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O meu compadre

Terça-feira, 31.03.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.880 – 20 de Março de 1987

  

Enquanto nos levava para a escola, na carrinha que uma velha e pachorrenta mula puxava, o compadre Miguel contava histórias, ensinava coisas ou cantava.

Era sua estratégia para nos manter, a minha irmã e a mim, sentadas e quietas.

Ás vezes, com tempo bom, parava, prendia a “besta” na beira da “estrada nova” e fazia a sua provisão de vegetais.

Foi assim que aprendi a identificar as ervas comestíveis e outras destinadas a mezinhas.

Tengarrinhas, [Acelga]acelgas, funcho, cardo para coalhar o queijo, tornaram-se familiares. Ervas apreciadas por coelhos também ainda as distingo … pimpoilas” poucas!... que os faz “enchar”, recomendava.

A pimpinela, para os problemas intestinais, também era muito procurada para acautelar “andaços” de verão com excessos de frutas.

Abrótea Gamão ou Abrótea (Asphodelus sp.) por Valter Jacinto | Portugal.para as “empinges”, menta para a dor de dentes, rilha-boi para pincelar com azeite virgem nas queimaduras, macela para os “fastios” e fel-da-terra para as “fevres” faziam parte do rol. Aprendi onde nasce e cresce o “poejo”, a merugem” e o mantrasto” e os terrenos onde rebentam os orégãos, colhi agriões em riachos e aprendi como é perigosa a flor de cicuta por Coloraudia.cicuta e enganosa a dedaleira de onde se extrai (sei agora) a digitalina e me encantava com as suas flores cor de rosa em forma de dedais.

Enfim! Coisas de aldeia, onde a natureza nos cercava vibrante e imperiosa.

Por lá os caracóis, além de petisco, eram sustento.

              Dorminhoca da Quinta dos Ouriços

Por lá onde os ouriços guinchavam de agonia a morrer queimados vivos, nos lumes que brilhavam à porta das tabernas, nas ruas sem luz, enquanto os homens aguardando o pitéu, bebiam vinho e cuspiam para o chão entre galhofas e dichotes boçais.

Daí trago o horror à violência, à injustiça social e à brutalidade que via eclodir da ignorância.

Mas, eu falava do meu compadre Miguel que tinha uma navalha que brilhava mais do que a lâmpada de Aladino.

Era uma navalha que saía fechada do bolso, que abria com um estalido seco e, que, de seguida era afiada no couro das botas cambadas que ele arrastava nos pés.

                              B. Alentejo

Sempre. Sempre isto antes de cortar o pão e raspar o toucinho que depois lenta, muito lentamente, seriam cortadas em pequenos nacos e mastigados com delícia.

Ainda hoje penso que aquela navalha que sabia fazer “pipas”, moinhos de cana souça, vergastas e outras coisas mágicas… que cortava o “toicinho” e a “lenguriça”… afiada na bota suja e limpa da calça puída de cotim… dava a tudo um toque especial.

Depois das refeições voltava a navalha aos mistérios do bolso de onde também surgiam cordéis, pregos e outras maravilhas que tais.

Como sobremesa, bebia o compadre mais uma golada da garrafa de vinho que sempre o acompanhava dentro do alforge e lá íamos na carrinha rumo a casa, com a noite a avizinhar-se e o compadre a espantar o silêncio da estrada deserta cantando a “sua versão” do Hino Nacional:

 

“Nação valente e mortal”

“Entre as brumbas da mimória”

“O Pátria senta-se à voz”

“ dos teus engréjos avozes”

Etc… etc…

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:09

Memórias

Sábado, 28.03.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.282 – 13 de Janeiro de 1995

Conversas Soltas

 

Mandei para este jornal que considero “meu”, mas a que respeito a Liberdade que lhe reconheço de ser “ele” – uma carta que recebi pelo Natal.

Outras cartas, cartões e postais compuseram a minha safra de saudades e lembranças. Confortável, graças a Deus!

Curioso foi que, muitas delas, quase todas, me trouxeram referências sobre a colaboração que presto ao “Linhas” e que, com amizade, encorajam saudando nós dois.

Daquela, porém, era diferente. Evocava uma Elvas que já andará perdida da memória de alguns e que outros, nem sequer conheceram.

                     jornal.jpg

Perdi licença, a quem a escreveu, para que ela pudesse ser publicada e entreguei-a a esse provável destino; ou outro… enviando-a ao jornal.

Depois, fiquei a pensar em tantas, tantas coisas que já posso recordar, que me surgiu na consciência uma palavra muito frequente no vocabulário das pessoas de idade – memórias.

Encostada assim à parede – reconheci: aquele bilhete de comboio que tinha em letras grandes e pretas a palavra idoso – era mesmo meu!

Aquilo de idoso, sem dúvida, diz-me respeito.

Ora veja-se!

Primavera, Verão, Outono ou Inverno – para novos e velhos são estações do ano.

Dão as mesmas flores, têm os mesmos sóis, as mesmas árvores nuas de folhas, os mesmos ventos, as mesmas chuvas, neves e geadas…

À primeira vista, estas coisas parecem não ter ligações com os bilhetes de identidade! – Mas, têm.

Para quem ainda contou poucas “estações” – o comboio chama – criança e convida:

         estacoesdoano.JPG

Vem – anda! – Nem pagas – o caminho é teu.

Quem já se esqueceu de quantos Verões ou Invernos contou – impiedosamente o bilhete acusa: - Idoso!

Reduz-lhe os custos da viagem mas, como se rabujasse comenta a negro: Idoso!

Aquilo deve ser para não escreverem: Chato! Ainda a ocupar um lugar.

Importuno.

Isto dos bilhetes não é assunto claro.

É adolescente? – Meio bilhete.

Meio porquê? – Não é meia gente. Se não é porquê meio bilhete?

É maior de idade? – Bilhete inteiro! Não será so para gerar confusão?

Também há bilhete de soldado e de graduado!

Porque não haverá bilhete de desempregado – (paga quando ganha).

Bilhete de coitado! – Entre lá, não pense nisso, onde é que “o” vai buscar?

Bilhete de piqueniqueiro – desde que limpe as migalhas e coma de boca fechada (quem se vai importar?)

Bilhete de prestativo – vai de pé, dá o lugar.

Bilhete de falador – fala, fala e não se cala.

Bilhete de estremunhado – ressona, acorda, boceja e fareja: onde estamos? – o que se passou?

Bilhete de ilustrado – mete pasta, jornais, livros, em inglês e encadernados.

Sei lá que mais bilhetes poderia ou deveria haver! Bilhetes rosa e azul para românticos, com direitos a olhares e suspiros…

Bilhetes de ir (nunca de ida) – de ir atrás do sonho.

Então de ida e volta?! – Jamais. Quem sabe se volta?

               

E bilhetes com borboletas, flores, gatos ao sol preguiçando, patos no charco, crianças a rir, barcos à distância, a chegar ou a partir…

Tudo pode valer.

Tudo.

Menos a palavra carimbo que retira a qualidade ao que não tem idade ou rótulo possível: A VIDA.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:31

Povo, Povo, eu te pertenço…

Sexta-feira, 27.03.09

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.310 – 8 de Julho de 1995

 

 

 

Seu Pai fizera uma carreira brilhante.

Foi um militar notável e veio a falecer com o posto de general.

Era filha única.

Família com tradições e haveres, aparentada com a nobreza.

Sua mãe contara-lhe histórias de seus antepassados. Coisas cruéis, mas verdadeiras – que mais pareciam fantasias de contos de fadas.

… Era a vida de fausto e de martírio de sua lindíssima bisavó – que o retrato pintado a óleo, e pendurado na parede do salão – dava testemunho.

… Haviam-se casado aos quinze anos, por decisões de família. Às escondidas, nas malas do enxoval aconchegou as duas bonecas preferidas.

                  ilustração do anúncio

… Era o violento ciúme do velho Senhor que a desposou mercadeando beleza e juventude por vultosos interesses…

… Era a sua vida de martírio, com as longas tranças entaladas com a tampa dum arca, onde as duas açafatas lhe traziam mimos e gulodices e se revezavam a contar histórias para a distrair e lhe secar as lágrimas.

Ali a serviam até com o peniquinho de prata, naquela humilhante circunstância, engendrada pelos caprichos doentios de seu marido e senhor…

                    

Quando o seu algoz voltava das caçadas e outros afazeres de rico ocioso, mandava que a libertassem cedendo a chave que carregava no bolso; que a levassem e perfumassem; que a enfeitassem com roupas, laços e jóias e lha trouxessem à presença com vénia.

Então, olhava-a deliciado e despia-a com requintes de vagar para satisfazer a sua gula incestuosa de velho sádico que, sem pudor, enxovalhava um corpinho de criança como quem desfaz uma flor com o tacão da bota. Por mórbido prazer.

                             

Porém, como a natureza é capaz de funcionar indiferente aos sentimentos, nasceram-lhe filhos, prisão que amou.

Mas, tantos foram que lhe esgotaram a vida.

Desta tragédia que era contada – apesar de tal, com certo orgulho pela grandeza desse passado – veio a decisão de liberdade para casar a gosto – de que fruíram as gerações seguintes.

Ela casara por amor.

Seu marido fora dono de armazéns e armazéns e lojas e lojas de vendas por grosso e por retalho.

Morreu cedo. Estupidamente – que as gerações, mesmo os mais apaixonados – cedem ás mazelas e pararam.

Impreparada, para gerir aquele império, vendeu tudo.

Pôs o dinheiro a render e dispôs-se a viver dos rendimentos.

A guerra – a grande guerra – gorou-lhe o projecto.

Desvalorizou a moeda e ela viu-se na casa cheia de coisas belas, apenas com a criada que desde mocinha a servia.

Começou a vender coisas… a vender…

Ficou pobre.

Aceitava com dignidade “ofertas” das pessoas que lhe queriam bem.

Morreu velhinha, bem cuidada pela criada, que trabalhava para a sustentar.

Se tivesse tido filhos, talvez, algum deles contasse esta história de uma família em que todos os elementos estavam identificados um a um, de geração em geração, como quem narra um romance medieval.

               

Talvez…

E, por certo, daria lugar de destaque à criada, sem estirpe, mas, com nobreza e coragem bastantes para transformar, apagada e humilde, uma tragédia num poema de amor e dedicação.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:34

“A VIDA PARA QUÊ?...”

Quinta-feira, 26.03.09

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.307 – 7 Julho de 1995

 

 Mother Teresa

A Vida é uma oportunidade: APROVEITA-A

A Vida é beleza: ADMIRA-A

A Vida é um dom: APRECIA-O

A Vida é um sonho: REALIZA-O

A Vida é um desafio: ACEITA-O

A Vida é um dever: ASSUME-O

A Vida é um Jogo: JOGA-O

A Vida é cara: PRESERVA-A

A Vida é um tesouro: CONSERVA-A

A Vida é Amor: SABOREIA-A

A Vida é MISTÉRIO: APROFUNDA-O

A Vida é uma promessa: CUMPRE-A

A Vida é tristeza: ULTRAPASSA-A

A Vida é uma canção: CANTA-A

A Vida é uma luta: TRAVA-A

A Vida é uma tragédia: ENFRENTA-A

A Vida é uma aventura: OUSA-A

A Vida é sorte: MERECE-A

A Vida é preciosa: NÂO A DESTRUAS

A Vida é VIDA: LUTA POR ELA

 

Madre Teresa de Calcutá

 

Não tenho dúvidas de que qualquer pessoa, que leia estas reflexões escritas por Madre Teresa, guardará da sua autora a imagem correspondente ao apreço que tais considerações lhe merecem.

E, mesmo quem nunca tenha reparado na figurinha frágil e gasta de mulher já velha, que por vezes os jornais publicamente vinculam; mesmo esses; guardarão consigo a mensagem de força, fé, coragem, inteligência, bondade e tudo o mais que transparece do seu discurso vigoroso e lúcido que aliás – corresponde à sua postura na vida!

         

Ficará assim, de lembrança, em cada qual, conforme a sua sensibilidade, formação e interesse, um retrato interior dessa mulher que, determinada e coerente vem traçando um caminho de missão em defesa da vida e dos valores divinos do humano – que todo o mundo segue e respeita.

Nestas e noutras coisas, pensava eu, meditando na força interior -  que me falta – mas anima quem tais coisas escreveu e prova com os seus actos a verdade do que diz.

                   

Porém, uma animada conversa/debate, na televisão distraiu-me e dei por mim a rir com o comentário do interveniente do partido socialista ao referir que está convencido de que muitos estão na política para satisfazer a sua vocação para o teatro.

E, porque o pensamento é incontrolável aqui me encontrei, sem mais nem quê, a reconhecer o gosto do vedetismo que impera por aí à nossa volta.

A tal ponto que se chega à lamentação naife, inocente como um dito de criança, que faz acusar por faltoso quem não lhe propaga os retratos desejados.

                  bruxaespelho.jpg

(Dizia a bruxa na Bela-Adormecida: Espelho meu! – há alguém mais lindo do que eu?).

Pensei então, dominando o sorriso de ironia – pensei então – se “isto” tinha razão de ser!

Honestamente – creio que não.

Retrato e imagem andam a reboque um do outro e, um desabafo – lamento, destes, já é um retrato.

Depois a “glosa” trocista e injuriosa feita com apelidos ou nomes de pessoas a quem a sorte faltou – também constitui um retrato bem nítido…

                         

E… um somatório de tantas pequenas coisas tão cruéis como injustas, denunciadoras de falta de respeito pelos outros e absolutamente desnecessárias – já são feição tão vincada, que chego a pensar que misericórdia era fazer esquecer quem assim procede.

É que quando uma imagem mais vincula o prazer das perseguições, a vaidade e a arrogância do poder do que qualquer outra coisa que – por mérito – se imponha espontaneamente – é sempre feio o retrato que nos mostram…

“Quem vai na berlinda” – tem que ajeitar a sua frágil humanidade ao luxo da berlinda.

 

Não pode, como rã que quis ser boi – encher-se de ar até rebentar – ensinam as velhas fábulas desde Esopo Fedro, a La Fontaine.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:33

A visita de despedida

Quarta-feira, 25.03.09

Jornal O DESPERTADOR

Nº 249 – 25 de Março de 2009

 

 

 

À primeira vista parece com este título, vou desaparecer de circulação!

Não é o caso.

Tenho, por força de circunstâncias várias, que alterar hábitos e compromissos. Gostando de cumprir civilizadamente o que considero as minhas obrigações de amizade e deferência para quem me merece estima e consideração, aqui estou a contar que afastando-me fisicamente de Elvas – porque de coração e atenção, estarei sempre, tão atenta, quanto puder – as minhas visitas – mais ou menos quinzenais, passarão a acontecer, só, se, e, quando me for sendo possível.

                   

Sendo de despedida a visita, gostaria que fosse leve, o assunto de conversa mas, como nem tudo é de nossa escolha, terá que ser para contar um triste, quase escabroso, facto.

Escrevi e assinei – como é meu uso - uma opinião sobre obras em Elvas que – penso – denigrem a cidade. Usei um direito igual ao de quem, com a mesma frontalidade, o quisesse contradizer.

                

Quem me conhece sabe que uso o computador apenas para escrever e imprimir. Tendo embora Internet só sei consultar uma pequena lista. Dela fazem parte, de Elvas, apenas – os que têm rosto – Câmara dos Comuns – Dina – Dualidades – Tasca – e – logicamente o honesto – Zé de Melo – que, funciona como uma voz da cidade, que embora se não identifique, frontalmente, procura ser – a voz de todos.

                

Daí a minha surpresa, quando na minha caixa do correio apareceu escrita em computador uma carta sem assinatura que transcrevia – parte – de um texto insultuoso que – estaria na net – no blog de um individuo do sexo feminino, (que em nome de homem se disfarça) – e, de cujo bilhete de identidade, me forneciam cópia, que juntavam.

Não fora isso e teria ido tudo directo ao lixo – sem sequer ser lido como uso fazer, em tais casos.

Pedi a pessoa amiga que visse se era verdade.

 Que sim! - Foi-me dito.

 Como não falo com fantasmas, passei adiante, e – fiz questão de não ler o texto – de que só conheci a mostra que recebi e prova o que “vale” o anónimo que o produziu.

A cópia do documento, que vinha anexa, enderecei-a ao próprio indivíduo com uma pequena carta manuscrita em que dizia apenas, mais ou menos isto: - recuso-me a acreditar que “…” tenha escrito tais coisas…

Seja frontal – assine o que escreve – não se esconda sob nomes falsos ou anonimatos.

Já obtive resposta com aviso de recepção, que, como é lógico, não fiz gosto em conservar…

                     Entre Linhas...

E, meu conto terminado, já que mais nada posso fazer por quem parece muito temer, quem muito desdenha – dou o assunto por encerrado dizendo como o Bocage quando devolveu cheia de rosas a canastra que cheia de lixo lhe haviam mandado.

 Cada um – dá do que tem!

Até que Deus queira!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:14

Não Fora!

Terça-feira, 24.03.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.977 – 10 de Fevereiro de 1989

                 

Quem foi que não pensou que o tapete simula em casa, a macieza e conforto da fresca e florida relva dos prados!

Quem foi que não pensou que na caverna, a pintura rupestre reproduzindo bichos, árvores e homens, trazia para o interior, a evocação do mundo exterior!

Quem foi que não pensou que já a tocha e a candeia “queriam” ser luar, estrela, sol, quanto mais o lustre ou o farol.

                

                Não fora o pássaro voar e não a asa!

 

             Não fora o peixe, e quem ousaria o mar!

 

Não fora a fera caçar, e não lembraria a arma que mata, como a guerra dilacera!

 

              Não fora o ninho, e quem lembraria o lar!

                   

Não fora a chuva, o vento, a tempestade, o raio e o trovão, e como nasceria a dança, o canto e a música!

               sonho-de-liberdade1

Não fora o céu ser docel sobre rios, vales, rochedos, montanhas e lagos, e quais seriam as senhas da aventura e os sonhos de Liberdades!

                

“A arte e a ciência são os dois opostos que integram todos os fenómenos da natureza” convencem pela emoção, prendem pela imagem, pelo som, pela lógica.

                    

MAS… quem foi que não pensou que em vez da vida – só a Vida!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:19

Estatutos trocados

Segunda-feira, 23.03.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.76811 Janeiro de 1985

  

Algumas vezes acontece ouvirmos outras pessoas formularem opiniões que, espontaneamente, cometemos: era isso que eu queria dizer! – ou: - é isso que penso!

Na verdade, assim é. Vamos vivendo, vendo, acumulando experiências e conhecimento e, em certos momentos, somos surpreendidos por ver alguém à nossa frente verbalizar o que nos já era verdade assente – embora nunca o tivéssemos expressado.

A nossa opinião defendida assim por outras pessoas, dá-nos uma perspectiva engraçada: é como se pudéssemos ver de fora – para dentro de nós.

                                     

Pois, foi assim, outro dia, escutando uma entrevista pela rádio.

Falavam do que todos nós sabemos: a dificuldade em todos os aspectos, da vida do nosso País. Falavam de soluções possíveis – falavam de diversas formas de as encontrar.

Uma coisa, porém, ficou evidente nas diferentes intervenções:

Uma das principais e mais graves carências, é a da justiça.

Quando o homem da rua se queixa da fraqueza do governo – acusa-o da fragilidade com que exerce a justiça.

É na verdade necessário e urgente que se possa andar em paz e segurança nas ruas. É necessário desmantelar as inúmeras quadrilhas de todos os tamanhos e feitios, que por muitas diferentes artes e maneiras proliferam por aí, minando e corrompendo a justiça social. É na verdade, necessário e urgente, deter e suster o uso e abuso de “liberdades” que nada tem que ver com a liberdade a que todos temos direito.

                        

Quem trabalha, quem cumpre, tem direito à liberdade de viver em paz – trabalhar em paz – deslocar-se em segurança pelas ruas das suas terras, das suas cidades, a qualquer hora do dia e da noite. Isso faz parte do verdadeiro estatuto da liberdade.

            

 

 

 

O que nós temos agora é apenas a oportunidade de nos esgueirarmos de uns lados para outros, receosos, assustados, sempre esperando ser espancados e roubados…

Concluindo: O Povo ordeiro é que tem que viver e proceder com as cautelas e os temores que definiam a atitude insegura de ladrões e malfeitores.

Tranquilos – impunes – à vontade --- agora por cá – quem anda: - São eles.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:17

Coisas do destino

Domingo, 22.03.09

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.298 – 5 de Maio de 1995

 

 

“Memorial do Convento” – não foi um daqueles livros que eu tivesse lido sem parar, até perder o fôlego – como é meu jeito.

Não foi, não!

Muitas vezes suspendi a sua leitura e empenhei a minha atenção noutras coisas que a solicitavam, sem o mínimo constrangimento – tão desinteressada dele – venha a verdade, que me regalava “petiscando” de outros livros, os meus eleitos – que tenho sempre por perto.

No entanto,Memorial do Convento”, é, dizem os críticos autorizados – e eu até concordo – sem que por esse parecer alguém se interesse – um livro com fascínio.

                         

Se é verdade que por vezes se pode pensar dele que é mais chato do que a “Légua da Póvoa”, não é menos verdadeiro que uma vez vencida a relutância de nos embrenharmos no seu clima, a leitura ganha um deslizar tão natural que conquista a nossa atenção e dele se guarda depois lembrança duradoura.

Comigo, pelo menos, foi assim.

E, foi-o, de tal forma que hoje, a propósito já nem sei de quê, a sua lembrança se me impôs e me ocorreu falar dele.

Talvez um pouco, porque narra factos históricos ligados a Elvas. Talvez.

Descreve a troca das princesas no Cáia.

Dona Bárbara, para lá – Dona Mariana para cá. Tudo isso que foi vivido aqui à nossa porta com o aparato, o cerimonial e todo o protocolo que sempre coube à realeza.

No seu reinado – primeira metade do séc. XVIII – D. João V – o “magnânimo” fizera promessa, que cumpriu, de que o Convento de Mafra seria erecto se sua mulher concebesse. E foi a princesa nascida, desse “milagre”, que, ao que a história conta, foi “contrabandeada” aqui na nossa fronteira.

Tenho a perfeita convicção de que esta não é maneira muito canónica e referir história e obra tão louvada.

Tenho. E, ainda para mais da autoria de tão galardoado escritor que até já foi proposto para o prémio Nobel.

Tenho essa perfeita convicção. Mas, quando um livro sai da mão de seu autor e se torna obra impressa de folhas e páginas contidas entre duas capas mais ou menos sedutoras e aliciantes – ele passa a ser também de quem lê.

Mantém-se é certo, descendente directo de quem o criou. Porém, quer o livro, a obra de arte concebida pela inspiração, talento, inteligência, criatividade, saber, ou seja lá o que se lhe queira chamar – quer um filho de sangue – têm caminhos próprios inalienáveis. Ainda quando se trate dessa tal princesa que Dona Maria Ana Josefa, vinda de Austrália, deu à luz por via dos amores do Senhor Dom João V – numa cama preciosa bulindo de parasitas. (conta o Memorial).

Assim que, como as pessoas, os livros também grangeiam nos seus percursos mais ou menos fama, prestígio, aceitação…

Pessoalmente, não morro de amores pela escrita de Saramago.

(Vejam que ousadias permite a democracia à minha ignorância!...)

Ora tudo isto porque, relendo aqui e ali fragmentos de “Memorial do Convento” – senti de novo o “bafo” axficiante das camas quentes dos palácios onde reis e princesas dormiam tão assediados por legiões de percevejos, como qualquer soldado ou maltrapilho – todo um povo – que, às claras, se catava de piolhos como símios, entre si, cantam pulgas abrindo marrafinhas na pelagem… E, lembrei-me da carta de despedidas do parasita que, guloso como um vampiro, partiu em demanda de nova cabeça para explorar:

                          

“Se disserem que morri entre unhas:

- arranjai testemunhas…

Se disserem que morri em água quente:

- esperai-me sempre…

Se vos disserem que morri em lume de algum lenho:

- Não me espereis, nem escreveis, que já não venho.”

- Coutos de “ratinhos” entre a poeira e o calor das ceifas que aumentam as coceiras…

Ball-and-stick model of DDT or Dichloro-Diphenyl-Trichloroethane. 

E… não é que de repente pensei com gratidão, quase com ternura, no altamente poluente D.D.T.?

Coisas do destino.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:59

Motivo de Conversa

Sábado, 21.03.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2016 – 10 de Novembro de 1989

  

Diz um provérbio árabe que só vale a pena atirar pedras às árvores que dão fruto.

Devem de ter razões os árabes.

Atirar, pedras só por atirar, não passa pela cabeça dos árabes (pode deduzir-se).

Deve parecer-lhes coisa à toa, sem sentido e se calhar, os árabes, gostam de identificar o sentido daquilo que fazem.

Desta maneira, atirar às árvores carregadas, dentro da mentalidade árabe, já se justifica.

Haverá sempre hipótese de derrubar alguns frutos para consolar a gula de quem os cobice, ou de amainar a raiva de quem só queira destruir.

De qualquer modo será sempre um gesto com consequências lucrativas para quem o exerça e parece-me que também, a indicação de pistas, ficará a saber onde estão os frutos.

Não sei se isso, foi previsto pelos árabes. Não sei porque o povo português não tem grandes semelhanças com os árabes.

Nunca a imaginação dos portugueses criaria uma “Xerezade”, a “Lâmpada de Aladino”, “Ali Bábá”, as “Mil e uma noites”. Também os espanhóis jamais inventariam tal história.

Mas, em contra partida, D. Quixote, só a Espanha o poderia idealizar. Esse sonhador de quimeras, e o seu pesado contra-ponto Sancho Pança, realista e prosaico, lento e seguro do seu bom senso sem horizontes como o simpático burro que o conduzia – nunca seria, nem por hipóteses, árabe ou português.

Os povos encontraram sempre, na sua sabedoria colectiva, expressões simbólicas ou figuras de lenda e heróis que os representam como reflexo da sua maneira profunda de ser. Da sua verdade interior, da sua génese.

               CAMOES.bmp

Ás vezes, chego a ter pena que Camões tivesse existido, porque Camões é tão genuinamente português, que tinha todos os condimentos para ser mentira. Para ser a figura de ficção criada pela alma do povo que se lançou mar-a-fora, à procura da sua história no caminho dos descobrimentos.

                

Talvez por isso, o português saudosista, gema o fado, os

                          

 

espanhóis dancem como a contorcer-se em estertores de amor e agonia, e os

                                 

árabes “Lamuriem” os seus salmos sem fim como se tivessem que durar as “mil e uma noites”.

Ou talvez não seja nada disto, que pensei, por acaso, e achei engraçado para motivo de conversa.

 

 

Talvez até quem goste de conversar a falar se entenda sem atirar pedras.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:16

Dolores

Sábado, 21.03.09

 

Colhemos para si

pelo dia de hoje

PARABENS

Beijinhos

 

Tia Zé e Paula

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Pensamentos de Mª José

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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