Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Afinal – a Expo começa aqui!
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.397 – 11 –Abril – 1997
Conversas Soltas

Naquele dia da passada Páscoa – já nem sei qual – havia um ventinho esperto que soltava a areia do chão e a atirava pelos ares.
Voltei então as costas ao mar meti – me em casa e abri a televisão.
O Professor Hermano Saraiva, 
Interessei-me vivamente.
Aliás, não sei de quem resista ao “charme” do historiador com a sua maneira cordial e apaixonada de transmitir saber e, de repente, pensei:
- Então se tudo na Expo 98 se passa em torno do mar e das Descobertas...
- Então se a figura maior é o grande Descobridor...
- Então se Sines se prepara afanosamente destapando pedras, catando vestígios, escarafunchando pistas de tudo quanto possa servir para erguer do passado um rasto que conduza ao reconhecimento do que foi a presença de Vasco da Gama naquelas paragens...

- Então isto e mais aquilo e etc, etc, etc, etc. ...
- Então Elvas – porta principal de quem entra em Portugal – vindo da Europa estradas fora...
Então Elvas, não terá uma palavra a dizer?
Ai, a mim, me parece que sim.
E, se tristemente, infelizmente, deploravelmente (e mais quantos expressivos advérbios de modo se possam compor para chorar a agonia do Forte) não se pode, no todo, acudir à nobre fortaleza – que venha trazer, de novo, à lembrança de todos – ouso perguntar:
- Não será possível ainda reconstruir por dentro a capela que Catarina Mendes, bisavó de Vasco da Gama, quando já viúva de Estêvão Vaz da Gama, mandou reedificar nos finais do séc. XIV?
É que, foi por aí, que tudo começou.
É que foi em torno dessa capela votada, por muita fé, a Nossa Senhora
da Graça que o forte da Graça ou de Lippe – foi erecto.
E é dessa cepa – é desses Gamas – que descende o universal Vasco da Gama que a Expo glorifica.
Afinal se se quiser destapar um pouquinho a história – se se limpar o caminho de modo a honrar o espaço referido, mostrando-o com dignidade que, por direito, lhe cabe...
Afinal...
Afinal, não é exagero afirmar que:
A Expo começa aqui!
Maria José Rijo

