Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
CONSIDERAÇÕES VÁRIAS
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.360 – 19 -Julho -1996
Conversas Soltas
Pessoalmente não tenho o gosto de conhecer a Senhora Vereadora da Cultura a quem até já pedi apoios para uma reunião em Elvas do Curso de Cavalaria de 1941-43 – da Escola do Exército, que se realizou em 29 de Maio de 1996.
Telefonei-lhe para o efeito.
Escrevi-lhe depois e, apraz-me confessar que fiquei grata pela maneira pronta e afável com que me atendeu – o que – como é óbvio se reflectiu na excelente impressão que aquele grupo de oficiais e suas famílias levaram da nossa cidade.
Ora, há bem pouco tempo, pessoa amiga, alertou-me pelo telefone para a presença da Srª. Dona Vitória na televisão num programa do Goucha.

Foi com a maior atenção que segui o pouco que ainda fui a tempo de ver e ouvir da sua entrevista.
Dela me ficou no entanto o agrado de concluir que a Câmara de Elvas está empenhada em prosseguir os esforços para que este nosso velho e histórico burgo seja considerado património Universal.
Fiquei a pensar longamente neste assunto e parece-me sempre a propósito não deixar que caía no esquecimento.
Logo no “Linhas de Elvas” da semana seguinte à entrevista, Arlino Sena, num dos seus artigos sempre bem escritos e bem pensados, explana considerações importantes sobre o tema que levou a Senhora Vereadora ao Porto.
Tenho a firme convicção de que se o Senhor Professor Serra tivesse lido esse jornal teria tido o cuidado de esclarecer que não fora no seu tempo que tal aconteceu.

Foi antes.
Valha a verdade que sendo eu, Vereadora – não foi meu mérito, nem do Presidente Carpinteiro.
Eram acontecimentos que as Câmaras viabilizavam ou não – mas de cuja criação não eram autoras.
Na referida circunstância pertenciam ao Sr. Dr. Amilcar Morgado os louros pois que defendeu a ideia, fez os contactos e geriu muito bem a ocorrência que a Câmara, logicamente apoiou.

Mas, não é para falar desse passado que escrevo estas considerações.
Faço-o na defesa das “pequenas” grandes coisas que têm muito mais importância do que se pensa à primeira vista para conseguir tão difíceis propósitos.
Lembro, por exemplo, a chamada de atenção feita por João Góis, para o perigo que correm os velhos plátanos da Piedade!
Para que Elvas possa ser Património da Humanidade não se pode dar ao desleixo de deixar morrer as suas árvores de cada dia.
Não pode deixar delapidar, até à calvície trágica, cabeços como o da zona envolvente da Piedade de onde as velhas oliveiras sumiram como fantasmas!
Não pode perder a memória da sua história e dos seus costumes.
Não pode...
Não pode, não senhor.

Havemos de voltar a este assunto, e, se, Deus quiser, – à Quinta do Bispo, aos pés de zambujeiro – à ermida de S. Sebastião e, a um sem número mais, de pequenas coisas – que juntas são o encanto e o mistério – a verdadeira aureola que dá sentido à realidade – à nossa realidade.
Hoje estou cansada.
Morreu o mano Quim – o irmão mais velho de meu marido.
Do amor que eles tinham por esta terra me virá a força de continuar a insistir – se Deus quiser – mas hoje não.
Maria José Rijo


