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O pretexto da visita

Segunda-feira, 09.03.09

Jornal O DESPERTADOR

Nº 247 – 25 de Fevereiro de 2009

A Visita

O pretexto da visita

 

Qualquer pretexto serve para conversa.

Qualquer conversa é pretexto para entreter uma visita.

Nesta altura de Carnaval comentar máscaras e cortejos daria pano para mangas.

 Daria! - Mas se até o Carnaval já não passa de uma triste repetição, “dum transplante” desajustado do calor do Brasil para o frio de Portugal, sem graça e sem carisma...         

Se até a folia à antiga portuguesa dos festejos de comadres e compadres, já passam em brancas nuvens...

Dos “assaltos” com máscaras trapalhonas ou os outros de fatos a primor com bailes e fartas ceias também já são se ouve falar...

Se, tudo isso, são apenas recordações...

De nosso, o que se vê por aí, são as os rostos amarelos, as caras da crise e o desconsolo indisfarçável dos cortejos onde as ocupantes dos carros parecem cumprir mortificadoras penitências, tão quietas, e pouco alegres se mostram...

Salvam-nos as crianças que inocentes se divertem, por tudo e por nada e para quem andar a passear de mão dada com a mãe o pai ou os avós já é festa, quanto mais espalhar confetes como quem semeia sonhos.

Assim, que, procurava qualquer coisa que me causasse admiração,

algum espanto, ou curiosidade, qualquer coisa diferente para não cairmos na mesma monotonia repetitiva dos Carnavais.

Dava voltas à minha imaginação procurando um tema.

Para disco partido repetindo até à exaustão suspeições e tramóias de gente – dita de bem - que usa colarinho branco a vida inteira como máscara  tão perfeita, que até parece mentira que sejam , quem na verdade são... – já temos os noticiários...

Desesperava.

Nada de novo no nosso pacato horizonte.

                  

A cidade a cair.

Os roubos e violências – q. b. para inquietar...

O horror do resultado da obra do abate das árvores e corte das esplanadas da muralha a crescer em fealdade e inutilidade, como se previa.

Ninguém reclamava um autódromo!

Mas... há sempre um mas.

Eis que chega uma revista de propaganda socialista editada pela Câmara.

Nela se anuncia a recuperação do poético jardim das laranjeiras.

À saudável alegria da notícia junta-se o receio...

O que sairá desta vez!!!

Será o seu aproveitamento idêntico ao da Quinta do Bispo?...

A ver vamos – dizia o cego...

Na contra capa, celebrando a festa da época, uma máscara a preceito.

Com seu nariz vermelho, seus óculos desmesurados, seu cabelo multicor.

Então descobri a novidade.

Que graça!

Em trinta e uma páginas – há dezoito – dezoito – repito - que não trazem um rosto que costuma fazer as delícias deste povo que o ama tanto, tanto que estou convencida que sem esse ícone cinco ou seis vezes por página, como já tem acontecido, nem saberá ao certo de quem é este álbum de fotografias.

 

Bom Carnaval para todos.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 20:30

Três citações

Domingo, 08.03.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.726 – 19 de Setembro de 2003

Conversas Soltas

 

 

Já poucos livros compro.

Já nem devoro com incontrolável avidez, um ou outro a que não vou conseguindo ainda resistir, e, ou pelo tema, ou até, á vezes, pela sedução que a capa em mim exerce, compro um pouco ao acaso, sucumbindo à tentação, como quem se submete, vencido, ao apelo da gula.

Agora, tiro mais encanto e conforto interior, a reler. A revisitar textos de que guardo memória. A bisbilhotar as marcações de páginas, que ao longo dos anos fui deixando a assinalar, uma ou outra frase, um ou outro pensamento que, por razões de que já nem sei o porquê, deixei a jeito de consultar com mais facilidade.

É um pouco como quem procura amigos de sempre, em cuja sabedoria confia e acredita.

Nesta linha de procedimento, chamei a mim, de novo, o encanto que já repetidas vezes tenho saboreado a ler e reler Marcelo Mathias em “Lembrar de Raízes”.

 

Tinham acabado de me garantir que a decisão de construir o parque de estacionamento sob o tabuleiro da Praça da Republica, era irreversível...porém, como enquanto há Vida há esperança tive a tentação de reavivar o meu protesto contra projecto tão insólito e tão repudiado por todos os elvenses. Quase logo de seguida desisti do meu intento e para me libertar do “pesadelo”, optei por ler um pouco.

Lidas algumas linhas, impôs-se-me uma mudança de atitude.

É que acabara de encontrar a resposta adequada às minhas hesitações.

Cito:

“Aos outros a conquista da Liberdade.

A mim pertence-me conquistar as liberdades que me pertencem.”

“Entre os servos que se julgam senhores e os senhores que pretendem continuar a sê-lo estou eu, cuja única ambição é parecer-me comigo. (pelos tempos que correm, nem sempre é fácil.”

 

Muitos de nós sabemos isto.

Que, pelo menos alguns de nós, não desistamos!

 

Sem comentários, transcrevo a terceira citação...

De resto comentários para quê!...

 

“ Lembro-me de julgar que só era governo quem fosse mais inteligente do que os outros.”

 

 

Maria José Rijo

                 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:12

Tem uma certa graça...

Domingo, 08.03.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.960 – 13 de Março de 2008

Conversas Soltas

 

 

Pelo menos, a mim pareceu-me engraçado tornar pública uma velha fotografia que, não emparelhando com qualquer outra, sobrou, e guardei como se guarda o calhau da beira mar, o bilhete do circo, a flor seca – sem razão especial – mas guarda-se.

Um velho amigo, o Dr. Falcato pediu-nos certa vez, à Paula e a mim, ajuda para organizar álbuns com as fotografias que guardava, aos montes em caixas meio desconjuntadas.

Conhecendo algumas particularidades da sua vida que lhe tinham proporcionado amizades e convívios interessantes, aceitamos a incumbência, com curiosidade.

Foi divertidíssima a empreitada.

                        

Eram bispos, eram antigos primeiros-ministros, eram figuras femininas de grande destaque intelectual ou político. Eram recordações de inaugurações e eventos de toda a espécie a que estivera ligado, quer como jornalista, quer como assessor de um membro de um governo.

A certa altura eram tantas as repetições dos mesmos personagens embora em acontecimentos diversos que já nos riamos procurando os montes das Marias, dos Almeidas Santos, dos Zenhas, dos Veigas Simão, identificando-os sem perguntar.

Eis que nos surge um retrato com duas crianças e uma senhora ainda jovem que não pertencia a nenhum dos montinhos.

Separamo-la para indagar, quando fosse possível, a que circunstância se referia.

              

Foi então, que, com surpresa nossa, ficamos a saber que se tratara de uma visita ao palácio de Vila Viçosa, que fora proporcionada aos pequenos Príncipes do Mónaco, quando em visita ao nosso País.

 

É pois Carolina do Mónaco quem está de costas e seu irmão, o príncipe Alberto, de frente, com sua dama de companhia, estando todo o grupo interessado nas explicações do Dr. Falcato, o cicerone, na circunstância.

Sem mais a que se pudesse juntar, e sem álbum onde fizesse parte da história, para enviar de presente aos retratados, como aos outros, aconteceu – aqui ficou esquecida, aconchegada entre outros documentos que se conservam, quase por acaso.

Lendo recentemente e ouvindo na tele, bisbilhotices sobre figuras da sociedade em foco, tomei conhecimento de que Alberto do Mónaco vai casar, mudar de noiva, ou coisa semelhante. Apercebi-me que, nas colunas sociais, para além de o avaliarem como “partido” também discutem a sua figura. Bonito, feio, assim, assim...divergem os pareceres.

Escalpelam-lhe a vida, até ao número dos sapatos...

Porém, ninguém deu opinião sobre o seu carácter.

A sua forma de estar entre os demais.

                  

Do seu relacionamento ou respeito pelas mulheres – apenas que tem filhos de duas - que, para sentar no trono não estão à altura da sua real condição! - Isto contado como quem relata a mudança das poltronas lá de casa...

Pareceu-me que para quem faz, um certo tipo de revistas, um príncipe ainda é uma criação de contos de fadas, e, não, um ser humano, com deveres e direitos como todos os mortais, e lamentei de coração que estes assuntos sejam tratados em cor de rosa, com marchas nupciais em fundo.

 

Sendo hoje o “dia mundial da mulher” pensei mostra-lo como a criança, que foi, idêntico, então, também, a todas as crianças.

Tenho a certeza que, neste parecer, haverá unanimidade.

 

Maria José Rijo  

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publicado por Maria José Rijo às 00:07

Entardecer

Sexta-feira, 06.03.09

Parece que a minha alma me deixou

E, o caminho em que persisto

É de reencontra-la

para saber se sou

ou se apenas existo…

 

 

Maria José Rijo

(1992)

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publicado por Maria José Rijo às 20:26

Velha História

Quinta-feira, 05.03.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1933 – 25 de Março de1988

  

Contava-se entre as pessoas da minha família, uma história exemplar de humanidade e amor, que me lembrei hoje de recontar.

Um arquitecto,conhecido dos meus familiares levou serões e serões a fazer um trabalho que lhe fora encomendado. Quando, finalmente, o deu por terminado, sentou-se com a mulher a tomar uma reconfortante chávena de café, lá pelo meio dessa madrugada.

             

O filho, deficiente mental, acordou e vendo luz acesa levantou-se. Entrou à vontade no gabinete do Pai e deliciado, riscou, borrou, inutilizando todo o trabalho, depois, a rir, na sua feliz inconsciência foi chamar os Pais para verem a “sua obra”.

Então o arquitecto, pálido de desespero, levantou a mão para castigar o filho, mas parou, olhando-o com lágrimas e segurando-o pelos ombros, puxou-o a si, abraçou-o e foi repetindo piedosamente: coitadinho! Coitadinho!

Em seguida acompanhou-o ao quarto, ajudou-o a deitar e ficou a conforta-lo até ele voltar a adormecer.

Depois, heroicamente, começou a refazer todo o trabalho.

 

Ensinaram-me com esta história verdadeira, que as acções se devem aceitar também de acordo com a sua proveniência e que a medida dos homens se afere pela inteligência, sabedoria de vida, bondade, bom senso, respeito e prudência no julgamento dos outros.

                  sonho_2.jpg

Entre o que, às vezes, “apetecia” fazer aquilo a que o dever de consciência obriga vai a distância que medeia entre a bravata e a verdadeira coragem, entre a atitude néscia e a verdadeira sabedoria.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 21:38

Mandos e Desmandos

Quarta-feira, 04.03.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1728 – 30 Março de 1984

 

 

 

Parece que por pura impossibilidade de serem atribuídos efeitos retroactivos a lei do aborto – teremos que ser penalizados apenas pelo facto de existirmos.

Senão, vejamos como o espectro da multa, do castigo, passou a estar sempre à nossa vista, como a famigerada palmatória estava, nos velhos tempos, sonsa mas ameaçadora, sobre a secretária das escolas…

-É só pensar:

-Esqueceu-se de pagar a água ou a luz, ou não estava em casa no dia (que nem sequer é certo) em que para tal foi procurado?

-Espera ser avisado?

-Julga que o aviso volta à sua presença na cobrança imediata?

-Desilude-se! – Quando menos esperar cortam-lhe a água ou a luz ainda que tenha satisfeito todas as cobranças seguintes.

-Esqueceu-se de pagar a Previdência?

-Espera ter tolerância de, pelo menos, 24 horas?

-Espera pagar com um pequeno agravamento de juro relativo ao atraso?

-Desiluda-se! Paga juros (não que não paga!) mas paga também 3.000$00 de multa porque foi honesto.

Porque se você inventar um ardil bem forjado, se disser que esteve uns na China – já tem hipótese de não pagar…

No entanto, se for o poder instituído a faltar com o seu ordenado no dia certo, com a pensão de sobrevivência ou de invalidez – ninguém o indemnizará dos danos sofridos. Você já devia saber que a única responsável é a Burocracia. Ora como a burocracia, tal como os fantasmas dos velhos castelos, não tem rosto, embora – como a multa – tenha o dom da ubiquidade, para estar acoitada em todas as repartições - você nunca ganhará!

Jamais alguém encontrará a burocracia ao votar da esquina para lhe por a faca ao peito, como lhe fazem a si, a mim, a nós, a vós, a eles… que somos o contribuinte numerado, bem identificado para ser alvo fácil, passível, parceiro deste jogo arbitrário e desigual que não tem tempo limite, nem intervalos…

 

Quando o mando é de justiça

Calado o povo obedece!

- mas se o mando é de desmando…

Só Deus sabe o que acontece.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:44

Comparando...

Terça-feira, 03.03.09

Jornal Linhas de Elvas

Conversas Soltas

Nº 3007 - de 12 de Fevereiro de 2009

 

 

A locutora, era jovem e simpática. Tinha aquele encanto de presença 'fabricado' a preceito para a circunstância de ter que estar frente a um público que repudia o velho e o feio.
Falava descontraída, à vontade, focando assuntos de interesse, num português fluente e escorreito, agradável de ouvir.
Foi então que, referindo-se directamente ao entrevistado o tratou, embora ele tivesse idade para ser seu avô, pelo nome próprio, como se tratam, entre si, tu cá, tu lá, os companheiros de escola. Soou-me, como que uma nota discordante, qualquer coisa de desafinado.
Foi como que um quebrar de encanto.
Um certo invencível e incomodo mau estar.

            
Fora também convidado a participar na conversa alguém de outra geração. Alguém com idade intermédia entre os dois intervenientes em causa, alguém com idade para ser pai da jovem locutora, que começou a sua intervenção, saudando:
- Boa noite, Senhor Professor!
E, manteve a respeitosa cortesia ao longo da conversa.
Foi inevitável a comparação.
Um pormenor apenas - coisa pouca, mas que faz a diferença.
A idade também é um posto - mais, ainda, quando a ela se soma o reconhecido mérito.
À porta do supermercado uma figura simpática, arrosta a chuva e estende uma folha de papel solicitando assinaturas para a reeleição de um candidato político.
Porque somos conhecidas cumprimentamo-nos.
Não me pede que assine e esclarece que 'sabe' que eu não gosto do indivíduo proposto.

Registo como é fácil rotular as pessoas.

Registo como se LÊ dissidência política no código simplista das 'ditaduras - mesmo, quando, ditas democráticas..'. [a frase que cito,não é de minha autoria, mas, subscrevo-a].
Impossível, não fazer a comparação com a ideia que se tem de liberdade e autenticidade...
Será que é tão difícil entender a diferença entre dissidência política e ódios ou simpatias pessoais?
Se essa percepção escapa a quem manda, que justiça se pode esperar!!!

             
Conhecidas as causas - comparando - temem-se os efeitos.
Acompanho, como todos os portugueses, creio, os infelizes acontecimentos que todos os meios de comunicação propagam, a toda a hora.
Era bom não se passar da notícia documentada para as suposições. O diz--se - não tem cotação de honra na bolsa de valores morais.
Quanto mais melindrosos são os assuntos mais rigor deve haver no que se solta ao vento.

Os políticos podem até ser bonitos, ou feios, bem parecidos, simpáticos, vestir bem, ou mal, usar só gravatas italianas de seda natural ou andar de gola alta e tudo mais que lhes apetecer.

        
Ninguém tem nada com isso!
Aos países o que interessa e é passível de julgamento político, ético ou moral são os respectivos procedimentos em relação à causa pública.
Mas, esse juízo não pode assentar em atoardas propagadas com toda a convicção como se fossem dogmas.
Os políticos, todos roubam! - Garantia em conversa alguém, que assinara uma lista, com digna convicção, para quem quisesse ouvir, frente à prateleira, onde, com duas acompanhantes, escolhia produtos, [no tal super mercado].
Ao menos este, ou aquele - rouba, mas faz obra!

                       
Quando a corrupção é aceite como moeda de troca quem resiste à comparação com os valores em que acredita, pelos quais luta e pelos quais tantos sofreram, deram as vidas e morreram, como mártires tantas vezes...

Ou alguém duvida que os Santos e Mártires procuravam e defendiam a justiça e a fraternidade pela força da Fé!?
Vive-se comparando.
Queiramos ou não...

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:11

Gato escondido

Segunda-feira, 02.03.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1726 – de – 16 de Março de 1984

  

Aparece as vezes nos ecrãs da nossa televisão, uma televisãozinha insinuante, patusca, como uma piscadela de olho que nos queira conquistar…

Faz-se pequenina, doce como a EDP quando nos brinda com o seu recital de conselhos e mezinhas…

… Barragem vazia… menos energia!...

… E porque não?:

Fica de barriga vazia – mas paga a energia?

-- Quem há por aí que não tenha já avaliado o “amor” que nos têm, quando depois de meses sem cobrança regular, - aparece o “saque” que dá o golpe de misericórdia no agonizante orçamento da maioria das famílias portuguesas?

-- Quem não sabe como são “eficientes” e em “conta” os seus serviços, muito principalmente se lhe calhar estar na cadeira do dentista ou ficar fechado num elevador, porque a luz que custa os olhos da cara, nos deixa perplexos no escuro, sem aviso, sem desculpa, sem respeito, quando lhe calha e sempre impunemente?

-- Quem não sabe que com a luz se paga taxa de rádio, ainda que o contador seja só da escada do prédio ou da garagem?

      

-- Para quê agora esta televisãozinha tão ingénua, coitadinha?!

Tão desamparada a pedir a nossa intimidade?

-- Quem não vê o “rabo de fora”?

-- Delegados concelhios? – e porque não delegados de bairro, de paroquia, ou de rua?

-- Porque não um prémio de “arreganhar a tacha” para quem denunciar o vizinho em falta, o amigo, os próprios país?

E tempo de parar com o culto da rasteira, da perfídia encapotada. Nós já pagamos tudo e de tal maneira que, qualquer dia, com a taxa da água virá a da televisão e então, será assim:

 

Quer ter água e luz em casa?

TV e Rádio – o que acha?

Não tem? Não pode comprar?

Deixe lá! Já paga a Taxa.

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:52

Um doce pormenor

Domingo, 01.03.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1833 – 18 de Abril de 1986

Á Lá Minute

                      

O dia estava chuvoso e frio.

Na igreja, parentes e amigos, atentos à cerimónia juntavam-se nas filas da frente. Não éramos muitos. A saudade da Senhora que nos reunira pela segunda vez no espaço de 7 dias não nos vinculava a qualquer sentimento de tragédia.

Unia-nos um desgosto verdadeiro, mas também um sentimento de paz.

Sabíamos que iria ser muito sentida pela meia dúzia dos habituais frequentadores da sua casa nas tardes de domingo. A sua irreparável ausência.

Todos conhecêramos o seu gosto de receber, as suas observações argutas e engraçadas. Mesmo já depois de muito velhinha – morreu beirando um século – ainda conservava o hábito de ler os jornais e reler os seus autores preferidos.

 

 

 

Exma.Srª D. Ana Julia Nunes da Silva Sardinha

(víuva de António Sardinha)

 

 

 

 

 

Enviuvara cedo.

Fora companheira inteligente de um homem ilustre e, porque conservava, até ao fim a lucidez e memória tinha assunto de conversa para quem quer que a visitasse e lhe soubesse merecer simpatia e afecto.

              caminhos.jpg

Era distinto o seu convívio e, era enternecedora a maneira como tentava superar a sua debilidade física. Decaia a olhos vistos ultimamente. Entristecia-nos vê-la sofrer. Mas, mesmo assim, sabe-la ali, poder bater à sua porta, entrar nas suas salas, ricas de passado, com aquele cheirinho de casa antiga, sentindo ranger as tábuas do soalho sob os nossos passos, nos sítios já sabidos de cor, provocar-lhe com qualquer dito de espírito uma daquelas pequenas gargalhadas – frescas, como que de rapariga – ou qualquer comentário proferido com uma segurança, que já lhe faltava na voz – dava a todas as suas amigas consolo de alma de quem tivesse Avó de conto de fadas.

Tudo isso terminara, e o cinzento frio do dia que invadia o ambiente do próprio templo, devorava-me qualquer vontade de reagir a tristeza.

- Cedia! Entregava-me.

Foi então, que percebi, que alguém batia ao de leve na porta da igreja.

O guarda atento, ergueu-se prestimoso e, sorrindo, foi abrir.

Com passinho miúdo, entrou decidida uma menina, tão pequena, que batera, por não chegar ainda ao fecho da porta.

                carinho.jpg

-- “Bate sempre”! – Segredou-me o homem, correspondendo ao meu interesse.

Perdi o fio à cerimonia a pensar como a minha Amiga, se visse, teria sido sensível a este doce pormenor, e sai para a rua, enfrentando a tarde agreste com o coração transbordando de ternura pela vida.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:49


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