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O que se é!

Domingo, 31.05.09

 

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.032 – 2 Março de 1990

 O que se é!

 

Não sei se será possível continuar tão pacatamente o arejamento que a “Perestroika” já proporcionou aos povos de leste, ou, se na impossibilidade de ser controlado o andamento dos acontecimentos, eles próprios, se sobreponham e antecipam às decisões que, é suposto, sejam tomadas para as orientar e dirigir.

             

As vezes as correntes tornam-se enxurradas e não há diques nem comportas que as detenham.

No entanto, qualquer que seja a velocidade a que as mudanças se processem; a ordem ou o atropelo em que decorram; elas terão que ser referenciadas pela historia como – antes e depois de Gorbachev. Esse homem de que os jornais falam, as rádios também, e as televisões mostram ao mundo inteiro – esse homem que não tem cara de herói, de mártir ou de santo.

                     

Ele não tem o ar dos profetas das estampas dos livros antigos, nem o perfil ascético dos grandes pensadores, não usa as lunetas comuns à imagem dos sábios míopes, nem sequer tem a cabeleira revolta que faça evocar maestros, visionários ou artistas geniais, ou qualquer particularidade que o faça confundir com heróis de moderna ficção.

              

Não. Nada disso.

Tem a cara arredondada de um burguês de classe média e o ar atento e bondoso de um clássico chefe de família.

Não arvora nem cara de mau, nem a simpatia melíflua dos demagogos.

              

Mostra-se assim tal e qual como a gente vê – com aquele jeito natural de quem sabe o que quer e o que faz e tenha ao seu dispor para talhar futuro, uma serenidade sem fim.

O que lhe passa pelo espírito não sei.

      

Só Beethoven, foi Beethoven.

http://www.youtube.com/watch?v=o0VwTw1eZ1k

 

http://www.youtube.com/watch?v=vQVeaIHWWck

 

 

O que passa pelo espírito de uns, não passa pelo espírito de outros, e só o tempo e a distância enfocam, as vezes, com a luz certa, os actos e as obras daqueles que não se medem pela craveira comum.

 

Ocorre-me a propósito uma frase que ouvi, atribuída ao Papa João Paulo II:

                    

“ O que importa não é o que se diz, nem o que se parece

Mas sim aquilo que se é “

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:46

Vamos a Isso…

Quinta-feira, 28.05.09

Á  Minute

Jornal Linhas de Elvas

1,758 – 2 de Outubro de 1984

 Vamos a Isso…

o_tempo 

Ora aqui está uma ideia a que apetece aderir!

Aqui está um alvitre, que em consciência, julgo, todos gostaríamos de ter lançado!

Refiro-me à homenagem que o Doutor Martinho Botelho (que não conheço mas a quem gostaria de felicitar pela sugestão) lembra e, muito bem, estar na hora de acontecer a quem de há muito já a mereceu – José Tello.

    Quando menina ainda, cheguei a Elvas, já uma pessoa de minha família, que muito apreciava José Tello, mo apontava como sendo um homem de bem que com talento servia o jornalismo e, até, era sobrinho de José da Silva Picão – autor dum belo livro – intitulado: “Através dos Campos”.

       Alentejo a caminho da eira por moitas61.

Fixei-o então, e - Através do Campostenho seguido sempre com respeito e admiração a sua incansável luta em defesa de tudo quanto a Elvas se refere, tanto mais que, para tal, usa um estilo pessoalíssimo.

As suas observações e comentários, dando conta do seu talento literário, são também mostra da solidão e vasta cultura que lhes dá alicerce e dum sentido de justiça que o define como Homem probo e inteligente que é.

 

Tem pois razão o Dr. Martinho Botelho quando lembra que se deve dizer publicamente a José Tello:

 

- Não cuide que a sua luta, o seu exemplo e valor passam desapercebidos – não pense!

Apenas o hábito de o sabermos como é, e de o termos sempre ao nosso lado nos faz distrair da obrigação de lhe mostrarmos como Elvas lhe quer bem e lhe deseja dizer obrigado.

Vamos a Isso.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:57

Pobre Praça – Pobre Elvas

Quarta-feira, 27.05.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.815 – 13 de Dezembro de 1985

 Pobre Praça – Pobre Elvas

 

Quanto pintarão a Sé de azul celeste, ou em qualquer outro tom bem digno das vivendas dos “francesas de Pega?”

Foi o irónico comentário que me ocorreu quando vi demolir a bela frontaria de azulejos do velho e nobre edifício onde funcionou o Banco de Portugal.

         .

Mas, eu sou apenas uma pessoa, entre as muitas que sentem estas “desgraças” mas não têm voz autorizada para as comentar ou impedir! – Tanto mais que partimos todos dum principio – em que acreditamos – de que há poderes públicos instituídos para evitar estes atropelos, impondo e orientando critérios que defendam o património da cidade.

             

Assim que, quando alguém, que sendo elvense e arquitecto, nos surge – por saber e competência – a dar voz ao lamento de toda uma população que pasma com a criação dum monstro que desfeia a sua mais bela praça – nos sintamos agradecidos e encorajados para dizer:

          

-- É urgente rever os critérios que permitem que se altere a fisionomia dum burgo lesando irremediavelmente o património dum povo, por interesses de acaso, ou incompetência inadmissíveis.

É urgente reconhecer que, assim, todos ficamos mais pobres, mais tristes e envergonhados.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:11

Rosa – Rosae

Segunda-feira, 25.05.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.856 – 3 de Outubro de 1986

 Rosa – Rosae

 

- Não sei como hei-de agradecer à Rosa a presença de amizade que tanto me estimulou, neste tempo de azáfama que me foi dado viver!

- Não sei! – Pensava eu.

- Como lhe hei-de mostrar que foi precioso, para mim, o seu interesse e entusiasmo!?

                    

- Não sei! Repensava, porque, em qualquer caso, o caso era que deveria ser grata, sem lisonja, e ser verdadeira sem ser solene.

- Gostava de agradecer sorrindo: porque foi de alegria o empenhamento que nos reuniu – gostava – mas, o caso, era sempre caso para agradecer.

Assim, que de caso em caso quer tivesse pensado:

- a Rosa – da Rosa – à Rosa  – ó Rosa – pela Rosa – sempre encontrei a  sua amizade quando dela careci. Desta forma, das velhas reminiscências de antigas e difíceis aprendizagens de latim, me veio a descoberta de que em todos os “casos” constantes dos outros casos que se passaram, quer no nominativo, no genitivo, no dativo, no acusativo ou ablativo só encontrei caso, para publicamente, neste caso especial – dizer a sério como quem brinca.

 

OBRIGADO ROSINHA!

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:48

RIEN de RIEN

Domingo, 24.05.09

Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.865 – 5 de Dezembro de 1986

 RIEN de RIEN

 

Uma das maneiras, mais pobres e mais tristes, de querer parecer que se tem dimensão de vulto, é a meu ver, cortar tudo quanto é possível da real estatura humana, daqueles que se tomam como ponto de referência.

É de tal modo conhecido, que é impossível contar, imparcialmente, a história, que ás vezes só cinquenta anos, e mais, depois dos acontecimentos que se narram, se consegue uma visão mais correcta e objectiva sobre os factos que se descrevem. De qualquer forma, entre narrar e historiar, vai sempre a distância que medeia entre a fotografia e o retrato. Interpretar, depurando de toda a paixão, despeito, desilusão, ressentimentos, êxitos e frustrações, que sempre fazem parte da densidade emocional das atitudes humanas – porventura as mais bem intencionadas – de quem conta o que viveu – é função da história.

             

Por isso, manda o bom senso e o bom tom que se defenda e cultive o tal sentimento de pudor e dignidade … que não obrigando ninguém a mentir – aconselha com sábia prudência, cada um, a calar os seus próprios heroísmos e, deixar ao tempo com o seu distanciamento o cuidado de iluminar com isenção e justiça, o que mostrado no auge da contenda, tanto afogueia a face que, a todos os olhares, dará de quem acusa um ar duvidoso que compromete a imagem que se pretende erguer.

      

Ocorreram-me estas considerações ouvindo cantar Edith Piaff que chegou a ribalta da fama com a sua voz inconfundível de mulher formada na “universidade” das vielas e sem se comparar a ninguém – assumiu o seu passado de miséria e dor, a sua figura miúda,

o seu aspecto frágil, a sua magreza, a sua fealdade – o que sofreu e o que terá feito sofrer – e, sem ressentimentos, só nervos e alma sem desistir da esperança – cantou – e da

             

sua pequenez humana talhou com a sua voz bela e sofrida a dimensão da sua individualidade com a coragem duma canção que vale por uma biografia:

 

.

                        

Rien

Rien de rien

Je ne regrette rien

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:14

Para a História ter sentido

Sábado, 23.05.09

Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.862 – 14 de Novembro de 1986

 

 

Numa maneira geral, os desenhos animados contam, a meu ver, histórias cruéis e perturbadoras.

Ás vezes fico a pensar que formação, ou deformação, conseguem “aquelas mensagens” levar ás cabecinhas das crianças.

          

O gato que persegue o rato, acaba sempre com a bomba a rebentar-lhe nas mãos, e fica lastimavelmente chamuscado e ridículo, ou espalmado como chata palmilha, porque cometeu o “crime” de assumir a sua qualidade de gato e o instinto que o obriga a ser atento caçador.

              

O rato, esse ri e esfrega os bigodes na segurança da sua toca subterrânea, como prémio por cumprir o seu fadário de ser rato, roendo, roubando e conspurcando tudo quanto apanha.

Assim que, atingindo ambos as dimensões possíveis das suas vidas – um… é castigado, e o outro dignificado como herói.

        

A não ser que os castigos sistemáticos, que nestes filmes, os gatos sofrem, queriam dizer que se lhes assaca a responsabilidade de ainda não terem comido os ratos todos… isto não se entende!

Um velho ditado popular diz que: “Quem seu inimigo poupa, ás mãos lhe morre”.

Desconheço se o povo da América sabe os mesmos aforismos do que nós, e se o intento é fazerem-nos essa advertência.

Se, por acaso, a finalidade é mostrar que os mais pequenos são os melhores e os maiores são os piores – então os seus rifões não são iguais aos nossos, porque nós sabemos, desde sempre, que: "os homens não se medem aos palmos”.

      

Os ratos, que se saiba, são nocivos e é pouco inteligente que, só por uma questão de dimensões, se ponha a bomba a rebentar nas mãos do gato que justamente persegue o seu natural inimigo … o rato.

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O mais lógico, parece-me, seria pôr o roedor em fuga, em procura de outros espaços, e a bomba na mão de quem a inventou… porque a poderia despoletar com sabedoria. Assim, o gato dormiria uma boa soneca deitado ao sol e os meninos aprenderiam que cada um tem direito ao seu próprio caminho.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:41

Requiem pelos bons costumes

Sexta-feira, 22.05.09

Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.742 – 29 de Junho de 1984

 Requiem pelos bons costumes

 

Tudo muda.

Basta olhar em redor e ver como tudo se transforma e se recria com as estações do ano.

Despem-se e vestem-se árvores. Secam e brotam fontes. Amarelecem e reverdecem campos. Flores tornam-se frutos. Mudam as marés, as fases da lua, os equinócios e os solstícios… dias seguem-se a noites e por cada poente há sempre a promessa duma aurora a suceder-lhe!

Tudo muda – mas há constantes – ritmos conhecidos!

Os usos e costumes também variam conforme os países, os climas, abundâncias, carências…

Através dos tempos quantas mudanças no vestuário, transportes, utensílios domésticos, em tudo…

-- Entre a roda do convento onde embiocada, na calada da noite, a mulher solteira deixava a criança “mal nascida” e o triunfo do direito à maternidade sob a óptica dos nossos dias – há uma ponte de séculos…

      

-- Entre o arriscar da vida em duelo por uma qualquer ninharia presunçosa e a coragem assumida de quem tripula uma nave espacial – há orbitais distanciais…

            

-- Entre as guerras de combates corpo a corpo ou de ardilosos “cavalos de Tróia”, e a crueldade cientificamente determinada de bombas bacteriológicas ou de hidrogénio – há apocalípticos genocídios de fronteira…

         4-cavalos-do-apocalipse

Enfim! – por aí fora, tudo é susceptível de mudar para melhor, ou para pior…

Vai longe no tempo o hábito deferente de “O Senhor meu Pai” “A Senhora minha Mãe” com vénia e joelho em terra!

Assim como se despojaram das emproadas cabeleiras postiças de fatiotas peraltas, de atavios pretensiosos – se ganhou a ligeireza nos costumes e velocidade nos transportes – assim se despojou a linguagem de enfáticos empolamentos!

Mas, há constantes!

Podem simplificar-se as formas de invocar Pai e Mãe, mas, todos teremos que honrar Pai e Mãe – que há na vida hierarquias indestrutíveis.

                      

 -- Se deixarmos perder de vez o respeito mútuo que equilibra o convívio entre pessoas, soçobrando sob a onda de “velhos”, “velhas”, “gajos porreiros”, “coiros”, “tipo porreiro”, “gente bestial”, que, com a melhor das intenções, é a forma usada pelos adolescentes de hoje ao referirem – Pais, Avós, Professores…

                

-- Se deixarmos que em lugar de conhecer, conviver, convidar… “engatem”…

       

Só nos restará rezar um requiem pelos bons costumes que não soubemos defender da erosão dos tempos e deixamos resvalar para abissais distanciais das constantes desejáveis…

             

Bem e mal – certo e errado

São verdades sempre opostas

São como a noite e o dia

Chega um – outro dá costas

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:20

O essencial é invisível

Quinta-feira, 21.05.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.991 – 19 de Maio de 1989

 O essencial é invisível

 

Concordemos que trabalho, profissão, vocação e emprego, não são, de forma alguma, situações que se possam confundir.

Óptimo seria que cada qual encontrasse emprego, realizando o trabalho que, por vocação, tivesse escolhido.

Ficaria assim, o ser humano enquadrado na vida como o pássaro a voar ou o peixe na água.

Seria, como repete Agostinho da Silva, o tal poeta à solta, que nasceu para ser.

               

Porém a “obrigação” de ganhar dinheiro, não só para viver – mas para comprar e ter um sem número de coisas (cada vez mais) que se “determinou” serem necessárias para atingir um estatuto social inventado para servir um sistema escravizante – alteram, desde o começo, as regras do jogo, como as cartas viciadas, e o que parece trunfo, é apenas – batota.

                

Tinha o rádio aberto, e porque carecia de silêncio ia fechá-lo quando ouvi: “ Dia em que não bordo, não me parece dia!

Tirando o domingo, em que vou à Missa e saio um bocadinho – até ao sábado – quando faço limpeza da casa, ando a correr para não deixar de bordar um pouco que seja”.

                             

Depois a entrevistada falou de cores, de linhas de sedas naturais e vegetais, com a alegria e o enlevo de quem usasse o próprio arco-iris para colorir as flores, as romãs, os pássaros e outros elementos com que se contam as lendárias histórias de amor dos desenhos das colchas de Castelo Branco.

Fechei o rádio e pensei: - não lhe aprendi o nome! Que pena! – ou talvez não. Um nome para quê?

                          

- Era um poeta à solta – no caso – uma bordadeira.

E logo como um relâmpago me recordei da surpresa que senti quando ao lado do jazigo de Fialho de Almeida encontrei uma banca de carpinteiro em mármore, com todos os pertences relativos à profissão, reproduzidos também em mármore e um epitáfio singular:

“ Por tanto ter amado a sua arte mandou fazer…etc, etc, etc.”

São dois apontamentos.

São dois testemunhos de uma certa maneira de estar na vida.

           

Na verdade quem tem razão é o “Principezinho” quando diz:

O Essencial é invisível para os olhos!

Só se vê bem com o coração!

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:56

Uma saudade nova

Quarta-feira, 20.05.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.888 – 15 de Maio de 1987

 Uma Saudade nova

 2827151379_2aa3f80167_o.jpg 2827151379_2aa3f80167_o.jpg image by banithor

Há cinquenta anos – meio século – calcule-se! (ou foi ontem?) fui caloira no liceu de Beja.

Neste fim de semana correspondendo ao apelo de outros “meninas e meninos” desse tempo e de outros mais recuados e mais recentes, lá fui misturar-me naquela confusão de abraços, beijos, risos e lágrimas que percorrem algumas ruas da cidade atrás duma Banda, depois de rezada uma missa por alma de Professores e Alunos já falecidos. O destino do cortejo era o liceu onde fomos almoçar em mesas floridas de violetas (queriam significar saudade, creio) mais de mil presenças entre velhos e novos!

                

Alguns já vão com filhos e até netos que frequentam agora o “nosso Liceu”. Só que agora já não se chama assim! Agora é Escola Secundária”! – Não sou capaz de descobrir qual é a vantagem da mudança. Talvez por isso fiquei a pensar que há um certo convencimento de que, em se mudando o nome às coisas já se pode fazer acreditar que delas se mudou a essência e não apenas a fachada!

      BejaLiceu

Enfim se eu tivesse frequentado uma Escola Secundária – estaria actualizada e estaria em condições de entender esta estratégia! – Mas andei num liceu e isso não me facilita a decifração destes enigmas. É tarde para alterar as coisas – porque essas, são mesmo o que são!

                      

De qualquer modo, se voltar ao passado é impossível, voltar aos locais do passado, às vezes, se consegue, como agora aconteceu.

 Rever amigos e lugares tem os seus perigos, é certo. Há sempre uma mistura de medo e riscos no gozo que sempre se deseja e a mentira e a verdade envolvem-se tão profundamente como os sentimentos se confundem.

      

Uma amiga deu-me uma selecta, já em desuso, onde filhos de antigos colegas aprenderam um poema meu nela incluído. Contou-me da alegria que sentiu em falar aos seus alunos da infância que vivemos juntas.

             

Um velho Liceu, uma velha amiga, uma velha selecta, um velho poema – de tanta coisa velha, colho afinal aquilo de que hoje falo – uma Saudade nova, nova e viva como só a Saudade sabe ser!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:35

As Gralhas

Terça-feira, 19.05.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.955 – 26 Agosto de 1988

 As Gralhas

 

Quando aquele “pôs” com Z de arroz, e circunflexo chapéu de chinês – a que a minha péssima caligrafia teria dado lugar – me saltou aos olhos, lembrei-me que poucos dias antes acompanhando umas provas tipográficas que cuidadosamente revia, vinha uma carta, onde, o autor de determinado texto manifestava, no seu estilo inconfundível, a bem humorada esperança de “ter calado as gralhas todas”.

Confessava não ser a caçada fácil, mas que a ela procedera com toda a convicção. Esta maneira aparentemente despreocupada de falar de tarefas a que se procede com  consciência e rigor, fez-se recordar maneiras bem diferentes de outros escritores reagirem, perante situações semelhantes. Alguns houve, que quase entravam em pânico tomando a “gralha” como afronta pessoal.

Claro que há textos e “textos”, autores e “autores”, responsabilidades e “responsabilidades”, porém, há também, como é lógico, pessoas e “pessoas” porque tudo é relativo. Mas, em todas e quaisquer circunstâncias, cada atitude funciona um pouco como uma pista para se encontrar a maneira de ser  de quem a produz.

                     escrita.jpg

Assim, muitas vezes o comentário que se emite sobre qualquer assunto ou sobre outrem, fala mais claramente de quem o faz, do que daquilo ou daquele, que o motivou – ou – pelo menos, tanto de um como de outro.

E eu que nunca tinha pensado porque se chama gralha ao erro de tipografia deu-me para conjecturar, agora, nessa denominação.

               

Será que o ilustre correspondente, com seu ar de brincadeira me forneceu a ponta da meada? Capaz de ser. De qualquer forma tudo a que está fora da norma é tão gritante, tão chamativo, que bem poderá ter ganho a classificação de “gralha” pelo barulho que origina. Só que, ao que foge da norma e resulta belo, bom, ou admirável, que eu saiba, ninguém chama de “gralha”.

             

Quando tiver tempo vou averiguar.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:55


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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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