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Direita e esquerda

Domingo, 11.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.843 – 9 – Dezembro - 2005

Conversas Soltas

                  

Não! – Não vamos marcar passo.

Não vamos, até porque é isso que já estamos a fazer há muito tempo com esta querela ridícula de: - tu não prestas porque és de direita e tu és magnífico porque és de esquerda; ou vice-versa porque a recíproca também é verdadeira.

Não são os partidos que fazem as pessoas boas ou más, honradas ou sem vergonha.

As pessoas é que formam os partidos e, assim, quer de direita quer de esquerda comportam, uns e outros, gente capaz e gente incapaz. Idealistas e oportunistas, gente altruísta e gente egoísta...

Gente capaz de grandes causas e gente que só põe em causa o seu próprio umbigo...

                       

E, sempre assim será, não tenho dúvidas.

Porque se assim não fora bastavam os dez mandamentos, ou até só um: - ama o próximo como a ti mesmo – e tudo estaria resolvido.

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Ora, como Portugal, em território, relativamente à Europa é como que um pequeno quintal onde se podem molhar os pés no mar por toda a costa, todos nos encontramos aqui ou ali, e nos conhecemos e identificamos muito bem.

Sabemos dos gostos, das manias, das fraquezas, das qualidades e defeitos que mostram e também das que escondem os nossos políticos e temos portanto o nosso juízo formado, de tal modo que quando começa o blá-blá-blá das “farturas” - do vota em mim que eu é que sou bom “como o caraças”- muitos de nós procuramos outra estação para ver se encontramos o tal “caraças” para lhe oferecermos o voto.

Só que o “excelso caraças” é um mito como já se viu num outro concurso, mas esse de música e sonoros garganteados de timbres diferenciados.

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Assim desprotegidos de míticos heróis salvadores, temos cada um de nós de intimamente decidir qual a pessoa que nos parece mais capaz e fazer a escolha do “goleiro” mais hábil seja do Porto, do Benfica, do Sporting, do Cabeça Gorda ou do Alcantarilha...

 

Não sei se a alguns passou despercebida a bonita história de uma gata tigrada chamada “emily”.

Anamí (Pequena) por Laura Nah Cattani.

Como todos os felinos da sua espécie, emily, é curiosa e aventureira. Então numa das suas escapadelas foi vasculhar um contentor carregado de papel. Levou a sua investigação tão a fundo que os operários fecharam o contentor sem dar conta da intrusa.

E, aqui vai ela de viagem por navio até França e depois Bélgica onde acabou por ser encontrada e identificada pela direcção que tinha inscrita na coleira. Tratada da desidratação e alimentada a preceito, após um mês de ausência regressou ao seu país e aos seus felizes donos, em viagem oferecida, de avião e em primeira classe.

              É um episódio ternurento destes que os homens – que geram guerras e genocídios – também - são capazes até para proteger uma gatinha aventureira e de que todos tomamos conhecimento com um sorriso bom no coração.

                     

Claro que ninguém sabe se este gesto foi de gente da direita ou da esquerda e ninguém perguntou a filiação partidária aos autores da proeza, como é óbvio!

Interessa o que foi feito e bem feito e deixou feliz a criança que no aeroporto esperava – Emily – com um aconchegante abraço de mimo e felicidade.

 

 

Maria José Rijo

Anamí (Pequena) por Laura Nah Cattani.

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publicado por Maria José Rijo às 15:24





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