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Fatalmente

Quinta-feira, 13.11.08

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.930 – 9-Agosto-2007

 

 

Um parente e grande amigo, de visita a Elvas para comprar uns pés de oliveira, dizia-me, ao revivermos juntos, com saudade, a memória dos muitos amigos e familiares, comuns, que já acompanhamos na última viagem: - fatalmente, se não somos nós a acompanha-los, serão eles a prestar-nos essa homenagem.

Daqui, não há como fugir.

É verdade. É mesmo assim.

Porém, isso não significa que nos habituemos sem sofrimento a essa lei da Vida.

Nestes últimos tempos, tem-me imposto o coração o desejo, que sinto como dever, de falar de algumas pessoas de Elvas, que faziam parte do meu mundo de afectos, e que a morte tem chamado a si.

 

Falo nelas porque o seu desaparecimento me toca – é certo. Mas, também, porque são pessoas tão ligadas ao convívio de todos nós, e tão marcantes pelas suas profissões ou pela sua maneira de ser e de estar na vida, que se podem classificar como carismáticas na cidade.

Outras, como é o caso de Maria Julieta Nunes da Silva, transformam-se quase em lendas vivas. Julieta estava para as mulheres do seu tempo, como uma Greta Garbo.

Ela tinha uma voz peculiar, uma graça espontânea e muito natural para contar anedotas. Ela encantava, com a sua boa disposição, o seu bom gosto e a sua requintada elegância.

Ela era atenta aos amigos, cuidadosa e delicada nas suas manifestações de afecto.

Era o santinho que enviava de Fátima, onde, enquanto a saúde lho permitiu, não faltava ano após ano, e por todos rezava.

Era o telefonema carinhoso, para quantos distinguia com o seu apreço, quando visitar já lhe era impossível, mas de quem não esquecia uma data marcante.

Era um mundo de riqueza interior, que, quis Deus, também aparecesse reflectido no seu aspecto exterior.

Por isso, será, também, recordada pela beleza e distinção. Ela marcou a sua geração pelo bom gosto e cativante encanto pessoal.

 

Ela sabia quanto era admirada até pela coragem com que aceitou as limitações que os anos e a doença lhe impuseram.

 

E, sabia, tenho a certeza, que eu teria a força de a recordar, sem pieguices, mas procurando por a tónica no belo de que sempre viveu rodeada e que era, todos o sabemos, o espelho da sua alma nobre.

 

Lembro a sua família e amigos que sempre hão-de chorar a sua perda e recordar o rasto de beleza que a sua vida deixou, mas marco aqui, um nome em especial – Júlia – presença firme até ao fim como um porto de abrigo.

 

  Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:21





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