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Sete de Fevereiro

Segunda-feira, 11.05.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.646 – 22 - Fevereiro - 2002

Conversas Soltas

Sete de Fevereiro

         

Às vezes, algumas vezes mais do que seria para desejar, ando perdida do calendário. Outras, acerto o passo com o tempo e lembro-me de datas, eventos, efemérides...

No passado dia sete completaram-se cinquenta anos sobre o desaparecimento físico do Poeta Sebastião da Gama.

Por razões diversas, sendo a principal o meu apreço pela sua poesia e a minha admiração pelo humanista que ele foi, muitas vezes penso em Sebastião da Gama.

          

Não o conheci, mas sendo velha amiga de Matilde Araújo e de João Falcato que foram seus condiscípulos; tendo ainda

 

tido oportunidade de conviver muito de perto com os pais do grande poeta e correspondendo-me com Joana Luísa sua inconsolável viúva, fui juntando memórias várias do seu percurso entre os demais, e, muitas vezes reflicto sobre atitudes desse homem enternecido pela Vida que Sebastião foi e procuro delas tirar força e exemplo.

Bem entendido que para lhe estar grata, já era mais do que suficiente toda a beleza da sua poesia e do mais que ele escreveu, como só ele podia e sabia.

Mas Sebastião era uma bênção de Deus e o seu rasto na Vida foi como um traço de luz deixado pela passagem de um anjo - que ele talvez seja ainda, lá nessa outra dimensão para onde a vida terrena se esvai. – Isso, não sei, nem posso dizer.

Mas esta conversa vem à colação porque para homenagear um escritor ou um poeta nada faz mais sentido do que ler as suas obras. Assim que agarrei num livro seu e abri ao acaso.

Era assim :- Sobre António Sardinha

Numa nota de rodapé, esclarecia: Este trabalho incompleto destinava-se a uma conferência que Sebastião pensava fazer em Estremoz. Começou a escreve-lo no Portinho da Arrábida em Dezembro de 1951 (faleceu em 7 de Fevereiro do ano seguinte).

Abria com esta frase: - Cabe aos poetas mostrar a grandeza da Vida. Vê-la – muitos a verão também. Mas como são quase sempre as menos aparatosas as coisas muito grandes, aí temos meio mundo de olhos fechados.

... Da última parte consta: -...Como se depreende do meu preâmbulo, não falarei senão da faceta de Sardinha que se acomoda ao que expus; e já agora vos digo que limitei a minha leitura à Epopeia da Planície – por motivos vários e até por este motivo irónico: chamar-se epopeia o livro,

            

Basta correr os olhos pelo índice para ver que não são as armas e os barões que assinalam esta epopeia: À Pedra da Lareira, O Louvor da Cal, O Elogio do Púcaro, A cantiga da Pedra, Ladainha da Agua dos Cântaros, O louvor do Sal. Eis parte do índice, eis os barões: a água, o púcaro, o sal, a lareira; coisas de nada.

        

Com o livro em mãos chego à minha janela penso em Sebastião e olho o que resta da Quinta onde viveu António Sardinha e onde agora se sepulta sem dó, sem beleza e sem dignidade tanta memória desta cidade de Elvas...

Na verdade não se pode, infelizmente, fazer entender às pessoas “importantes deste mundo” o valor sem conta das coisas de nada, que fazem a grandeza da Vida...

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:11





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