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Prémio ao blog

Sexta-feira, 20.03.09

 

 

 Este prémio veio da amiga

Poeta porque Deus quer 

 http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/

 @@

Os nomeados são:

http://escritosdeeva.blogs.sapo.pt/

http://ncescada.blogs.sapo.pt/

http://www.coisasimplesepequenas.blogspot.com/

http://bitacora.blogs.sapo.pt/

http://patacuriosa.blogs.sapo.pt/

http://mayafelix.blogspot.com/

http://flosinha.blogs.sapo.pt/

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:20

Poema

Sexta-feira, 20.03.09

.

Habito dentro de mim
Que dentro de mim - vou estando
Fora de mim vai o mundo
Eu, quieta - ele girando
É dentro de mim que guardo
O que vejo
O que sinto
O que faço
O que pressinto
O que me doe - ou me encanta
O que entendo e me acalenta
E, o que não sei entender...
Tudo sorvo e absorvo
nesta ansiedade de ser...
E, às vezes sobro de mim
mas me recolho e contenho
e me aconchego no sonho...
Porque de mim o que sei
É que um dia partirei
incapaz de me habitar...
E, será já fora de mim
que então descobrirei
se fui quem devera ser
ou se jamais o serei...
….


Neste dia do Pai – as minhas duvidas existenciais – numa meditação mais ou menos rimada a que me permito chamar - poema - que venho dividir com todos vós pedindo ao Pai de Misericórdia luz para o caminho das nossas vidas.
Beijinhos

 

Maria José

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:33

Quem sai aos seus

Quarta-feira, 18.03.09

Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.033 9 de Março de 1990

 

 

 

Recebi, enviado por mão amiga, um postal que retratava um prédio enorme, revestido ainda por andaimes, e que traz em rodapé um pensamento de D. Hélder da Câmara, que reza assim:

UM RECADO

 

Quando assistires

á retirada dos andaimes

contempla – é claro –

o edifício que surge

mas pede pelos andaimes,

pois é duro

servir de suporte

à construção

ser necessário à obra

e na hora da festa

ser retirado como entulho!

 

Achei interessante esta forma (actualizada) de lembrar o soldado desconhecido.

Nunca é demais o respeito que se demonstre à medida de quem humildemente ajuda a construir o nome dos grandes que a história vai retendo.

Ocorreu-me, porém, um outro recado, de que eu própria fui portadora, e me parece de acordo com a intenção que, suspeito, a mensagem encobria…

        As únicas criaturas evolvidas o suficiente para compreender o amor puro são os cães e as crianças. (Johnny Depp).

Vou contar:

Todos os anos eu costumava ir de visita a casa de minha Avó e de meus tios que viviam em terras diferentes, no Algarve.

Uma vez, já minha Avó passava dos noventa anos (viria a falecer com 103), perguntei-lhe se desejava alguma coisa para seu filho mais velho, meu tio, que eu ia visitar e do qual ela “devia” ter queixa, porque só muito raramente lhe dava notícias ou a visitava.

Huuum... Quando é que volto a vê-lo?

Recomendou-me então:

 

Dize-lhe lá, que eu penso sempre que ele se lembra muito de mim.

Eu saio a minha avó.

Sou confiante.

Sei o que dou! – Acredito poder dispor da justiça que mereço.

 

Maria José Rijo

Eu quero um filet mignon, um bife, três carapaus, água fresca e paté de fígado.

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:54

Contra-luz no Alentejo

Terça-feira, 17.03.09

Conversas Soltas

Nº 2.328 – 8 de Dezembro de 1995

Jornal Linhas de Elvas

 

 alentejo-FLobo.jpg

Há dezenas de anos que tento contar esta história.

Porém, à última hora, não sei que sentimento inibidor me detém a intenção e não o tenho feito.

Hoje, porém, decidi-me.

É uma história de vida. De vidas tristes.

Onde perpassa a miséria e a frustração, mas, também plena da luz que irradia de sentimentos fortes como a bondade e a delicadeza de alma.

É uma história de verdade.

Foi-me contada em condições especiais.

Certa noite, numa cozinha grande, escura e inóspita, uma garota com as mãos cheias de frieiras, entrapava dolorosamente os dedos para lavar com menos sofrimento (se possível) tachos e panelas numa barrela de cinza e potassa.

Sem saber muito bem como afastar a garota do suplício sem criar atritos com os patrões da rapariga – ausentes na circunstância – a mulher inquiriu:

-- A Água está quente?

-- Muito quente! – Foi a resposta

-- Tenho as mãos geladas – insistiu a mulher – deixas-me lavar essa louça para as aquecer?

A rapariguita olhou a mulher bem nos olhos e sem dizer palavra afastou-se dos alguidares cedendo o posto à visita da casa e foi sentar-se observando a cena.

Então, volvidos alguns momentos com uma voz decidida, anunciou, sem aparente emoção:

-- Vou-lhe contar a estória de ti Ana das migas.

     

Manifestando, assim, secamente o seu propósito – começou:

-- A gente morava numa barraca lá no Olival

-- A gente criava gado.

-- O porco amanheceu com mal.

-- O mê padrasto disse à nha mãe pró trazer ó alveitar.

-- A nha mãe disse: - atão e o mocinho?

-- Que o mê irmanito andava com fevres.

-- Moços é o ca gente faz mais depressa – disse ele – e o porco custa denhêro.

-- A nha mãe veio para a cidade com o porco.

-- O mê padrasto foi précurar trabalho.

-- E cá fiquei a coidar do mê irmanito e do mê burro.

-- Desatou, atão, a chover. Pracia que o céu desabava desfeito em água.

-- Ospois vieram-nos os trovões.

      Chuva fina

-- O burro assustou-se, soltou-se a fugiu.

-- A gente teve medo de apanhar porrada por mor do burro e abalamos debaixo de água a ver se o agarrávamos

-- Fazia escuro, pracia noite e a gente já nâ sabia por dende haveramos de ir.

-- A gente perdemos e começamos a chorar alto e a bradar.

-- A ti Ana das migas óviu a gente e veio ver.

-- Dêtou o xaile por cima da gente e levou a gente prá barraca dela.

-- Mandou a gente assentar-se ao lume pra enxugar e disse assim:

-- Nã chorem qué faço umas miguinhas e uma penguinha de café e voceis aquecem.

-- Chamavam-lhe Ti Ana das Migas porque ela adorava migas.

-- Ela fritou os alhos, no lume de chão, fez o comeri e o caféi e deu à genti.

-- A mim deu-me os alhos fritos todos e, ê cá comi-os.

-- Amargavam!!

-- Então, se não gostas porque comeste - interferiu a mulher, com um ar quase de malícia e os olhos húmidos de terna compreensão e bondade a garota disse com sinceridade.

-- Ela deu-me o quela mais gostava!

Um silêncio incómodo pairou na lúgubre cozinha após o relato.

A loiça já estava lavada.

A chuva que provocara a visita – havia cessado.

     

A mulher aproveitou a “aberta” e esgueirou-se para a rua onde a calçada molhada luzia como espelhos quebrados em mil estilhaços, sob a luz das lâmpadas.

Sentia o rosto em chamas.

O coração batia-lhe descompassado.

Não sabia se havia de rir ou de chorar.

Qualquer sentimento lhe parecia legítimo.

Sabia que beirara fundo a beleza duma alma de criança com uma experiencia tão grande de sofrimento que se tornara sábia no entendimento das pessoas.

Tão sábia que respeitava o pudor da alma dos outros e da sua própria.

Andando à toa pela rua, a mulher percebeu que acima de tudo sentia medo.

Medo, vergonha, revolta, desespero e raiva por não saber onde encontrar as mãos que é preciso estender às crianças que choram perdidas, à luz dos relâmpagos, e ao som dos trovões, pelos caminhos enlameados pelas tempestades – que colhem – sem que as tenham semeado.

Narrou-se então esta história que, afinal, hoje, deliberadamente, contei.

 

Maria José Rijo

 

 

    

onde está a liberdade?

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publicado por Maria José Rijo às 21:57

Ser de cá

Segunda-feira, 16.03.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.860 – 31 de Outubro de 1986

                       

Lembrei-me duma história verdadeira, que em tempos me fez rir com gosto, embora se tivesse passado num velatório.

Uma velha Senhora chorava inconsolável o marido morto, então, sua filha já também de certa idade, abanou-a com ar reprovador dizendo:

- “Porque chora a mãe tanto? – “Ele” nem sequer era do seu sangue! – Eu, é que não poderei ter conformação – era o meu Pai”

E, com ares de dignidade ultrajada foi chorar para outra sala, o seu direito a um desgosto maior e diferente.

            Ana a Chorar.JPG

Foi disto que me lembrei – quando as pessoas mais ou menos afavelmente me dizem, conforme as circunstâncias – “Você não é de cá” – ou – “Você é como se fosse de cá”…

Qualquer das formas tem como conclusão única que – afinal – sou de outro lugar. Qual?

Ninguém sabe para mo dizer.

Dentro da original lógica da minha amiga da Guarda – só o sangue faz parentesco. Dentro da humana lógica da velha Senhora viúva, o amor, é o sangue que ata e desata os parentescos.

                  http://www.gin2008.org/kotisivut/docs/f837485183/logica_logo.jpg

Não discuto lógicas e, menos ainda, - Que Deus me defenda! – a lógica do amor… que nunca a teve – valha a verdade. Nem discuto o direito de cada qual, de chamar a si “dimensões” especiais de sentimentos nunca mensuráveis – quanto mais por manifestações mais ou menos históricas. Mas…como todos temos as nossas susceptibilidades deixem-me cultivar esta – quero saber de onde sou! – e já que de cá não sou embora pareça e, de onde sou, nem já parece ser – escolho para mim “pátria” a minha infância – que da sua lembrança colho o começo de tudo quanto fiz, faço, gostaria de vir a fazer ou de já ter feito.

Deste modo – estando aqui ou ali – serei sempre e apenas eu – à procura de mim – tendo como ponto de partida o amor daqueles a quem pelo sangue pertencerei sempre – mesmo que ninguém me reclame de qualquer terra ou lugar.

Assim – ser de cá ou de lá – já pouco importa – SER – será a minha meta.

 

Maria José Rijo

 

                       

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:26

Reminiscências 12

Sábado, 14.03.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.697 – 14 – Fevereiro – 2003

Conversas Soltas

Reminiscências 12

                 

 

Gosto do número treze.

Gosto de bruxas.

Melhor, penso que gostaria, pois, ao que julgo, ainda não conheço nenhuma.

Gosto das sextas-feiras, e de tudo o que gera arrepios de medo a quem cultivar superstições.

Assim sendo, ao reparar que a evocação das minhas reminiscências já passara o número doze, logo me apeteceu para o décimo terceiro lugar, procurar no meu arquivo das lembranças alguma história, tanto quanto possível divertida, para espantar o agoiro.

O que vou contar com seu quê de anedótico, também serve para provar a força das aparências.

Morávamos nas Caldas da Rainha.

A cidade então, aí pelos anos sessenta, mantinha, (oxalá os conserve) costumes de um pitoresco irresistível.

Eram os mercados diários na Praça principal com as vendedeiras e vendedores transportando em burros e carroças as mercadorias que descarregavam espalhando-as no chão, sobre a calçada.

Eram os burros ajoujados com enormes cestos de grossa verga, onde vinham patos, frangos, frutas, hortaliças, e, até as crianças, os filhitos mais pequenos, anichados dentro deles, indiferentes ao balançar cadenciado da passada dos animais, sob a sombra protectora dos grandes chapéus de sol, dormindo como se estivessem nos seus próprios berços, ou, tudo espreitando, com olhos curiosos, como se estivessem à janela, quando “viajavam” acordados.

S/N - Portugal-Caldas da Rainha: Praça da Republica À hora do Mercado - Editor Fernando Daniel de Sousa - Editado em 1944 - Dimensões: 15,0x10,5 cm . - Col. Miguel Chaby

Era todo o colorido de frutas, flores, vegetais, loiças, e ainda o movimento dos fregueses e, dos compradores, a algazarra das conversas entrecruzadas, e de alguns pregões; a competição dos preços, regateados até ao meio tostão...

Talvez motivado por essa vivência de coração aberto duma cidade que se dá, sem reservas, a quem a visita e a quem nela vive; o convívio era franco e saudável entre toda a gente.

N.º 22 - Portugal Caldas da Rainha Tipos de Mercado. Vendedeiras de Fruta - Editor Passaporte Loty (Editado em 1951) - Dimensões: 9x14 cm. - Col. Miguel Chaby

Talvez também a proximidade do mar, as termas e todo o enquadramento próprio que torna as terras do litoral, com as idas e vindas dos banhistas mais garridas e livres do que as vilas e aldeias do interior das Beiras e dos Alentejos, tivessem também seu forte contributo no trato liberal com que todos nos saudávamos e convivíamos.

mercado.jpg

Então, aconteceu, que um bom amigo que era funcionário da mesma instituição em que meu marido trabalhava, era, simultaneamente dono de uma funerária.

Não sendo ele rico, esforçava-se por arranjar oportunidades para abichar negócios rendosos. Assim que, quando se estavam a terminar as obras da ponte, 25 de Abril, que na altura se havia de chamar Salazar teve conhecimento que os engenheiros americanos, antes de regressar às suas terras iam por em venda, assucatada, dos seus soberbos carrões.

Correu a Lisboa, e logo se afreguesou do maior que viu e, lhe pareceu ser possível de ser transformado em carrinha funerária.

Era uma bisarma desconforme!

Parecia coisa do tio Patinhas, na mais perfeita fantasia dos desenhos animados, com bandeirinhas, emblemas, e bem espelhado de cromados.

O nosso homem fez a aquisição e regressou às Caldas mais contente do que um frade beberrão, a quem dessem de presente o melhor vinho das missas e começou a convidar conhecidos e amigos para usufruírem da maravilha antes que a nova serventia lhe desvirtuasse a espampanante aparência.

Sendo nós também contemplados, calhou-nos numa tardinha de sol, partir ao acaso pelas estradas das redondezas, deambulando por entre verdes pomares, casais e pequenos vinhedos.

A certa altura, por um acaso, abrandamos ainda mais a velocidade de passeio em que seguíamos, porque à nossa frente iam, roncando desenvoltas, algumas luzidias motorizadas.

Foi então que, ao abeirarmo-nos, dum pequeno povoado começaram a estralejar foguetes, a filarmónica toda perfilada, rente à estrada, a tocar, o chefe da banda a gesticular, as crianças das escolas a dar vivas e a agitar bandeirinhas, as autoridades a empertigar-se e, nós, divertidos e admirados, soubemos que nos haviam confundido com um ministro que era esperado para a inauguração, se calhar, de alguma fonte de bica, ou quejanda insignificância, como é nosso uso!...

E, foi assim que um carro salvo da sucata, que era por fora de cordas de viola e por dentro de pão bolorento teve no seu passeio de despedida com ocupantes vivos, as honras que neste nosso mundo mais se prestam às belas aparências do que a modestas e, apagadas, excelências...

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 22:25

Oiro e Prata

Sexta-feira, 13.03.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.055 – 10 Agosto de 1990

 

 

                    Ouro e Prata mesmo quebrado ou amassado Platina, Cautela de penhor da CEF.

“O Silencio é de Oiro – a Palavra é de Prata!”

Quanto mais penso neste aforismo menos concordo com ele, tão definitivo, tão dogmático se me afigura.

Para mim, a ter que decidir por escolha, daria o ouro à palavra. A palavra pensada responsável que engana, compreende, conta, vincula, esclarece.

De prata seria o silêncio acobardado que encobre, cala, consente, acachapa, alaparda. Não nego ao silêncio, por vezes, o valor que lhe cabe quando é sinal de prudência, pudor, táctica até.

             

Não, não nego. Aflora isso, não vejo porque doura-lo, por sistema. Ele pode ser egoísmo, incompreensão, desinteresse, comodismo, oportunismo, medo, cobardia. Pode também ser luto e morte.

A ter de rotular, em definitivo, qualquer deles daria, mais espontaneamente, o ouro à palavra. Atribuir-lhe o ouro da garantia, de compromisso da responsabilidade, do penhor, da reserva cautelar.

                     silencio

Evidente que o compromisso também envolve medo. Mas, medo assumido, medo identificado é medo comandado, domável. E o medo que despoleta, empurra para a decisão, para o risco de viver sem mascara, rosto ao leu batido de chuvas e sois.

Só o ser humano fala e pensa.

Não poderia assim ser de ouro o silencio e de prata a palavra. Não poderia.

Ninguém vale mais a dormir do que acordado.

          

Silencio, sim – mas quando signifique decisão, obstinada decisão de não soltar a palavra. Então não é silêncio de morte. Pode ser a coragem de prender a palavra, pensada e retirada – mas palavra – embora recusada.

Aí, concedo-lhe o ouro.

Silencio, só silêncio por silêncio – pode apenas ser espaço oco – vazio – vácuo.

Aí – nem de ouro nem de prata.

Também nem de ouro nem de prata se for ambíguo, intrigante, esfíngico. Também não.

O dia é dia. A noite é noite.

         

Talvez o silêncio seja a incerteza do anoitecer. Tem os seus encantos. Tem. Tem os seus perigos, também. E, é isso.

Ouro e Prata sempre quer para a palavra quer para o silêncio – não é a solução. Melhor. É a solução demasiado simplista.

Oiro e prata a cada qual algumas vezes. Outras não. Questão de circunstância, de compreensão, inteligência do momento.

                   

Porém, obrigada à escolha, em última análise – votaria na palavra.

Sim. Creio que sim.

No princípio era o verbo.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:36

Tudo o que é legal é legítimo?

Quinta-feira, 12.03.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.011 – 12 Março de 2009

Conversas Soltas

 

 

           

O que é legal – passa – por essa circunstância, a ser legítimo?

E, o que é legítimo? - Sendo assim – não teria de ser automaticamente legal?

Por mais legalidade que haja, nos meios usados para ter sido autorizada a obra que aleija para sempre a cidade de Elvas

Isso pode ser legítimo?

 Até agora – depois de Ávila – tinha a cidade de Elvas, a mais Perfeita Muralha da Península.

Tinha! – Não tem mais...

Ou será que as esplanadas eram apenas “escorregas” à antiga?

- Só quem foi capaz de pôr um desnecessário “Coliseu”- a que pomposamente colou o seu nome por inteiro – a manchar a bela  panorâmica  da entrada da  cidade e, com essa – mesma - falta de visão tem transformado o centro histórico num ermo, expurgando a vitalidade dos espaços públicos inter- muralhas, para   justificar a utilidade atribuída  ao mais flagrante símbolo da Rondónia

- Quem não foi capaz de ver, que a urgência, era a recuperação do velho burgo para poder reactivar e sustentar o pequeno comércio – mitigando o desemprego – promovendo o turismo e impedindo a desertificação com todas as suas trágicas consequências...

- Quem de tal confusão foi capaz – por certo - não parou para pensar quais as fronteiras - morais - entre o legal e o legítimo .

- Quem se dá ao luxo de permitir que se erga um edifício que encobre a perspectiva visual do Forte de Santa Luzia – privando por acréscimo, até quem passa na estrada, da visão magnífica que as muralhas oferecem...

- Quem manda “engaiolar” o que resta da Quinta do Bispo que sem legitimidade histórica mandou esfacelar – porque conseguiu o fabrico dos planos de pormenor legais - que  permitiram essa afronta á memória de “Imortais” que engrandecendo Elvas , engrandeceram Portugal...e agora não sabe descalçar essa bota porque o seu culto do Eu, não lhe permite admitir, sequer, que possa alguma vez  ter –se enganado...

 

- Quem diz pretender levar as muralhas de Elvas a ser consideradas Património da Humanidade – e, as aleija impiedosamente destruindo as esplanadas que as rematam sustentando o seu equilíbrio e beleza...

- Quem inventa fazer uma nova circular à cidade - desrespeitando a intimidade estrada – fortificações - que permitia fruir até o perfume dos campos e  toda a grandeza da paisagem sem nunca deixar de se sentir ombro a ombro com as vozes da história a qualquer viajante...

- Será legítimo que – quem tanto já desfez – fazendo...

- Possa continuar a sua senda de destruição embandeirando em arco?

- Para fazer a Biblioteca, aliás magnifica, destruiu-se o Museu – A propósito: - em que condições está esse acervo?

- Estará a apodrecer, algures, ou a mobilar salas do Coliseu?

     Nesta – moderna - reedição da antiga “União Nacional” – que nos foi imposta – desta vez em redor da trilogia – Degustar, Passear e Fanfarronar – como é possível que se apaparique a “Idade de Ouro”, e simultaneamente se comprometa o futuro?

velhos_pedros-simoes.jpgFoto Pedro Simões

- Será porque votam?

 

Disse Leopoldo Senghor: (e, é urgente relembrar)

             

“A terra não é nossa.

Foram os nossos Filhos

que no-la emprestaram”

 

 Que não se quebre mais o elo profundo entre os elvenses e o seu meio – porque ser de Elvas – não é igual a ser de qualquer outra cidade.

 

 

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:28

Quero ver a Deus

Quarta-feira, 11.03.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.837 – 27 – Outubro - 2005

Conversas Soltas

 

“Quero ver a Deus”

 

Nos dias 14 e 15 deste mês de Outubro realizou-se na Paróquia de Sta. Luzia a festa de Santa Teresa de Jesus.

Constou de várias cerimónias religiosas e a Eucaristia do dia 15 – dia de Santa Teresa - teve a presença do senhor Bispo D. Amândio Tomás.

Encerraram estas comemorações com um jantar convívio e um Concerto Orante, no museu de fotografia.

Trazer à colação a lembrança de uma festa, que já aconteceu há mais de uma semana e parece semelhante a outras festas de caris religioso pode, até parecer trabalho escusado. Afinal, a festa já aconteceu! – Já passou!

Mas não é assim, porque nunca é demais lembrar aqueles que pela sua grandeza de alma e, pelo seu exemplo, ficam na história da humanidade como marcos de luz e santidade.

Santa Teresa de Jesus nasceu em Ávila – Espanha, a 28 de Março de 1515 e faleceu no Carmelo de Alba de Tormes em 4 de Outubro de 1582.

Tinha 67 anos.

Santa Teresa de Jesus dirigiu todos os passos da sua caminhada nesta vida sob o desígnio do mais alto ideal do ser humano que ela soube sintetizar numa pequena frase –“ Quero ver a Deus”

Ver a Deus, parece uma frase simples, quase uma interjeição, um desabafo, um suspiro, e, no entanto com ela se anuncia o desejo de santidade, o anseio do regresso ao Pai que vive, às vezes oculto, mas latente, na alma de cada um de nós.Com ela se anuncia o desejo de nos despojarmos do que é acessório, do que é supérfluo, “da bagagem inútil” que tantas e tantas vezes carregamos sem nos dar conta.

“ Omnia mecum porto” respondeu o filósofo Bias que viajava sem bagagem....

        Assim por certo o terá pensado e sentido Santa Teresa quando em 1560, então com 45 anos auxiliada por S. João da Cruz, promove a reforma do Carmelo, onde vivia desde os 20 anos e professara aos 22, e, onde, em seu entender a vida corria demasiado fácil. Funda então as Carmelitas descalças e, ao morrer tinha fundado 17 mosteiros femininos e 15 masculinos.

Santa Teresa é uma das figuras cimeiras tanto da reforma católica como da literatura espanhola. Autodidacta, a sua produção literária reveste-se de valor excepcional, não só pela linguagem castiça e tom coloquial mas também pela densidade ideológica. No campo da teologia espiritual é considerada mestra da oração

Vida – Caminho de Perfeição – As moradas – Fundações – etc... etc... são títulos de obras que nos deixou.

 

Em 27 de Setembro de 1970, na Basílica Vaticana –  Santa Teresa,

Foi declarada pelo papa PauloVI “Doutora da Igreja Universal” confirmando a sua doutrina como pertencente ao tesouro espiritual da Igreja, e não apenas da Ordem Carmelita.

 

Os seus pensamentos, são verdadeiras rotas do caminho que seguiu e, cujo exemplo nos propõe.

 

“Deus não atende tanto `grandeza das obras como ao amor com que se fazem”

 

“ que os vossos pensamentos sejam sempre de muita coragem, pois disso depende que sejam as obras”

 

“A humildade é andar na verdade”

                               

Acção de Graças

Nada te perturbe. Nada te espante

Quem a Deus tem. Nada lhe falta

Nada te perturbe. Nada te espante

Nada te espante. Só Deus basta

 

Assim que sentindo-se

“Nas mãos de Deus”

nos deixa como guia

Dois versos que pedem guarida no

 coração de todos nós

 

Vossa sou, para vós nasci,

Que mandais fazer de mim?

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:58

Reminiscencias - 11

Terça-feira, 10.03.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.685 – 22- Novembro-2002

Conversas Soltas

Reminiscências - 11

 

Chove que Deus a manda!

O vento desassossega a alma de qualquer cristão.

A casa arrefeceu de um dia para o outro como se tivéssemos mudado para países de neve.

As portas e janelas estremecem, sacodem-se como que em arrepios de morte incontroláveis. E o vento, insistente, experimenta a cada passo a resistência de tudo o que se opõe à sua fúria desenfreada e zurze enlouquecido o que encontra e se lhe atravessa no caminho.

chuva[2]

Sempre, com estas primeiras tempestades do avizinhar do Inverno me reporto aos meus Natais no Algarve em casa de meus tios e meus avós.

Éramos sete primos irmãos tão unidos que costumávamos brincar dizendo que éramos mais do que primos, já que, também, éramos irmãos.

Vivíamos em cidades distantes mas, pais e avós enredaram-nos de tal modo no arreigado sentimento de família que os unia que festas e aniversários só se consideravam se fossem vividas com o rancho dos sete completo reunido na velha casa de família frente ao adro da igreja onde os nossos pais se tinham casado e todos nós fomos baptizados.

chuva-na-janela3

São recordações antigas.

Coisas de há quase, setenta anos...

Mas foi o vento, agora, que mas trouxe...

Foi o vento que me tornou presente os nomes dos livros que me induziram no vício de ler.

É que nas férias de Inverno, pelo Natal, quando os serões se alongam noite dentro; deitávamo-nos cedo.

Jogava-se um pouco ao “loto”, ao “bom dia senhorita”, “à glória”, entretengas inocentes que reunindo velhos e novos davam para aprender a perder “sem prender o burro” e a ganhar sem arrogância.

As braseiras, não eram então, usuais entre os algarvios e, deitar cedo era um costume bem aceito por todos, até porque a leitura, era mais do que um costume: era um vício!

Lia-se à luz dos candeeiros de petróleo.

Depois de já bem abafadas no aconchego das camas, até que o sono chegasse, a distracção era a leitura.

Eu dormia no quarto de minha prima mais velha, por ser das mais novas, vivia sob a sua protecção.

Era costume ela e as suas amigas lerem ao mesmo tempo as obras que escolhiam em conjunto e que depois nos nossos passeios e encontros comentavam, para meu deleite, comparando opiniões e pareceres, discutindo enredos e personagens.

Havia tanto entusiasmo nessas conversas que, às tantas, parecia que se estava a falar de amigos comuns ou conhecidos

Elas, já eram moças casadoiras, eu, apenas uma garota de doze ou treze anos que pelo gosto de ler tinha ganho acesso ao grupo das grandes.

Nesses tempos que hoje recordo, não havia ainda electricidade nas casas, nem nas ruas.

Ao anoitecer, vinha um homem, (então, ”lá” era o senhor Queitano) de escada às costas acender pelas esquinas os lampiões de petróleo.

Frente à janela do nosso quarto, estava um, mesmo na esquina da casa onde vivera João de Deus, o poeta de Messines, cuja memória também lá está assinalada numa lápide, nessa mesma parede.

Queitano, chegava e cumprimentava: - boa noite meninas! E, nós muito espevitadas respondiam: - boa noite “Quaitano!”

Porque era assim que ele queria ser chamado por achar “menos visto”

E, estava dado o sinal do começo da noite...

O Queitano, não era o sol no ocaso. Nem era a lua nos céus!

Pois não, mas era quem marcava o começo dos serões, porque sem luz nas ruas, ninguém se atreveria a ir a casa de ninguém.

Ás vezes, e o que nós delirávamos com isso, nessa hora do lusco-fusco íamos com minha tia a casa do senhor Prior levar um mimo para a ceia. (minha tia era eximia a fazer doces!)

Depois voltávamos felizes e abençoadas para o recomeço das nossas vidas cheias de paz.

E, tudo recomeçava...

Foi assim, revezando com minha prima mais velha, a ler em voz alta, à luz da chama do candeeiro de petróleo, que conheci “o drama de João Barois” de Roger Martin, as obras de Pearl S. Buck, e “entrei na família” das irmãs Bronté...

Foi assim que me arrepiei de encanto e medo com o Senhor Heathcliff e não esqueci mais “O monte dos Vendavais” que este “xaroco” de hoje me trouxe em saudosa memória...

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:57






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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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