Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
O teorema
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.856 – 9-Março-2006
Conversas Soltas
Teorema, aprendia-se, também, no liceu – designa em matemática a preposição não evidente mas demonstrável.
Ora essa demonstração pode fazer-se por via analítica ou – partindo da hipótese para a tese através de uma série de proposições em que cada uma é consequência de outra, ou, ainda, por absurdo – se é certo o que me lembro!
Estou já tão longe desses rudimentos de ciência, aprendidos na adolescência, que qualquer confusão não é de estranhar e é, até, compreensível.
Mas vamos ao teorema proposto: - A eliminação da Maternidade em Elvas.
- OU – Melhor dizendo: a eliminação da cidade de Elvas do património português – a partir da eliminação da sua Maternidade!
! Não é evidente que se queira que isso vá acontecer!
Mas, é demonstrável por absurdo que pareça, que tal hipótese se verifique!
Ora vejamos algumas proposições:
- Partindo da hipótese que (com pretextos mais ou menos esfarrapados) as grávidas de Elvas e arredores, vão dar à luz em Badajoz...
- Partindo da hipótese que os pais dessas crianças se sintam hostilizados e ofendidos pela falta de respeito – quer como pessoas, quer como cidadãos portugueses - que essa imposição justifica...

- Partindo da hipótese que são assim obrigados a reconhecer que Espanha os aceita como filhos e o seu próprio País, os humilha e enjeita, é lógico e inteligente que escolham para as suas crianças a nacionalidade dessa pátria que os acolhe e, onde encontram um bem-estar, um leque de escolhas e um nível de vida muito melhor do que no sua pátria de origem...
- Partindo da hipótese que isso acontece, e, é lógico que na maior parte dos casos - aconteça – a breve trecho Elvas será
- Habitada por espanhóis por nascimento que sendo naturais descendentes de elvenses serão os legítimos proprietários de todos os bens nesta nobre cidade...
- Partindo pois da hipótese de que este absurdo se concretize...
- Partindo da hipótese de que em Portugal se dá mais valor a toda e qualquer obra de fachada - que até pode deixar o país à beira da falência - do que aos deveres para com as populações...

- Partindo da hipótese que todas as valências que Elvas tem perdido (possam fazer parte desse maquiavélico projecto de alienação da cidade) com mais esta perda se vai exaurir mais um sinal de Vida e de esperança na nossa comunidade.
- Partindo de todas essas hipóteses e outras mais que seria exaustivo enumerar, teremos a inequívoca demonstração de que esta é a melhor forma encontrada para oferecer Elvas a Espanha!

Muito mais racional e muito menos controversa do que a cedência de Olivença (que há quem afirme - e quem desminta - que foi negócio de casamentos, ou consequência do tratado de Alcanices, lá por 1297...)
É que, desta vez, é sem contestação possível, uma oferta por NASCIMENTOS.
Assim, por somatório de hipóteses, fica demonstrado o teorema que mostra como é viável o que parece absurdo - a eliminação da cidade de Elvas da posse de Portugal!

Em 1987, mercê de especial conjuntura, tive oportunidade de afirmar numa conferência de imprensa, de que os jornais de Lisboa fizeram eco, algumas coisas que, aqui, agora, reitero:
“ Elvas sofre de aculturação a Espanha!
Elvas está a tornar-se subúrbio de Badajoz!
Fizemos um pacto de geminação, somos amigos, somos irmãos mas, somos um povo distinto!
Pede-se ao governo que olhe Elvas COM AMOR!
De Elvas, não se deverá jamais dizer: Elvas, era... teve... tinha...
Elvas AINDA é presente e, tem direito a ter futuro.
(na altura, a luta era pela recuperação do Património militar e religioso, Maternidade, Casa da Cultura, Escola de Música, Coral, etc, etc, etc...que sem Saúde, Cultura, e Industria, nenhuma cidade cresce e tem futuro.)
Se podemos afirmar: - Portugal – É – um país independente! – Em lugar de: - Portugal, ERA! Muito a Elvas - essa glória - se deve!
Mostre-se pelo menos – Gratidão e respeito.
Saiba honrar-se a história! - Já que tantas vezes não se honra a palavra dada.
Ao Dr. Melo e Sousa com a minha estima e muito apreço


