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Enquanto Se Esperam As Naus Do Reino...'

Sexta-feira, 31.10.08

Maria José Rijo

Nº 2.992--30- Outubro 2008

Jornal Linhas de Elvas

Conversas Soltas

 

Às vezes invade-me uma estranha sensação de nostalgia e nasce-me uma premente vontade de desistir.
Mas, desistir de quê? - O que faço eu, além de receber o Dom da Vida, que me permita atrever a afirmar que vou desistir!
Ora se não sou eu que faço a minha Vida, e, é ela que me molda a mim, não me cabe desistir do que, usando, não possuo.
Resta-me acreditar que o Bem, a Amizade, o Reconhecimento, a Justiça, a Gratidão, e todos os sentimentos que devem constituir a génese da alma humana – existem – e seguir em frente sem esperar do céu o milagre da retribuição a que, sempre, nos julgamos com direito pelo empenho com que vivemos os nossos afectos.
E, se como disse Santo Agostinho – viver é conviver.
Honremos os Amigos de quem nos honra o convívio.
Com uma dedicatória que me comoveu, pela amizade que, subjacente, lhe está implícita – talvez também porque a noite da passagem para aquele dia de Ano Novo antes da partida para a Índia foi vivido em nossa casa e, as já nascentes saudades das separações foram adoçadas com aqueles 'sonhos' boiando em rescendente calda de açúcar e canela, como só a Fernanda sabia fazer - recebi, do seu autor, um livro cujo título encabeça esta conversa e, me fora 'prometido acontecer', num passado mais recente, também pelo Ano Novo, em Cascais, num reencontro imposto pelos nossos já bem experimentados corações.
Foi de mãos trementes que o desembrulhei.
Fora-me anunciado pelo telefone. O livro é da autoria de João Aranha. Melhor: conta da sua vida, mas logo pela capa, bela, evocativa da nossa história e dos românticos sonhos desse colonialismo obsoleto que tudo sacrificou sem honra nem glória, fui sensível ao título que leio como a notícia da esperança de que a cada causa defendida às vezes com o sacrifício da própria vida, aportem um dia, não importa quando 'as naus do reino' trazendo respostas – daquilo que, o que se diz ser: politicamente certo – esconde, mas sempre se espera que os ventos da história reconduzam a porto certo.
João Aranha, prestigiou e enriqueceu - também - com o seu saber e a sua prosa escorreita, este jornal, com as suas crónicas tauromáquicas de saudosa memória.
João Aranha, foi militar em Elvas, e daqui, como oficial, partiu para a Índia, em 1957 num luminoso dia de Abril integrando um esquadrão comandado, pelo capitão de cavalaria, José David Baena Nunes da Silva, o 'Pepe', como por todos os amigos era identificado, que o mesmo é dizer por todos os elvenses do seu tempo.
Quando se completaram cinquenta anos sobre esse histórico acontecimento João Aranha promoveu AQUI, na nossa cidade uma comemoração para a qual convidou os sobreviventes dessa saga, suas viúvas e descendentes e, como é obvio, as autoridades locais, que apenas se fizeram representar no almoço, e a que nem o Boletim Municipal fez referência...
Dessa efeméride, na parada do antigo quartel de Lanceiros um, uma lápide comemorativa, dá testemunho.
Agora, a verdade dessa odisseia está ao alcance de todos, patente num livro escrito sobre um diário, desses tempos de guerra colonial - contados, não por quem ouviu dizer - mas, sim por quem fez parte daqueles que em sacrifício morreram ou a viveram por todos nós.
É um impressionante documento.
São acontecimentos da vida de um homem jovem, que ao contá-los hoje, com 85 anos, a esta distância no tempo - os narra com a humilde maturidade de protagonista que foi, da história do seu país, deste nosso país, que os vilipendiou para não dar a face e se recusou, depois, a tratá-los pelo que foram em boa verdade - heróis e vítimas.
Aconselho vivamente esta leitura e, presto a minha homenagem ao seu autor que nos enriquece não só pela qualidade da escrita, como por aduzir ao nosso conhecimento importante documentação sobre a guerra colonial portuguesa.

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:52

Mensagem

Quinta-feira, 30.10.08

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Vive o amor - a Criança
O Poema - a Ternura
O Sonho - a Esperança
Não definas o que sentes
Não dispões de Vida e Morte
Para ungir as palavras
Vive!
Vive o céu e o mar
Deixa que te lamba
O sol e o vento
Que te ofusque o olhar
A luz do firmamento
Vive solto!
Tudo o que aprisionas
Se reduz à tua dimensão
E, as palavras
Murcharão na tua boca - inúteis
Como flores colhidas
Espalhadas pelo chão
Vive!

 

 Maria José Rijo

30- Outubro-2008

  

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publicado por Maria José Rijo às 20:58

Eu fui ao jardim celeste, giró- flé -flé- flá...

Quarta-feira, 29.10.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.656 – 3- Maio - 2002

Conversas Soltas

 

...O que foste lá fazer? – giró- flé- flá...

Fui lá contar uma história, giró-  flá- flá- flé...

Para quem era essa história, giró flé- flé – flá...

Assim poderia começar uma cantiga, um conto, ou apenas esta conversa.

É verdade.

É assim, simplesmente, que começam muitas pequenas coisas que são importantes na vida embora não o aparentem.

Assim, terão pensado a Celeste, a Fafita, a Rosalina, e as outras senhoras educadoras cujos nomes, não retive – pelo que peço desculpa – e, que lá estavam com as suas pupilas.

                 Dormindo

Quem sabe se daquelas cento e muitas crianças, (não pela história que lhes contei), mas pela festa, em si, pela importância que sentiram -ser- atribuída ao LIVRO, à deferência prestada à palavra escrita, não ficarão tocadas pela curiosidade que lhes possa despertar o amor pela leitura, o amor pelo saber!

livro-tn.jpg

Uma coisa é certa: ninguém deixa de falar para uma criança pequena só porque ela não entende a linguagem...

E, ninguém deixa de o fazer porque, todos sabemos que assim é que se inicia a aprendizagem – insistindo, persistindo!

Assim se cuida de meter o vício do futebol nas massas – insistindo, persistindo, metendo as crianças sócias dos clubes, mal lhes registam o nome...

Horadoconto1

Volto a repetir que nada tenho contra o futebol. Apenas insisto e persisto em afirmar que outro tipo de interesses faria parte da nossa cultura de massas se, se lhes dispensasse – como deveria ser- igual espaço de divulgação.

Resumindo: fui, senti-me feliz por olhar, de perto, aquele mundo de esperança e, não posso deixar de felicitar quem cuidando daqueles “jardins celestes”, sabe, sente, trabalha, e luta para inculcar nas consciências daquelas pessoínhas todas a semente de interesses que lhes poderão enriquecer os caminhos da Vida.

Parabéns e obrigada.

         

 

Outro assunto:

Dos jardins da Celeste ao paraíso, não irá grande distância! – Não admira, portanto que me tenha vindo ao pensamento toda a problemática da maçã! E de dos consequentes estragos que a serpente, com suas tentações, ainda hoje provoca!

serpente.jpg

Tendo eu tomado conhecimento através do “Linhas” das várias nuances deste bíblico episódio – actualizado à nossa medida - lembrei-me de recordar alguns  recortes de jornais do meu arquivo.

Por exemplo em 18/XI/1994 um estimado cronista da nossa cidade, contava, referindo um discurso do Senhor Presidente da Câmara numa festa da CURPI.

 Cito:

“Diria em determinada altura que o que ali estava a acontecer era cultura, cultura não é só a Quinta do Bispo como alguns cultos jornalistas querem fazer crer. Mais de uma vez se referiu aos cultos que escrevem sobre o tão falado caso da Quinta do Bispo etc. etc. etc...”

Depois, referindo-se a si próprio ao dirigir-se ao Senhor Virgílio Barroso afirmaria:” também eu sou há bastantes anos (deficiente), mas a nossa deficiência é visível, ao contrário de alguns cultos que são deficientes da cabeça”

Curiosa é a Vida!

Não é que ao ler - na altura -  estas citações, pensei: sua Excelência o Senhor Presidente, não pretenderia, por certo, ofender os jornalistas, só, porque  não pensavam de forma igual à sua! – Logo, não era pejorativa, a  maneira peculiar de se lhes referir!

Nesta linha, estar alguém de focinho em baixo,( ocorre-me agora) poderia também ser uma fina ironia, até elegante, talvez...

Tratava-se por certo da sua maneira, muito particular, de fazer  graça, mostrar a sua forma de estar! De ser! De conviver! De comunicar!

Assim sendo, tudo bem!

 Ora, não é que acabo de  descobrir que afinal, quando não proferidas pela pessoa do senhor Presidente, mas a ele dirigidas, “ser deficiente da cabeça”, é, afinal forma ofensiva de tratar quem quer que seja!?

          

Ou haverá privilégios políticos – também - para insultar?

Realmente, morder a maçã foi o erro fatal da humanidade!

              

- É que, o caso ao que o seguimento deste folhetim demonstra tão grave que se aventa, ser a população do conselho a ter que custear o desagravo!

Ai, bom senso, bom senso, por onde andas tu, que não lembras, a quem de direito, que pedir desculpa, quando se erra, é uma atitude honrosa e politicamente certa?

Ter Elvas que pagar - do seu bolso - desacatos em que não foi visto nem achada; se não nos envergonhasse, dava para rir.

Que nos dê que pensar, também já nos ajudará a situar.

 

  

 

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:52

A pedido de D. Augusta Silva Torres

Terça-feira, 28.10.08

 

Nossa Senhora da Conceição

pintada por

Maria José Rijo

e está patente ao publico

na Exposição PERCURSO

no

Museu de Fotografia de Elvas

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publicado por Maria José Rijo às 21:26

Um sarau com “ Prata da Casa”

Segunda-feira, 27.10.08

Se é sempre bom um pretexto para falar de outras coisa, que não a subida de preços e preocupações quejandas, melhor ainda para qualquer de nós quando a ocasião nos aporta conhecimento de novas pessoas, novos assuntos, e novos livros.

Assim aconteceu. No auditório, chamado muito recentemente de São Mateus, anexo ao Museu da Fotografia João Carpinteiro.

Um Poeta – José Corrêa Guerra – lançou - um  livro –“Palavras Convexas” o segundo de sua autoria; e, uma figura incontestável da cultura elvense – Doutor Moura Fernandes - fez  em seu jeito erudito, para a interessada assistência, a  sua apresentação.

Uma Senhora que não foi apresentada, leu, e muito bem, alguns poemas do livro estreado; e, uma Menina, também não identificada para o público, tocando piano, emprestou beleza à festa que, assim, com música encerrou.

Foi agradável, e os dois pequenos reparos que aqui deixo, visam apenas ajudar para que, em idênticas circunstâncias, no futuro, não fique incógnito qualquer interveniente no desenvolvimento cultural do nosso meio.

O sarau, começou com o autor do livro a dissertar sobre esse tema inesgotável que é a tentativa de definir – o que é a poesia - a que eu junto aqui uma achega, talvez menos estudada,  de Adolfo Casais Monteiro:

 

A poesia, não é voz – é uma inflexão.

Dizer, diz tudo a prosa. No verso

nada se acrescenta a nada, somente

um jeito impalpável dá figura

ao sonho de cada um, expectativa

das formas por achar. No verso nasce

à palavra uma verdade que não acha

entre os escombros da prosa o seu caminho,

E aos homens um sentido que não há

Nos gestos nem nas coisas:

Voo sem pássaro dentro.”

 

Usou da palavra, em representação da Câmara, o senhor vereador Bagorro, que, com simplicidade, disse o que era certo para a circunstância, e falando embora dos méritos da instituição que ali representava, como se esperava e era justo que o fizesse, não caiu na tentação de enveredar para o pendor político transformando em comício, uma festa de diferente temática, que honrou com a sua presença. – Parabéns!

 

Comentar os poemas do livro, que já li, é tarefa a que não me abalanço.

Falta-me, para tanto “ engenho e arte ”.

Até porque, cada poema, em princípio, para mim é sempre um estranho que cruza o meu caminho.

Pode até seduzir-me, intrigar-me a forma, a musica das palavras, a mensagem que pressinto que me traz, pode…

Mas ninguém se familiariza, por norma, à primeira vista, com o que lhe era desconhecido, sem tempo, sem identificação...

Eu explico o que pretendo dizer: a primeira vez- muito nova ainda - que li os Lusíadas, logo no final do primeiro verso fiquei a pensar: - “As armas e os barões assinalados?”

Então as armas eram um exército, os barões outro? - E assinalados como? – Com que sinais?

E, a “ocidental praia lusitana”, onde seria? – Sendo lusitana era nossa, mas onde seria? - Mais a sul? – Ou, mais a norte?

            Lembro-me de concluir que aquilo era demais para mim. E, era.

O tempo passou e, com ele veio o conhecimento, o enlevo, o deslumbramento, a compreensão, a paixão pelos Lusíadas.

Já os barões se apresentavam como os lusíadas, que somos, já os assinalados, não eram marcas físicas mas carisma de valentia e grandeza. E, já repetia de cor versos e versos sem pensar o que quereriam dizer, mas sentindo-os, já sendo conhecidos e reconhecidos, da minha, da nossa colectiva, alma lusíada.

Evidentemente que o tempo, nesse “tempo”, não é o “meu” de agora, mas, mesmo assim, ainda preciso “dele” para chegar, por vezes, ao lugar de entendimento, onde os poetas, põem o coração nas palavras, de modo a permitir-me descobrir o mundo através da sua linguagem simbólica e misteriosa.

 

Aproveito para agradecer com muito carinho o livro “ Íntimos Afectos”- de José António Chocolate –outro poeta que nessa mesma noite conheci. Livro que já li – e com muito apreço vou relendo -  e, que,  também , aqui ,recomendo.

 

Mais uma nota, mas, depois de tratar de coisas belas, não poderia deixar de mencionar a iluminação do Convento de São Francisco, verdadeiramente preciosa.   

 

 Maria José Rijo.

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:56

Perdoa Senhor

Domingo, 26.10.08

 

.

Perdoa Senhor
Se não pude
Aceitar os meus percalços
Como o rio pula o açude
Perdoa Senhor
Lá dos céus
Se escolhendo o meu trilho
Ando perdida dos teus
Perdoa, Senhor
Como eu te perdoo a ti
Tudo o que consentiste
Que eu fizesse de mim...

 

Maria José Rijo

26-Outubro-2008

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:15

O bocejo e o amuo

Sábado, 25.10.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.857 – 16- Março-2006

Conversas Soltas

 

 

Para além do bocejo que a televisão, com os seus prestimosos serviços nos mostrou com insistência, também Portugal inteiro foi brindado com a visão da saída do Dr. Mário Soares, da Assembleia da Republica, sem saudar o novo Chefe de Estado.

Fiquei como muitos outros portugueses a tentar interpretar a inusitada atitude de alguém a quem todos reconhecem a constante bonomia...

Pensei, pensei bastante, e julgo ter achado uma explicação.

Teria sido assim...

Como foi notório, sua Excelência dormiu regalado quase todo o tempo em que a cerimónia transcorreu.

Porventura alguns aplausos mais demorados, ter-lhe-iam interrompido o merecido descanso.

Acordou surpreendido! - Já nem se lembraria onde estava - vindo como vinha do mundo dos sonhos - bocejou bem de frente para a televisão que, muito atenta, lhe vigiava a paz da merecida sesta, e teria verificado, com desencanto a sua reentrada no mundo da realidade.

MarioSoaresCaricatura0.jpg

Quem me teria metido nisto!? – Teria pensado com bastante incómodo.

Teria sido o “partido”, ou partida!?

É muito difícil sair do sonho para a realidade...

Pior, quando se sonha mal!- e era o caso.

Sonhara que - se Sócrates estava tão feliz era porque, provavelmente tinha votado – também ele - no outro que lhe roubara a oportunidade de voltar a fazer belas sonecas em Belém!

Ter-se-ia irritado com tais pensamentos e consequentemente esquecido que tinha prometido a si próprio, fingir que não tinha mau perder, e saiu disparado porta fora, ainda tão mal acordado, que nem reparou que o cumprimentavam e, só por essa razão, não correspondeu a ninguém – fora pura distracção!

Ao regressar a casa, teria verificado que afinal, não sonhara, vivera um evitável e muito desnecessário pesadelo!

Por um pesadelo ninguém amua – é criancice, ou caturrice da idade! - Deveria então ter pensado!

Arrependeu-se! – Mas era tarde! - Estava feito, estava feito! Paciência!

Calçou então as pantufas, que os dias ainda vão frios, e ter-se - ia instalado na sua poltrona preferida...

Pela força do hábito terá pegado nos jornais do dia.

Falavam todos da mesma assombração que o incomodara.

Atirou-os para bem longe.

-Como é que eu caí nisto? Ficou a pensar com obsessão...

-Como?

-Não costumava dizer palavrões, sempre fora um homem bem-educado, mas impunha-se, pelo menos, um forte desabafo:

-Que se lixem!!! – Saiu-lhe como uma explosão.

As emoções haviam-no cansado. Fechou os olhos para se enfronhar melhor nas suas lucubrações.

- que se lixem...que se lixem... suspirava, quase num murmúrio, e, daí a nada, estava outra vez a dormir.

         

Aqui termina o meu exercício de pretensa romancista, que, saindo do real, parte para a ficção.

Porém, como a idade a ninguém perdoa, fico-me por este episódio apenas. Não tenho folgo para romances!

E, este vai ser longo, muito longo...

Mas, confesso: - tenho pena!

È tão humano desejarem todos ir sempre mais além...

 

 

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:25

O Delfim

Sábado, 25.10.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.721 – 30-Maio-2003

Conversas Soltas

 

 

       Lagoa de Araruama com as águas paradas pela manhã. 

Na quietude das águas paradas dos lagos, onde as árvores se remiram projectadas em sombras de contornos quiméricos, às vezes nessa paz, basta a queda de uma única folha para gerar ondinhas circulares, concêntricas, que se alargam, afastam, até que se esvaem docemente.

Depois, daí a nada, a um nadinha, parece que nada aconteceu. O silêncio reconquista o ambiente, e a folha, a pequena folhinha, paira à superfície, flutuando, muda, e tão isolada, tão sem importância que parece ter feito desde sempre parte do lago e não da árvore de onde se desprendeu.

 

  Poderia começar desta maneira um conto de príncipes e de fadas, poderia, até porque, Delfim, era o título que se dava ao herdeiro do trono em França. Logo portanto, referir este assunto, pressupõe falar de monarquias, dado que só nelas, nas monarquias, o poder é hereditário.

                   

Lembrei-me destas circunstâncias, ao ouvir um socialista “encartado”, anunciar aos microfones o nome do seu Delfim, para quando o seu Santo Padroeiro não lhe permitir mais, entoar o velho estribilho: – daqui não saio, daqui ninguém me tira!

Não tenho nada, contra, nem a favor, de qualquer cantiga! Tenho apenas, e uso-a, a liberdade democrática, que me permite sorrir da incongruência de: - ver em tempos de exaltado socialismo, resquícios de totalitarismo na indigitação de apaniguados Delfins...

E, tal como na copa da árvore não se nota a falta da folha caída, também a breve mensagem se dilui, e apaga no volume da oratória, como se fora um recado sem importância, e não a confissão de um desígnio de futuro...

Daí a nada, a um nadinha, o rame–rame  retoma o ambiente...

E, parece que nada aconteceu...

                                          

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 00:11

Hoje...

Sexta-feira, 24.10.08

.

... os anos pesam.

Vou deixar para amanhã as respostas aos meus habituais e também aos novos amigos.
Todos me merecem atenção e estima que gosto de retribuir. Mas os anos já me comandam...e neste momento a ordem é para parar.
Vai já longo o meu dia.
Deixo um abraço e, um até amanhã se Deus Quiser em que voltarei para falar com cada um de vós
um abraço

 Maria José

.

Olhar...

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:32

Pensava que fossem mais...

Quinta-feira, 23.10.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.921 – 8-Junho-2007

Conversas Soltas

 

 Edita a Excelentíssima Câmara de Elvas, com muita generosidade e complacência dos contribuintes, um álbum de fotografias do seu Presidente e dos munícipes que estejam disponíveis para mostrar publicamente, quanto o amam, respeitam e admiram.

Ás vezes, até nele se fala de assuntos interessantes para a comunidade, o que é saudável. Outras, muitas mais, limita-se a colorida revista, a elogiar até as pulgas do circo, quanto mais o dito circo e os seus artistas - passe o bom humor...

É bonito.

É bonito de se ver, embora, como não traz palavras cruzadas, nem sopa de letras, eu prefira a “Dica” que traz propaganda de produtos frescos, novidades, promoções de bens de consumo e outras notícias verdadeiras, úteis para as donas de casa.  

Bem sei, que contar as fotografias dos edis, também distrai, treina o espírito de observação e recorda os numerais, às vezes até cinquenta!... Porém, desta vez, modesta e estrategicamente, optou-se por evidenciar o volume imparável de apoiantes.

Nada como mostrar gratidão a quem a merece.

Confesso que por vezes fico estarrecida e, chego a duvidar da minha sanidade mental, quando reconheço rostos de pessoas que pelo que dizem longe da objectiva, seria impensável identificar como autores dos encómios que subscrevem para o retrato!...

Há também os que riem dizendo: - o voto é secreto! - Voto em quem me apetece mas, governo-me dizendo o que eles querem ouvir!

- Que também é muito bonito, elucidativo e testemunha a honestidade e a qualidade da Democracia que se vive!...

Mas, eu trouxe estes comentários à colação porque tive conhecimento que nas cerimónias de celebração dos cinquenta anos da partida do – Esquadrão de Lanceiros I, para a Índia, sob o comando de um elvense, o falecido Capitão José David Baena Nunes da Silva, (Profissional distinto, homem generoso e de caracter, cuja viuva e um filho vivem entre nós) apesar de instada e convidada com deferência e empenho, a Excelentíssima Câmara só se fez representar no almoço.

Pensavam os promotores do evento, que – pelo menos - no seu Boletim, a Excelentíssima Câmara tivesse encontrado um espaço, pequenino que fosse, como de uma fotografiazita, para referenciar e reverenciar, a memória daqueles que de Elvas partiram ( do extinto e saudoso Regimento de Lanceiros I ) em nome da Pátria  e com honra cumpriram a missão que lhe foi confiada.

Claro que os seus nomes já não constam dos cadernos eleitorais! – É evidente!

Mas, constam da história.

Da história da nossa cidade.

Fazem parte da história de Portugal.

Nas suas missões, muitos morreram lá longe - morreram por todos nós - e os que tiveram a dita de voltar vivos não se escusaram aos mesmos riscos que os seus Camaradas menos felizes.

Não teria ficado mal no Boletim que a cidade paga, que todos nós pagamos, (para além da propaganda política que só se entenderia, sendo extensiva a todos os partidos), um aceno de respeito pela memória desses militares de Lanceiros I – Lanceiros de Victor Manuel -  que em 3 de Abril de 1957 - daqui, de Elvas - partiram para a Índia alvoroçando a cidade que por eles rezou, ao som dos toques de fanfarras e clarins...

Com reconhecimento, bendigamos – hoje, agora - aqueles que ainda põem os deveres de consciência acima da comodidade dos seus interesses imediatos.

Benditos sejam!

                                          

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:46


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