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Olhando pelo avesso

Sexta-feira, 09.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.502 – 30- Abril - 1999

Conversas Soltas

 

Olhando com atenção o que se escreve, o que se diz e, de maneira geral, o que se passa; fica-se com a impressão de que não há estatuto de dignidade possível para quem, sendo adulto na época da revolução de Abril, não possa à pergunta sacramental de: - onde estavas nessa altura? - Responder dizendo que estava preso em Caxias “a banhos” em Peniche, “em estágio”na Ilha do Sal ou de visita no António Maria Cardoso!... Assim, à partida, se classificam ou desclassificam os indivíduos para integrarem, ou não, o grupo dos eleitos, dos bons, dos notáveis, dos fazedores da história, dos progressistas ou dos fascistas.

Parece-me, tudo isto, um bocadinho ridículo!

As frequentes reportagens e entrevistas que a televisão nos fornece deixam transparecer que cada um, que de si próprio fala, foi tão, ou mais importante do que o outro que o antecedeu, nunca menos do que o seguinte e, que a acção de cada qual foi tão decisiva, na referida circunstância, que sem a sua intervenção o movimento se teria gorado.

Pensava no espalhafato de palavreado que por aí estraleja como girândolas de foguetes e não conseguia abster-me de pensar que o 25 de Abril deveria HOJE, ter tanto eco na alma do povo, que deveria ser ele, POVO, a celebrá-lo espontaneamente como celebra as suas próprias datas de viver, nascer e morrer - porque esta efeméride também é sua - ela celebra o natal da sua própria liberdade. O fim de uma longa e opressora ditadura.

Só que não. Os festejos vêem de cima. E, as preocupações de que damos conta no balanço que se faz equacionam as frustrações das carreiras militares dos heróis, não a realização prometida e ainda não conseguida da justiça social que os mais humildes ainda aguardam.

É que, para esses, também decorreram os mesmos 25 anos de desilusões...

Verifica-se que o povo continua a servir de mote, mas não, a ser, o destinatário primeiro do que, em seu nome, enfaticamente se apregoa.

E, a justiça a prestar aos ausentes, também não é tão imperiosa como pode parecer.

Se o fora, talvez o nome do Tenente-coronel Luís Ataíde Banazol fosse falado por todos os heróis confessos que através da televisão nos visitam dia a dia fazendo render os seus créditos.

Talvez...

É que era consolador verificar que a morte não é necessariamente motivo de esquecimento e que esse elvense, corajoso e inteligente que esteve bem na origem do Movimento das Forças Armadas era, devidamente, evocado pelos seus companheiros   Se, por ventura, estou a ser injusta e o seu nome foi lembrado e honrado, como merece, em relação a estes factos, deixo já aqui o meu pedido de desculpas pela injustiça involuntária.

Na dúvida prefiro lembrar esse facto e trazer à luz a sua memória porque conhecer, saber, impõe obrigações de ordem moral que, se não se respeitam, nos tornam cúmplices da injustiça praticada.

Banazol, foi distinto colaborador deste Jornal, e, porque cada elvense que se revê e orgulha da Revolução de Abril gostará de saber que foi um conterrâneo seu que tendo feito várias comissões em Àfrica, e guardando na alma a marca indelével das injustiças e crimes que as guerras causam, deu o impulso que transformou um problema de âmbito estrictamente militar num sonho amplo de liberdade e justiça que não impusesse à  juventude o risco de morrer ingloriamente por um império fantasma em combates fratricidas.

             O Fantasma da Ópera

Há um livro editado pela “Prelo” em 1974 - A Origem do Movimento das Forças

Armadas - da autoria de Luis Ataíde Banazol que conta com minúcia estes factos que acabo de referir.

Deixo a pista aos interessados.

 

 

Maria José Rijo

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:22





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