Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Conversa a três

Segunda-feira, 05.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.702 – 21 – Março - 2003

Conversas Soltas

 

                 

Suspendi a leitura de um pequeno livro da autoria de Maria Isabel de Mendonça Soares “Ao Ritmo do Calendário” - Tradições Populares Portuguesas,

(que recomendo vivamente a quem gosta destas coisas), para ler o Linhas de Elvas acabadinho de chegar nesse momento.

                

Este livro que refiro, é, cito: «um feixe de artigos publicados nos Cadernos de Educação da Infância, órgão da Associação de Profissionais de Educação Pré- escolar» que a Escola Superior de Educadores Da Infância Maria Ulrich, editou.

Ia eu a páginas trinta e sete, e lia precisamente o capítulo intitulado: “Carnaval português”, quando troquei o livro pela apetência das noticias locais.

Saciada a interessada curiosidade passei aos artigos de opinião.

E, eis que o meu grande Amigo João Aranha (quando traz cá a Fernanda?) após ter focado o tema dos seus deleites, o toureio, junta à sua crónica um apontamento sobre o figurino do Carnaval de agora que compara com velhas tradições bem portuguesas, mais ou menos em desuso.

Então, somei: uma, mais um, mais uma, e já ficamos três a “olhar” o Carnaval...

Vamos ver como...

Maria Isabel (ou não fosse formada em Filologia Românica, e, autora de literatura para a infância), o capítulo, Carnaval Português, assim: “No tempo em que as penitências e jejuns quaresmais eram muito rigorosas, a Igreja concedeu pedagogicamente três dias de folia imediatamente anteriores ao inicio da Quaresma, durante os quais os cristãos podiam dar largas às danças, comidas e bebidas, uma vez que ao longo dos quarenta dias seguintes estariam privados de o fazer.

Daí, segundo alguns, a expressão latina «Carne vale» isto é, «adeus, ó carne». Há também quem faça derivar a palavra «carnaval» de «carro naval», ou seja, um carro em forma de barco onde era transportada, na Grécia, a estátua do deus Diónisos por ocasião dos festejos, em sua honra que, como todos os festejos, metiam comida, bebida e folia à farta.

De um modo ou de outro, o certo é que a tradição do Carnaval se mantém, apenas variável no dia de Fevereiro ou Março, consoante o início da Quaresma, a qual, por sua vez, estará dependente do Domingo de Páscoa, este devendo coincidir com a primeira lua cheia depois do equinócio da Primavera.

                           

E como tudo se interliga, também o Carnaval tem sofrido metamorfoses por influência de outros, que disto a comunicação audiovisual é a principal responsável.

Por isso se assiste a desfiles carnavalescos com «majoretes» à americana, e em que «cariocas» da Malveira ou de Freixo-de Espada-à-Cinta tiritam de frio sob as chuvadas e ventanias muito comuns nessa quadra, em clima português...”

Depois segue o texto falando da origem das máscaras, dos confetti, evocando velhos usos de Norte a Sul do nosso País e, como se trata de um livro resultante de “lições” dadas por quem ensinou Cultura Portuguesa e Literatura para a Infância, é logicamente um livro que distrai, observa... compara e ensina reavivando memórias.

Por tudo isto me assentou na alma como uma luva o apontamento, escrito como ele muito bem sabe fazer, quer na forma, quer no conteúdo, de João Aranha.

E, então ali fiquei eu a reviver as engraçadas touradas com palhaços a tourear bezerros tão pequenos, que também eles cabriolavam e, como que colaboravam com as palhaçadas que faziam rir até cansar novos e velhos naqueles saudáveis carnavais à portuguesa, quando pelo Alentejo, também as “danças” percorriam as ruas dos “lugares” e das aldeias oferecendo os seus espectáculos.

                

Eram sempre grupos de homens trajados com saiotes brancos enfeitados de cores vivas, vestidos sobre as calças de uso, que metiam nos canos das botas e atavam com nastros coloridos. Usavam camisas ou blusas , também de cor branca, lenços policromos ao pescoço e chapéus pretos com lindas  penas de pavão entaladas na fita que sempre contorna a copa.

         

Lembravam um pouco no trajar os Pauliteiros de Miranda.

Traziam consigo um mastro coberto de fitas de tons garridos, entrançadas com engenho de modo a cobri-lo todo. A dança consistia em desfazer e tornar a fazer o entrançado.

Um deles segurava o mastro em posição perpendicular ao solo. Os outros pegando cada um a ponta de uma fita giravam em  seu redor ao som da concertina, que nestas andanças, nunca faltava, cruzando-se de forma a  que, nunca se enganando  teciam a cobertura encanastrada.

Depois, agradeciam os aplausos, passavam o chapéu pela assistência recebendo os bolos e, certo e sabido que os taberneiros das redondezas tinham bom dia de negócio...

Outro costume, e esse ainda subsiste, era o dos mascarados trapalhões.

             

Confesso que para meu gosto, é a única manifestação carnavalesca a que acho graça, muito principalmente quando na sua apresentação está implícita qualquer espécie de critica, social ou política, desde que não seja ofensiva ou grosseira.

Mas...o curioso desta conversa, para mim, está apenas no acaso de se terem juntado três olhares sobre o mesmo tema duma forma  tão inesperada como coincidente.

 

Maria José Rijo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 22:22





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Janeiro 2009

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031


comentários recentes

  • Anónimo

    Minha tão querida Tiaque BOM que se recordou de mi...

  • Anónimo

    Lindo,como sempre

  • Anónimo

    Querida Tia Maria JoséQue alegria chegar mais um d...

  • Anónimo

    Minha querida e Boa amigaque alegria chegar aos 93...

  • Anónimo

    Minha querida tiaEu sabia que era hoje o dia do se...


Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


links

Um pouco de mim...

EFEMERIDES

Blogs- quem nos cita

Deambulo por

Culinaria

K I K A

Paginas de Diário

2019

2018

2017

2016

2014

2015

2013

2012

2011

2010

Cá estou ...

Mais alguns...

Alguns...

Alentejo

Eurico Gama

Artigos sobre...

Escola Musica / Coral

Elvas Cidade...

Escritores e...

A Familia

Sebastião da GAma

Minhas sobrinhas Bisnetas

Meus sobrinhos Netos

Meus sobrinhos

Diversos...

Páscoa

São Mateus

Cartas especiais

noticias em Jornais

Dia da Criança

Cartas do Brasil- 1996

AÇORES

Juromenha

Col. de Gastronomia

O Natal

Exp. MuseuTomaz Pires-1984

Exposição PERCURSO-2008

HistóriasCmezinhasEreceitas

Revista Sénior

JOSÉ RIJO

Hospital e Maternidade

Livro de Reminiscências

Livros- de HistóriasInfantis

  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
  • O pequeno castanheiro

Dias festivos

Programa de Poesia (radio)

Crónicas na Revista

Livro de Poemas - I

Livro de Poemas - II

Livro de Poemas - III

Livro de Poemas - IV

Aniversários Linhas

Livro Rezas e Benzeduras

Livro das Flores

LivroJoaoCarpinteiro

A Visita - Despertador

Programas se SãoMateus

Entrevistas

Entrevista - TV-Videos,etc

Visitantes no Blog

Aniversarios Blog



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

arquivos