Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Etc...Etc...Etc...
Jornal linhas de Elvas
Nº 2.834 – 6 – Outubro – 2005
Conversas Soltas
Etc...Etc...Etc...
Cá na casa da Zézinha, o mais promêro sou eu, nã sou?
Ê sou o mais melhor bom, nã sou?

Disputando lugar entre os meus sobrinhos assim perguntava – aí por 53, 54 – o Dominguinhos, meu pequeno e querido vizinho de rua, que tinha o gosto de dormir belas sonecas ao meu colo.
Pois agora, a campanha eleitoral, trouxe-me à memória esta doce recordação, por comparação entre a inocência duma criança que ingenuamente defende um afecto e o narcisismo de alguns adultos
que se julgam donos do apreço do mundo inteiro e insubstituíveis..
É que ao ouvir o “mais promêro da Cidade”, de tudo quanto se lhe ouça, logo se deduz quem é o imbatível “mais melhor bom.”
Não sei se o é, se não...
Para uns será, para outros não tanto.
Nem é isso que ponho
É Valentim Loureiro a pedir que votem nos “dois pauzinhos...”
É Fátima Felgueiras, com a sua novela brasileira, vendendo ilusões a espalhar charme e balelas...
É Isaltino a querer esconder sob o cimento do que construiu e a sombra dos palmeirais que plantou as dúvidas que pairam sobre comportamentos seus...

É Mário Soares a ressuscitar dum passado que se queria preservado com a dignidade que lhe cabe e como uma inoportuna aparição fantasmagórica vem ofuscar...
É um cansaço que nos repassa a todos nós como uma chuvada que nos apanha desprevenidos de guarda-chuva...
É a actuação política desacreditada.
A actuação democrática ainda não foi assimilada, e o resultado está à nossa frente.
Só vingam os ditadores.
Razão pela qual aplaudo a oposição.

Esse é, e será sempre sinal de que “não há machado que corte a raiz ao pensamento!”, e haverá sempre quem tenha a coragem de correr o risco de ser perseguido e mal quisto em defesa dos seus ditames de consciência.
Num catálogo de propaganda que recebi em triplicado, onde democraticamente os nomes deveriam estar por ordem alfabética, e não estão...

Implícita, na ordem, como se lá estivesse de facto, assim o senti, a fotografia do caçador que posa para a imagem pisando o trofeu morto a seus pés.
Sempre achei de mau gosto esses retratos! Cabe ao ser humano uma certa piedade frente à morte, seja ela de que espécie for, e mais ainda quando causada por nós...
E, por aqui me fico, etc...etc...etc.
Maria José Rijo

