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Etc...Etc...Etc...

Quarta-feira, 21.01.09

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.834 – 6 – Outubro – 2005

Conversas Soltas

Etc...Etc...Etc...

 

Cá na casa da Zézinha, o mais promêro sou eu, nã sou?

Ê sou o mais melhor bom, nã sou?

Disputando lugar entre os meus sobrinhos assim perguntava – aí por 53, 54 – o Dominguinhos, meu pequeno e querido vizinho de rua, que tinha o gosto de dormir belas sonecas ao meu colo.

Pois agora, a campanha eleitoral, trouxe-me à memória esta doce recordação, por comparação entre a inocência duma criança que ingenuamente defende um afecto e o narcisismo de alguns adultos

que se julgam donos do apreço do mundo inteiro e insubstituíveis..

É que ao ouvir o “mais promêro da Cidade”, de tudo quanto se lhe ouça, logo se deduz quem é o imbatível “mais melhor bom.”

Não sei se o é, se não...

 Para uns será, para outros não tanto.

         Nem é isso que ponho em causa. O que me choca é a arrogância, o despudor com que cada qual afirma e tem a certeza que é melhor do que os outros.

         Valentim Loureiro

É Valentim Loureiro a pedir que votem nos “dois pauzinhos...”

É Fátima Felgueiras, com a sua novela brasileira, vendendo ilusões a espalhar charme e balelas...

Isaltino Morais pronunciado para ir a julgamento

É Isaltino a querer esconder sob o cimento do que construiu e a sombra dos palmeirais que plantou as dúvidas que pairam sobre comportamentos seus...

Mário Soares: Portugal é um "país de futuro"

É Mário Soares a ressuscitar dum passado que se queria preservado com a dignidade que lhe cabe e como uma inoportuna aparição fantasmagórica vem ofuscar...

É um cansaço que nos repassa a todos nós como uma chuvada que nos apanha desprevenidos de guarda-chuva...

É a actuação política desacreditada.

A actuação democrática ainda não foi assimilada, e o resultado está à nossa frente.

Só vingam os ditadores.

Razão pela qual aplaudo a oposição.

final .jpg

Esse é, e será sempre sinal de que “não há machado que corte a raiz ao pensamento!”, e haverá sempre quem tenha a coragem de correr o risco de ser perseguido e mal quisto em defesa dos seus ditames de consciência.

Num catálogo de propaganda que recebi em triplicado, onde democraticamente os nomes deveriam estar por ordem alfabética, e não estão...

Implícita, na ordem, como se lá estivesse de facto, assim o senti, a fotografia do caçador que posa para a imagem pisando o trofeu morto a seus pés.

Sempre achei de mau gosto esses retratos! Cabe ao ser humano uma certa piedade frente à morte, seja ela de que espécie for, e mais ainda quando causada por nós...

E, por aqui me fico, etc...etc...etc.

                                                                                

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:32

O tema do momento

Terça-feira, 20.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.738 – 5- Dezembro - 2003

Conversas Soltas

 

                   

Como numa trança, entrecruzam-se três assuntos, a pedofilia, a justiça e a comunicação social, que configuram o inesgotável tema do momento.

Não há revista, jornal, rádio ou televisão, onde qualquer destes temas, ou todos eles, não sejam tratados dia a dia observando-os de frente, de lado, ao viés, de baixo para cima ou de cima para baixo, ou, ainda, virados e revirados do direito e do avesso.

Mas fala-se como?

Discute-se a idade e a indumentária do juiz Rui Teixeira, porque anda de “T-shirt” branca, usa blusão e, com estes argumentos, se procura retirar-lhe a credibilidade, que ao que parece, lhe seria outorgada se usasse fato e gravata...

A comunicação social, coscuvilha e fala da palidez de alguns detidos, dos horários e temperatura da água do banho de outros, do emagrecimento e dos cabelos embranquecidos de A ou B, das visitas de quase todos, e de outros detalhes de “lana-caprina”...

A pedofilia, em si, aborda-se como se fosse um vírus, para o qual, um destes dias, vai ser encontrada uma vacina de esquecimento, porque o “charme”, deste drama, está na circunstância de entre os suspeitos haver pessoas de destaque do nosso meio.

Não fora isso e o assunto seria tratado de relance, como foi até agora...

Quero dizer: - não sei se veja, ou, se não veja, não tenho a certeza do que é mais conveniente, ou dá melhor com o meu vestido ou a minha gravata...

Se calhar o melhor é fingir que não vi, que nada sei e que tenho raiva de quem souber.

Assim, como assim, não tenho ninguém meu na Casa Pia...

Passe o sarcasmo!

É que nestas alturas sempre me recordo do indivíduo que ao dependurar o amigo da forca, troçava por ele ter a língua de fora; e ao ser repreendido pelo desacato, disse: se eu não risse, o meu pranto era tamanho que me cegava, e não seria capaz de fazer este trabalho...

Ás vezes é assim.

Quando se pensa que problemas desta gravidade e importância deviam ser noticiados de forma a dar sempre consciência do drama, da tragédia, que representam, sem lhes desvirtuar a acutilância, banalizando-os com inúteis pormenores e bagatelas...

Quando se pensa que as centenas de vítimas neste caso são – crianças!

Quando se pensa que não é de hoje, mas já de ontem, que a problemática de crianças fechadas em instituições, merece e precisa ser estudada até às últimas consequências, avaliada, sanada e acautelada para o futuro, da forma mais profunda e eficaz possível...

Quando se pensa  que de uma desgraça deste calibre, se fala por vezes com a displicência, com que se trata do preço do pescado ou da fruta. A gente, mesmo sem querer, arrepia-se!

Quando morre alguém de renome, fazem-se chamadas especiais, interrompem-se noticiários, ”engravatam- se”  as vozes, muda-se-lhe o tom, para significar quão dramática é a perda, quão dolorosa é a circunstância...

Como se pode então sem pedir perdão de joelhos à Vida, falar das vítimas da pedofilia!

Porquê frente a este luto, luto nacional, luto de alma, falar despudoradamente, como se fala de uma outra coisa qualquer...

Não entendo.

Como não entendo que se prenda alguém para investigar depois...

Como ninguém entenderá o rapa, tira, põe ou deixa a que são sujeitos os intervenientes deste – arrastadíssimo – processo...

Verdade que não entendo.

Mas, entre as pessoas comuns, - como eu,- alguma entenderá?

Tenho dúvidas.

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:37

Lembremos Sebastião da Gama

Segunda-feira, 19.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.293 – de 31 de Março de 1995

Conversas Soltas

                                               o poeta, o professor, o homem 

Desde que, há anos – que já nem posso contar -me caiu sob os olhos um poema de Sebastião da Gama, ganhei o gosto de ir lendo tudo quanto dele, se fosse publicando.

Depois, por acaso, cruzei-me, nestes caminhos de viver com grandes amigos seus profundos conhecedores e apaixonados da sua obra.

Pelo Sonho é que vamos

Antigos companheiros de Faculdade que, se recordavam do Poeta pela qualidade dos seus poemas, amassavam sempre essas lembranças com a qualidade do Homem que Sebastião era – que Sebastião – foi.

Pelo que dele ia sabendo, quer através da saudade da Matilde Araújo, quer pela evocação de João Falcato, colhi a certeza de que toda a gente – toda a gente sem excepção – que um dia conheceu Sebastião da Gama – à sua maneira – amou esse Homem Poeta – mesmo quando dele não sabia dizer, de cor, qualquer verso.

 

Para completar esta “devoção” tivemos, meu marido e eu, a oportunidade de privar durante algum tempo com os Pais e irmão de Sebastião que tinham uma “Estalagem” na Serra da Arrábida para onde costumávamos ir no Verão.

               Arrabida

Foi através das pequeninas histórias da infância de Sebastião que sua doce Mãe me contava que “aprendi” a ver o menino me contava que “aprendi” a ver o menino que ele fora, ali mesmo, no coração da “Serra Mãe” que tanto sustentou a sua alma de Poeta.

Ora, não é que um dia, o acaso trouxe até mim: - Joana Luísa - sua mulher!

Pois, foi agora, de suas mãos, que recebi, enternecida e muito grata, um exemplar do primeiro volume das suas cartas.

Cartas que se lêem a correr, a correr, com pressa de chegar ao fim. Para depois serem relidas, uma e outra, outras vezes, com vagar – para lhes tomar melhor o gosto.

 

Cartas, de que se decoram sem dar por isso, retalhinhos – palavras – versos – intenções, que nos ficam no coração e nos adoçam a vida.

A edição é: “Ática”.

A introdução, selecção e notas é de Joana Luísa da Gama.

O prefácio é de Maria de Lurdes Belchior que a certo passo diz:”… O poeta tem a consciência da “diferença” e o leitor das suas cartas admira nelas a espontaneidade, a beleza, a generosidade, e vai decifrando, deslumbrado, o itinerário de um homem bom”

“… O seu convívio quotidiano revelano-lo como um extrovertido, em certas horas esfuziante de alegria, sempre atento aos outros, em especial os mais humildes”.

“…Mas por detrás do homem comunicativo, brincalhão, há o outro, o que sofre interiormente as agruras de medos e pavores que só Deus serena.”

Há nestas cartas/textos de autologia sobre o conceito ou conceitos de poesia que são os meus, há alusões aos poetas que admira e que considera seus mestres.

Apenas duas ou três citações que o testemunham assim:

Cheguei à conclusão de que a missão do Poeta é, não só explicar aos outros a grandeza da Criação Divina, – e nisso há também grandeza ou, antes bondade de Deus em no-la mostrar mas tentar o aperfeiçoamento do Homem.

Ou

Os meus versos são uma espécie de montra onde eu exponho toda a minha alma.

Ou ainda:

Sabes qual é o único projecto que eu tenho no campo da minha Poesia?

É conservar-lhe sempre a honestidade e o tom íntimo…

 

… O leitor terá de entender ou pelo menos respeitar os códigos por que se pautou a vida do poeta que se propunha:

Converter as coisas, procurar toda a beleza contida nas coisas, para se não viver em vão”.

- Julgo que se alguém esteve comigo nesta Conversa Solta – até aqui – só terá agora que ler o livro de que estivéssemos a falar e abre com este pequeno poema:

 

Aconchega-te, Amor, em minha vida

Entra na minha vida e fica lá,

Sem ocupar lugar.

Que eu te não veja com os olhos querida,

 

Que não sinta sequer que tu ficaste,

Mas adivinha que sem ti ali

À minha vida, quarto aonde entraste,

nem ao menos podia chamar vida

 

Sebastião da Gama

Azeitão, 25 de Julho de 1944

 

Acho.

Acho, mesmo, que este é o recadinho do mais íntimo da nossa alma que, qualquer um de nós – sem disso se dar conta – quis, pelo menos uma vez, enviar a alguém…

Ser poeta é também isso: anseio de mais alto, entrega e cumplicidade com o mistério das coisas.

Das palavras que Joana Luísa escreveu – nada direi.

Fixo-me apenas no que ela fez.

Ela, deu-nos estas cartas.

Rendo-me à sua corajosa generosidade tão à medida de Sebastião Artur e abraço-a:

Obrigada!

 

 

Maria José Rijo

.

 

Biografia de Sebastião da Gama

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publicado por Maria José Rijo às 16:58

O teorema

Domingo, 18.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.856 – 9-Março-2006

Conversas Soltas

                                        

Teorema, aprendia-se, também, no liceu – designa em matemática a preposição não evidente mas demonstrável.

Ora essa demonstração pode fazer-se por via analítica ou – partindo da hipótese para a tese através de uma série de proposições em que cada uma é consequência de outra, ou, ainda, por absurdo – se é certo o que me lembro!

Estou já tão longe desses rudimentos de ciência, aprendidos na adolescência, que qualquer confusão não é de estranhar e é, até, compreensível.

          Zoom

Mas vamos ao teorema proposto: - A eliminação da Maternidade em Elvas.

- OU – Melhor dizendo: a eliminação da cidade de Elvas do património português – a partir da eliminação da sua Maternidade!

! Não é evidente que se queira que isso vá acontecer!

Mas, é demonstrável por absurdo que pareça, que tal hipótese se verifique!

Ora vejamos algumas proposições:

- Partindo da hipótese que (com pretextos mais ou menos esfarrapados) as grávidas de Elvas e arredores, vão dar à luz em Badajoz...

- Partindo da hipótese que os pais dessas crianças se sintam hostilizados e ofendidos pela falta de respeito – quer como pessoas, quer como cidadãos portugueses - que essa imposição justifica...

          

- Partindo da hipótese que são assim obrigados a reconhecer que Espanha os aceita como filhos e o seu próprio País, os humilha e enjeita, é lógico e inteligente que escolham para as suas crianças a nacionalidade dessa pátria que os acolhe e, onde encontram um bem-estar, um leque de escolhas e um nível de vida muito melhor do que no sua pátria de origem...

             Maternidade (Arquivo)

- Partindo da hipótese que isso acontece, e, é lógico que na maior parte dos casos - aconteça – a breve trecho Elvas será

- Habitada por espanhóis por nascimento que sendo naturais descendentes de elvenses serão os legítimos proprietários de todos os bens nesta nobre cidade...

- Partindo pois da hipótese de que este absurdo se concretize...

- Partindo da hipótese de que em Portugal se dá mais valor a toda e qualquer obra de fachada -  que até pode deixar o país à beira da falência - do que aos deveres   para com as populações...

                   

- Partindo da hipótese que todas as valências que Elvas tem perdido (possam fazer parte desse maquiavélico projecto de alienação da cidade) com mais esta perda se vai exaurir mais um sinal de Vida e de esperança na nossa comunidade.

- Partindo de todas essas hipóteses e outras mais que seria exaustivo enumerar, teremos a inequívoca demonstração de que esta é a melhor forma encontrada para oferecer Elvas a Espanha!

            

Muito mais racional e muito menos controversa do que a cedência de Olivença (que há quem afirme - e quem desminta - que foi negócio de casamentos, ou consequência do tratado de Alcanices, lá por 1297...)

É que, desta vez, é sem contestação possível, uma oferta por NASCIMENTOS.

Assim, por somatório de hipóteses, fica demonstrado o teorema que mostra como é viável o que parece absurdo - a eliminação da cidade de Elvas da posse de Portugal!

   

Em 1987, mercê de especial conjuntura, tive oportunidade de afirmar numa conferência de imprensa, de que os jornais de Lisboa fizeram eco, algumas coisas que, aqui, agora, reitero:

                          “ Elvas sofre de aculturação a Espanha!

Elvas está a tornar-se subúrbio de Badajoz!

Fizemos um pacto de geminação, somos amigos, somos irmãos mas, somos um povo distinto!

Pede-se ao governo que olhe Elvas COM AMOR!

De Elvas, não se deverá jamais dizer: Elvas, era... teve... tinha...

    Uma Cidade do Futuro?   

Elvas AINDA é presente e, tem direito a ter futuro.

(na altura, a luta era pela recuperação do Património militar e religioso, Maternidade, Casa da Cultura, Escola de Música, Coral, etc, etc, etc...que sem Saúde, Cultura, e Industria, nenhuma cidade cresce e tem futuro.)

                

Se podemos afirmar: - Portugal É – um país independente! – Em lugar de: - Portugal, ERA! Muito a Elvas - essa glória - se  deve!

Mostre-se pelo menos Gratidão e respeito.

Saiba honrar-se a história! - Já que tantas vezes não se honra a palavra dada.

 

Ao Dr. Melo e Sousa com a minha estima e muito apreço

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 14:07

A Propósito

Sábado, 17.01.09

Jornal Linhas de Elvas

5 – Maio – 2005 – Nº 2.812

Conversas Soltas

                            

No passado dia 3 de Abril, o jornal “A Bola” dedicou o seu suplemento a uma evocação a que chamou: - História e Futebol – que redundou numa homenagem a um homem que por razões diversas esteve e está muito ligado à nossa terra.

                        

Estou a falar de um colaborador deste jornal, que até há relativamente pouco tempo nos deliciava com umas crónicas tauromáquicas escritas num português de antologia, de tal modo aliciantes que, até os não aficcionados, como eu, não perdiam uma, sequer.

 Refiro João Luís Cotta Falcão Aranha de Sousa Meneses – o nosso amigo - João Aranha.

A sua colaboração era impar porque, para além das crónicas que nos oferecia sobre as corridas durante as temporadas em que os aficcionados andam numa verdadeira roda viva de praça em praça para não perderem pitada sobre a festa brava, a sua cultura, o seu saber sobre essa arte, permitia-lhe manter a sua rubrica com interesse, mercê do mundo infindável dos seus conhecimentos, mesmo quando não havia corridas.

                      

Lê-se para aprender, lê-se por distracção...

Lê-se por paixão, lê-se pelo assunto...

Lê-se por várias razões, mas também se lê pela qualidade, beleza e correcção da escrita, mesmo quando o tema não nos apaixona.

A homenagem que muito justamente lhe é prestada, tem um enraizamento num mundo distante a que Portugal estará sempre ligado por mares que, se muito nos uniram,  agora nos separam – a Índia.

João Aranha estava em Goa, como militar, aquando da independência. E, porque foi nobre e limpo, também por lá, o percurso da sua vida, passados todos estes anos em Goa é lembrado como um herói – que foi – em várias e cruciais circunstâncias.

A sua actuação no campo desportivo, criou-lhe também por lá, tal gratidão ao ponto de em 2000, ter sido visitado, na sua residência em Cascais, por um emissário que veio expressamente homenageá-lo.

João Aranha, habitou em Elvas, onde servia no saudoso, Regimento de Lanceiros I, “Lanceiros de Victor Manuel” – quando embarcou para a Índia em 1957.

                    

E, se, já então era um apaixonado do Alentejo, granjeou por cá tão bons amigos que se tornou um verdadeiro elvense.

Claro que o jornal “A Bola” focando embora de relance toda a sua vida põe a tónica no seu valioso contributo em prol do desporto rei, muito especialmente na – então nossa – Índia - onde a sua acção foi notável. 

                    

Porém, a coincidência de todos estes factos se terem passado em Goa, (onde no século XVII, data de onde provém a nobreza do seu nome, antepassados seus, terem lá contraído matrimónio, o que veio a provocar a ligação da sua família ao Oriente ao longo de mais de 300anos) empresta um certo toque de “escrita do destino” a estas circunstâncias...

Beautiful JungleElephant

            Sei que João Aranha, não gosta de chamar atenções sobre si.

Sei - mas arrisco, porque sabe bem, conforta a alma, falar de gente – gente de verdade - suficientemente grande para se tornar pequena e se apagar entre os demais.

  

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 16:08

HORAS… dão os relógios!

Sexta-feira, 16.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.322 – 27 de Outubro de 1995

Conversas Soltas

 

                 

Acordar quando o relógio para; não é o previsto.

Mas, também acontece.

Previsto é acordar quando ele irrompe no momento aprazado a fazer estardalhaço.

Aquele pulsar metálico, seco, miudinho, miudinho… - aquela indiferença com que o relógio mastiga compassadamente o tempo de alegria ou de dor, das nossas vidas, sem lhe tomar o gosto -  segundo a segundo – faz parte das nossas noite. Embala-lhes o sono.

                stll_alarm_clock_snooze.jpg

Não é que durante o dia os relógios estejam parados.

Não! – Não é nada disso! – Mas, de dia os ruídos da vida sobrepõem-se-lhes.

Absorvem-lhe o pulsar. Diluem-nos.

Já, pelas noites dentro, no silêncio negro, o tiquetaque impera com a cadência ritmada dum metrónomo a impor o andamento.

No entanto, há relógios e … relógios.

                       

Porém, não é de relógios especiais que quero falar. Esses, são raridades fora do uso comum. Estão para as minhas memórias como os palácios para os montes alentejanos.

São mitos.

Fantasias.

O relógio que mais me cativa, é (era) o mais vulgar: - o Despertador.

O serviçal despertador.

Mas, quando digo despertador não penso nesses pequenos computadores sofisticados, de agora, que piscam, acendem luzes, ligam rádios, oferecem músicas e mais um mundo de variantes sedutoras como se fossem a porta dum circo em noite de espectáculo.Homem da Caverna

Vade retro! – Não é nada disso!

Esses fenomenais aparelhos, pluriprestativos, estão para os despertadores da minha afeição como os foguetões interplanetários para o homem das cavernas.

 

Despertador, para mim, é um relógio redondo, atarracado como um nabo. Com duas pernitas escanzeladas a suportar um ventre imenso, bojudo como uma melancia.

Numerado a negro. Com dois ponteiros como metades de bigode mal aparado pendurados de um eixo, também negro, que marca o centro dum mostrador liso, como um nariz de ervilha num rosto de lua cheia.

                        

Coroando o conjunto uma luzidia campânula, que se lhe ajusta como um solidéu.

Isso, é que é um despertador que se preza.

Uma peça à antiga.

Ruidoso, barulhento, abrutalhado (se quiserem) mas, fiel e resistente como um cão sem estirpe.

Há quem o renegue por incomodo e fora de moda.

Gostos.

Há gostos para tudo.

Gostos nem se discutem.

Tudo na vida é relativo e, eu, confesso ter também as minhas simpatias.

Aliás, gosto de relógios.

Quaisquer que sejam. Tendo, naturalmente as minhas preferências.

Pelo que já disse, é deduzível que prefiro os que conservem traços de origem quase artesanal.

                         clock

Nada arrebicados, pretensiosos, a parecer o que não são.

Relógio – é relógio.

Se é de pulso. É de pulso. Penso-os discretos, achatados como rebuçados peitorais.

“Seiva de pinheiro” ou “Santo Onofre”.

Só tem que ser discretos. Essa é a primeira obrigação. Como é a de uma secretária ou assistente.

Eficiente, prestável mas, não muito evidente. Não, necessariamente centro de atenções.

                Relógio antigo

Se for relógio de bolso! – Isso já torna as coisas diferentes! – Então se tiver corrente que o ate à casa do colete… oh! Aí, já tudo muda de figura.

Para quem pastorei o gado ou vá à caça ou à pesca em frias manhãs outoniças ou de duro inverno, fica a matar uma histórica “cebola”.

Dá um toque a preceito.

Faz a chamada às raízes. Ás velhas tradições que essas actividades evocam.

Quanto mais antiga for a peça – melhor.

Então, se herdada de pai, vinda já do avô ou do Bisavô…

Se for legado fiel ou oferta de padrinho – já não será apenas relógio – mas uma presença romântica do passado. E, toda a fantasia em seu redor se tornará crível. O relógio parecerá tão vivo quanto o cão e tão imprescindível como a água do cantil.

             

É evidente que um relógio assim já deixou de ser apenas um relógio e ganhou foro de parentela.

Mas… o despertador…

O despertador, quando se cala, gera um silêncio tão gelado e vazio que assusta.

Torna a solidão imensa, porque sem referência de tempo tudo perde o sentido e a memória convulsa asfixia como um pesadelo.

                 Despertador retro

Ora!Ora! – Que lembrança esta, hoje!

Todavia, para o meu tempo, como para o tempo de toda a gente – quem dás as horas – não é o relógio – embora horas, horas, – só o relógio dê…

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:46

Mudanças… São comigo…

Quinta-feira, 15.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.297 – 28 – Abril – 1995

Conversas Soltas

 

 

Quando abri o último “Linhas” e vi que já não “morava” no mesmo lugar – fiquei a pensar que isto de mudanças tem que ver comigo.

Coisas do destino.

Só de terra mudei: - Moura Faro Santa-Vitória - BejaÉvoraCubaElvasCadas da Rainha GuardaTomar – de novo Beja Elvas Ilha Terceira Lisboa e finalmente Elvas onde conto permanecer até ao fim.

Isto, sem falar nos “entre-postos” onde só ficamos escassos meses.

Mas… continuando…

Durante anos e anos tive neste jornal uma casinha alta, de fachada estreita, numa faceira certa onde um grande Amigo me fez lugar.

Um dia, de combinação com meu marido abriram-me um postiguinho e puseram-me nele a espreitar cá para fora.

Não me agradou em especial. Gosto da meia-luz, um canto sossegado, os livros a jeito, tudo recatado e discreto – música de fundo.

É no segredo da terra que a semente germina sem alardes. Porém, foi assim, foi muito bem e os tempos foram correndo tranquilos.

Eu sabia o tamanho da minha morada e tinha a prudência de não arranjar “mobília” demais para não causar confusões.

Mas a vida é feita de mudança.

               Inês de Castro - estátua jacente ao Mosteiro de Alcobaça

E, tal como a “linda Inês posta em sossego naquele engano de alma ledo e cego que a fortuna não deixa durar muito” um dia a tristeza veio para ficar comigo.

Encheu-me a casa.

Fechei a janela e mudei-me – pensando que para sempre – para o meu magoado silêncio.

Lá fora a vida corria.

Não para a vida. Renova-se e recria-se a cada hora – a cada instante – agora e sempre.

E, manda ela, – a Vida – que cada pessoa se habitue ao peso de cada dia como cada árvore se conforma com o peso de cada folha nova ou … a falta delas – e viva com os novos contornos que ela talha e impõe.

Assim fui vivendo.

Assim vou vivendo.

Velhos hábitos, velhos gostos, a pouco e pouco insinuam-se primeiro como lembranças – depois com a força e a persistência – quase de ócios.

Olhem-se lápis, canetas, papéis – que se haviam tornado coisas vazias de sentido e inúteis – com a ternura de amigos que se reencontram…

… O que eu gostava disto – diz a memória.

… O que eu gosto disto – diz a consciência.

E as mãos, descomandadas agarram a molhada de esferográficas – inúteis há tanto tempo.

São bonitas.

São coloridas.

Têm legendas… têm “origens” – comércio, banca, política…

Tantas ainda escrevem! – Que bom!

E, de repente, um arabesco, uma palavra, um pensamento – um poeminha fica no papel:

 

Queria fugir desta saudade

Como quem muda de País…

Mudar de coração

Arrancar-me de raiz

De tudo o que já vivi

Queria sair de mim

E, ser por inteiro

A memória de nós

Sem sofrimento…

 

Reage-se.

Recusa-se a lágrima.

Ajeita-se na jarra um botão de rosa,

Decide-se: - Alternativa – precisa-se!

- Urgentemente!

Tudo serve.

Abre-se a televisão.

“Há sempre uma novela inesperada que espera por si”, - (Bem podia ser o slogan)

Reaprende-se o sorriso.

Reaprende-se o trabalho costumeiro.

Não se volta ao passado – mas – não se foge do passado.

Guarda-se o passado dentro de nós e aprende-se a viver com ele.

E, o ponto de Arraiolos, ou o “crochet” mais da nossa feição – (nem que seja, pintar ou escrever) – reganha os tempos de rame-rame costumeiros e instala-se definitivamente.

Assim, voltei ao “meu Linhas”.

Era agora um prédio novo.

Caiado de fresco.

Gente nova. Remexida. Inquieta.

Receberam-me com afecto. Ternurentos. Queridos.

Mudam-me de sítios todos os dias – quase!

Já moro à esquerda. À direita. Em baixo. Em cima!

Mudanças – são comigo!

Há pouco vivi num rés-do-chão nobre, com vistas para a frente.

E, se “pela andança e pela corda da roupa se mede a vizinhança” – bem avizinhada ali eu vivia… como se sabe!

Agora – eis que – me vejo situada num andar de belas vistas – virado para a nascente – quero dizer: - com o sol pela frente. ( E não me saiu a casa cheia!)

 

Ora, se é verdade que tenho saudades daquele espaço medido, como um lugar no coração dum Amigo com que sempre se contava…

Se é verdade…

Também é certo que já me habituei ao imprevisto – que me oferece a juventude de quem agora comanda o “meu Linhas”.

Malta fixe!

Bué de boa!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:26

O RECADO ANTIGO

Quarta-feira, 14.01.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.744 – 20 de Julho de 1984

  

                 

Mão amiga, deu-me para que lesse, um belo artigo ilustrado falando sobre o nosso Aqueduto da autoria do Prof. da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, António Lino – que fora publicado no dia 15 de Junho no Jornal “Correio da Manhã”.

Gostaria que todos os Elvenses o tivessem podido ler. Nunca é demais recordar a história do Aqueduto da Amoreira, o sacrifício do Real d’água que foi imposto às gerações que o construíram e, mais do que tudo – ou – acima de tudo a frase que na sua simplicidade traduz a responsabilidade da herança que nos cabe e dá testemunho da visão de futuro com que foi sonhado, nesse longínquo ano de 1498…

                         

“para que os netos dos netos dos nossos netos tenham água”.

-- Qualquer coisa determinada com tão intuitiva lógica como uma lei da Natureza.

-- E como se fora a fala da raiz da árvore para flor que alimenta e nunca verá…

                            António Sardinha

No soneto “Elvas ao crepúsculo”António Sardinha a certo passo, diz assim:

“A noite cai! Sinistra e resoluta

Caminha a passos firmes o Aqueduto

Como quem vai marchando p’ra escalada”

            

Encanta-me esta bela imagem poética que consegue como que emprestar à nobre silhueta do Aqueduto, um movimento humano de andamento, de conquista de terreno, como que avançando pela noite dos tempos em corajosa cavalgada, desde esse remoto ano de 1537 em que começaram as suas obras até 1622 ano em que chegou pela primeira vez à cidade o seu presente de àgua viva. De então, até hoje, cumpre o seu recado antigo trazendo em cada dia desde a nascente, ao longo de sete quilómetros, àgua de beber…

     Elvas Aqueduto da Amoreira por moitas61.

Talvez que com o “passo certo” com que venceu os séculos e lhe vem da geométrica fidelidade dos seus elegantes arcos, que queria dizer como Martinho Luter:

 “Mesmo que o fim do mundo fosse amanhã

    Plantaria hoje macieiras”

 

Ser semente do futuro

É a mensagem de esp’rança

Que como um recado antigo

A vida nos dá de herança…

 

Maria José Rijo

Mão amiga

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:57

Lembranças de Messines

Segunda-feira, 12.01.09

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.877 – 3-Agosto-2006

Conversas Soltas

Reminiscência -- 26

 

  

Quase cinquenta anos depois, reencontrei, uma amiga de infância, ainda parente de João de Deus, com quem brincava nas minhas férias, quase sempre passadas no Algarve.

 

Habitava, ela por direito de herança familiar a bela e grande casa – que fora residência do Poeta -  situada, como a de minha família  materna no largo da Igreja em São Bartolomeu de Messines que, como se sabe, foi a terra natal do autor da “Cartilha Maternal.

Para além de velhas amizades que era hábito conservar vidas inteiras, a vizinhança criava o clima ideal para a criançada das duas famílias sonharem com Natais, Páscoas, Entrudos e Verões, sempre geradores de reuniões, belos passeios e alegres convívios.

Por aqueles anos – os componentes do nosso grupo tinham todos à volta de sete a dez anos - o mercado semanal era feito na rua e os camponeses chegavam sempre com os carros ou os burricos carregados de frutas, galináceos, hortaliças, e tudo o mais que criavam nas suas hortas, para venda e gastos de casa.

Chegavam, escolhiam um local a gosto, espalhavam as cestas com os produtos pelo chão e iam “pousar” os animais nas cavalariças, onde ficavam a descansar, mediante um pequeno pagamento, comendo a ração em sacos atados ao pescoço.

A casa da minha amiga, para além de um enorme quintal dispunha dessas acomodações, o que nos proporcionava um sem número de aventuras pois, soltávamos os jumentos e vá de dar voltas e mais voltas pelo quintal, fazendo corridas, escarranchadas em cima das albardas, bem afiveladas ao dorso dos animais. Outra prova de coragem, consistia em ver quem era capaz de apanhar mais “cavalos de aranha”, como designávamos aqueles aracnídeos de pernas altas e finas que nos enchiam de repugnância, e que moravam tranquilos nos aranhóis de teias empoeiradas nas traves dos tectos da estrebaria, escuros de sujidade.

As pernas quebravam-se-lhes com facilidade e, por vezes escapavam-se balouçando nas que lhes restavam, e nós ficávamos a olhá-las e largávamos a brincadeira com uma sensação nebulosa de culpa, embora pensássemos que as aranhas eram peçonhentas e deveriam morrer.

Porque morávamos, frente à Igreja, também não nos escapavam os casamentos, dos “ serrenhos”.

Não havendo estradas, nem transportes como agora, os noivos chegavam montados em burros, machos ou mulas, e, as noivas também. Só que elas vinham sentadas em cadeirinhas de fundo de bunho, muito bem atadas às selas. Traziam véu e grinaldas de laranjeira, embora, por vezes, os sinais de gravidez fossem por demais evidentes.

Solícitos os padrinhos apeavam-nas ao colo e pousavam-nas no chão com tanto cuidado que parecia terem medo que elas se quebrassem. Logo eram rodeadas pelas mulheres velhas – sempre em pequeno número - que vinham de carroça acompanhando os nubentes e lhes alisavam as vestes com as mãos, como se lhes estivessem a sacudir o pó.

        

Entravam então na Igreja e, após a cerimónia, noivo, pais, e padrinhos iam à taberna mais próxima beber uns copos levando por deferência o Padre celebrante, que cumprido o ritual, voltava à sua vida deixando-os embrenhados em fartas libações...

Às vezes, muitas vezes, demoram-se, e voltavam já com pouco equilíbrio... entretanto o mulherio, especado no adro da Igreja, como seres caídos de outros planetas, aguardava num espanto aparvalhado os mirones que se juntavam olhando a cena...

Finalmente, lá se organizava o retorno.

A noiva, agora, à garupa da montada do noivo, fechava o cortejo dos convivas que , meio dormentes pelo vinho, iam acabar de se embebedar em casa, senão adormecessem pelo caminho. E, lá partiam com a complacência das mulheres já habituadas a estes trâmites.

Eram tempos em que – também - não faltava nos mercados a cadeira do barbeiro, tendo ao lado uma mesa com um pano que “pretendia” ser branco, a fazer de toalha e, sobre ele alicates, para a extracção de dentes e as garrafas de aguardente para os bochechos desinfectantes...

Os pacientes indefesos, de boca escancarada, babando sangue, com os olhos a sair das orbitas, agarravam-se aos braços da cadeira e davam verdadeiros urros de dor.

        Nós, então, fugíamos tapando os ouvidos com os dedos, mas voltávamos a espreitar, balançados entre o medo, a piedade e, a curiosidade de ver, e saber como era, tal e qual, como fazíamos na matança do porco, que, sendo festejada, como qualquer colheita da terra que anunciasse fartura, não deixava também de ser um cruel espectáculo de rua.

Tempos de outros tempos.

 

“Porque só há tempo quando se pensa”, como dizia o Professor Agostinho

 

  

  Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:25

Direita e esquerda

Domingo, 11.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.843 – 9 – Dezembro - 2005

Conversas Soltas

                  

Não! – Não vamos marcar passo.

Não vamos, até porque é isso que já estamos a fazer há muito tempo com esta querela ridícula de: - tu não prestas porque és de direita e tu és magnífico porque és de esquerda; ou vice-versa porque a recíproca também é verdadeira.

Não são os partidos que fazem as pessoas boas ou más, honradas ou sem vergonha.

As pessoas é que formam os partidos e, assim, quer de direita quer de esquerda comportam, uns e outros, gente capaz e gente incapaz. Idealistas e oportunistas, gente altruísta e gente egoísta...

Gente capaz de grandes causas e gente que só põe em causa o seu próprio umbigo...

                       

E, sempre assim será, não tenho dúvidas.

Porque se assim não fora bastavam os dez mandamentos, ou até só um: - ama o próximo como a ti mesmo – e tudo estaria resolvido.

Photobucket

Ora, como Portugal, em território, relativamente à Europa é como que um pequeno quintal onde se podem molhar os pés no mar por toda a costa, todos nos encontramos aqui ou ali, e nos conhecemos e identificamos muito bem.

Sabemos dos gostos, das manias, das fraquezas, das qualidades e defeitos que mostram e também das que escondem os nossos políticos e temos portanto o nosso juízo formado, de tal modo que quando começa o blá-blá-blá das “farturas” - do vota em mim que eu é que sou bom “como o caraças”- muitos de nós procuramos outra estação para ver se encontramos o tal “caraças” para lhe oferecermos o voto.

Só que o “excelso caraças” é um mito como já se viu num outro concurso, mas esse de música e sonoros garganteados de timbres diferenciados.

Photobucket

Assim desprotegidos de míticos heróis salvadores, temos cada um de nós de intimamente decidir qual a pessoa que nos parece mais capaz e fazer a escolha do “goleiro” mais hábil seja do Porto, do Benfica, do Sporting, do Cabeça Gorda ou do Alcantarilha...

 

Não sei se a alguns passou despercebida a bonita história de uma gata tigrada chamada “emily”.

Anamí (Pequena) por Laura Nah Cattani.

Como todos os felinos da sua espécie, emily, é curiosa e aventureira. Então numa das suas escapadelas foi vasculhar um contentor carregado de papel. Levou a sua investigação tão a fundo que os operários fecharam o contentor sem dar conta da intrusa.

E, aqui vai ela de viagem por navio até França e depois Bélgica onde acabou por ser encontrada e identificada pela direcção que tinha inscrita na coleira. Tratada da desidratação e alimentada a preceito, após um mês de ausência regressou ao seu país e aos seus felizes donos, em viagem oferecida, de avião e em primeira classe.

              É um episódio ternurento destes que os homens – que geram guerras e genocídios – também - são capazes até para proteger uma gatinha aventureira e de que todos tomamos conhecimento com um sorriso bom no coração.

                     

Claro que ninguém sabe se este gesto foi de gente da direita ou da esquerda e ninguém perguntou a filiação partidária aos autores da proeza, como é óbvio!

Interessa o que foi feito e bem feito e deixou feliz a criança que no aeroporto esperava – Emily – com um aconchegante abraço de mimo e felicidade.

 

 

Maria José Rijo

Anamí (Pequena) por Laura Nah Cattani.

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publicado por Maria José Rijo às 15:24






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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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