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Malhar

Sexta-feira, 27.02.09

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3009 – de 26-Fevereiro de 2009

 

 

Quem se realiza e goza, feliz, malhando à direita e à esquerda nos fulanos e fulanas que lhe cruzam o caminho, confessa, não pertencer a essa espécie, na qual malha, por desdém ou desprezo.

Ora, não podendo o homem, criatura de Deus, fugir às características morfológicas da sua espécie teremos que aceitar que aqueles que dos seus semelhantes, se demarcam, pretendem catalogar-se em qualquer diferenciada estirpe dela derivada, porventura, quem sabe, se – a dos fulaninhos.

Mas, Fulaninho, implica pequenez, dimensão pequena de qualquer fulano. Isso, por si só, já implica que, para ser visível, qualquer fulaninho, suba a um poleiro sempre que possa, para que mais longe, ecoe a sua fala, ainda que seja para estigmatizar a espécie de que provêm, mas que, observada do alto lhe parece desprezível, ínfima.

E, aqui não há direitas nem esquerdas.

                 

Há fulanas, fulanos e fulaninhos que juntos fazem o todo.

O todo que se esgadanha, como se o fizesse em corpo inimigo e não no todo que somos como país.

Dizia-se que ser destro – era qualidade.

A destreza era virtude.

Cortar a direito, era sinal de justiça,

Ser Homem às direitas era ser homem de bem, de honra.

Olhar a direito era sinal de lealdade.

Já a esquerda tinha conotações menos felizes...

Ser canho ou canhoto, era considerado defeito.

Ser canhestro – era, ser desajeitado.

A esquerda é, – a sinistra – na sua raiz.

Para quê tanto espalhafato!

No cérebro humano a esquerda “comanda” a direita e a direita, “comanda” a esquerda.

Só sincronizadas funcionam perfeitamente.

É de esquerda ‘ – é bom!

É de direita? – Não presta!

 

Quanta gente de esquerda e de direita tem enriquecido com estratagemas “à la main gauche?”

 

Quanta “gaucherie” naquela confessada malhação...

 

Quanta gente honrada trabalhadora e boa sofrendo por designações tolas de direitas e esquerdas quando nem aos fulanos, nem às fulanas nem aos fulaninhos de qualquer lado que estejam da barricada escapa o reconhecimento do que é o Bem e o Mal, o Justo e o Injusto mas, com palavras e rotulagens vão mascarando e manipulando tudo – tantas vezes - apenas em seu próprio proveito.

 

Nenhum país melhora com uma forte esquerda ou uma forte direita.

Os países melhoram com a melhor qualidade da sua gente, e, dessa responsabilidade ninguém se isenta - eu, tu, ele, nós, vós eles...e, para isso, aposte-se no civismo na cidadania, na cultura, na saúde, na educação, na justiça, trabalho, verdade, Paz...

A estas metas chega-se por caminhos de formação e consciência!

Mas... enquanto lá se não chega era bom que os fulanos, as fulanas e os fulaninhos que dispõem do Poder matassem a fome de quem a tem à esquerda e à direita sem preconceitos e, dessem trabalho a quem de direito e não – apenas – aos das suas cores políticas por mais canhestros que sejam, porque isso não é direito, nem de direita, nem de esquerda, é sinistro.

 

  Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:11





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