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O labirinto

Sábado, 29.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.696 – 7 Fevereiro de 2003

Conversas Soltas

 

 

Tinha conjecturado falar sobre Sebastião da Gama – poeta cuja obra não me canso de admirar, porque o Linhas de Elvas sai esta semana precisamente a sete de Fevereiro data do aniversário da sua morte, acontecida em 1952.

Tinha...mas não contava ao compulsar o nosso jornal, ser surpreendida pela notícia do falecimento de Mestre Laranjo.

Não o sabia assim doente...

Os dias têm estado de sol, bonitos, cheirosos já de Primavera e, falar de morte, quando a Vida canta hossanas ao Criador em redor de nós, quase parece uma irrealidade.

            

Com aquela vaga sensação de que nos falta o ar sempre que o inesperado de uma notícia dolorosa nos atinge, abri a janela, olhei a Igreja do Senhor Jesus da Piedade – Que é minha vizinha - como gosto de pensar e para ali fiquei enredada num labirinto de lembranças .

Logo à direita, no meu horizonte, pertinho, pertinho, as persianas da casa do Xico Pereira, descidas como pálpebras em olhos fechados que chorassem em silêncio, porque também ele já partiu...

Tão pequeno, tão frágil de figura, como pode deixar tão grande vazio...

À esquerda, a célebre Quinta que vi esfacelar, fala-me ainda que dolorosamente de Amigos Queridos que se sumiram num passado em que ainda, cada palmo daquela terra fértil, floria em amendoeiras, laranjeiras, lilases, roseiras, olaias, tílias seculares, nespereiras, amoreiras, e tudo o mais do mundo vegetal, que em flor, canta promessas em cada Primavera...

Num plano mais recuado, também à minha direita o Aqueduto, que em passadas de gigante (ainda?) vem das nascentes para as fontes dar de beber á Cidade...

O Aqueduto que generosamente tenta furtar dos meus olhos o que o meu coração adivinha e sabe, perto do cipreste que se entrevê através dos arcos...

Este é o meu cenário desde há décadas.

Dentro dele mexiam-se os personagens do meu mundo real. O mesmo mundo que está aí, e já não é o mesmo.

Tudo isto se me impôs, com mais veemência frente à notícia, essa sim, bombástica, das acusações que impendem sobre Carlos Cruz.

Não venho tomar posição, nem a favor nem contra.

Espero e acredito que a Justiça reponha a verdade.

Também não vou falar dos danos morais e do sofrimento que estas situações causam a quem as sofre.

Venho, sim, falar da atroz força que tem o boato. E, faço-o com conhecimento de causa.

Quando da candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República, houve pessoas na nossa cidade que disseram no então café Alentejo que me haviam posto fora de suas casas quando lá fui deixar os votos para o Senhor General!!!

Aprendi, com esse facto, que a fantasia da infâmia é ilimitada!

Conto este episódio – Hoje – porque sinto que pode ser esta a minha maneira de estar solidária com o advogado de Elvas, – que não conheço - e com o apresentador de televisão, e com todos aqueles a quem cai na lotaria do azar, ficar, por qualquer razão nas bocas do DIZ-SE.

Verde!!! - Ilha Terceira, Açores

Eu sei por experiência própria o que é a impotência frente a essa calamidade, é tão violenta, tão subjugante, tão aniquiladora, como um terramoto, experiência que também já vivi nos Açores na ilha Terceira em 1980.

 

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:37

A senhorinha

Quinta-feira, 27.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.996 – 27 de Novembro de 2008

Conversas Soltas

  

Senhorinha – de acordo com os dicionários é diminutivo de senhora, isto é: - uma jovem senhora.

Assim sendo não descortino porque se apelidam de senhorinhas, as pequenas poltronas que era uso fazerem parte do mobiliário dos quartos de dormir.

Nos quartos de casal havia por regra uma otomana ou chaise longue, quase sempre encostada aos pés da cama.

                      

 Nos filmes e peças de teatro de então, nas cenas emocionantes de desmaios e traições, lá estão, nelas – estiradas - as damas, com seus fatos  de estilo  ou sua bela lingerie de tules e rendas, cabelos com ornamentos de fitas e pérolas, decotes generosos e, inevitavelmente os olhos  em alvo, uma das mão na testa, a outra pendente, em ar de abandono, segurando pela ponta um lencinho  de ricos bordados, enquanto as aias, os apaixonados ou os circunstantes lhes providenciavam os “sais” para fungar.

          

À senhorinha, já não se ajusta – de forma alguma - uma imagem tão teatral, nem tão pesada de emoções por vezes eróticas.

A senhorinha alindava os quartos de donzelas mais ou menos românticas e suspirosas ou, enunciava o recanto confortável de qualquer casa onde um corpo gasto, ou cansado do dia a dia, encontrava o repouso merecido para cochilar, ler o jornal, um livro, rezar, ou, simplesmente fechar os olhos  deixando fluir e correr  lembranças, ou meditar.

Eu tenho uma senhorinha, veio-me de herança, era eu muito nova.

Havia uma senhora de idade, que olhava a rua sem a fixar, parada como se fosse uma estátua, alheia a tudo em redor.

Era uma presença pungente, a qualquer hora, por detrás daquela vidraça da janela, num prédio antigo, de rés-do-chão.

Eu passava. Passava e fingia não ver, mas a cada dia mais me pesava esse fingimento.

Uma vez decidi: vou-lhe acenar e sorrir.

A um breve momento, suspenso de surpresa, seguiu-se como reflexo num espelho, um sorriso igualmente tímido mas franco.

Daí em diante essa era a nossa senha.

Ela esperava Рme atenta para devolver o meu cumprimento. Um dia ousei aproximar-me e disse-lhe a rir: se eu tivesse uma poltrona como essa tamb̩m me sentaria assim a sorrir para quem passa. Ṇo havia de querer outra vida! A velha Senhora riu com gosto e abanando a cabe̤a repetia: crian̤a! Ficamos amigas. Amigas de acenar uma para a outra ainda que chovesse e eu passasse a correr de guarda-chuva em riste.

Um certo dia, pedi-lhe para entrar em sua casa, já que ela a isso me havia convidado sem que eu ainda tivesse aceitado.

Tomámos chá, numas xícaras preciosas. Apreciei as suas travessas (sem cabelo) da Companhia das Índias e as diversas relíquias que alindavam a pequena sala museu de lembranças que a envolvia como um estojo.

Disse-lhe então que ia mudar de cidade e aquela era a minha despedida.

Guardei o abraço que me deu, na minha memória de afectos, até hoje. Anos depois, não muitos, fui contactada, por um vago parente para vir buscar a “senhorinha” que me foi entregue com um pequeno cartão – “por um sorriso” – Berta.

Hoje, neste vício de escutar “Amigos”, que é como quem diz – reler trechos de livros que me acompanham, em – Elogio da Velhice de Hermann Hesse - reli assim:

                               Detalhes do Livro

 

 

“ os que já foram permanecem naquilo que de essencial teve efeito em nós, vivos e na nossa companhia, enquanto nós próprios vivermos. Por vezes conseguimos até conversar melhor com eles, consultá-los e escutar o seu conselho, do que poderíamos junto daqueles que ainda vivem”

              

“O que seria de nós, os velhos, se não tivéssemos esse livro ilustrado que é a memória, toda essa riqueza de experiências vividas! Seria uma situação lamentável, seríamos uns miseráveis. Deste modo, porém, somos imensamente ricos e não nos limitamos a arrastar uma carcaça cansada, de encontro ao fim e ao esquecimento; somos guardiães de um tesouro que viverá e resplandecerá enquanto nós próprios respirarmos.”

Dei comigo a sorrir sem mágoa e sem tristeza. Apenas com um doce sentimento de gratidão pela Vida, pelos que ainda temos entre nós e pelos que em nós permanecem vivos na lembrança e por aqueles a quem Deus permite a maneira de nos falar ao coração.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:55

De vez em quando...

Quarta-feira, 26.11.08

Jornal O Despertador

Nº242 – 26-Novembro de 2008

A visita

 

Quer por visita, quer pelo telefone, de vez em quando, mais ou menos, todos vamos contactando uns com os outros.

 Assim se faz o sustento da amizade, ou, até do dever cívico de boa educação, entre conhecidos ou afectos aos mesmos ideais, projectos, ou crenças, sejam elas religiosas ou outras quaisquer.

Hoje, calhou-me vir bater a esta porta, porque sei que há sempre, por detrás dela, alguém com quem trocar dois dedos de conversa.

É domingo, estou só, e apesar do dia estar lindo, com um sol resplendoroso, apetece-me a serenidade do aconchego da minha casa, a minha música, o rememorar das minhas saudades, os meus pensamentos.

Assisti à missa pela televisão, e deixei-a aberta a fazer presença de fundo, enquanto cumpria obrigações domésticas inadiáveis.

Quando me dispunha a silenciá-la fui surpreendida com uma entrevista, bem interessante, com o Comendador Nabeiro, que me prendeu a atenção e, até porque o tema era sobre diferentes maneiras e usos de consumir café, quer como bebida, quer como condimento para receitas culinárias do maior requinte, vi, até final, com muito interesse.

            

Fiquei depois a pensar na homenagem que o povo de Campo Maior, sua terra natal, prestou a Rui Nabeiro, com a colocação, numa bonita praça, de uma estátua com a sua figura.

Como em tudo nesta vida, haverá quem goste e concorde, e quem tenha atitude contraditória.

Não é disso que venho falar, nem me caberia o mau gosto de emitir qualquer opinião sobre o assunto.

O que defendo, no meu ponto de vista é que estas atitudes quando se tomam, devem servir para dignificar a personagem eleita, como aconteceu no caso vertente.

A alguém que ultrapassa a medida comum presta-se uma homenagem acima da vulgaridade, como é certo, e não caberia nas conjecturas de quem quer que fosse escolher para o efeito um beco ou um a viela.

“ Se uma coisa merece ser feita, merece ainda mais ser bem feita” – diz a sabedoria popular.

Neste ponto da minha reflexão, pensei nos nomes de ruas que, na nossa cidade ultimamente têm sido como que semeados no vento, quero dizer: - não se entende com que critério de selecção acontece.

Deixam-se no olvido nomes de gente “grande” – que em vários ramos se notabilizaram – e gravam-se nomes de quem cruza connosco na rua e, se calhar até se sente constrangido por tão descabida e incómoda celebridade, quando às vezes, nem os vizinhos lhes sabem o nome...

Fixemo-nos então na nossa cidade.

Imagem

Não se erigiu estátua ao rei Senhor Dom Manuel – que todos sabemos ou deveríamos saber, quanto peso de história tem em relação a Elvas e, há gerações e gerações que é grosseiramente esquecido – mas, um dia, alguém lembra que é quase um pecado não remediar tamanha falta.

Então o que acontece? – A sua figura ímpar – é homenageada.

 Mas como? – Afixa-se o seu nome numa rua qualquer, dum bairro qualquer, lá onde o diabo perdeu as botas...

E, é esta a justiça que se lhe presta.

Falta de noção de proporções, talvez...

Falta de sentido de justiça, talvez...

Falta de não sei quê mais, talvez...

Será porque alguém (alheio ao poder) mas com saber e responsabilidade, lembrara há pouco tempo, que o lugar ideal para lhe ser honrada a memória – com uma estátua – era, a praceta entre o Aqueduto e o hotel D. Luís – que teve que acontecer com a mesquinhice que se conhece o triste e humilhante remedeio?!...

Oxalá se retome a noção de proporções e os que se crêem grandes, consigam assumir dimensão superior, dignificando quem, na verdade, tem lugar de honra na nossa história e, neste caso – também - na nossa terra.

Dar a uma rua, ao acaso, nesta cidade - o nome do rei Dom Manuel - é como negar-lhe a entrada pela porta  principal, e mandá-lo ir de volta, pela porta de serviço .  

Melhor fora, fingir que não se lhe conhece a estatura.

Elvense sofre...

                            

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:12

As coisas claras e o chocolate espesso!

Terça-feira, 25.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.995 – 20 de Novembro de 2008

Conversas Soltas

 

 

 

 

Um dos assuntos prementes em todas as consciências é de há tempos – na nossa cidade – a saúde – que é como quem diz o Hospital.

Cada mandato tem a sua obra carismática. João Carpinteiro – se bem que lá não afixasse o seu nome - conseguiu para Elvas o Hospital anexo à Maternidade Mariana Martins já  - então - existente e, agora desactivada.

Não se tratava de um Hospital qualquer, só bonito como edifício. Bastas vezes foi citado – em noticiários – como “ um dos melhores do País” em qualidade de serviços!

   

Estes mandatos mais recentes deixam como obra emblemática o Coliseu José António Rondão de Almeida.

São formas de estar diferentes de personalidades distintas e, como parece que aquilo que um faz quem lhe sucede, em muitos casos, desfaz, dá por vezes para alimento de conversas e teorias várias.

Daí que seja motivo de controvérsias e, consequentemente de verdades, menos verdades, mas muitas especulações o que se aventa, ao comentar pela rama, o que é fruto de raízes.

Leio e ouço a cada passo atribuir ao Senhor Presidente da Câmara toda a responsabilidade desta fatalidade que foi para a nossa Cidade e Concelho ver desabar muitas estruturas que sustentavam qualidade de vida, progresso e independência.

              Image Hosted by ImageShack.us

Leio e, sendo insuspeita a minha opinião, porque ao Senhor Presidente, apenas devo referências – digamos – pouco elegantes, a consciência me impele, como manda o velho aforismo, a procurar pôr as coisas claras, já que espesso se deseja apenas o “gostoso” chocolate.

Ora, vejamos: - Honestamente penso que o Senhor Presidente, não tem responsabilidade na supressão da maior parte de serviços de que Elvas está privada.

              Antonio Ferrer Correia > Elvas: vista do Castelo

Elvas, foi, e está a ser vitima da ruinosa política que o partido socialista subscreve e que está reduzindo Portugal a dois ou três pólos de interesse - Lisboa, Porto, Coimbra - sendo todo o resto do País tratado como arredores, arrabaldes, reguengos ou lameiros mais ou menos produtivos e, assim,  com mais ou menos importância – visto nada mais ser relevante para a referida política socialista, embora saibamos todos que também ,em muitos casos, lhes  é difícil, senão impossível, fugir aos desígnios impostos por preceitos comunitários que foram aceites de joelhos.

Qual ̩ enṭo a responsabilidade do Senhor Presidente? РNenhuma? - Ṇo!

            Elvas. Castelo medieval, muralhas seiscentistas e Forte de Sª Luzia ao fundo. Vista do Forte da Graça.

Se é verdade que ele não é responsável pela política do seu partido – ele é – responsável pelo empenhamento da sua palavra no que prometeu à cidade, e , se o partido que o sustenta não respeitou essa palavra , só lhe resta – a ele -  confrontá-lo com a desonra a que o expôs e, agir de acordo com a afronta recebida.

O Senhor Presidente assegurou pôr o seu lugar à disposição se fosse desautorizado e – foi.

O Senhor Presidente tem como lema: - prometemos – cumprimos.

Enṭo Рespera-se que cumpra, de acordo com a sua afirma̤̣o.

        Aqueduto das Amoreiras - 50,9Kb

Assim, limpando a sua imagem mostrará que Elvas é em verdade o seu interesse maior e – talvez – obrigue o seu partido a reconsiderar que a palavra dos homens de bem não é passível de ser negociada por quaisquer interesses.

Talvez, que se aparecessem mais” Alegres”, fosse menos triste o destino de Portugal...

É que, neste caso, no nosso caso, não se ouviu, não se viu uma atitude frontal, sincera, despojada de interesses que mostrasse que se dava tudo por tudo, para que Elvas – dada a sua situação geográfica - que mais não fosse – lutava - até pelo direito de ser a excepção que confirma a regra.

O historial do seu passado – isso lhe autorizava e, autoriza.

      Rua Pereira de Miranda (Rua da Cadeia) - 42,5Kb

Houve submissão aos desígnios partidários em detrimento dos interesses de Elvas e a persecução desses interesses abafou o mais alto valor em causa – Elvas.

Esteja-se ou não de acordo com o seu critério de escolha o presidente Rondão tem obra feita mas, também é evidente que não foi capaz - faltou-lhe a coragem ou o brio - de erguer  o interesse de Elvas acima de interesses partidários, e, assim procedendo - também - não honrou a sua palavra , nem a cidade que o elegeu para que a servisse e nele acreditou.

         

Chega-nos agora às mãos um folheto amarelo distribuído pela Autarquia de porta a porta, com novas promessas sobre o Hospital.

De certo, todos vimos e vemos o que nos resta...

Ninguém vai ter filhos, ou tratar-se nas “promessas” – mas, sim nas Maternidades e Hospitais.        

Que se ajuíze em consciência.

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:02

MOMENTOS

Segunda-feira, 24.11.08

 

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Todos os momentos

          da minha vida

tem sido a descontar

          na medida

que me era prometida

          por ter nascido!

Como se viver

fosse reduzir o universo

a um só verso

          Poema contido, medido

Sem rimas de infinito

… e controverso – Eu

 

 

Maria José Rijo

--- 1993 ---

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:20

Referências...

Domingo, 23.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.655 – 26-Abril-2002

Conversas Soltas

 

Não compro jornais todos os dias, porque, sou, com toda a propriedade, o que se diz, uma pessoa comum, e, as pessoas comuns, entre outras coisas, fazem contas.

Mas... embora me actualize com os noticiários de rádio e televisão, não resisto a um semanário, até porque tratam às vezes de cada assunto que, se não se adquirem para ler e reler, a gente depois, pensa que sonhou, ou viu fantasmas!

Assim que em 22 de Fevereiro, adquiri “O Independente” para me dar ao cuidado de ler até interiorizar bem, os valores das verbas que – não direi: ganham – mas, que alguns indivíduos recebem, ao fim do mês pelos  cargos que desempenham.

São verbas que vão dos mil e tal contos até aos oito mil e muitos, muitos...e que a RTP despende apesar de ter um passivo de 200 milhões de contos...

No dia 9 de Abril, o jornal que cobicei, e comprei, foi “O Diabo!”. E porquê? - Porque trazia uma entrevista -  que li e reli de fio a pavio - com um grande Homem do nosso País : - Jorge Miranda. Aí, a certo passo li assim: -“ Os portugueses aceitam – ao que parece – que os dirigentes, os funcionários, os entrevistadores da RTP ganhem – segundo tenho visto nos jornais – milhares de contos. Aceitam isso, sabendo que essas pessoas são pagas pelos impostos.”- depois refere as discrepâncias entre esses vencimentos e os dos políticos. é chocante que um director de uma televisão ganhe quatro ou cinco vezes mais que um Presidente da República!”

                                  

Mas...atenção!, este homem que é apontado como o “Pai da Constituição Portuguesa” também afirma:- Em República os titulares de cargos políticos são cidadãos que temporariamente exercem essas funções. terminadas essas funções são cidadãos como  outros quaisquer.  Portanto devem ganhar bem, enquanto titulares de cargos políticos, até para evitar a corrupção. Depois voltam às suas vidas privadas, ou mudam para outras funções públicas, e não têm direito a reformas. Têm-se verificado até situações chocantes de pessoas muito jovens com pensões de reforma – por exercício de funções políticas – num País em que há pensões completamente degradadas.”

                                         

 Interrogado sobre os problemas mais graves, e de resolução mais urgente... como resposta, pode ler-se “- Os dois problemas que me preocupam mais, porque têm a ver com a nossa identidade, com a nossa sobrevivência, com o País,  são os problemas da educação e do ordenamento do território...Temos assistido à destruição da paisagem portuguesa. Ainda agora estive no Minho de onde aliás sou natural – e o Minho está totalmente destruído: casas feitas em qualquer sítio, urbanizações, desurbanizações... a costa está num estado pavoroso! Há coisas que só mesmo demolindo”

 Aqui, parei pensando: - lá como cá... maus fados há!

Refere também que “a constituição já tem o princípio da renovação, no artigo 118, e desse princípio decorre que não pode admitir-se que um presidente de câmara fique indefinidamente no poder, com os vícios que isso acarreta.”

Porém, para mim, as afirmações mais espectaculares são estas:

“Mas eu, mesmo nesta altura, dizia:-« Não temos condições para fazer o Euro 2004 » Há coisas mais importantes para o País!

Seria uma lição para os portugueses...”

E, esta outra:

“ O acesso aos lugares cimeiros da Administração Pública – Director- geral, Secretário –Geral, Presidente de Instituto Público – Tem que se fazer na base da carreira. Não podem ser pessoas enviadas de para quedas, de acordo com conveniências políticas, e que muitas vezes não conhecem os problemas. Critérios de conveniência política, só para lugares de gabinete ministerial...”

                        

E, mais esta:

“... Até porque nós, em Portugal, temos que nos habituar a que o andamento normal do País não depende de um Governo, depende da Administração Pública. E depende em geral das instituições, das universidades, das empresas, das várias associações...”

Quem profere estas afirmações e outras mais que vem expressas na aludida entrevista, não é um cidadão qualquer. É um muito conceituado Professor de Direito, uma das maiores e mais lúcidas inteligências de Portugal.

Valia a pena dar a este tipo de assuntos, principalmente quando tratados por pessoas deste nível – pelo menos – o espaço que se dá aos futebóis...

              

Valia a pena pensar e repensar sobre estas opiniões...

Seriamos por certo um povo diferente se tivéssemos outras referências.

Talvez ainda não seja tarde demais para mudar.

Haja fé!

Entretanto, as minhas dúvidas persistem.

Pois se de norte a sul do País a lei de ordenamento do território ou não existe ou foi, (nalguns casos) mortalmente atropelada. Se o País se descaracteriza a largos passos, como, e quais, são os poderes que se vão atribuir às autarquias que já tantos e tão graves desmandos têm apadrinhado...o tempo o dirá!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:10

Evidentemente...

Sábado, 22.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.901 – 18 – Janeiro – 2007

Conversas Soltas

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Evidentemente que quando se ouve dizer, como eu ouvi, num noticiário da televisão, que os doentes que chegam subnutridos aos Hospitais são um problema porque custam muito dinheiro ao Estado...

Evidentemente que, enquanto se falar de subnutrição, avaliando-a – apenas - em termos económicos...sem fazer o seu estudo como enfermidade social da nossa responsabilidade...

Evidentemente que quando se consegue dar, como natural, sem pudor e sem vergonha, uma notícia destas traduzindo-a em custos, como se a Saúde ou a Vida, tivessem preços de saldo... 

           

Evidentemente que enquanto for seguida esta política de saúde, o aborto é um direito de escapatória às responsabilidades que – também – pode advir do exemplo de desresponsabilidade que o Estado a todos oferece.

Evidentemente, que o aborto, pode ser, infelizmente, tão necessário, como ter que amputar um membro para sobreviver, ou qualquer outra cirurgia que faça morrer qualquer parte do nosso corpo – para nos preservar a Vida.

Evidentemente!

Evidentemente que a lei actual, já pondera casos em que se justifica a sua prática

Mas...                       

Se assumimos que a escolha entre o sim e o não – generalizada - pode ser nossa através da oportunidade que nos dá esse acto cívico que é o referendo. Se assim o assumirmos...

                       

Recolhamo-nos ante a grandeza do Amor verdadeiro.

Do Amor responsabilidade.

Do Amor cumplicidade.

Do Amor sacrifício.

Do Amor devoção.

Do Amor compromisso.

E pensemos com humildade de consci̻ncia que valores queremos legar a quem tem que enfrentar no futuro as consequ̻ncias das nossas decis̵es Рde agora.

Não tratemos o desejo sexual como Amor.

Não confundamos sentimentos com instintos.

                     

O Amor é um sentimento imenso, profundo, não é uma atracção ligeira que se substitui a cada passo por outra.

 Se bem que o sexo, seja no amor uma forma de expressão de afecto, de comunhão de sentimentos, de entrega, O AMOR – é: (como escreveu RILKE em Cartas a um Poeta): “a ocasião única de amadurecer, de tomar forma, de nos tornarmos um mundo para o ser amado. É uma alta exigência, uma ambição sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado para mais vastos horizontes.”

                 

Será, então, justo promover a idolatria do sexo onde o que importa é o prazer sem compromisso e sem responsabilidade?            

 Será lícito reduzir a mera pornografia a relação sexual entre o homem e mulher?

Será lícito o aborto como solução fácil, como borracha que apaga os efeitos, como fuga à responsabilidade? – Será?

Ou será moralmente mais coerente, e politicamente mais honesto criar leis que implementem a educação sexual, protejam as grávidas e co-responsabilizem também os pais, já que é -sempre- entre pai e mãe que o filho é gerado.

Será que já não é por demais evidente que o aborto, é e será sempre um caso de consciência, um problema individual, para o qual não pode haver leis exteriores? – Como não há para o suicídio. São decisões de foro íntimo, de sanidade ou insanidade mental, de integridade moral, de dignidade e de coragem ou de medo na assunção das consequências dos actos praticados.

“ Tremes carcassa vil; mais tremerias se soubesses onde vou levar-te!” disse a si próprio um rei que assim controlava o medo de ir para a guerra onde o dever o impelia a ir e , mesmo tremendo, foi.

The Ironworkers Noontime - Thomas Pollock 

Será que os economicistas que certamente já deitaram contas em dinheiro a quanto vai custar cada aborto, alguma vez pensaram quanto custa em sequelas psíquicas, em deformação psicológica, meter na rotina o aborto como um - licito - acto trivial?

Não seria mais lógico e mais humanamente honrado, em lugar de submeter as mulheres à trágica humilhação do aborto, “educar” um Estado, que promovesse a cultura da Vida e desse o exemplo da coerência e da responsabilidade?

Penso que sim.

               natal_anjos01.jpg

Tinha este apontamento escrito desde antes do Natal. Tinha, e ponderava a sua publicação, ou não.

Ontem, dia 13 de Janeiro de 2007, no noticiário das 20, vi o Dr. Jorge Coelho, e ouvi da sua boca, mais ou menos o seguinte, como argumento a ter em conta para o sim ao aborto:

“Não é justo que as mulheres que abortam sejam julgadas e a decisão de serem mandadas para a cadeia dependa da boa ou má disposição dos juizes!...”

Claro que não reproduzo a frase “ipsis verbis”, porque interpretação de justiça tão “sui generis” me confundiu! - Porém, no seu todo, a citação está correcta.

Jorge Coelho, disse isto sorridente.

Seria humor? Se assim era, aconselho-o: - aprenda a fazer humor inteligente com “o Gato Fedorento”, e escolha temas capazes de fazer rir! - Porque, atrevo-me a pensar que – até, qualquer estátua da porta de qualquer tribunal de justiça, ficaria hirta de pedra, com a graçola, se já o não fosse...                   

Decidi então, publicar o que, há tempos, havia escrito.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 11:20

HOMENS e BICHOS

Quinta-feira, 20.11.08

Á lá Minute

Jornal linhas de Elvas

Nº 1.885 – 24 de Abril de 1987

 

Bicho de Estimação metendo o bico em prato alheio! 

Duas vezes consecutivas escutei, interessada, o Dr. Alçada Batista falar sobre relações surpreendentes entre alguns

 

homens e o meio que os circunda.

Contava ele histórias breves sobre monges, ascetas e eremitas, que algures, em regiões isoladas do mundo, repartiram em paz o seu espaço com animais, ditos selvagens ou perigosos, que com eles coabitam ou conviviam familiarmente.

           

Destacou, até, a estranha paz estabelecida entre um monge eremita, que abrigava na sua cabana um ninho de víboras, e que muito naturalmente recomendou a uns hospedes de ocasião, que tivessem cuidado para não as perturbar pois que uma delas tinha tido filhos, e necessariamente, carecia de mais tranquilidade e paz na circunstância.

Tudo isto são relatos tão estranhos que frente a eles só há, a meu ver, duas atitudes possíveis: - Ou se encolhem os ombros e se sorri como de outras doces lendas, e se passa à frente – ou – se pára e se pensa a sério no comportamento da espécie humana frente aos animais.

                 

Lembro-me, de ter visto em certa ocasião, na televisão espanhola, alguém que afirmou ser o homem o único animal capaz de atacar sem motivos, o chão que o suporta, e para provar a sua teoria, deixou ali frente às câmaras, que escorpiões e aranhas venenosas passeassem livremente sobre os seus braços nus.

                            escorpiao

Perante coisas assim, quase parece lógico deduzir, que em lugar de usar a inteligência para suprir dificuldades e procurar uma equilibrada relação de paz com o resto da criação, o homem acusa como defeitos e perigos todas as diferenças que o separa e distingue dos outros animais.

Deste modo justifica os sofrimentos, que, por vezes, lhes inflige o destino a que os condena e o espaço que lhes disputa empurrando já para a extinção de algumas espécies.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:34

A missa das onze!

Quarta-feira, 19.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.850 – 26-Janeiro-2006

Conversas Soltas

                   Missa Tradicional 02

 Era um dia de semana.

Completavam-se dois anos sobre o falecimento de minha Mãe.

Chamei um táxi. Não tive coragem de enfrentar a subida até “à outra margem do rio “ – é assim que designo a estrada que estabelece os limites às minhas aventuras de deambulação pelas cercanias.

É que “na margem de lá” é tudo a subir até ao viaduto, e não há coração que não se queixe de tão violenta prova de esforço em dias em que o termómetro anuncia como temperatura uma miserável meia dúzia de graus.

Fazer estas considerações, mesmo que intimamente, já me predispunha à melancolia.

Juntar a elas a saudade que me pungia tornava mais pesado ainda o meu estado de espírito.

Foi com este tumulto de emoções que me dirigi à igreja e me dispus a rezar. 

        

Reparei, no entanto, antes de entrar, que a minha respiração fazia uma ténue nuvenzinha de vapor.

Sorri, porque se sobrepôs a tudo, na minha lembrança os meus tempos de criança, com as idas e vindas para a escola, na aldeia, e aquele mesmo desconforto, nas manhãs geladas, das mãos e da ponta do nariz frias como sorvetes.

Entrei e sentei-me num banco ao acaso, na igreja quase vazia.

Olhei em redor. Muito pouca assistência. Dez, doze pessoas! Meia dúzia de velhotas. Apenas um homem ou dois e, também idosos.

Ao meu lado, mais uma, veio tomar assento. Tossia. Tossia muito e querendo-se controlar, mais tossia e mais fungava.

Trago, sempre comigo alguns rebuçados prevendo estes percalços. Ofereci-lhe a mezinha. Aceitou agradecida e voltou a instalar-se o silêncio.

          silencio-j.jpg

Quis embrenhar-me nas minhas orações até o Padre entrar e começar a cerimónia, mas a observação dos circunstantes absorveu-me de forma imperiosa. Cabeças brancas. Quase de neve, algumas. Costas dobradas, xailes gastos, roupas puídas, passos hesitantes, algumas movendo-se com canadianas, rostos desbotados sulcados de fundas rugas, olhares mortiços, e, acima de tudo, expressões patéticas, quase de pasmo e medo por estarem vivas.

Gente solitária que procura na igreja a sua última referência de solidariedade. A sua última esperança de encontrar calor humano.

            

A sua única possibilidade de destino para uma visita onde ninguém torce o nariz com a sua presença triste.

Um pouco de companhia, nem que seja pela curto espaço de tempo de duração de “uma missinha” diária.

Que, quem vive só, não morre. Aparece morto! Dizia com aguda ironia um velho amigo também habitante da solidão.

O Sacerdote, entrou na hora certa. A cerimónia teve a brevidade do costume em dias comuns.

Atrasei-me deliberadamente e saí no fim da fila. À porta parei e olhei para trás genuflectindo antes de transpor o guarda-vento.

Já na rua, vi que o frio abrandara um pouco.

                  chuvinha.bmp

Chuviscara entretanto, mas já escampara. Havia umas pocitas de água no chão, mas a temperatura era mais convidativa.

Voltei para casa a pé.

Andar faz bem. E, sentir o ar lavado da chuva bater-nos no rosto, desanuvia a alma.

De resto, a descer, todos os santos ajudam!

Vim então pensando como são diferentes as cerimónias de Domingo, quando a igreja se enche e os cânticos ressoam pelo interior das naves e o ambiente se torna quente e aconchegante pelo calor humano, com a presença heterogénea da multidão dos fiéis.

               

A multidão!...que cria o ambiente de festa, e que, não é mais do que o somatório de muitos indivíduos, alguns felizes, com seus êxitos, suas alegrias, outros, com suas frustrações, seus medos, sua solidão, suas dúvidas, suas esperanças, sua fé, seu doloroso desamparo, que a multidão dilui e nos facilita a comodidade de ignorá-los.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 22:03

Rescaldo...

Terça-feira, 18.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.628 – 19-Outubro-2001

Conversas Soltas

 

O São Mateus já lá vai.

Agora, só para o ano.

Perdeu-se o jeito de referir - a Romaria de Nosso Senhor da Piedade .

Perdeu-se, e Р̩ pena. Porque a feira, nasceu a reboque dela. Da tal romaria que come̤ou a acontecer antes de Maio de 1737 que foi, a data em que se fez a ermida.

A romaria, essa, surgiu quando “o Beneficiado Manoel Antunes, que ali tinha uma horta (refere-se a Horta dos Passarinhos) mandou fazer uma cruz nova e um pintor lhe pintou um Senhor. Começaram a dizer que fazia milagres, e por ser perto da cidade a ir lá muita gente, e dar esmolas, de que se fez a ermida”( excerto, com ortografia actualizada, do diário de João  de Quental Lobo   ) 

Pena, pesar, como dizem os açorianos, que se perca o fio da meada.

Porque, se não fora essa circunstância, apesar da evolução própria dos tempos, sempre havia de persistir bem evidente, ressaltando por cima de tudo a feição de nascença das nossas festas. Alem das cerimónias religiosas A romaria com seus bailes e cantares populares, suas manifestações de fé e de alegria em honra de Nosso Senhor Jesus da Piedade. 

  

Mas, não é assim que caminha a vida...

Os altifalantes, os carrosséis, o barulho infernal, tomaram conta do espaço.

As bandas, já não dão mais concertos nos coretos, não se ouvem as pandeiretas das camponesas e as filas de cadeiras onde o povo se sentava conversando, escutando a música e esperando o fogo, deram lugar a barracas e mais barracas.

Não se preserva o mínimo espaço para salvar o clima de romaria tão especial, tão repassado de fé que está na origem dos festejos.

Tudo é absorvido pela feira igual a quantas feiras se fazem de norte a sul do país, igualmente ruidosas, cheias de bagatelas coloridas, algodão doce. Torrão, pechisbeque...

As feiras têm indiscutivelmente o seu fascínio, mas, são o complemento, o acessório profano que vem, como neste caso, no rasto da força motriz, do acontecimento principal que foi, desde o inicio, o milagre e a consequente romaria.

Mas, as minhas mágoas, não ficam por aqui. E para que fiquem escritas, enumero , pelo menos, algumas.

Todas as terras, têm seus encantos particulares; seus mistérios, seus segredos, Elvas, tinha pequenos tesouros, como flores raras dispersas por aqui e acolá.

Uma gracinha que eu costumava apontar aos visitantes e ,(  sempre fazia sucesso) era um pequeno portão trabalhado em ferro, que rematava uma escadinha que fazia o acesso ao olival que, noutros tempos, povoava o cabeço que delimita o espaço da Igreja de Nosso Senhor Jesus da Piedade.

Era um portãozinho pintado de verde, estilo arte nova, onde as iniciais do dono da propriedade, semi deitadas, faziam parte, como ornamento, do delicado desenho.

Era uma pequena obra de arte.

Também isso se sumiu.

Foi na voragem que delapidou as árvores, frondosas algumas, que ladeavam os pequenos trajectos que ainda existiam das estradas rurais que mantinham o carisma daqueles lugares.

Havia um telurismo latente naquele caminho de peregrinos.

Talvez, eu morra sem entender qual é a necessidade de se chegar ao Santuário em velocidade de rally...

Talvez eu não entenda jamais porque não se preservaram aqueles escassos metros de caminho antigo que poderiam ter sido embelezados, mas, nunca despojados das suas árvores!

Coitadas, podadas como tinham sido... a muitas delas tinha acontecido o mesmo que, àquelas outras, frondosas, centenários, que se encostavam ao Aqueduto, antecedendo as que guarneciam a estrada fazendo alas para todos os elvenses no seu caminhar para a última morada.

Algumas, já mortas, ainda por lá, permanecem de pé, como espectros, lembrando aos homens a sua ingratidão...

Confesso que não entendo. Confesso.

Mas: - uma coisa entendo eu. É que as opiniões divergem.

Não serão umas, nem melhores, nem piores, do que outras, serão, apenas, diferentes.

          E também sei, o tempo mo ensinou, que a idade dá outra perspectiva das coisas, e ensina-nos a valorizar pormenores que quando ainda se tem toda a vida pela frente, nos parecem, por vezes, insignificantes.

Valha-nos isso. Pelo menos, esse mérito, a velhice tem!

Junta lembranças, guarda memórias, evoca minúcias, e ergue a história das pessoas, das coisas, dos lugares...

De algumas recordações, sempre nos haveremos de orgulhar. Por outras sofreremos sem remédio com um travo amargo de saudade.

 E...assim nascem as sagas dos povos...

 

Maria  JoséRijo                                                                                                        

 

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