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Ao sabor do acaso

Sábado, 31.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3005 – 29 de Janeiro de 2009

Conversas Soltas

 

 

Mesmo quem nada percebe de música, como eu, tem a noção do que ela é, do que ela significa, do que ela vale, quando nos deixamos invadir por ela e dentro dela – libertos – nos soltamos.

Penso sempre, que, mesmo quando não sei as palavras que, como uma reza, eu poria dentro dos seus sons, penso sempre, que toda a música é oração, mesmo quando fala de revolta.

         

Por estar bravo, encapelado que seja, o mar não deixa de ser mar.

E, mesmo quando afoga, ainda e sempre, é água.

Não me perguntem o que quero dizer com esta conversa, porque não saberia dizer.

Sei que estou a ouvir música, sei que está a chover, sei que tenho a lareira acesa. Sei que é reconfortante estar em casa com tempo assim e olhar pelas vidraças e ver o “mundo” molhado lá fora.

          

E, sei que a música tem o condão de criar como que um mundo envolvente para nós - um mundo diferente  para cada um de nós - dentro do mundo imenso onde cabem reunidos, os mundos de todos nós juntos.

Em dias de chuva, Chopin, é mais ele.

É , absolutamente, ele.

Sei que é assim porque nestes dias, nestas horas ele pega na nossa sensibilidade, no nosso coração, nas nossas almas e eleva-as até ao infinito de nós mesmos. Até à fusão com a essência da música, até lá onde o que se pensa, o que se sente, o que se julga ser, se desfaz como bolas de sabão deixando apenas um resíduo de água,

Fugaz como uma lágrima.

Um vestígio, uma vaga lembrança da beleza entrevista e impossível de capturar.

A flor atrai porque é bela.

A infância deslumbra porque é inocente e pura

A música cativa e apaixona porque da flor é o perfume e da pureza e inocência – é a voz.

 

A música é a fala da Vida.

É a prova de que para todo o mal há esperança e espaço para redenção.

Porque de tudo a música fala.

“Quasimodo” era horrendo fisicamente.

O amor o sublimou.

Contado em música só poderia ser belo.

Porque a música é o extracto, o mistério, o segredo, a centelha de infinito de cada ser.

Nestes dias, em que a música nos faz mergulhar dentro do mistério incontido da dimensão divina de ser gente, parece que o cinzento do céu acontece para que brilhe melhor a clarividência de o reconhecermos.

O piano emudeceu.

Sem a alma nas mãos de Maria João Pires, ficou apenas, o que é – um instrumento musical. Um móvel.

E, a tarde – sem a música – ficou aquele entreacto – hoje chuvoso, ventoso e triste que nos conduz à noite.

Embuço-me no vazio escuro que o silêncio criou em meu redor e vou fingir que ainda não acordei do meu deleite.

 

  Maria José Rijo

                                 0004rh34

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:06

Há muita Maria na terra

Sexta-feira, 30.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3004 – 22 de Janeiro de 2009

Conversas Soltas

                      

Por vezes, nestas conversas de trazer por casa, quero dizer, sem tema de dissertação e sem mais regras, do que, aquelas de sempre – falar verdade, não hostilizar, ser correcto e responsável no que se diz, mesmo assim, ou talvez por isso, às vezes ficam no ar como que mal escondidas advertências.

Alguém me perguntou se era meu costume assinar apenas por Maria José.

Sim e não – foi a resposta.

               

Se for para pessoa íntima, família ou amigos – por certo que o posso fazer, até porque basta às vezes o assunto ou a forma como o expomos para nos identificar.

Para estranhos ou para qualquer tipo de opinião, nunca, por certo.

Até porque há tanta Maria na terra que jamais me esconderia atrás qualquer uma.

Se, por qualquer razão tiver sobre qualquer assunto uma opinião divergente da maioria, faze-lo, assinando dessa forma, seria equivalente a escrever anonimamente, e isso, não dá com a minha forma de ser, nem de estar, como a minha já longa vida testemunha.

Para enviar flores, prendas, até de forma anónima poderia ser engraçado. Para o que agrada e torna felizes os destinatários não são necessárias vastas explicações. Porém, para um parecer contradicente, uma chamada de atenção, qualquer atitude que não se ajuste em absoluto ao que é agradável ouvir – Bem! - Aí, quem o fizer, ou se justifica, assume identificando-se ou, então que não o faça, porque as opiniões só podem ser tomadas em conta conhecendo-se lhe a origem.

        

Anónimas – não têm cotação – são votos brancos, nulos... Lixo.

Pela mesma razão que ninguém bebe água de charcos, mas sim de fontes de conhecidas origens, ninguém lhes dará crédito.

Por alguma razão o Criador, deu a cada um, ao longo de todas as gerações desde que o mundo é mundo, uma impressão digital diferente – identificadora – dos indivíduos.

Daquilo que cada um de nós é – um indivíduo.

graphicQue cada um de nós se assuma com a responsabilidade e a gratidão de se saber Único e nunca esqueça que como o gato Pias tudo o que for – não o que tiver – é o que levará consigo.

Foi esta a advertência do Filósofo aos seus concidadãos que, quando se viram ameaçados pelos persas se arrastavam para fugir, ajoujados ao peso das riquezas adquiridas sabe-se lá como...

Cada um com o que é seu.

E, o mais nosso de tudo, o que ninguém rouba, mesmo quando tenta aviltar é o nosso carácter.

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:02

Prémio - Magic Blog

Sexta-feira, 30.01.09

 

..  .. 

.,.

Este prémio veio da amiga Linhas e Letras

de

http://patacuriosa.blogs.sapo.pt/

 

.....

 

 

Os nomeados são:

 

---------> http://escritosdeeva.blogs.sapo.pt/

 ------------>  http://ncescada.blogs.sapo.pt/

----------> http://flosinha.blogs.sapo.pt/

------------>  http://www.coisasimplesepequenas.blogspot.com/

 ------->  http://cristaisdegelo.blogs.sapo.pt/

----------> http://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/

 

É sempre difícil escolher - todos os amigos são preciosos:

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publicado por Maria José Rijo às 19:19

Alçada Baptista e outras lembranças...

Quinta-feira, 29.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3003 – 15 de Janeiro – 2009

Conversas Soltas

 

Elvas, 10 de Janeiro 2009. Olhava a Quinta do Bispo pensando: - faz hoje 84 anos que António Sardinha morreu.

Tinha então – quase – 37 de idade.

Vou reler qualquer texto dele, é a minha homenagem possível.

Abri – Doze Sonetos – Edição de uma Câmara de Elvas que, parece, até, lia poesia...era em 1973.

Na contracapa, com a sua letra miúda, escrita por mão já tremula uma dedicatória para meu marido e para mim, de sua saudosa viúva.

Mentalmente recordava – “vesperal”“se eu te pintasse posta na tardinha...”

Uma notícia, chama-me á realidade.

Decididamente ando fora do mundo.

                               

Então, não é que Alçada Baptista morreu, e eu não me apercebi?

Devo-lhe tantas horas de prazer e encantamento com a leitura dos seus livros que sinto, sinto de todo o coração, que tinha o dever de não chorar em silêncio a sua perda.

                             

Eu tinha começado por ler :- Tia Suzana, Meu Amor -  que de tal forma me encantou que, me lembro de , aqui neste jornal, ter falado nesse livro – já nem sei há quantos anos.

Em relação a isso estou perdida no tempo, o que não admira, tantos são!

Brincando, brincando, devem somar bem perto de novecentos os textos que escrevi para o jornal e para a sua extinta revista

Eu tinha o costume de ouvir na rádio e ler em jornais e revistas crónicas de Alçada, - ou - onde quer que as descobrisse.

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Pois, quando li “O riso de Deus”, fiquei tão curiosa, tão ávida de conhecer Alçada, que me apeteceu escrever-lhe, metendo-me na pele de uma personagem e fazendo-lhe as perguntas e os comentários que essa leitura me sugeriu.

Entre o que se pensa e o que se faz há uma distância pequena, às vezes, mas, onde cabe o: não fazer.

Assim aconteceu, mas ficou-me sempre a frustração da perdida oportunidade de ter procurado entender melhor as subtilezas do fascínio de Alçada - não pela Mulher – se bem que, esse, também – mas, pelo feminino, quase como um culto latente na sua escrita.

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Lembro-me de ter comentado o livro com o Dr. João Falcato que sendo seu amigo de curso, me prometeu proporcionar um encontro , numa das  visitas que dele recebia em Borba.

Porém, isto de promessas entre gente de muitos anos, mete, com frequência, viagens sem regresso que ninguém controla.

Assim veio a acontecer.

António Alçada Baptista- foto d.r.

Encontrei Alçada, uma única vez, no cemitério do Alto de São João no funeral de Helena Vaz da Silva, mas ele estava tão arrasado que seria até, impudico, tê-lo incomodado. 

O que não perdi, foi o contacto com a obra do escritor.

 Fui comprando. Comprando e lendo. Lendo e pensando e, sempre sentindo o “tal” dialogo entre o homem e Deus e o tal fascínio...

“O deus que ri, o deus que joga, no sentido mais lúdico do termo, um deus apaixonado pela pura alegria de existir”

Acompanhei-o em “ Peregrinação Interior”, “A cor dos dias” e pus à minha cabeceira – “O Tecido do Outono” onde retorno, sempre com interesse, para ler coisas tais como:

 - “ Aquilo que vivemos não está no mundo, está na maneira como olhamos para ele.

É no Outono que a gente é capaz de reparar que a vida não é banal não obstante o nosso quotidiano ter sido de uma banalidade atroz”

                

Este livro de que acabo de citar um pequeníssimo excerto

abre  - citando  Ruy Belo -  assim:

               “É triste no Outono concluir

             que era o Verão a única estação”

 

De outro livro, respigo também uma citação de abertura, de Martin Buber

“Deus não me pedirá contas de não ter sido

 Francisco de Assis ou mesmo Jesus Cristo.

Deus vai pedir-me contas de eu não ter sido completa e intensamente Martin Buber

               

Vou fechar estes comentários parafraseando – para Alçada – uma dedicatória que ele próprio, escreveu – para Alexandre O’Neeill -  com toda a simplicidade da sua enorme dimensão humana e intelectual, em Tia Suzana Meu Amor

 

“ Na recordação de (Alçada Baptista), como sussurro da saudade”

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:01

O CURINGA

Terça-feira, 27.01.09

JORNAL LINHAS DE ELVAS

Nº 3002 – 8 de Janeiro de 2009

Conversas Soltas

 

Às vezes, sem quê, nem porquê, ocorre-nos pensar cada coisa mais inesperada que, se bem que no primeiro momento, pela surpresa, nos possa divertir, depois, até nos faz reflectir e pensar.
O ano, de 2008, terminava.
Por escolha minha, estava só, como já estivera no Natal.
À medida que o tempo vai passando, cada vez mais, estas e outras datas, ganham tão profundo significado, que o acto de as comemorar requer uma intimidade connosco próprios que só se consegue no silêncio e na solidão.


Minha Avó, frente aos grandes acontecimentos, tristes ou alegres, recolhia-se dizendo: - vou rezar!
Lembro-me de não entender, o que agora se me afigura tão evidente como reconhecer que as nascentes brotam do misterioso interior da terra.
Claro que, estando só, podia, escutar dentro de mim, como numa sinfonia, o eco, amalgamado, de tudo o que a Vida já me deu.

Joaquim Muniz de Almeida Filho e família, 1917 (c) Fabio M. Said
Assim, dei comigo lembrando o costume antigo das famílias quando se reuniam, nas tardes, ou aos serões, para conviver, jogar damas, cartas, dominó, xadrez, mah-jong, ao assalto, à glória...
As escolhas eram feitas de acordo com o número de pessoas, as idades e os gostos.
Então, em épocas de festividades, nas grandes confraternizações familiares, quando as presenças eram bem
heterogéneas, ou se escolhiam os jogos,
de acordo com as preferências, por pequenos grupos, ou, se fazia uma grande mesa para envolver as crianças e lá aparecia a bolsa - quase sempre - de veludo - com as bolinhas numeradas e os cartões para o loto que dava para entreter muita gente ao mesmo tempo.

        Loto
Recomendava-se apenas: - quem amua, por perder, não pode jogar e, assim, se estimulava o brio da garotada que não querendo fazer má figura - entre os grandes - aprendia a suportar esses 'pequenos desaires' com dignidade.
Neste fim de ano de 2008, fiz, para meu conforto íntimo, uma retrospecção de memórias acumuladas até onde a lembrança me pôde, ainda, levar.
A certa altura, evoquei as 'paciências ' de cartas que tinham, então, uma função calmante, benéfica, apaziguadora do nervosismo das inevitáveis esperas, sempre que alguém faltava ou se atrasava criando preocupação.

                  THELAX(Cartas do jogo) por
Como um reflexo do que recordava, agarrei, ainda hesitante sobre o que fazer, na caixa das cartas. Esvaziei-a sobre a mesa sem vontade definida.
Entretanto, fui manuseando--as, quase a olha-las uma a uma, como quem revê esquecidos retratos de família.
Parei, nem sei quanto tempo, com as reservadas para jogar
o 'crapaud,' segurando-as como um leque.

               
Crapaud é jogo para dois. Não poderia ser.

Uma paciência era a solução possível.


Assim decidi.
Impunha-se, para isso, tirar as cartas que, muito embora, sendo do baralho e completando-o, nestes jogos, de entretenimento, ficam de fora, porque, não são necessárias.
Melhor dizendo: estão de sobra, estão a mais.
Até se podem guardar à parte para evitar que atrapalhem.
Às vezes, se calhar perderem-se, até se poderá lamentar o facto dizendo: foi pena! faziam parte do conjunto...
Mas, logo se aduz, serviam tão pouco! Nem se vai dar por isso.
Fiquei a olhar os pobres curingas. Coisa estranha!
Chamei-lhes pobres, porquê?
São os menos comuns. Nalguns jogos até os mais importantes. Valiosos. Há casos em que até exibem um certo mimetismo!
Fazem as vezes de outras com igual préstimo, são, digamos: -poli- valentes...
Estranha na sociedade das cartas, a situação do curinga... Onde pode valer tudo, ou nada...
Pode ser imprescindível ou absolutamente inútil, como sorte de gente.
De muita gente. De tanta gente...nestas
jogos de família.

             

Talvez por isso o configurem muitas vezes de clown...
Vá-se lá saber, desse jeito, se está a rir ou a chorar... Nem ele quereria que o soubessem - suspeito!
2009- chegou! - ou tudo, ou nada !-

Como o curinga.  Rir?

          rir.jpg

- Chorar?


Depende - também - de quem baralha, dá cartas e tem o jogo na mão...
Haja esperança!

                  
Embora se saiba que há quem faça batota e ganhe sempre...
Feliz 2009!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:01

A visita de Ano Novo

Segunda-feira, 26.01.09

Jornal O DESPERTADOR

Nº 244- 14 de Janeiro de 2009

A visita                                             

 

Dei-me conta de que, entre outras obrigações de amizade, também me faltava cumprimentar “O Despertador” expressando os meus desejos de vida feliz neste 2009 que tem apenas uns dias de existência.

Aqui estou, cumprindo esse propósito, do mando do coração, sabendo que se pode aceitar que: - o que não se faz pela Santa Luzia, se poderá fazer em qualquer outro dia...

Remediado o atraso, não calha mal, especulando um nadinha, pensar na pouca, ou nenhuma, razão que motiva a nossa alegria e esperança, sempre que um ano novo se inicia.

É evidente reconhecer que é somando os anos novos que, todos, todos sem excepção, desde que continuemos a viver – nos fazemos velhos.

A sabedoria popular diz que: - do velho se pode fazer novo.

O tempo decreta que, com anos novos se gera o velho e, nem uma coisa nem outra deixa de ser verdade.

Por outro lado, qualquer noite cede o lugar a um dia e, cada dia é tão novo como qualquer outro, seja no começo de uma semana, de um mês, ou de um ano.

Para quem nasce, o ano novo, como todos os que se lhe seguirem, começará nessa data em que viu a luz pela primeira vez.

Também é costume chamar ao ano que começa: - Ano Bom!

Chega a parecer que o ser humano tenta com estes maneirismos conquistar as graças do que é inconquistável, – o tempo.

               

Parece uma espécie de namoro, um fetiche, um suborno…

Acredito em ti! - Tenho esperança em ti! - Ano novo! – Ano bom!

Espero muito de ti!

 Também se poderia especular de forma diversa. Mais sensata talvez!

Ano novo, mês novo, semana nova, dia novo...  

Dentro de nós são que começa tudo... apostemos em nós.

Porque cada dia, cada hora, cada minuto é sempre novo para quem o viver.

É sempre princípio. Não deverá ser necessário o espaço de um ano para plantar ou colher, dentro de nós a esperança ou a mudança, porque os anos, hão-de suceder-se, mesmo quando nós já cá não estivermos para projectar a alteração que deveria ter acontecido logo que a reconhecemos necessária, e fomos adiando para cada ano novo, que até poderemos não chegar a estrear.

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Prometem-nos de todos os quadrantes, um ano difícil!

Veste de luto, este 2009, o ano agora começado.

Veste de negro, porque é de guerras, injustiças, crueldades que se encheram e enchem os seus escassos dias.

Ninguém se demita de se sentir responsável só porque está longe de nós a desgraça.

Tempos melhores, só virão com Homens melhores, e esse esforço, essa luta é de todos nós.

Sabemo-lo bem. 

       asabedoria.jpg

Que os nossos gestos semeiem com coragem, justiça, paz, fraternidade e esperança.

É a minha oração.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:26

2007

Domingo, 25.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.903 – 1 de Fevereiro de 2007

Conversas Soltas

           TI em 2007

Vai já, um pouco a mais de meio o primeiro mês do “ano novo”, e tudo se perfila, no nosso horizonte, por igual ao ano velho.

Ali para aqueles lados onde a cantiga diz que havia um Vizir em Porto Covo, talvez, já não se cante, porque se alargou a hora de chorar dado que, ainda o Senhor Ministro da Saúde, estava a digerir o confessado orgulho de ter dispensado o inquérito àquela – ninharia chata – das confusões com as ambulâncias e os helicópteros que provaram mais uma vez como o País tem esses serviços bem organizados...

Ainda...

               

... Até porque assim se demonstrou – também – como é verdadeira essa “moenga” de os alentejanos serem lentos! – Pois para o provar: - não é que o paciente demorou seis ou sete horas para morrer!

Outro, fosse ele, e teria morrido logo, imediatamente, para não incomodar o Senhor Ministro e não alimentar a má-língua, que sempre tem que dizer, qualquer coisinha, nestas circunstâncias!

Há cada empata!

Pois ainda...

        

– E, já outro “invejoso” de tão desejada celebridade, morreu por idênticas razões? E, na mesma zona!

É preciso, mesmo, não ser nada original!

Oh, raça danada a destes portugueses que não se cansam de incomodar – contradizendo – já não bastava com a forma como vivem, agora também, com a forma como morrem, – as pessoas importantes! Coitadinhas! – Que têm que aguentar tanta incompreensão!

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Oh! Gente pobre! Ignorante e ingrata. Com tão boas ambulâncias para parir pelos caminhos, não é que se queixam por fecharem as Maternidades das suas zonas!!!

Que horror!

Calcule-se que até há, por aqui, quem queira ir para Évora, uma semana antes da data prevista para o parto, com medo de ter a criança na ambulância e por ser incapaz de aceitar ter filhos em Espanha!

Então que os tenham em casa com qualquer comadre, ora essa!

Não têm boas camas? – Pois se as não tiverem, que tenham os filhos de cócoras, na boa tradição das trabalhadeiras que pariam nos campos! - Onde a má sina as arrastava.

              

Oh! Santa paciência a de Ministro! - que tanto sofre!

E, essa, agora, daquele intrometido vereador da C.M.L que resolveu meter o nariz no negócio dos terrenos para construções!

                        300.jpg

Então esse tal Sá Fernandes, não sabe os custos do progresso?

Em que mundo é que ele vive?

Pois que venha cá e aprenda.

                                                        

Ali onde havia um olival que o P.G.U: preservava para manter a ambiência mística no enquadramento do Senhor Jesus da Piedade, (que é Imóvel Protegido) já há casas que permitem sacudir os tapetes para cima dos romeiros...e, naquela Quinta que era também, zona protegida, o que aconteceu?

Então ele ainda não aprendeu, que é tudo tão transparente que nem se vê?...                           

Ora, num País, onde nem se fala sequer em corrupção, porque haverá, ainda, vereadores, que se metem onde não são chamados! É gente estranha! Raça em extinção!

Ficam em evidência porque são poucos! – Olha se fossem muitos!

                   mouth-zip Se a moda pega...               

Se, assim, já é tanto o estrago, olha se a moda pega!

Já viram o desassossego!

Ano novo! Ano velho! – Como escreveu no Linhas um novo colaborador – que, aqui saúdo: - “mais do mesmo!”

Acabo de saber pela televisão que o Senhor Ministro da Saúde reconheceu (agora) que são necessárias mais ambulâncias.

                           

Pergunto: será ele alentejano? – É que, eu, sou, e não percebo porque detém ele – ainda – o lugar?! - (nada a fazer, sou lenta!)

Mas...

               ambulancia.gif

Ele, de onde será que ainda não reconheceu que o problema não é de ambulâncias a menos!!!

Mas, de alguns - e são vários - que estão sobrando...

 

 

 

 Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 18:06

VOLTEI A CUBA

Sábado, 24.01.09

JORNAL O Dia

1994

Os caminhos do tempo são, fatalmente, em frente. Não se volta ao passado.

Há no entanto, um instinto irresistível que nos obriga a olhar para trás com frequência.

Volta-se a lugares. Procuram-se vestígios. Encontram-se pessoas. Surpreendemo-nos com “estranhos” que nos foram íntimos em épocas passadas e que vivencias diferentes de nós distanciaram.

                   

Voltei a Cuba. A Cuba de Fialho – não a de Fidel.

Lá está ainda, no largo do Tribunal, o prédio que ele desdenhou comentando em tertúlia de amigos - (onde o proprietário gabando-o, impava de vaidade).

-“ A fachada é original! é! – parece uma secretária de pernas para o ar”.

   

Nós vivêramos na casa marcada pela lápide porque fora de Fialho de Almeida. Isso tornou-se um estigma ou um sortilégio, para mim. Não sei mesmo se ambas as coisas.

Na vizinhança as pessoas de mais idade haviam-no conhecido. Repetiam-lhe os ditos, contavam-lhe as histórias.

De contos de gente crescia eu ávida.

                        

Ia sentar-me junto da bordadeira já idosa, ou talvez, só murcha, pálida, serena, e bonita como uma imagem de cera, que, com gestos delicados, paciência e linhas de filosela de seda fazia florir as roupas do meu enxoval de moça casadoira e, enquando bordava – contava, contava, contava…

           

-- “O Senhor Doutor” – referia-o sempre assim.

--“O Senhor Doutor” – dizia à minha Mãe – põe meias de cor à rapariga! Ela é tão branca que toda a gente vai dizer que a trazes de pernas ao léu…”

-- Havia aí um homem que era muito vaidoso e, porque era rico e benemérito da terra, a tudo, ou quase tudo se referia dizendo: - isto fiz eu.

Ora ele era solteiro e um pouco esquisito. Aqui o tom de voz e a cor lhe subia ao rosto é que faziam a definição de equívoco.

Um dia, surgiu no grupo com um menino ao colo – era um afilhado. Logo Fialho sarcástico:

-- Oh, fulano – tu não me vais dizer hoje: - Isto fiz eu! “

Eu bebia estas histórias que arquivava com o tom de deferente enlevo em que sempre era referido o Senhor Doutor.

Depois, havia o jazigo, com os gatos de pedra, enroscados rematando a pequena abóbada. A frase ao lado da porta “miando pouco, não temendo nunca, arranhando sempre”.

Era tudo isto e era habitar a casa que lhe pertencera.

 

Respirar o perfume melado da acácia espinhosa que floria em cachos brancos logo ao lado da cisterna, no quintalzinho sombrio onde as violetas, que espontaneamente alastravam debruando as paredes rente ao chão, davam ao conjunto um toque de nostalgia tristeza como se o quintal fosse um claustro onde se evocasse uma qualquer soror Mariana consumida de desejos de amor.

Nunca liguei aquele ambiente ao perfil que criara de Fialho. À sua argúcia, ao seu destemor brigão, à sua mordacidade, à quase irracional brutalidade da força com que por vezes queima a sua prosa.

- “A coira esticou o pernil”. Com esta frase que põe na boca dum personagem fecha a história dum estupro, que ali em rapariga e, ainda hoje sangra na minha sensibilidade.

Mas… o que eu vinha a contar e já se me escapava era uma graça que teria divertido Fialho, penso!

Após o 25 de Abril, ali por Dezembro, andaram uns aviões a fazer piruetas lá por aquelas paragens. Com seus rastos de fumos coloridos deixaram desenhadas no ar enormes foices que o povo olhava fascinado – apelidando a habilidade de milagre. O menino, 5 anos espertos, viu também e comentou no mais castiço vernáculo alentejano:

-“Ò menino Jesus dum cabrão, atão voceia também já é comunista?”

-“Ai, nino! Já não mamas nada no Natal – vais a ver! – aí o que tu dissesti” – respondeu a irmã um nadinha mais velha e já cautelosa com as coisas do sobrenatural.

- Dêxa! – desabafi”

Porém, pelo sim, pelo não, entrou em casa sorrateiro, foi à chaminé – que sempre será o único telefone directo para o Céu – e disse:

- “Olhe lá menino Jesus – aquilo quê dissi foi a brencari…”

Também se nasce génio em política e diplomacia – digam lá o que disserem.

 

Maria José Rijo

 

 

 

 

 

 

VOLTEI A CUBA

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publicado por Maria José Rijo às 22:55

A visita de Maio

Sexta-feira, 23.01.09

Jornal O Despertador

Nº 233 – 28 de Maio de 2008

 A visita de Maio

 

A Mulher, tinha nascido na aldeia de Santa Clara do Lorêto, a que toda a gente, não sei porquê, chamava de aldeia da Boa- Vista.

                                

Pensando agora nisso fico surpreendida por, enquanto vivi em Beja, nunca me ter dado à curiosidade de investigar o porquê destas duas designações para a mesma localidade, estando ali tão perto…

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Eu tinha feito o Liceu em Beja. Na minha vez de o frequentar já se chamava de Diogo de Gouveia – pedagogo e teólogo que nascera em Beja em 1467 – (reza a história que foi ele quem fez vir para Portugal os Jesuitas, aí por 1540, e entre eles S. Francisco Xavier, que se havia de tornar o apóstolo do Oriente.)

 Dois anos antes de mim, minha irmã entrara, para o velho Liceu Fialho de Almeida, situado, então, na ampla e bela Praça da República, que pelo novo foi substituído quer no nome, quer na localização.

 

Fialho vivera em Cuba, a vila onde me casei, na casa que havia de vir a ser habitada pela minha família. É evidente que, criança que era, não me importou, na altura, a mudança do nome que mais tarde viria a deplorar, pois morar na casa que fora de Fialho dava um certo frisson e, fazia ainda mais desejar para ele todas as homenagens possíveis, principalmente depois de conhecer a sua obra e, pormenores da sua personalidade narrados a cada passo por pessoas que, com ele, ainda, haviam convivido.

 

A casa era antiga e bela, com um amplo quintal, cheio de violetas nascidas ao acaso pelo chão e, em tufos, rente ás paredes. Tinha uma acácia de copa majestosa, de flores brancas como a da casa de Camilo em Seide, por onde o meu gato se aventurava intrépido perseguindo, em vão, a passarada.

 Dela, também se poderia dizer como Régio da sua própria:

                     

“Cheia dos maus e bons cheiros –

Das casas que têm história,

- Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória –

De antigas gentes e traças,

- Cheia de sol nas vidraças –

E de escuro nos recantos,

Cheia de medo e sossego,

de silêncios e de espantos, _

Quis-lhe bem como se fora –

Tão feita ao gosto de outrora –

Como ao do meu aconchego.”

 

Era assim – também -  que eu a sentia e, em viver nela me deliciava.

Ora esta conversa encadeou-se, sem que disso, quase, me desse conta, porque a postura absolutamente vertical daquela – tal mulher -  a que dei trabalho e depois se tornaria uma grande amiga que ainda conservo, volta e meia, retorna à minha memória como me ficou registada no coração especialmente quando vejo gente, sem reagir, acomodada ao infortúnio.

E, isso aconteceu, quando regressei a esses locais onde havia passado infância e juventude para, então com meu marido, voltar a habitar em plena época do vinte e cinco de Abril.

A mulher que se postou na minha frente para contratar trabalho, era ainda nova. Trinta anos, talvez.

Deixara o campo, porque sofria do estômago e já não conseguia suportar a dureza dessa vida.

Todos os habitantes, da aldeia, como ela também, pagavam foro ao dono do povoado para lá terem suas casas, porque todo o chão lhe pertencia.

                 

Era tudo gente nascida e criada nesses tempos de submissão e dependência dos grandes proprietários.

Pois mesmo assim, ou por virtude disso, ao outro dia quando se apresentou para trabalhar, olhou-me de frente, bem nos olhos e perguntou, numa voz segura e fria: - para onde é que a senhora manda o meu corpo?

 

É desta fibra a minha gente alentejana.

 

  Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:26

Recado

Quinta-feira, 22.01.09

.


Quando meus olhos
fecharem de vez
põe sobre o meu coração
um caroço de fruto
cereja, pêssego, ameixa!
qualquer um...
e deixa! - deixa que assim
a Vida iluda a morte
de tal sorte
que em cada Primavera
eu volte a respirar
com as folhas verdes
as flores cheirosas
e os frutos
pão de pássaros, insectos
e lagartas...
... e as borboletas
hão-de anunciar-me
quando as rosas florirem

é só isso que precisarei saber - sempre.

.
Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:18


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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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