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Do que não há duvidas...

Sábado, 15.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.994 – 13 Novembro- 2008

Conversas Soltas

 .

Do que não há dúvidas, é que o mundo inteiro está a viver uma tremenda crise.

Do que não há dúvidas é que Portugal, que é um pais bem pequeno, está também a suportar essa tremenda crise, o que até dito assim, logo mostra que a crise é maior do que nós, porque está à vista que - é do tamanho do mundo.

Do que também não há dúvidas é que pelo caminho em que estávamos a ir isto era fatal como o destino – como se canta nos fados. No nosso fado, também, desta vez.

                                 fadista.bmp

Como é obvio, porque nada percebo de políticas nacionais ou internacionais procuro não perder os “Prós e Contras”, “ A Quadratura do Círculo”, “As escolhas de Marcelo”, o Expresso da Meia-Noite, o Eixo do mal e, por aí fora, tudo quanto me possa ajudar a situar neste nosso mundo e num País, que é o nosso País, onde uns ganham 17.000 euros por mês, e, onde simultaneamente se ameaça até – com a falência da Segurança Social - como já ouvimos acontecer...

Que – por falta de verba - o que quer dizer que - para que a alguns não faltem iguarias raras - que a outros falte o essencial - não tem importância...

                     articles: desfband7.jpg

Agora, estamos frente ao justo desassossego das Forças Armadas, enquanto os Professores, também em protesto, em lugar de estarem nas aulas andam como as formigas quando lhe pisam o formigueiro, sem rei, nem roca, na procura de algum caminho que os leve ao futuro – deles e dos estudantes.

                                       

Ora num programa recente de “Cartas na Mesa”, a propósito, de um “despropósito” em que se viu envolvido Miguel de Sousa Tavares, ouvi Helena Roseta e, outras individualidades, cujos nomes agora não me ocorrem a discorrer abertamente, sem demagogias e sem medos sobre obras entregues sem concurso, a protegidos e apaniguados e mais isto e mais aquilo... tudo em redor de uma solução encontrada de forma - condenável, deduzi - para o Cais de Alcântara, com a história dos contentores.

E, talvez porque o programa se intitula “ Cartas na Mesa” e as cartas dão para prestidigitação, a certo passo, até tive a impressão, que tiraram “um coelho da cartola!”

                                

Do que não há duvidas é que tudo isto, é triste, de ouvir e de ver!

Hoje, também ouvi, da boca de Clara Pinto Correia - a propósito das ( duvidosas) benesses do orçamento de Estado - uma referência anedótica que dá muito para pensar.

Dizia que: - fazendo a analogia - quando as companhias de aviação têm problemas económicas , começam por cortar nos rebuçados, porém, quando reconhecem a sua falência, lhes é indiferente se comam todos de uma só vez , recomendando uma reflexão muito bem feita sobre o quadro actual.

                                 Dinheiro, euros

Fiquei a reconsiderar nas evidências assustadoras de falências de Bancos e tudo o mais e, na troca de acusações entre Partidos.

Volto como sempre à minha convicção que a ideologia dos partidos nada tem que ver com tudo isto – porque belas teorias, sem a sua prática - de teorias não passam – e, os partidos não dão qualidade às pessoas, mas sim as pessoas é que imprimem qualidade aos Partidos – se a tiverem.

Realmente, enquanto o povo, for apenas pano de fundo, para fazer brilhar o desfilar dos grandes da cena, neste teatro político que se desenrola frente à paciência desse, mesmo povo, espectador, não se vislumbra a justiça social por que já se desespera.

                                          

 Enquanto indivíduos com cadastro se mostrarem como heróis populares...e se tornam símbolos a copiar, a seguir, porque a sua esperteza e perfeita vigarice os elevou a uma fama que em lugar de os envergonhar, e levar à cadeia, os envaidece e os torna populares...

Do que não há dúvidas...é que assim não se acerta no caminho.

Enquanto for este o nível e a permissividade imperar......

Enquanto justiça, honra, dignidade, rigor, verdade, forem apenas palavras que se dizem e não conceitos de vida, regras de ética, condutas...que escrupulosamente se seguem...

                    a-rvore-da-vida.jpg

Do que não há dúvidas é que nada mudará.

Enquanto a política for exercida como conflito, confronto, duelo, de que cada qual quer ser o vencedor, a qualquer preço, e não procura de soluções sobre o tema mais sério que há que é a vida e felicidade dos povos...

Do que não há dúvidas – é que tudo se perde na esterilidade dos debates.                                            

                                                 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 17:25

Ponderemos

Sábado, 15.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.993 – 6 Novembro de 2008

Conversas Soltas

 

 Li com a maior atenção a entrevista que o Senhor Presidente da Câmara deu ao jornal Linhas de Elvas.

Li, e acredito que o mesmo terá acontecido com a maioria dos elvenses, e, como eles, fiz os meus juízos e tirei conclusões.

Nestas épocas em que se aproximam eleições é costume vigorar o - a mim – a mim - e mostrar-se cada qual de santo milagreiro, o que afinal nenhum de nós pode ser.

E, porque a época é de assinalável gravidade, manda-me o bom senso da minha já longa caminhada ponderar sobre o que li.

Não sou, nem me considero inimiga de ninguém, menos ainda do Senhor Presidente, a quem reconheço qualidades de liderança, raras pela determinação e coragem com que empreende e executa os seus desígnios.

Também sei a pouca importância que tem o meu parecer, porém, por dever de cidadania, não me escuso a torna-lo publico pois que não tendo eu compromisso com qualquer Partido, nem dependendo da Câmara a minha subsistência, nada me vincula a algo mais do que a liberdade de o fazer com consciência e respeito pela minha verdade, e pela verdade alheia.

Há “factos” indesmentíveis que na entrevista são apontados – a saber: - o saneamento financeiro, as infra-estruturas enumeradas, e muito mais que está à vista de todos.

O Senhor Presidente Rondão Almeida, deixa atrás de si vastas obras.

Só há um mas...qual a utilidade de algumas delas e, porque preço e, à custa de quê, e de quem, funcionam.

Quando o Senhor Presidente afirma com orgulho que não paga horas extra, não está esquecido que em publico confessou ter começado as suas poupanças – o fermento da sua fortuna - por esse meio...

Então! - é bom ? - Ou mau?

Nem sempre, nem nunca! – Seria o certo.

Todos sabemos à custa de quem funciona o seu Coliseu.

Mas, alguém sabe quanto custaria o seu funcionamento e manutenção normais? - E, será justo que - os funcionários do Município -  em dias de feriado, sábados e domingos, - cumprem 10 e mais horas de trabalho  “forçado”  sem receber, sequer, ajudas de custo – quando a Câmara oferece banquetes, por deita cá aquela palha, a meio mundo ?...

Havendo tanta abundância, porque está o centro histórico a cair? Então porque não há verba disponível para guardas que mostrem os monumentos – que continuam encerrados?

Porquê e para quê transferir para fora de portas toda a vida activa e deixar esboroar o castro?

Havendo tanto - porque foram precisas as mais valias dos empreiteiros que permitiram arrasar quintas, hortas e olivais com tão discutível critério!

Deve-se filiar nesse excesso o facto de ser apontado – como refere - aos seus mandatos o tal exagero de cimento armado.

Ouço, afirma-se à boca cheia, que a construção é tão exorbitante, que mau grado as falências, nos próximos 50 anos nada se necessita construir em Elvas – tal o exagero cometido.

Às vezes, muitas vezes, sempre, no meu caso, os reparos não são mais do que DOR por ver vulgarizar, banalizar, o que era nobre, austero, mas distinto, e teria podido continuar a sê-lo, se, se tivessem procurado outros meios para atingir fins que são legítimos - como é o progresso - que por vezes, não é atingido da melhor forma - como é evidente, quando a cura deixa mais cicatrizes do que a doença.

Não me admira que renegue o “tal laguinho”. Eu própria, quando o vi a substituir o magote de contentores de lixo que por ali “estacionavam” o saudei! Terá acontecido, a mais gente, outro tanto. Porém, depois de bem pensado - ambos reconhecemos  (como agora confessa) que aquilo  foi, e é, uma obra descabida!

O mal? – São as decisões em cima do joelho... na humaníssima ânsia de fazer tudo, de vencer, ser o melhor, de encantar...e esse é um respeitável intuito que se lhe reconhece com justiça.

Mas, aquele, é mesmo o lugar da fonte que de lá era, e é, desde que pela primeira vez nela correu a “água das amoreiras”...e se aguarda lá retorne,

(nem sei quem de lá a tirou!)

São as tais boas intenções...que se esquecem de levar em conta que, aquilo que gostámos de ver algures, pode não servir à nossa porta, mas, em nenhuma circunstância – justificam -  ameaças e perseguições pelo “crime” de opinião divergente.

Cada caso, é um caso e Elvas é única!

Em Elvas tudo tem de ter a perfeição do cinzelado, do requinte, da minúcia.

Prédios como o que substituiu o do Grémio da Lavoura, logo à entrada, frente às Portas de Olivença – não mais, por favor, se é que ainda se quer Elvas, reconhecida, como Património.

Nem as desajustadas fontes da Rua da Cadeia...nem...nem...nem...

Enumerar para quê?

Bem basta o que já é irrecuperável, e a todos doe.

Espero que se entenda que - não é a pessoa - que essa respeita-se e, até pela coragem e determinação se admira – o que está em causa - é  o preço a pagar pela atitude violadora dum futuro que assim se compromete - de um todo - que se queria harmonioso e puro e alguns arrebiques  descabidos  vão destruindo... Trata-se de ELVAS.

  Ás vezes, é melhor nada fazer, do que fazer obra atabalhoada de encher o olho, mas fora do contexto e atentatória de um formal equilíbrio que existia e, se perde irremediavelmente.

Creio que o Senhor Presidente, também se terá arrependido de outras coisitas mais...

Li algures que, em algumas cidades, se estão ligando por dentro pequenas casas contíguas, que modernizadas no seu interior propiciam espaço e conforto e, porque as obras não alteram as fachadas, não atentam contra o genuíno da época a que pertencem, assim se respeitando a sua clássica fisionomia.

Poderá ser uma solução! - talvez...quem sabe?...

Mas... o que aqui me trouxe foi, e é, a minha inquietação pelo Parque da Piedade e a pressão que, do que leio e ouço, verifico pesar sobre a Confraria.

Sempre os Irmãos zelaram com honra e brio pelo património à sua guarda. Sempre o cuidaram e engrandeceram através de gerações.

Não se puderam defender daquele “chapéu” de casario que puseram ao Santuário, – e o IPAR – já condenou, nem do “susto” de fealdade que é aquela escadaria...é certo!

Que os guarde Deus de perderem da memória o que foi e agora é a Quinta do Bispo, e mantenham o seu rumo com coragem, não vá o pavimento duma romaria secular - no campo, a céu aberto - –  virar calçada ou alcatrão...ou outras coisitas mais que depois serão irreversíveis...

Que se reflicta com bom senso, são os meus votos.

Que não haja braços de ferro, que esses não abraçam fraternalmente ninguém...e o Homem é irmão do Homem...

Elvas, merece o nosso amor e a nossa conscienciosa humildade

Ponderemos.                                       

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:13





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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