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Já me lembrei...

Sábado, 16.05.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.739 – 12 Dezembro -2003

Conversas Soltas

Já me lembrei...

 

Quando, muito recentemente, visitei o “Museu Municipal da Fotografia João Carpinteiro”, dei comigo a escrever uma frase que me cantava na lembrança desde que lá entrei e os meus olhos começaram a encher-se da beleza que por todo o lado, naquele espaço nos envolve.

É assim: - eu existia quando não vivia, e existirei mesmo depois de morta.

Não me recordava de onde a respigara e guardara na memória, mas o facto é que ela lá estava, e naquela altura se me impôs.

              

Agora já me recordo que é com ela que começa um livro interessantíssimo intitulado “ Ana Kádár” da autoria de Mihàly Foldi.

Restituído o seu a seu dono, embora em contextos muito diferentes, a citação afigura-se- me certa.

Quem conhece João Carpinteiro sabe que aquele museu foi gerado em esperança e amor ao longo de anos. Assim, na sua alma, e no seu coração, ele existia já desde muito antes de ter agora acontecido a sua realização, e existirá para além das nossas vidas, porque a memória da sua existência sobreviverá para além dela.

              

Recomendar para que o visitem, é o mínimo que se pode fazer.

É um espaço lindo, moderno, com um cunho de bom gosto e elegância que se impõe ao primeiro olhar.

O espólio que encerra é de um valor inestimável.

Sem favor pode afirmar-se que contribui muito para a riqueza musicológica da nossa cidade.

Faço apenas um reparo.

              

Um reparo que considero muito importante.

Não vi por lá – não vislumbrei por lá – e em lugar de destaque como era obrigação que lá se encontrasse – uma biografia de João Carpinteiro.

                 

Nesta cidade onde a cada canto, como cogumelos bravos, a propósito e a despropósito, proliferam as tabuletas, sempre gravando para a posteridade o nome do mesmo ídolo, podia, e devia, pelo menos juntar em cada qual delas, o nome do arquitecto, do ideólogo de cada obra, do seu verdadeiro CRIADOR.

    

As penas de pavões não disfarçam o pavão... identificam-no, apenas...

 

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:47





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