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Estruturas, vigas e goteiras

Sábado, 10.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.955 – 7 - Fevereiro de 2008

Conversas Soltas

Quando a casa se torna desconfortável porque o desgaste dos tempos, a falta de assistência, ou as obras feitas, sem critério, à pressa – os chamados enxertos – já não escondem a decadência do edifício, não adianta eliminar uma ou duas goteiras e querer que se acredite que limpando o algeroz, e mais isto, e mais aquilo, até a formiga branca que, vive minando e corrompendo os alicerces, vai passar a gostar de tomar banhos de sol...

Impõe-se verificar as estruturas, estudar se têm condições de dar suporte a novas vigas e, em caso de dúvida, prevenir piores males substituindo todo o telhado, para segurança e conforto dos moradores. Como nenhum edifício se reduz a um telhado, também é de boa prudência, vigiar as fundações e, escavar, escavar com tacto e competência como na arqueologia, para encontrar a origem, a matriz de males, por vezes já tão antigos, como perversos pois que até já se afiguram como padrões de normalidade ao cidadão comum, o que sempre constitui um grave risco.

Evidentemente que antes – sempre antes – há que cuidar que não fiquem ao relento os utentes do edifício durante o saneamento imprescindível.

Não se pode actuar como nos bairros de lata - que a televisão mostra a serem destruídos, por maquinaria, moderna, poderosa, como que de países bem apetrechados, desenvolvidos  e civilizados, com operários fardados com capacetes luzentes a manobrar com perícia tais mastodontes – indiferentes às mulheres fugindo com enxergas às costas e crianças a chorar apertando nas mãozinhas encardidas de mexer na terra brinquedos esfrangalhados, porque  tudo se deita a baixo, a eito – mesmo não tendo - casas de substituição para compensar toda a miséria que assim se expõe...

             

Método, aceite tão democraticamente que também foi usado com igual estrondo e impacto na implantação do novo “sistema de saúde” que, como qualquer eficiente escavadora, fez o arraso do que havia sem nada – capaz – deixar em troca, a não ser a esperança de cada qual decidir se deseja morrer em ambulância, à porta de casa esperando - horas - em vão, o INEM – como, há um ano, também aconteceu a gente minha – ou – sobre, ou, sob - o conforto de uma maca, em qualquer corredor de acaso de qualquer instituição onde o tempo de espera não se conta...

             

Hipóteses não faltam.

Tenho na minha frente a revista Sábado que traz na capa quatro cabeças com as verbas que receberam os seus donos, para sair dos seus poleiros.

Juntando-se-lhes o que deverão ter recebido para entrar, mais o necessário para lá terem permanecido, estarão encontradas razões mais do que suficientes para entender porque um dos poucos socialistas – autênticos - que ainda

                                            

sobrevivem, embora se chame Manuel Alegre,  não esconda que perdeu a alegria de viver, o Socialismo, “sui generis” deste “Jardim à Beira Mar Plantado!” onde uns tantos, vivem à tripa forra, e o povo  seca , espalmado pela injustiça, como o pichelim sobre os tabuleiros, expostos nos areais à vista do mar imenso onde a rede os apanhou.

 

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:16

Olhando pelo avesso

Sexta-feira, 09.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.502 – 30- Abril - 1999

Conversas Soltas

 

Olhando com atenção o que se escreve, o que se diz e, de maneira geral, o que se passa; fica-se com a impressão de que não há estatuto de dignidade possível para quem, sendo adulto na época da revolução de Abril, não possa à pergunta sacramental de: - onde estavas nessa altura? - Responder dizendo que estava preso em Caxias “a banhos” em Peniche, “em estágio”na Ilha do Sal ou de visita no António Maria Cardoso!... Assim, à partida, se classificam ou desclassificam os indivíduos para integrarem, ou não, o grupo dos eleitos, dos bons, dos notáveis, dos fazedores da história, dos progressistas ou dos fascistas.

Parece-me, tudo isto, um bocadinho ridículo!

As frequentes reportagens e entrevistas que a televisão nos fornece deixam transparecer que cada um, que de si próprio fala, foi tão, ou mais importante do que o outro que o antecedeu, nunca menos do que o seguinte e, que a acção de cada qual foi tão decisiva, na referida circunstância, que sem a sua intervenção o movimento se teria gorado.

Pensava no espalhafato de palavreado que por aí estraleja como girândolas de foguetes e não conseguia abster-me de pensar que o 25 de Abril deveria HOJE, ter tanto eco na alma do povo, que deveria ser ele, POVO, a celebrá-lo espontaneamente como celebra as suas próprias datas de viver, nascer e morrer - porque esta efeméride também é sua - ela celebra o natal da sua própria liberdade. O fim de uma longa e opressora ditadura.

Só que não. Os festejos vêem de cima. E, as preocupações de que damos conta no balanço que se faz equacionam as frustrações das carreiras militares dos heróis, não a realização prometida e ainda não conseguida da justiça social que os mais humildes ainda aguardam.

É que, para esses, também decorreram os mesmos 25 anos de desilusões...

Verifica-se que o povo continua a servir de mote, mas não, a ser, o destinatário primeiro do que, em seu nome, enfaticamente se apregoa.

E, a justiça a prestar aos ausentes, também não é tão imperiosa como pode parecer.

Se o fora, talvez o nome do Tenente-coronel Luís Ataíde Banazol fosse falado por todos os heróis confessos que através da televisão nos visitam dia a dia fazendo render os seus créditos.

Talvez...

É que era consolador verificar que a morte não é necessariamente motivo de esquecimento e que esse elvense, corajoso e inteligente que esteve bem na origem do Movimento das Forças Armadas era, devidamente, evocado pelos seus companheiros   Se, por ventura, estou a ser injusta e o seu nome foi lembrado e honrado, como merece, em relação a estes factos, deixo já aqui o meu pedido de desculpas pela injustiça involuntária.

Na dúvida prefiro lembrar esse facto e trazer à luz a sua memória porque conhecer, saber, impõe obrigações de ordem moral que, se não se respeitam, nos tornam cúmplices da injustiça praticada.

Banazol, foi distinto colaborador deste Jornal, e, porque cada elvense que se revê e orgulha da Revolução de Abril gostará de saber que foi um conterrâneo seu que tendo feito várias comissões em Àfrica, e guardando na alma a marca indelével das injustiças e crimes que as guerras causam, deu o impulso que transformou um problema de âmbito estrictamente militar num sonho amplo de liberdade e justiça que não impusesse à  juventude o risco de morrer ingloriamente por um império fantasma em combates fratricidas.

             O Fantasma da Ópera

Há um livro editado pela “Prelo” em 1974 - A Origem do Movimento das Forças

Armadas - da autoria de Luis Ataíde Banazol que conta com minúcia estes factos que acabo de referir.

Deixo a pista aos interessados.

 

 

Maria José Rijo

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:22

“Vem a Propósito”

Quinta-feira, 08.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.461 – 10-Julho-1998

Conversas Soltas

  

Pelo Natal foi lançada uma biografia de D. Manuel Martins – bispo de Setúbal.

No acto do lançamento presentes o autor: António de Sousa Duarte, Manuela e Ramalho Eanes, entre outros.

                   Image hosted by Photobucket.com

Almeida Santos que prefaciou a obra e o

 

professor Adriano Moreira que fez a apresentação – tudo como manda o figurino.

Só quem não veste pelo figurino é o bispo que não deixou passar a oportunidade sem dizer mais algumas daquelas verdades que tantos se empenham em fingir que não entendem.

Dada a época em que a obra saiu o Senhor Bispo foi chamando a atenção para o discurso de circunstância que então é usual.

É que em todos os Natais as palavras: solidariedade, amor, fraternidade, proliferam como os cogumelos nos terrenos húmidos e sombrios. Só que passado o Natal as palavras recolhem ao reino idílico das boas intenções e, as promessas não passam disso mesmo e, de obras concretas, com sorte apenas alguns vestígios para que no Natal seguinte não se recomece do zero.

               

Desse acontecimento que segui por jornais e revistas fixei uma frase que o senhor Bispo disse e, que agora, a propósito do referendo sobre o aborto me parece oportuno citar - é assim: “Devemos pedir perdão às pessoas com problemas.Usamo-la para encher a boca, mas, na prática, não nos importamos”

                                                         

Depois de ouvir tanto discurso interpretativo das razões dos sins e dos nãos.

Depois de me aperceber que vão ser gastos mais de milhentos argumentos para cada qual provar que tem mais razão que o outro, ou todos os outros, que não cantarem na mesma sintonia. Depois de todos os brilharetes que a rapidez de raciocínio, a inteligência ou a simples esperteza e pendor anedótico proporcionarem aos intervenientes neste drama tão pouco levado a sério.

Enfim, depois de a razão e as razões se perderem da nossa vista afogadas em palavreado seremos capazes de chegar à conclusão de que o senhor Bispo não falava de cor ?

Penso que sim, que seremos.

Então façamo-lo já .

Façamos silencio para pensar com mais consciência.

Façamos ,que já é tarde, e venham as soluções.

Conversa-se depois.

Se  assim acontecer - se o povo perceber que não se estão a servir dele - mas - a servi-lo, as coisas mudam de figura

Não há ninguém que não perceba que a queixa não é de falta de legislação .A queixa é de falta de cumprimento dela.

À parte o que diz respeito a multas, e , mesmo essas, muito especialmente quando conferem ao autuante uma boa fatia de comissão, não sei de grandes coisas que se decretem para cumprir.

Veja-se por aqui: - uma Câmara preserva a Quinta do Bispo. Outra manda que a dilacerem...

Para quê então perder tempo?

Legislar para quê?

Em 30 de Janeiro de 97 um soldado da GNR multou-me no uso pleno das suas competências por atraso na inspecção do veículo em que eu circulava na estrada de Juromenha – Até aqui, tudo bem!

Nesse preciso momento outro elemento da brigada manda parar o condutor de uma pequena carrinha – Até aqui tudo continua bem!

Então a terceira personagem desta farsa (outro guarda) grita :- esse gajo é meu amigo !

O” Gajo ” não precisou sequer de mostrar a documentação.

Seguiu leve e ligeiro...

Até agora ainda não consegui entender como – por vezes - são entendidas as leis no nosso pais.

É obvio que não se desejem mais leis.

Para meditar, na forma como são aplicadas, já temos quanto baste

Já temos até para fundir a cuca como diriam os nossos irmãos brasileiros.

Talvez seja a hora de se falar menos e de nos importarmos mais com os outros, para além de, como lembrou o senhor Bispo, pedirmos desculpa, a quem sofre e

 

se sente apenas peão neste xadrez político, de onde a sinceridade anda bem ausente...

 

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:02

Prémio - Blog de Ouro

Quinta-feira, 08.01.09

Este prémio veio da amiga Maria João 

do 

 http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/ 

e

   que muito agradeço  .

.....

 

Para cumprir  as regras deste prémio terá de se:

 

- Copiar o prémio e colar no seu blog.

 

- Fazer referência e colocar no blog o endereço de quem o ofereceu.

 

- Presentear seis pessoas cujos blogs sejam uma inspiração para si.

 

- Deixar um comentário nesses blogs para que saibam que foram premiados.

 

 

É sempre difícil escolher - todos os amigos são preciosos:

 

Os nomeados são:

 

http://www.coisasimplesepequenas.blogspot.com/

 

http://escritosdeeva.blogs.sapo.pt/

 

http://flosinha.blogs.sapo.pt/

 

http://ncescada.blogs.sapo.pt/

 

http://planeta-sol.blogs.sapo.pt/

 

http://aquimetem.blogs.sapo.pt/

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:26

O Diálogo

Quarta-feira, 07.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.956 – 14 de Fevereiro - 2008

Conversas Soltas

           

Dou, em cada dia, graças a Deus pela qualidade da minha vida.

Tenho – terei mesmo? – (duvido que a dimensão do Bem da Vida, seja humanamente mensurável, mas isso já é outro assunto) consciência do que a Sua misericórdia me concede por, na casa dos oitenta, ainda me bastar a mim própria, olhar com interesse o mundo à minha volta, pensar, tentar entender e, até intervir.

Que, isto de falar, sem esconder o rosto, não é mais nem menos do que assumir o dever de cidadania que a todos cabe e quer dizer – também sou responsável.

Daí que ouça, com atenção, as intervenções públicas dos Senhores Ministros e Senhores Deputados e, também dos Senhores Políticos presidentes de partidos, etc... etc,,,

Daí que dos debates, das propostas, das decisões, das sugestões, críticas recíprocas, das alfinetadas, das catilinárias, (como diria meu Pai), me tenha ficado a nítida sensação de que em lugar de estarem equacionando problemas nacionais, (que querem resolver) na maior parte dos casos estão usando em despique floreados de oratória para ver quem enrola, (este termo parece-me fora de propósito, será?!) melhor o opositor, e ganha mais aplausos das galerias. (traduzo: votos)

                     avieir.jpg

Então, neste ano de comemorações do IV centenário do Padre António Vieira, é ver como cada qual se esforça por brilhar na oratória!...

Não admira, na circunstância, que me lembrasse de trazer a lume uma estórinha dos meus tempos de criança, aprendida na escola da aldeia, que servia para se falar muito, sem dizer nada, mas, pelo menos, não dá vontade de chorar ao ouvi-la.

Parece-me um excelente exercício dialéctico para uso dos Senhores Políticos...

È verdade que ninguém o entenderá, mas, pelo menos, a gente ri-se...

Imaginemo-los com os seus ares de donos irrefutáveis da verdade, dedo acusador em riste apostrofando o opositor em tom declamatório:

“ Que te importa a ti?

A conversa é teu?

Quando eu falar com tu,

Logo tu falas com eu!”

 

Nada mais perfeito para a “sintonia” dos projectos em curso: -

Ponte, aeroporto, TGV, incineração...decisões de justiça... tudo, tudo, tem cabimento neste – esclarecedor – solilóquio, seja ele repetido por quem for!

     

– À direita, à esquerda ou, até ao centro...

Porque assim todos – como eles – ficaremos sem saber qual é o rumo.

Ou se, ainda, há rumo possível...

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:27

Saudades

Quarta-feira, 07.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.746 – 30 – Janeiro de 2004

# - 7 de Janeiro de 2004 #

 

 

Maria Barbara Trinité Rosa e Maria José Rijo, participam a todas as pessoas interessadas, que no dia 7 de Fevereiro, pelas 11 horas, será celebrada na Igreja do Salvador, missa do trigésimo dia pelo eterno descanso de sua santa mãe – a avó Ana.

Desejam também, em seus nomes pessoais, de netos, bisnetos, trinetos, sua desvelada empregada e amiga Bia, da querida Paulinha e de todos os demais “netos do coração” que com seus cuidados ajudaram a amparar as fragilidades dos seus quase cento e quatro anos – agradecer as orações, a companhia, as flores e todo o apoio que por qualquer forma lhes tenha sido expresso por tão irreparável perda.

Para todos em geral uma palavra de gratidão extensiva à Fundação Gonçalves, sempre disponível com o seu pessoal eficiente, representado neste caso com a presença diária da Lina e da Paula; bem como às enfermeiras Céu Garcia e Goretti, impecavelmente prontas e carinhosas na sua ajuda.

Desejam ainda, muito veementemente, tornar público o especial reconhecimento que lhe merece o Doutor Luís Monteiro, que ao longo de quatro anos, em que começando por ser médico assistente, sabedor e eficiente se transformou no amigo atento e protector, que, nas horas finais, agiu como o missionário iluminado e piedoso – o Homem – cujo espírito de missão e generosidade, transcende a própria condição humana.

Um aceno de coração, também para a minha companheira do “velho” Colégio Luso – a Querida Céu Barradas – cuja mão amiga, mais uma vez, segurou a minha nos maus bocados do meu longo caminho.

Permita-se-me ainda uma especial referência ao Senhor Presidente da Câmara, a quem politicamente já tenho criticado, mas que teve a grandeza de alma de não confundir as águas, o que só posso registar com grato e comovido respeito.

A todos, e para todos, sem excepção, o profundo reconhecimento de todos nós.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:04

Elos da mesma cadeia”

Terça-feira, 06.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.463 – 24-Julho-1998

Conversas Soltas

 

              

Isto de ter fé – fé no sentido de não ter dúvidas de que na vida – (e, aqui apetece-me escrever Vida com letra maiúscula - como me ensinaram que Sebastião da Gama no sua deslumbrada gratidão por esse Dom de Deus, sempre fazia,) – isto, dizia eu, de sentir que até a erva mais rasteira tem sentido na criação – obriga-nos a uma postura de humildade que paradoxalmente nos conduz a atitudes, por vezes muito controversas.

                    SebastiaoGama.jpg

Penso que a coragem faz parte da dignidade de ser humilde!

E, porque assim creio, e creio-o firmemente, obrigo-me, por desígnio íntimo e irrecusável a criar o meu próprio desconforto em troca de um bem maior que considero imprescindível: a minha paz interior, resultante do meu esforço de coerência entre ser e parecer.

Tenho aqui, frente aos meus olhos, pano para mangas, como é de uso dizer-se quando se olha, quer entender o caminho dos acontecimentos e nos obrigamos, por consciência cívica a reflectir sobre o que se vê fazer, e o que se intui como motivação e causa do que vai acontecendo.

Claro que muitas e muitas vezes a dúvida se apossa de nós. Longe que estamos de nos pensarmos melhores do que outros e sempre conscientes da fragilidade intrínseca à condição de sermos gente e, como tal, falíveis.

Então, aí, como conta a oração das” Pegadas ”, Deus, por vezes compadece-se e leva-nos ao colo e a gente entende em vozes com outro eco a justiça de alguns dos nossos reparos e só tem que ajoelhar dentro do seu próprio coração, agradecer e aceitar a ajuda e o ensinamento que com tanta misericórdia nos é oferecido.

Mais uma vez assim aconteceu.

Daí, que, sem comentários, me permita citar alguns excertos de dois artigos insertos na revistaA Grande Reportagem – deste mês de Julho

Está lá escrito assim:

“A especulação imobiliária, a selvajaria urbanística, a devastação ambiental e paisagística, só terão fim no dia em que as autarquias deixarem de receber receitas da sisa e da contribuição autárquica. No dia em que a sua única fonte de financiamento for o Orçamento do Estado e em dependência do cumprimento das leis e dos planos aprovados.

Enquanto isso não sucede, os autarcas continuarão alegremente a autorizar tudo e mais alguma coisa. Porque, quanto mais autorizarem, mais receitas têm; e, quanto mais receitas tiverem, mais “obra” mostrarão; e, quanto mais “obra” mostrarem, mais votos colherão.

Este sistema de gestão local é apenas uma forma de democracia corrompida, na sua essência. Quando falo em corrupção, não me refiro apenas aos que metem dinheiro ao bolso, a troco de contrapartidas. Refiro-me também a este sistema instalado na gestão das autarquias, em que se trocam urbanizações e “contrapartidas” por vitórias eleitorais”.

Espero ter aguçado o apetite daqueles que se interessam pelo futuro e bem-estar das suas terras para a lucidez, coragem e honestidade que transpiram deste texto de Miguel de Sousa Tavares.

Sobre a gravidade destas situações traz a mesma revista um artigo sobre a trágica maneira como a “ferro e betão” se está descaracterizando a lendária beleza de Sintra.

Assina a denúncia Pedro Almeida Vieira.

Vale a pena deixar um pouco de lado o nosso comodismo e tomar contacto com a escrita de quem não se esconde, e, muito pelo contrário, sem ambiguidades afirma:

“Com a maioria absoluta, Edite Estrela ficou com “a faca e o queijo na mão ”.E decidiu fazer renascer das cinzas a versão com maiores índices de ocupação urbana e de solo urbanizável ”

Em tempos chamou-se orgulhosamente à Quinta do Bispo «a Versalhes »

Chamemos-lhe agora piedosamente “a nossa versão de Sintra”

turistas

Depois, pasmemos de como se pode ter a coragem de tentar cativar para Elvas os turistas que demandam a Expo alardeando (como num belo e recente folheto se faz) as maravilhas dos bens que, sem pejo nem mágoa, tão afoitamente se destroem.

Ao enumerar as belezas de Elvas pode ler-se assim:”a paisagem preservada dos arredores da cidade”

Vou só fixar a minha atenção no que da minha janela os meus olhos abarcam.

Será que se referem ao cabeço pelado onde havia um velho olival (testemunha viva da história do Santuário) – destruído sem ressalva de uma faixa que fazendo fronteira mantivesse o carisma do local e, para onde, se sonha agora, um loteamento que há-de permitir que se sacudam os tapetes das habitações para cima da procissão dos Pendões?

Será que já se evoca o desequilíbrio da qualidade de vida que os prédios projectados para a Quinta do Bispo – violentamente morta à sede – vão gerar com a sua sobrecarga da densidade populacional – para alem do mais já dito e redito?

          Será que meu filho usa drogas

Será que o nosso brio de cidadãos pode permitir mais horrores como aquela monstruosidade cortando a linha do horizonte a quem alargar o olhar para os lados do bairro Europa?

Tudo isto e muito mais se encadeia. Só que os elos desta mesma cadeia são fundidos com a nossa complacência...

Quem somos nós afinal?

Soubera eu a resposta! - Que vo-la daria já.

Isso posso assegurar.

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:27

Conversa a três

Segunda-feira, 05.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.702 – 21 – Março - 2003

Conversas Soltas

 

                 

Suspendi a leitura de um pequeno livro da autoria de Maria Isabel de Mendonça Soares “Ao Ritmo do Calendário” - Tradições Populares Portuguesas,

(que recomendo vivamente a quem gosta destas coisas), para ler o Linhas de Elvas acabadinho de chegar nesse momento.

                

Este livro que refiro, é, cito: «um feixe de artigos publicados nos Cadernos de Educação da Infância, órgão da Associação de Profissionais de Educação Pré- escolar» que a Escola Superior de Educadores Da Infância Maria Ulrich, editou.

Ia eu a páginas trinta e sete, e lia precisamente o capítulo intitulado: “Carnaval português”, quando troquei o livro pela apetência das noticias locais.

Saciada a interessada curiosidade passei aos artigos de opinião.

E, eis que o meu grande Amigo João Aranha (quando traz cá a Fernanda?) após ter focado o tema dos seus deleites, o toureio, junta à sua crónica um apontamento sobre o figurino do Carnaval de agora que compara com velhas tradições bem portuguesas, mais ou menos em desuso.

Então, somei: uma, mais um, mais uma, e já ficamos três a “olhar” o Carnaval...

Vamos ver como...

Maria Isabel (ou não fosse formada em Filologia Românica, e, autora de literatura para a infância), o capítulo, Carnaval Português, assim: “No tempo em que as penitências e jejuns quaresmais eram muito rigorosas, a Igreja concedeu pedagogicamente três dias de folia imediatamente anteriores ao inicio da Quaresma, durante os quais os cristãos podiam dar largas às danças, comidas e bebidas, uma vez que ao longo dos quarenta dias seguintes estariam privados de o fazer.

Daí, segundo alguns, a expressão latina «Carne vale» isto é, «adeus, ó carne». Há também quem faça derivar a palavra «carnaval» de «carro naval», ou seja, um carro em forma de barco onde era transportada, na Grécia, a estátua do deus Diónisos por ocasião dos festejos, em sua honra que, como todos os festejos, metiam comida, bebida e folia à farta.

De um modo ou de outro, o certo é que a tradição do Carnaval se mantém, apenas variável no dia de Fevereiro ou Março, consoante o início da Quaresma, a qual, por sua vez, estará dependente do Domingo de Páscoa, este devendo coincidir com a primeira lua cheia depois do equinócio da Primavera.

                           

E como tudo se interliga, também o Carnaval tem sofrido metamorfoses por influência de outros, que disto a comunicação audiovisual é a principal responsável.

Por isso se assiste a desfiles carnavalescos com «majoretes» à americana, e em que «cariocas» da Malveira ou de Freixo-de Espada-à-Cinta tiritam de frio sob as chuvadas e ventanias muito comuns nessa quadra, em clima português...”

Depois segue o texto falando da origem das máscaras, dos confetti, evocando velhos usos de Norte a Sul do nosso País e, como se trata de um livro resultante de “lições” dadas por quem ensinou Cultura Portuguesa e Literatura para a Infância, é logicamente um livro que distrai, observa... compara e ensina reavivando memórias.

Por tudo isto me assentou na alma como uma luva o apontamento, escrito como ele muito bem sabe fazer, quer na forma, quer no conteúdo, de João Aranha.

E, então ali fiquei eu a reviver as engraçadas touradas com palhaços a tourear bezerros tão pequenos, que também eles cabriolavam e, como que colaboravam com as palhaçadas que faziam rir até cansar novos e velhos naqueles saudáveis carnavais à portuguesa, quando pelo Alentejo, também as “danças” percorriam as ruas dos “lugares” e das aldeias oferecendo os seus espectáculos.

                

Eram sempre grupos de homens trajados com saiotes brancos enfeitados de cores vivas, vestidos sobre as calças de uso, que metiam nos canos das botas e atavam com nastros coloridos. Usavam camisas ou blusas , também de cor branca, lenços policromos ao pescoço e chapéus pretos com lindas  penas de pavão entaladas na fita que sempre contorna a copa.

         

Lembravam um pouco no trajar os Pauliteiros de Miranda.

Traziam consigo um mastro coberto de fitas de tons garridos, entrançadas com engenho de modo a cobri-lo todo. A dança consistia em desfazer e tornar a fazer o entrançado.

Um deles segurava o mastro em posição perpendicular ao solo. Os outros pegando cada um a ponta de uma fita giravam em  seu redor ao som da concertina, que nestas andanças, nunca faltava, cruzando-se de forma a  que, nunca se enganando  teciam a cobertura encanastrada.

Depois, agradeciam os aplausos, passavam o chapéu pela assistência recebendo os bolos e, certo e sabido que os taberneiros das redondezas tinham bom dia de negócio...

Outro costume, e esse ainda subsiste, era o dos mascarados trapalhões.

             

Confesso que para meu gosto, é a única manifestação carnavalesca a que acho graça, muito principalmente quando na sua apresentação está implícita qualquer espécie de critica, social ou política, desde que não seja ofensiva ou grosseira.

Mas...o curioso desta conversa, para mim, está apenas no acaso de se terem juntado três olhares sobre o mesmo tema duma forma  tão inesperada como coincidente.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:22

ANO NOVO

Sábado, 03.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1922 – 8 Janeiro de 1988

Á Lá Minute

 

 

 

O que se passa não volta mais. Ninguém regressa do passado. Ontem, a semana passada, há um século, visto por este prisma são datas igualmente irrecuperáveis, e, por essa razão, igualmente distantes.

O futuro é uma esperança – nem sequer é uma promessa feita a ninguém.

No entanto, são a memória do passado e a perspectiva do futuro que dão sentido à vida – daí que a lembrança faça parte da consciência de ser, de cada um de nós, tanto como a esperança de um novo amanhã, que se receia em cada dia que finda ou em cada ano que se acaba.

                     Feliz Ano Novo

Com o tempo repartido em dias, horas, meses e anos, as referências alinham-se, as memórias constroem-se e as vidas singram por caminhos de tempo, comuns ao conhecimento de todos.

O dia que foi bom para uns, pode ser menos bom para outros, ou mau, ou péssimo, ou até maravilhoso.

Paralelamente vão acontecendo vida e morte, sorte e desventura no mesmo instante para gentes distintas, e de tudo quanto passa, se tira espaço para semear novos assomos de coragem.

-- Talvez amanhã…

-- Talvez para o ano…

-- Talvez… Talvez… e a incerteza retocada de fé e de esperança, acalenta, afasta o desânimo e empurra para a luta do dia a dia como se o futuro fosse herança certa.

Um ano findou outro se inicia.

-- Talvez… é o sinal da esperança que se guarda em cada um de nós.

-- Talvez… quem dera!

   

Lutemos pelo sonho que enfuna a vela e talha o caminho.

Ao passado não se regressa.

Guardamos dele a lição que a memória nos dá e deixemos que a vontade nos empurre para a sementeira certa que a esperança pede.

Sempre haverá quem recolha os frutos.

 

Maria José Rijo

 

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    Minha querida tiaEu sabia que era hoje o dia do se...


Pensamentos de Mª José

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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