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Bom 2009

Quarta-feira, 31.12.08

Meus queridos Amigos

 

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Guardo com enternecida gratidão o sinal das vossas presenças nas mensagens de Boas-Festas que me deixaram junto ao Menino Jesus. A essas, somo agora, estas últimas que também venho agradecer.

Gostaria de escrever directamente a cada um de vós a contar como vos aprecio e como cada qual com as suas próprias idiossincrasias faz o encanto deste convívio entre pessoas que estando distantes se juntam pela comunhão de ideias ou, até de ideais ou gostos e, seguem juntas - neste pequeno fragmento de caminho comum- das suas várias trajectórias .

Entretanto partilho convosco a forma como passei esta última tarde deste fim de ano 2008.


Agazalhei-me, muni-me do chapéu de chuva saí para a rua e fui pisando as folhas douradas, caídas das árvores, que alcatifam o chão nestes dias.
Gosto muito de passear à chuva.
Fui comprar flores para levar de presente a alguém que faria àmanhã o seu aniversário e esteve na minha vida desde os meus 17 anos.

Gostaria... mas não sendo capaz de o fazer, venho deixar um abraço para cada um de vós com desejos de que se concretizem todos os vossos sonhos de felicidade .

O dia esteve escuro e baço , como eu,também, me sentia.
Reparei que algumas casas tinham as luzes acesas.
Pensei então em minha Mãe que tendo ficado quase invisual, dava graças a Deus todos os dias por conseguir distinguir a noite do dia.


Senti melhor como o ar era fresco e perfumado, e gostei de o perceber.Pareceu-me tudo diferente.
Voltei para casa com flores também para encher as jarras . Ficou tudo mais bonito.
Bom ano para todos!!
Um beijo

 

 

Maria José

 

       

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publicado por Maria José Rijo às 21:42

PRESENÇAS

Segunda-feira, 29.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.000 – 23 de Dezembro de 2008

Conversas Soltas 

 Quanto mais tempo se vive mais premente é a sensação de como o tempo é fugaz.

Enquanto que na infância e na juventude as distâncias entre as datas de festas e aniversários se nos afiguram substanciais, imensas, passadas essas épocas, das nossas vidas, temos cada vez mais a consciência de, como tendo, embora, a mesma cadência no tempo se nos afiguram tão próximas umas das outras, que quase parecem contínuas.

É exagero, eu sei, mas, enquanto a criança exclama: - Tanto!

Quando a esclarecemos do que terá que esperar por outro Natal; o adulto dá consigo a dizer; - Já! – Quando compulsa o calendário…

Rememorava estas e outras ideias fazendo a distribuição das minhas tarefas obrigatórias pelos escassos dias que faltam para a celebração do Natal, neste tremendamente difícil ano de 2008.

                            

Então, dei-me conta das ausências que o meu coração já regista quando toca a reunir para este ritual de afecto entre a família e amigos. Dei-me conta e comecei a apurar essa contabilidade.

Percebi então que cada um dos presentes tem um lugar que ocupa.

Que é o seu.

Destina-se-lhe a cadeira, que se coloca no local mais privilegiado para se lhe dar conforto, prazer, para que se sinta querido – amado, respeitado, insubstituível…

Escolhe-se-lhe a prendinha do seu agrado.

Mas é esse apenas o espaço da sua presença física, que é visível para todos, tão visível, que se identifica ao olhar.

Já assim não é com os ausentes.

Porque desses, é todo o espaço, a todas as horas.

Não precisam de cadeira, de prato, para que as suas ausências ocupem toda a alma de quem os recordar.

Pode o Natal reunir famílias, amigos, parentes.

Pode o tilintar dos copos fazer a música das saudações, dos bons augúrios que se trocam entre emoções, risos ou lágrimas que tanto ou mais do que os presentes, o Natal é também a sublimação da saudade que faz que os ausentes, sem estarem visíveis ocupem até os lugares de cujas almas são pertença.

         

Natal, com presenças!

Natal com ausências!

Natal de coração cheio – de ambas as coisas – mas, ainda e sempre Natal – com Fé – com Esperança – com Fraternidade…

          

Que o sentimento de que o outro é nosso irmão preencha os nossos corações e, que seja – como uma oração sentida – o simples desejo que se repete:

BOAS FESTAS!

FELIZ NATAL!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 16:23

NATAL - 2008

Segunda-feira, 22.12.08

 

.

Olha para o céu
verás uma cruz!
capelas de rosas
Menino Jesus.
.
O menino chora chora
chora com muita razão,
fizeram-lhe a cama curta
tem os pezinhos no chão.
.
Oh, meu Menino Jesus
dizei-me porque chorais?
deu-me minha Mãe um beijo
choro, p'ra que me dê mais.
.
Oh, meu Menino Jesus!
Oh, meu menino tão belo!
logo foste nascer
ao rigor do caramelo!
.
Eu hei-de ir ao presépio
Assentar-me num cantinho,
para ver o Deus menino
que nasceu tão pequenino!
...
Cancioneiro Popular de Elvas
....
Sentemo-nos todos no Presépio e digamos
de todo o coração, uns para os outros.
Um Santo Natal
Boas Festas
.
 
Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 21:16

Santa Luzia

Domingo, 21.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.999 – 18 de Dezembro de 2008

Conversas Soltas

 

 

13 de Dezembro  de 2008.

- Chove copiosamente! – Que, Inverno, que se preze, não deixa os seus créditos em mãos alheias.

E, isto de chuvas e ventos em dias de santo, é uma forma que o tempo sabe para gravar as datas nas nossas recordações.

É dia de Santa Luzia.

Assim sendo, não se poderia exigir um dia vulgar.

De duas, uma: - ou teria que estar iluminado por um sol resplandecente, ou, então assim – um dia de ventania, cinzento, chuvoso e frio como o que temos hoje.

Os mais antigos, dirão: - bem desejei ir à igreja rezar a Santa Luzia! - Bem desejei! – Mas a chuva... o frio... o vento...

Já os jovens poderão contar rindo: - era cá uma chuvada! – e, o vento? – Andava tudo pelos ares! E, completarão divertidos: - molhamo-nos todos! – Foi cá uma paródia!

– Será sempre assim. Cada qual, conforme a distância a que estiver do seu próprio Inverno – fará a sua história. Contará os seus passos com disposição diferente, com entusiasmo, com saudade, com graça, num lamento, consoante a idade, a maneira de estar na vida e, dessas formas distintas se gravam as recordações, as memórias.

                      

Ainda que o quisesse, tenho consciência que me seria difícil controlar o mundo de reminiscências que estes dias de santo fazem emergir do meu arquivo de lembranças.

Então Santa Luzia, tal como o dia de Nossa Senhora da Conceição, que sendo a oito, o antecede, são como as primícias do Natal.

E o Natal è um marco em qualquer vida, por boas ou más razões.

                   

Pela Senhora da Conceição se faziam as searinhas que se punham a germinar no escuro, debaixo dos armários, nas despensas, debaixo das cómodas nos quartos das Avós e das Tias, e que iam crescendo durante as semanas do advento para embelezar, depois, o presépio que como um fruto de amor eclodia do conteúdo, sempre precioso, das caixas onde gerações sucessivas iam juntando as figurinhas que contavam a história do Deus Menino. Isto, antes das renas e dos pinheiros aparecerem como moda perturbadora da lição que São Francisco de Assis nos deixou.

DVD São Francisco de Assis

Mas...falemos hoje de Santa Luzia que foi virgem mártir a quem segundo uma oração “ Vu e approuvé par Mgr. l’Évêque de Metz le 17 de juin 1872 se rezava assim:

“Ó Deus vós que sois o nosso Salvador, dignai-vos atender-nos, e fazei que venerando a memória da bem- Aventurada virgem e mártir Luzia, o nosso coração seja fortificado por sentimentos duma santa alegria e duma terna devoção. Nós vo-lo pedimos por Jesus Cristo Nosso Senhor.

Assim seja .”

           

 As idas à missa – o pagar de promessas que a luz dos olhos é uma graça do céu. Um bem sem preço.

Preservá-la – será sempre – um milagre a agradecer em cada ano a Santa Luzia. A linda tradição de Elvas na igreja da Misericórdia.

 A esmola, que as freirinhas recebiam na penumbra das igrejas, com seu jeito manso e beato e, a que davam retorno com bolachinhas escuras, como cartões de visita feitos de papel pardo, mas finas como massa de hóstia e bem apaladadas a canela.

O tilintar das grossas contas e dos Cristos pendurados ao peito ou à cintura a cada gesto.

O vaivém incessante de velhos e novos, de netos pela mão de avós aprendendo a tradição de manter a fé como chama acesa.

 E, no seu cancioneiro popular, nos cantes das romarias, nas falas de amor, as vozes que se alevantam cantando:

 

Para que quero eu os olhos

Senhora Santa Luzia?

Se não vejo o meu amor

Nem de noite, nem de dia!

 

Ainda aí, estão rezando...

 

Maria José Rijo

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 10:20

Memorias

Sábado, 20.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.998 – 11 de Dezembro de 2008

Conversas Soltas 

Outro dia, nem já sei precisar quando, encontrei na televisão, por mero acaso, um programa de memórias que fiquei a ver durante um bom tempo, com um sorriso enternecido pelo confronto mental que estabelecia entre as imagens das pessoas que – ao tempo o faziam e – a sua imagem actual, eram o Carlos Cruz, o Raul Solnado e o saudoso Fialho Gouveia.

                              

Todos magros desembaraçados de gestos, desenvoltos, enfim, como naturalmente se é aos vinte /trinta anos.

Prestavam homenagem pública a figuras destacadas da música e da canção dessas épocas. Coisas de há perto de cinquenta anos, por certo.

Naquele dia distinguiam Belo Marques.

A certo passo recordaram Júlia Barroso, de quem uma cançonetista

                  

actual evocou, cantando-os, alguns êxitos.

Foi então que me recordei de um episódio acontecido a meu marido e a mim, à conta da semelhança física que me era atribuída em relação a essa cançonetista – coisa a que jamais tínhamos feito reparo.

Estávamos em Lisboa, por uns dias, e, naquela tarde resolvemos passear no Chiado.

A certo passo reparamos que estávamos a ser seguidos por algumas pessoas. Logo, logo, meu marido comentou, na paródia, que as alentejanas até faziam sucesso em Lisboa e mais meia dúzia de graças porque era muito brincalhão e descontraído.

Porém, a certo passo, tanto ele como eu começamos a ficar constrangidos sem perceber o que se passava e, resolvemos entrar numa pastelaria para lanchar e ver se acabávamos com o pequeno cortejo de cinco ou seis jovens que nos seguia.

Foi então, aí, que se desfez o equivoco quando o empregado que nos servia me pediu um autógrafo e me felicitou pelo noivo, tratando-me por Júlia Barroso.

Nesta época em que tão pouco há que nos faça sorrir, sabe bem evocar estas memórias que nada mais pretendem do que isso – fazer sorrir ou dar uma gostosa gargalhada.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 11:13

Lembranças de Natal

Quinta-feira, 18.12.08

Revista – Norte Alentejo

Nº 7 – Dezembro/Natal de 2000

Crónica 

Li, algures, uma frase que fixei e dizia assim: “não se deve voltar aos lugares que a infância mitificou.”

Logo, logo, por vezes, nem sabemos o porquê de fixar coisas que até parecem desligadas de toda e qualquer preocupação ou pensamento que tivesse aflorado alguma vez ao nosso espírito. Porém, o tempo passa, e um dia, sem mais nem menos, a frase volta à nossa consciência e apreende-se-lhe o sentido e a ligação que afinal tem com dúvidas e apreensões em que o nosso pensamento já se detivera, embora um pouco à margem da nossa vontade determinada de o fazer.

Mais uma vez assim aconteceu.

          

O Natal aproxima-se. Quer queiramos, quer não, essa vizinhança, mais ou menos intensamente assoma a todos os espíritos. Ocupa e preocupa, alegra ou ensombra ou ilumina todos os corações.

Todos os dias são dias. Têm as mesmas horas, minutos e segundos. Amanhecem e anoitecem dentro dos tempos previstos, mas...

Mas...basta que a um deles, um apenas, se designe por: - NATAL – para o tornar diferente.

        

É como que um toque de alarme, uma veemente chamada de atenção, um alerta, um grito de alvorada que acorda em todos os corações o sentido do Bem, da Fraternidade, da Paz, da percepção intima de como seria a Vida se fossemos capazes de ser Irmãos do nosso próximo...e, ao mesmo tempo, da esperança de que isso ainda possa acontecer – sempre possa acontecer...

Então afluem-nos à lembrança memórias antigas, de Natais passados, de Natais de infância quando a inocência traçava os horizontes do nosso pequeno mundo de crianças e o pai Natal era um personagem de verdade e, todos os meninos tinham sapatos para por à chaminé, e, a nenhum deles era recusado o brinquedo dos seus sonhos...

        

Natais de ilusão, Natais como se sonham, Natais como se desejam, Natais em que se crê e, que, quem sabe! Talvez ainda possam vir a acontecer...porque, todos sabemos que é da massa dos Homens que se fazem os Santos...

Mas o que me prendeu a atenção, o que me deteve e fez pensar foi a recordação daquela frase: “não se deve voltar aos locais que a infância mitificou”

Penso que mesmo quando alguém de entre nós, diz, com a maior convicção: estou a ver como se fosse agora, ou, lembro-me exactamente como tudo se passou; acima de tudo o que recorda é a emoção que a sua sensibilidade guardou. Não propriamente toda a minúcia do acontecimento em si. Cujos contornos se esfumam num passado por vezes já bem distante.

               

A grandeza das casas, as dimensões gigantescas que tudo parecia ter, tudo isso tem muito mais a ver com o nosso próprio tamanho de então do que com a realidade existente.

Ainda agora me apareceu com uma nitidez impressionante a cena repetida em cada ano do cantar das janeiras. Era sempre na véspera de Ano Novo e na véspera do dia de Reis.

Era sacramental ir verificar à dispensa o ponto de “desgaste” estavam dos alguidares das filhós e dos “borrachos” Sobre bancos de madeira, lá estavam, como nos dias da amassadura, enormes, vermelhos e brilhantes na belezura singela do barro vidrado... Levantava-se o” panal” avaliava-se se a quantidade existente chegaria para as “molhaduras” aviava-se melhor o prato do açúcar com canela para a farta polvilhadela, que perfumava e adocicava a massa frita. Fazia-se balanço à canastra das laranjas, ao prato dos chouriços, cuidava-se para que tudo estivesse a postos pois era certo e sabido que de tarde viriam os ranchos de crianças, e, à noitinha mulheres e homens embiocadas em xailes elas, em capotes e mantas, eles.

As cantigas eram sempre as mesmas: - viva a menina Fulana – raminho de salsa crua – aos pés da sua cama nasce o sol e põe-se a lua!

e-natal.gif

A garotada depois de cantar repetia em coro: - trago um saco, trago um saco. Não me dê bolotas que caem pelo buraco!

Estou a ver as carinhas, sujas, às vezes, com os narizes vermelhos de frio e um jeito pedinchão no olhar humilde.

Entravam acanhados, contrafeitos, na cozinha. Comiam de pé, enchiam o chão de migalhas. Bebiam café de cevada quentinho e levavam no saco figos secos, laranjas e rebuçados.

Os homens. mais afoitos não deixavam de pedir cantando : daqui d’onde eu estou bem vejo o canivete a bailar - para cortar a chouriça que a senhora me há-de dar. Ou: - a patroa desta casa - está sentada ao rés do lume - para dar esmolas se alevanta - que é esse o seu costume.

Porém, antes, desfiavam um sem número de quadras, mais ou menos de pé quebrado, de que as festividades natalícias eram o tema.

Cantamos os Santos Rezes – que é a nossa tradição - para saudar o Deus  Menino - que é a nossa salvação! -. Esta noite é de janeiras – é de grande merecimento – por ser a noite primeira – que Jesus passou tormento! - Juntaram-se os três reis magos, – todos três em romaria, – para adorar o deus Menino, - filho da Virgem Maria

Caminham os três reis magos, – para Belém em silêncio, – a oferecer a Deus menino, – mirra, oiro e incenso!

          chegada_reis_magos.gif

Terminada a cantoria, sempre impressionante pela qualidade das vozes que em coro espontaneamente afinado, quebravam o silêncio da noite, naquele misto de prece e pranto que é o cantar do Baixo Alentejo, era chegada a vez de darem entrada na cozinha. Traziam nas roupas cheiros da noite, de lume de lenha, tabaco de onça, vinho... Falavam com vozes grossas. Só o suficiente para agradecerem. Bebiam a aguardente de um trago só. Raspavam as gargantas, cuspinhavam! - Mal petiscavam dos fritos. Partiam para cantar a outras portas, só das casas que de antemão sabiam os iriam receber e lhes dariam uma ou outra peça de fumeiro, ou naco avultado de toucinho das matanças do Natal.

       postal de Natal.jpg

Vão anos que nem quero contar entre estas lembranças e os tempos de agora.

Pela lembrança revejo-os.

Voltar aos mesmos lugares, seria matar, destruir de vez o que o tempo, sempre nos permite conservar: - a recordação.

Sim. Concordo plenamente: - não se deve procurar reviver o que a infância mitificou...

 

Maria José Rijo

                             

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publicado por Maria José Rijo às 23:12

Às três, é de vez...

Quarta-feira, 17.12.08

Jornal Linhas de Elvas

De 31-Janeiro-2003 – Nº 2.695

Conversas Soltas

 

Por vezes, a televisão, a mesma, que tantas náuseas nos causa com os bombásticos desvarios da sua programação, também nos oferece saudáveis motivos de reflexão.

Embora os noticiários, ponham sempre a tónica no polémico, a verdade é que o hábito de tomar conhecimento do pulsar do mundo através da imagem já se arreigou tanto no nosso espírito que se nos tornou indispensável.

Ver o rosto do cientista, do jogador de futebol ou de qualquer figura em voga, confrontarmo-nos com a visão do acontecimento feliz ou nefasto tem sempre um impacto diferente daquele que nos fornece a leitura da sua descrição, por mais exacta que ela seja.

Essa utilidade, essa função de serviço público, teremos todos que a reconhecer e agradecer à televisão.

Foi num noticiário, bem recente, que vi a figura, quase franzina de um homem, um arquitecto célebre, conhecido em todo o mundo que veio a Portugal, a convite da Câmara de Lisboa, para estudar e resolver o problema da remodelação do Parque Mayer.

Escutei com atenção as suas afirmações e verifiquei que a sua sabedoria e a sua experiência o levaram a dar respostas deste tipo: - tenho que estudar, tenho que conviver com os artistas, tenho que falar com o publico dos espectáculos, com o homem da rua, em suma - tenho de aprender a conhecer, de viver o ambiente até o sentir na pele. Só depois, saberei o que fazer.

          De qualquer modo vai levar muito mais tempo esse estudo do que o projecto propriamente dito.

Fiquei a pensar... a reflectir... talvez por já ter presenciado a leviandade com que se mexe, se altera...se macula, aquilo que por não nos estar na pele, deveria ser – ainda – tratado com mais cautelas.

Quase diria:-  com mais pudor!

Numa outra entrevista, um senhor Ministro, falou, e, muito bem, de cultura, de cultura do poder, como único caminho para deter o império da ignorância.

      Escutando-o nasceu-me uma certa preocupação porque já tenho ouvido muitas vezes, até em meios onde isso pereceria impensável, fazer confusão com o sentido, e o significado, que se atribui à palavra cultura.

Desde a queixa resignada de que não têm culpa que os pais fossem pobres, até ao resmungo de revolta de: - estes gajos lá porque andaram nos estudos e são doutores... etc...etc...etc... sobre este tema surpreendem-nos com frequência as mais diversas e desajustadas reacções.

Acresce, como curiosidade, que algumas vezes, quem assim reage não tendo cultura literária (única que parecem considerar) dispõe de uma cultura específica que se pode chamar até de sabedoria em determinados ramos.

Se as pessoas acreditarem, que (como escreveu Sophia de Mello Breyner Andresen)

 Sophia Mello Breyner Poesia Literatura

“A cultura é higiene, defesa do ambiente, defesa da natureza. E, também as boas maneiras, a forma de pronunciar as palavras a forma de construir e habitar a cidade ou a aldeia a forma de cultivar os campos, a forma de entender o trabalho. E, também a consciência da história e a consciência dos problemas e das possibilidades do presente. Não é apenas a atenção que damos à luz, ao ar, à terra, à água, às outras pessoas. O apoio às mulheres grávidas e à primeira infância, a recuperação e a integração dos deficientes são obrigações sociais mas são também actos criadores que definem a consciência cultural de uma sociedade”

Se calhar, se pensassem nisso, agiriam de formas diferentes.

Até me atrevo a acrescentar:

Se cada um que chega a qualquer forma de poder não começar a sua actuação por destruir a obra do seu antecessor, sem cuidar se era boa ou má, útil ou inútil, apenas com a finalidade néscia de mostrar quem manda...

Se o quadro com o parecer de Sophia de Mello Breyner, ao invés de ter sido tirado da parede da sala de leitura da biblioteca - só porque manda quem pode! - Tivesse sido copiado e multiplicado para fazer parte da decoração de outras salas onde muita criançada aflui, ou adultos se juntam, e servisse de motivo de reflexão...

          

Se...

Talvez, muito “manda-chuva” deixasse de cuspir no chão etc...etc...etc...etc... e, a cultura do poder tornasse o seu exercício tão responsável que muitas decisões só fossem possíveis quando o conhecimento dos problemas fosse tão profundo que fizesse parte da pele de quem as toma.

Talvez, com a consciência da história e a consciência dos problemas e das possibilidades do presentetalvez, com esses valores fazendo parte da pele, se possa entender que – a paz que à noitinha desce sobre a nossa praça maior, com o bafo limpo da respiração do casario adormecido de uma cidade, que tem ali o seu coração desde o recuado ano de 1511, quando El-rei D. Manuel, mandou que ela (praça) “fosse feita e de tal grandeza que nela se possam fazer jogos de canas e correr toiros”- é também património...

Precioso património!

Intocável património!

Já houve a destruição do arco e o acréscimo da Rodoviária... e mais o edifício do Banco...

Às três – se calhar – será de vez...

 

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:41

A comunicação

Terça-feira, 16.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.690 – 27- Dezembro-2002

Conversas Soltas

 

 

Está assente que tudo o que se sabe se deve às diferentes formas de comunicação; isto é: - tudo o que existe se conhece pelas diferentes formas de coordenar e expandir a informação.

Fazer este tipo de afirmações, parece um bocadinho retórico. Parece, mas não será tanto assim.

Parece, porque cada um de nós, ao ouvir falar em comunicação só lhe ocorre a ideia de comunicação social porque as notícias da última hora, as imagens em directo de guerras e desgraças, a exploração de toda e qualquer notícia de sensação, são o prato diário que, com o seu impacto, nos invade a mente e a alma em parangonas de jornais, noticiários de rádios, televisões e internetes...

Estamos todos de tal forma expostos a esta forma de comunicação, que já nem damos conta de como ela viola o nosso direito ao espaço para pensar, criar opinião própria, avaliar à luz do nosso bom senso, da nossa formação e educação, os sentimentos que qualquer acontecimento ou notícia provocam em nós.

Como povo latino que somos, não poderemos jamais fugir à nossa propensão para um certo sentimentalismo que nos põe a emoção, um pouco, à flor da pele.

        Assim que, aderimos, de pronto, emocionalmente, a qualquer mostra de sofrimento, injustiça, desgraça ou atropelo de que tenhamos conhecimento.

Fazemo-lo, quase sem pensar.

Isso é imperativo, em nós, com um instinto.

Pior, esquecemo-nos, muitas vezes de pensar...de aprofundar causas e motivos...

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Vemos lágrimas num rosto; escutamos queixas de lástimas que nos expõem, e, aí estamos nós, já engajados na defesa de uma causa que não chegamos a aprofundar devidamente, e, da qual acabamos, não raras vezes, por sair magoados.

È assim que, depois, ao sentirmos traída a nossa boa fé, passamos para a atitude oposta – o desinteresse!

Temos até, na sabedoria popular um bom suporte para amparar essa nova atitude!

–“ Á primeira cai qualquer, à segunda cai quem quer...”

Pensava nestas e, em outras coisas semelhantes frente aos noticiários que ultimamente, sem o mínimo constrangimento de espécie alguma, fazem a exploração despudorada, da notícia sensação do momento: - a pedofilia.

Pensava, na maneira orgulhosa, quase arrogante, com que alguns locutores anunciam vitoriosos, que as suas estações foram as primeiras a dar, esta ou aquela notícia sobre acontecimento tão doloroso.

Pensava, no ar ufano, presunçoso, como se anuncia o conhecimento do que nos diminui e envergonha como gente. Do que nos avilta, como pessoas, só porque pode ter acontecido...

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E, se é a informação – como li – “que junta ou separa as células conforme a instrução que recebem, e tudo o que existe se deve às várias opções de interacção entre os registos de informação dos elementos que dão assim origem à formação de matéria ou da não matéria...e, por esse processo se forma também o ser humano. Que a comunicação entre pessoas é muito importante, pois disso depende o bem-estar da família, duma cidade, dum país, dum continente e do mundo...”

À luz destes conhecimentos, temos que reconhecer, que nem sempre temos para oferecer a quem nasce, “esse tal equilíbrio de comunicação que uma vez quebrado, gera distúrbios irremediáveis na formação do indivíduo ”

Assim sendo, apontemos o erro, curem-se as chagas possíveis. Castiguem-se e tratem-se os prevaricadores, mas, não nos esqueçamos, também, de dar graças a Deus por não nos ter faltado no caminho a protecção do Amor que tantos não recebem, nem receberam nunca, ou jamais receberão.

E, aprendamos a tratar a dor sem a ostensiva leviandade que por aí se exibe, como se um sentimento se pudesse reduzir apenas à dimensão de notícia mais ou menos bombástica.

Tenhamos a coragem de assumir o pouco ou nada que fizemos para que as coisas fossem diferentes.

        Aceitemos com humildade que, quer no mal, quer no bem, temos todos a nossa quota de responsabilidade, e façamos com coragem a destrinça entre noticiar e expor...

O cão fareja, o porco chafurda.

Ambos procuram..., só que, de formas diferenciadas...

        Que a luminosa ternura do Natal, ilumine os nossos corações, e nos faça ajoelhar junto ao Presépio, frente à Vida.                                          

                                                           

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:35

Palavras, Contas e Bolinhas...

Segunda-feira, 15.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.552 – 21-Abril-2000

Conversas Soltas

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( Relendo  Cesariny )

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Dizia minha Avó que as contas, só são contas, porque são furadas. Não fora essa circunstância e seriam apenas bolinhas.

Assim que, muito embora algumas vezes se possa afirmar: - conto fazer ou: - não conto fazer, – não deixe dúvidas a ninguém que: - conto – usado nessa acepção é apenas a confissão de um desejo, de um propósito, e nunca um compromisso de honra; liberdade que um: - não – e menos um: - nunca – ou, um – jamais – permitirão a quem quer que seja.

                                   Foto: Endividamento

As palavras deveriam ser pensadas e usadas com prudência e cautela. Com respeito. As palavras são armas de dois gumes. As palavras valem pelas intenções de quem as profere e valem pelo valor que lhes atribui quem as escuta, bem como pelo peso de consciência daqueles a quem são dirigidas.

                 

As palavras, porque com elas se exprimem sentimentos, podem encerrar em si toda a força que cabe no amor, no ódio, no desprezo, na indiferença, na raiva, na ternura, na bondade, na condescendência, na tolerância, na vingança, no perdão, na esperança, no medo, na dor...

Com palavras se fere e se consola.

Com palavras se ameaça.

Com palavras se enaltece, se denigre, se destrói, se louva, se acarinha, se ofende, se mente, se corrompe, se culpa e desculpa, se acusa, se julga, se amaldiçoa.

Com palavra se fala verdade, com palavras se esclarece, se confunde, se aconselha, dá alvitres, opiniões, com palavras se concorda ou discorda.

         

Com palavras se reza, se blasfema, se abençoa...

Com palavras se canta e chora...se esconjura...

Com palavras se escreve, se faz história, poesia, se passa testemunho Com palavras se insinua e se afirma. Com palavras se nega e, no entanto, com toda a força e poder que as palavras encerram sempre as palavras ficarão aquém do sentimento de que se querem imbuir.

Entre as palavras e a força interior que as gera estará sempre a pessoa que as pensa e as solta em nome do tumulto de emoções de onde germinaram.

Como entre a nuvem e a chuva em que ela se desfaz há o espaço entre céu e terra onde a água vem cair.

Nesse caminho se altera. Capta poeiras. Acusa as temperaturas. Torna-se bátega, chuva mansa, neve, granizo... Porém, sempre já alterada chegará ao solo que é seu destino.

E também aí se transmuda.

Charcos com ela reviverão. Rios com ela engrossarão seus caudais. A terra a beberá, e, no entanto, o que dá vida também pode causar morte. Enchentes destroem. Enchentes arrasam. Enchentes afogam. Enchentes assolam...

        http://lua.weblog.com.pt/arquivo/agua-thumb.jpg - 14 kb

E tudo provém da mesma raiz – a água – que, tal como a palavra, pode ser mansa e tranquila como um lago parado ou violenta, impetuosa, arrasadora, incontrolável...

Entre nós e as palavras que fique sempre atento o coração que as sopese e a luz da inteligência que as ilumine na voz que as profere.

A palavra recria.

A palavra é livre, mas é engajadora.

Porém, apesar dos riscos, e com todos eles, entre nós e as palavras ficará de pé, erecto, como de gente que somos o nosso inalienável dever e direito de falar.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 16:25

ORA BEM!

Domingo, 14.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.906 – 22-Fevereiro-2007

Conversas Soltas

 

             Referendo sobre a regionalização divide Portugal em dois

Ora bem! De que havemos de falar nesta altura em qualquer conversa, senão dos resultados do referendo?!

E, como é meu hábito assumir o que penso, digo, ou faço, começo por afirmar que, votei – não – embora, confessa-lo, não fosse, de todo, em todo, necessário, mas...

“ Je dis tout, tant pis si je me ridiculise” -  ( Violette Leduc)

E, agora que os resultados já são conhecidos e, o Sim, venceu, embora de forma não concludente, como toda a gente viu, ainda me dá mais gosto assumir que não estou na lista dos ganhadores

 Devo no entanto confessar que a vitória do sim me abre horizontes, não direi de esperança, mas de expectativas bem lógicas e interessantes.

Vejamos:

se a chusma de abortos é tanta como rezam as crónicas, e o governo é tão solícito a ajudar nessa circunstância, nada mais natural que a Maternidade e Elvas reabra para não deixar ao desamparo as pacientes necessitadas. Até porque é evidente que a sua situação merece mais cuidado e carinho do que a das mulheres que levam a sua gestação até ao fim, e, em lugar de abortos têm crianças de tempo.

Reconhecida e apadrinhada pela lei, fica a necessidade de se poder fazer em Portugal, com toda a eficiência e profilaxia, o aborto. (o que não se contesta)

Reconhecida e apadrinhada também pela nossa lei, fica a necessidade de as grávidas irem parir a Espanha porque esse mesmo governo não lhes dá condições de terem os filhos na sua Pátria.

Como equilibrar as duas situações, não sei!

Cada qual, tem seu ponto de vista sobre cada situação. Depende dos seus gostos, tendências, ideais, vocações. Da sua formação...

Faz dia 22 deste mês, anos, nasceu, alguém que me foi muito querido, e, cuja dor de ausência, fará sempre parte de mim, a quem foi dado o nome de Rafael. Dividindo a minha alegria, quando ele nasceu, com um grupo de amigas, ouvi estas exclamações: - Rafael, o nome do anjo...

Rafael, como o grande pintor da Renascença...

                    Os anjos mais famosos da história da arte

Cada coração tem um eco diferente, e, sempre assim será.

Cada qual sonha à medida dos seus gostos, tendências e anseios. E, quem como eu, andou à escola, calçada e bem abrigada, entre crianças de pés nus cheios de frieiras, e mal agasalhadas, numa aldeia pobre do Baixo-Alentejo, não poderá jamais, aceitar coliseus, T.G.Ves, ou o que quer que seja de espectacular, enquanto, houver filas à porta dos Centros de Saúde, Hospitais sem médicos, Maternidades fechadas, pessoas chamadas para intervenções cirúrgicas depois de terem falecido, ambulâncias apetrechadas de tudo – MENOS - do seu equipamento  principal – médicos e enfermeiros!

             

Tenho no ouvido e na consciência as palavras responsáveis, generosas e humaníssimas de alguém que tem feito milagres a salvar vidas até de siameses – o Senhor Doutor Gentil Martins, que cito: – Se existem listas de espera de doentes com cancro no Serviço se Saúde, não se pode dar prioridade ao aborto”

Eu, não estou contra ninguém.

Estou a favor de tudo quanto represente JUSTIÇA SOCIAL acima de qualquer outra coisa, porque, para mim e, para muita gente mais, o essencial é o ser humano feito à imagem de Deus.

Esse estranho “bicho homem” que legisla para eliminar a ocultas, elementos da sua própria espécie, e fica tão feliz como o Senhor Primeiro Ministro que, com descontrolado entusiasmo, pavoneava a sua alegria como se houvera ganho meios para criar em condições dignas, os filhos que muitas Mães gostariam de ter tido se lhes tivessem dado possibilidades para tal, ou conseguido controlar a pobreza, a fome que grassa livre, os salários baixos, o angustiante nível de vida dos portugueses... a não ser que este seja um meio para ajudar a controlar o deficit...

               

Termino confessando ao “nosso” maior português de sempre, (no seu género, claro!) que: - não sou, nem intelectual, nem de meia tigela. Se o fora, pedinchava que me erguessem uma estátua, como qualquer tartufo, neste Carnaval da Vida.

              

       SOU NADA-. NADA por inteiro e, por isso, me vergo ante

Fernando Pessoa

Repetindo:

“ Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer deixar de ser nada.

E contudo tenho em mim todos

os sonhos do mundo”

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:03


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