

Foi quando dei comigo a repetir: sete vezes 365 dias...são horas sem fim, minutos incontáveis, momentos e momentos só suportáveis pela consciência de que viver é isto: saber que só tem paz - quem recusar a mentira e a fraude.

Viver é risco.

Viver é assumir o pensamento e a palavra.

Viver é assinar por baixo.

É honrar a Vida.

Viver é saber rir no meio do pranto. Que o riso nasce da inteligência e do coração

Viver é um caminho de procura da Verdade, de realização, de ideal.

Viver é ter a certeza de que “o outro” sou eu.

Viver “é esperar a morte de pé como as árvores”, mesmo sentindo-se trituradas pelos dentes do serrote.

Viver é estar no tempo a que chamamos: nosso, só porque por nós passa.

         E o tempo pode ser longo ou breve tendo embora cada hora, sempre os mesmos 60 minutos. Essa é uma contagem que jamais algum relógio fará.

Só no segredo de cada alma, de cada coração se pode medir o valor do tempo, a sua dimensão, e o seu significado

Há datas e datas, é verdade, mas se com elas se marca a vida; a Vida é tempo e o tempo é efémero.

Tempo passa e não se repete.

Tempo ninguém guarda...

Mas, Tempo, é também, Património de Vida.

        

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 23:38

ALENTEJO - Revista Terra Mãe (em papel)

Sexta-feira, 15.08.08

 

Obras Publicadas

n

... E vim cantar, Poemas, 1955

…Paisagem, 1956

…Rezas e Benzeduras- 2000

…Crónicas do Jornal

…“Linhas de Elvas”

Conversa Soltas –

 

 

 

 

 

 

 

Quadro “os Ciganos”, pintado por Maria José Rijo.

“Adorava ter sido Cigana… A sensação de liberdade…de deslumbramento e o Medo …”

 

Oiça Maria José Rijo na nossa edição on-line

em www.alentejo-terramae.pt.

 

 

TEXTOS DE

Emilia Freire

 

Revista nº 12

3º trimestre - de 2008

Julho - Agosto e Setembro

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publicado por Maria José Rijo às 23:13

Entrevista - na revista Terra Mãe - 2008

Sexta-feira, 15.08.08

 Apenas a entrevista

 

http://www.alentejo-terramae.pt/

 

 

Sons

http://www.alentejo-terramae.pt/index.php?lop=conteudo&op=ba2fd310dcaa8781a9a652a31baf3c68&id=cc384c68ad503482fb24e6d1e3b512ae

 

 

 

PERFIL

Nasceu em Moura em 1926. Para que as filhas pudessem estudar, a família alugou uma casa em Beja e Maria José e a irmã foram para lá com uma tia, para frequentarem o liceu.

Quando estava no 6ª ano, conhece José Rijo, começa a namorar e casa. Adoece e fica sem poder ter filhos. Escreve o primeiro livro de poemas:

“Foi uma forma bonita de chorar”. E o segundo ainda veio na mesma linha.

Depois, por acaso, como diz que aconteceu tudo o que lhe aconteceu, começou a fazer artesanato, pintura… escreveu contos para crianças (que nunca publicou) …coisas... como diz.

Andou um pouco por todo o País devido à profissão do marido que era gerente do Banco de Portugal: Elvas, Caldas da Rainha, Coimbra, Guarda, Tomar, Beja (estava lá quando foi o 25 de Abril), Angra do Heroísmo e de novo Elvas…

Começou a escrever a crónica semanal no Linhas de Elvas quase há 30 anos e nessa altura chamava-se “À Là Minute”, passando mais tarde para o título que ainda hoje mantém: “Conversas Soltas”.

Teve uma curta (três anos) passagem pela política local, já que foi vereadora da Cultura e Turismo na Câmara de Elvas: “Aceitei porque achei que podia fazer qualquer coisa, quando senti que já não podia e sabia fazer mais, vim-me embora”.

A mãe viveu até aos 103 anos, depois faleceu há três, deixando-a ainda mais só.

…..

 “Nunca me senti nem uma poetisa, nem uma escritora, nem uma pintora, sinto-me o que sou, uma mulher… com alguma sensibilidade, que gosta de viver, que gosta das coisas, que respeita a vida e que respeita tudo o que a vida tem…”

Maria José Rijo, 82 anos, mulher

texto de Emília Freire

………….

apenas... mulher

Poesia não é gramática,

Não requer explicação,

Poesia, é sonho da alma

Só a sente o coração!...

Olhar as aves nos céus,

E vê-las notas de música

Da magistral sinfonia,

Que foi composta por Deus!...

Achar que o oiro é palha

Que nada vale na vida,

E ver a palha como oiro,

Na campina ressequida…

…É coisa que não se ensina,

Se vive, sente somente!

…Poeta é como ser mágico

Dos sentimentos da gente!...

Ser poeta… como nascer,

É tanto obra de Deus,

Que quando algum deixa a terra,

Nasce uma estrela nos céus!

 

“Tenho pena é de não ter uma história muito interessante para contar…”, disse-me depois de, sei lá, uma hora de conversa… e passaram-se mais três ou quatro… se não havia história, porque terei eu ficado tanto tempo à conversa com aquela mulher?! Porque, de facto, não há história… tudo, contado por ela, é história.

Maria José Rijo é uma pessoa fascinante! Este texto reproduz apenas uma pequena parte dessa conversa de várias horas e, digo com sinceridade: ficava outras tantas.

É uma pessoa que estranha o mais recente interesse que por ela tem havido porque a humildade, daquela mesmo verdadeira, é tamanha que diz coisas como: “acho engraçado… para mim é uma descoberta nova… é ver que as pessoas ligam importância, prestam atenção a coisas que eu fiz…porque fiz, porque me foram tão naturais como respirar… e tão necessárias… só isso”. Uma pessoa que tem a casa cheia de quadros, bonecos de madeira, de conchas, de registos, tudo feito por si… para não falar dos três livros editados e dos contos não editados e das centenas de crónicas publicadas no Linhas de Elvas, mais os escritos que ficaram na gaveta...

Há pessoas que têm dons e Maria José Rijo é uma delas. O dom de fazer qualquer coisa especial a partir de qualquer coisa, ou de quase nada... “Depois comecei afazer artesanato, às vezes de quase nada… sugestões que uma concha oferece, uma concha partida… de qualquer coisa se parte para uma coisa diferente…”os seus ‘escritos’ começaram a ser mais conhecidos em todo o país e por pessoas mais jovens, principalmente no último ano, desde que a sua amiga ‘Paulinha’ fez o blogue onde todos os dias coloca um texto seu.

“A Paulinha ficou muito minha amiga desde que eu estive na câmara de Elvas, Porque trabalhou lá comigo e disse-me que queria fazer um blogue mas não queria pôr o nome dela, gostava de pôr Rijo… o nome do meu marido… disse-lhe então: se queres pôr o meu nome porque te sentes minha irmã, põe Travelho, o meu nome de solteira. E ela pôs: Paula Travelho”. E conta então como foi que lhe aconteceu isto de escrever livros, crónicas, fazer artesanato em madeira e conchas, pintar quadros… a tal história que diz não ter para contar… “estas coisas na minha vida têm acontecido todas por acidente… calha.”Depois de ter ido estudar para Beja, quando estava no 6º ano do liceu veio a Elvas a convite de uns tios às festas do Sr. Jesus da piedade, tinha 17 anos, nessa altura conheceu o marido, que era alferes… “e pronto! Começámos a namorar…”“e casei mesmo… casei porque escolhi casar-me… não escolhi não ter filhos e não escolhi ficar doente e isso tudo aconteceu… e as coisas deram completamente a volta. Esta perda de álibi foi o caminho para eu procurar, e descobrir outros rumos, e a minha primeira intuição foi o lamento… O lamento como? um verso. Porque desde criança que gostava de escrever, gostava de ler…” saiu então o primeiro livro.

E a seguir o segundo foi ainda dentro dessa linha…“foi assim uma espécie de despertar e, a partir daí, procurei outros rumos…aquilo foi uma maneira bonita de chorar…de me libertar…de coisas que me tinham acontecido e que eram inesperadas…”depois continuou sempre a escrever, sobretudo para a gaveta, disse-me. “E depois aconteceram assim coisas… acho que nada acontece por acaso… um dia passámos aí na rua e numa montra estava uma exposição de bonecos de

madeira e eu ia com a minha cunhada, que estava deliciada a olhar… 'olha eu até acho que era capaz de fazer'… ela achou

Aquilo tão esquisito e pareceu-lhe tão mal que arranjou um bocado de pau de bucho e um bom canivete e disse-me: 'já que eras tão capaz de fazer, então faz! ‘ E eu fiz!”

“Que engraçado, pensei assim, como se processa a admiração nas pessoas… a gente admira aquilo que não é capaz de fazer… o que nos ultrapassa”mais tarde, uma grande amiga chamou um pintor a casa para lhe fazer o retrato dos filhos e Maria José viu pintar pela primeira vez. “Fiquei louca… nunca tinha visto aquilo, pintar… deu-me uma sensação extraordinária e então, ali mesmo, fiz o retrato do pintor e ele depois levou-o…”a partir daí comecei a usar as coisas…eu costumo dizer: eu não pinto, eu gasto tintas… eu como saladas porque são bonitas, têm cor, eu gosto de flores, gosto de luz, gosto de vida… gosto dessas coisas… então vou atrás do amor pelas coisas e da emoção… porque saber, não sei… nunca aprendi…faço, apetece-me”. Com os mais de 20 contos que escreveu para o programa meia Hora de recreio da emissora nacional, da responsabilidade de Maria Madalena Patacho, também foi mais ou menos assim. Uma amiga disse-lhe: tens

Tanto jeito para contar histórias aos miúdos, porque não escreves e mandas? “e eu mandei e fui mandando e eles foram aceitando…”

“fujo para estas coisas, porque me são naturais… realmente alguma coisa há em mim que me puxa para isto, para escrever… e eu agradeço a deus porque não há nada que pague a alegria e a emoção que se tem em frente de um papel branco… “o livro rezas e benzeduras foi uma homenagem do Linhas de Elvas quando o jornal fez 50 anos… “sou mais velha lá do que o dono do jornal que é filho do fundador. Fiquei muito grata.”

Maria José Rijo quer dar todo o seu espólio para a casa que tem em Juromenha, na margem do Guadiana. “Gostava que Junta de freguesia ou a câmara do Alandroal fizessem uma espécie de casa museu, como a minha casa lá até é uma casa típica alentejana”.“Sempre fui uma pessoa simples, uma dona de casa gostando de livros, gostando de música, gostando de pintura… e enchia a minha vida disso e depois tinha um marido que era um companheirão!... Fico feliz por isto me ter acontecido a mim”.

 

 

em www.alentejo-terramae.pt.

 

Maria José Rijo. “Adorava ter sido Cigana… A sensação de liberdade…de deslumbramento e o Medo …”

 

n

... E vim cantar, Poemas, 1955

Paisagem, 1956

Conversa Soltas –

Rezas e Benzeduras,

Crónicas do Jornal

“Linhas de Elvas”,

2000

 

 

 

Oiça Maria José Rijo na nossa edição on-line

 

Quadro “os Ciganos”, pintado por

Obras Publicadas

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:47

Reconsiderando...

Sexta-feira, 15.08.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.563 – de 7-Julho-2000

Conversas Soltas

 

 

         Por vezes faz-nos bem reconsiderar sobre velhos temas ou velhos assuntos; mormente se, ou, quando, nos apercebemos de como podem ser, são, ou foram manipuladas e adaptadas aos interesses dos opositores as nossas ideias ou alvitres.

         Em primeira análise estas circunstâncias fazem que se pondere aprofundadamente no que entendemos como honestidade.

         Mais importante, ou, tão importante como ser-se honesto não roubando; é ser-se honesto não forjando mentiras e falsidades sobre afirmações ou atitudes de outrem.

         Subjacente ao roubo, ainda pode estar a fome, ou qualquer vicissitude que possa tornar humanamente desculpáveis pequenas infracções desse tipo. Porém, quando é com astúcia, perfídia até, que se forja e propaga a mentira, que denigre as ideias alheias só por não serem coincidentes com os interesses de quem detém o poder e os meios para amordaçar quem não fala a sua própria linguagem - então, essa, é a mais torpe das desonestidades , porque é a desonestidade intencional e intelectual.

              

         Ouvi recentemente numa entrevista televisionada alguém de mérito afirmar, com muito bom senso e, bastante coragem, (na minha opinião), que para os políticos não é condição básica serem bons gestores. Essa será uma virtude a exigir aos gestores: - que sejam capazes, lúcidos eficientes.

         Aos políticos, deve pedir-se, inteligência dos problemas do seu tempo, visão de futuro. Capacidade, coragem e honestidade para investirem no desenvolvimento dos povos que governam, nas Câmaras que dirigem, nos serviços que dependem das suas direcções, nas obras em que investem os dinheiros públicos.

 Pela independência e despojamento que mostrarem escolhendo - não o melhor para a sua reeleição - para a sua popularidade - mas, o melhor para servir o IDEAL que os deve nortear no desempenho das suas funções, - por essa bitola é que seria justo medir o mérito dos políticos.

Estava a ouvir e pensei que essa espécie deve estar em extinção. O que é absolutamente deplorável. Embora ainda haja alguns exemplares, claros!

Não fora assim e o Porto não teria a sua “ Serralves” que tanto prestígio lhe dá e dará, por certo, com um museu de arte moderna que está dando cartas na península, e todas as outras estruturas culturais que comporta e enriquecem a cidade que dele se orgulha.

Se calhar, nesse espaço, tinha uma serie de bairros residenciais, sem mais ou menos mérito que outros de outras cidades; e, os responsáveis pela troca diriam: - (como se estas coisas se fizessem por acaso, ”ab ovo” sem o sua intervenção, e não por interesses imediatistas): - tínhamos que evitar que isto se tornasse um vazadouro público!

joaquim_serralves_foto_by_luis-duarte_final.jpg

O que é tão desonesto como dizer: - ou o fruto do meu bestunto ou o caos!

Por comodismo, muitos fingiriam acreditar. Outros poderiam ainda interrogar-se: - não haveria outras ou melhores opções?

Outros, mais reticentes e menos acomodados talvez comentassem: - o idealismo na política existiu no tempo em que nela ninguém enriquecia, pelo contrário...

Desta forma, com os interesses económicos, de alguns, pressionando; - com o desinteresse e o cansaço de outros - tirando escusa de actuar - pela convicção, de que já  nada vale a pena...pela acomodada negligência de outros, que apenas e sempre só conhecem os seus interesses particulares e ignoram a causa publica, as cidades se vão anquilosando, tornando vulgares e defeituosas, sepultando sob cimento, - história, alma, e tudo que as diferenciava e distinguia das demais. O que as tornava raras, diferentes, apetecíveis – notáveis!

         Penso que vale e valerá sempre a pena reconsiderar. E intervir. Intervir ainda que se saiba que nada se possa alterar no momento, porque o registo do alerta persistirá. Ainda que se saiba que a resposta imediata possa ser apenas o desagrado de quem manda, a vingança mesquinha, a frase mais ou menos grosseira que nos possa ser dirigida, o remoque virulento de quem reage incorrectamente por falta de capacidade, talvez, para agir com correcção, com dignidade.

                         Clicar para ver imagem em tamanho real

         Vale a pena reconsiderar se a gradezinha, o repuxo, o arrebique piroso, tem alguma coisa a ver com a nobreza sóbria da pedra vetusta e nua.

         Vale sempre a pena reconsiderar. E vale porque Vida e Serviço podem ser sinónimos.

         Servir o próximo é servir a Deus; e só com a coragem da nossa verdade, da nossa honestidade, da autenticidade que imprimirmos à nossa Vida serviremos a Deus e alcançaremos a plenitude da nossa própria existência.

Ninguém pede a ninguém que esteja contra quem quer que seja! - Não! Não é disso que se trata

Pede-se a cada um que não se omita, que reconsidere, - que não esteja contra si próprio - pense, e saiba e sinta que somos, cada um ,parte de um todo, onde tudo o que acontece tem, quer queiramos, quer não, o selo da nossa conivência ou da nossa rejeição.

Nisso deveremos, penso, muito seriamente, reconsiderar.

        

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:23

A Falha

Sexta-feira, 15.08.08

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.827 – 18 - Agosto - 2005

Conversas Soltas

 

 

Quando o Verão chega, o Algarve é a tentação.

Verdade que, nisto de praias, o nosso pais é privilegiado com a abundância e a beleza de quantas bordam a costa de norte a sul!

Porém o morninho das águas que se espraiam pelo areal imenso desde Monte Gordo até para além da Manta Rota, não tem comparação com quaisquer outras.

Quando as marés não são de mudança de estação, e o mar está chão, é impossível sonhar melhor espelho para o céu e maior conforto para corpo e alma do que por lá se nos oferece, no gozo de mergulhar, naquele marsão a perder de vista.

Os anos passam, mas a tentação das praias está desde a infância arreigada às nossas recordações.

E, quando o calor aperta não há mais do que ceder ao desejo de rumar ao sul, mesmo que para tal já se tenham perdido as companhias das nossas vidas, e a comodidade das viagens de carro...

Vence-se a luta com a saudade, e arrosta-se com a aventura da incomodidade de viajar com bagagem passando de camioneta para camioneta, com as malas à trela como se fossem animais de estimação.

Assim foi.

E, foi bem! – Só que ao chegar a Faro, capital do distrito, e, neste momento capital da cultura, à surpresa, juntou-se a indignação.

Historiemos porquê!

Parte-se de Elvas num veículo da rede de “expressos”.

Certo. Em Évora há transbordo. Certo.

È incomodo mas é assim.

 

Chega-se a Faro, e a estação de camionagem é um nojo. Mal cuidada, suja, asfixiante de calor e poluição.

Procura-se uma sala de espera para as horas em que é necessário aguardar a chegada do autocarro que nos conduza ao nosso destino e, deparasse-nos uma sala com cadeiras partidas, chão imundo, mal cheirosa, enfim, um ambiente incrível – deplorável!

A repulsa cresce dentro de nós.

Tenta-se então uma possibilidade de guardar a bagagem para passar no exterior as horas que se têm que esperar.

Não há!

Procura-se outro recurso.

Encontra-se uma sala de espera limpa, com bom aspecto, mas fechada.

Pede-se que seja aberta.

Que não!- que era impossível porque o nosso autocarro não era VIP!

Só pergunto: que culpa temos nós que ao percurso que fizemos não  tenha sido atribuído um carro VIP?

Que culpa temos nós de tal manifestação de racismo?

         Desta falta de respeito por quem paga e usa o que lhe atribuem, e depois é desconsiderado porque não o serviram tão bem quanto, afinal, poderiam tê-lo feito!

Meus pais casaram em Faro e repousam lá no cemitério. Minha irmã nasceu lá. Tenho lá família e amo aquela cidade arejada e bela, como poucas. 

Dá gosto visitá-la e conhece-la.

Nesta altura oferece um mundo de eventos culturais muito apreciáveis.

Na feira do livro não faltava nenhuma das melhores editoras.

O ambiente geral era aprazível, apetecia não sair de lá, não perder pitada.

Tudo isto é verdade, mas a estação de camionagem onde, nem sequer todo o pessoal foi cortês, (o que se compreende pelo ambiente infernal que lá se vive) não honra nem Faro, nem a empresa que a gere.

É, sem dúvida, uma falha sem perdão.

 

 

 Maria José Rijo  

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:15





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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