Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Em nome da coerência
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.480 – 27-- Novembro -- 1998
Conversas Soltas
Num “ A la minute” escrito em Dezembro de 1985, fiz neste jornal, umas considerações, de onde, por ainda serem pertinentes, respigo hoje – 13 anos após – algumas ideias. Era mais ou menos assim:
......toda Elvas – terá que servir Elvas - como cada um de nós se serve a si próprio - porque de nada serve a força e o trabalho de quem constrói se o desinteresse e desamor de outros se empenhar em destruir !
Para que o dinheiro - que será sempre pouco para a largueza do sonho - dê frutos palpáveis, é urgente que cada elvense repense a sua forma de o ser. É preciso que não mais se juntem grupos de pessoas para quebrar (fortes) bancos de cimento, etc. etc. etc...porque cada um que queira ser digno desta terra que o acolhe ou lhe foi berço - tem que sentir em si próprio e saber vive-la , a consciência do que é pertencer a uma cidade, a uma comunidade, que , por sua vez também lhe pertence. Tem que saber encontrar em si, o sentido de dever e de justiça que lhe permitam e imponham o comportamento exemplar que deve à sua terra e à sua gente…
Quando, em cada manhã que desponta espreito o céu da minha janela, ao baixar o olhar, avisto invariavelmente os cacos de garrafas, e toda a espécie de porcarias que os adeptos da vida nocturna deixam atapetando o chão onde as crianças poderiam e deveriam brincar com segurança. O PARQUE INFANTIL!
Pode-se, é justo que se faça – e, eu faço-o, mais uma vez, frontalmente – criticar
a colocação dos contentores do lixo sobre as passadeiras e ao magote !
Pode-se dizer que uma papeleira nesse espaço ficava a matar!
Pode-se.
MAS A VERDADE, é que os contentores estão lá! E não há Câmara nenhuma que possa controlar o vandalismo que estes casos demonstram.
Qualquer Câmara pode e deve planear melhor ou pior, como for capaz, o escoamento do lixo. Esse dever cabe-lhe. Mas, o que nenhuma, jamais poderá é controlar a falta de civismo que faz transformar lagos em escoadouros públicos; a inconsciência, ou a malvadez que permite (e sendo a tarefa nocturna não se pode

atribuir a garotinhos) escaqueirar vidros de garrafas de cervejas até tornar o chão resplandecente, num espaço reservado a crianças! Repito: UM PARQUE INFANTIL!
Quando, será o civismo e a coerência entre o gesto e a palavra uma evidência identificável pela ausência destas lamentáveis atitudes que a cada passo nos envergonham e nos ultrajam como gente?
Quando? - Pergunta-se!
Quando? Quando? Quando? Continuaremos a perguntar!




