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O essencial é invisível

Quinta-feira, 21.05.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.991 – 19 de Maio de 1989

 O essencial é invisível

 

Concordemos que trabalho, profissão, vocação e emprego, não são, de forma alguma, situações que se possam confundir.

Óptimo seria que cada qual encontrasse emprego, realizando o trabalho que, por vocação, tivesse escolhido.

Ficaria assim, o ser humano enquadrado na vida como o pássaro a voar ou o peixe na água.

Seria, como repete Agostinho da Silva, o tal poeta à solta, que nasceu para ser.

               

Porém a “obrigação” de ganhar dinheiro, não só para viver – mas para comprar e ter um sem número de coisas (cada vez mais) que se “determinou” serem necessárias para atingir um estatuto social inventado para servir um sistema escravizante – alteram, desde o começo, as regras do jogo, como as cartas viciadas, e o que parece trunfo, é apenas – batota.

                

Tinha o rádio aberto, e porque carecia de silêncio ia fechá-lo quando ouvi: “ Dia em que não bordo, não me parece dia!

Tirando o domingo, em que vou à Missa e saio um bocadinho – até ao sábado – quando faço limpeza da casa, ando a correr para não deixar de bordar um pouco que seja”.

                             

Depois a entrevistada falou de cores, de linhas de sedas naturais e vegetais, com a alegria e o enlevo de quem usasse o próprio arco-iris para colorir as flores, as romãs, os pássaros e outros elementos com que se contam as lendárias histórias de amor dos desenhos das colchas de Castelo Branco.

Fechei o rádio e pensei: - não lhe aprendi o nome! Que pena! – ou talvez não. Um nome para quê?

                          

- Era um poeta à solta – no caso – uma bordadeira.

E logo como um relâmpago me recordei da surpresa que senti quando ao lado do jazigo de Fialho de Almeida encontrei uma banca de carpinteiro em mármore, com todos os pertences relativos à profissão, reproduzidos também em mármore e um epitáfio singular:

“ Por tanto ter amado a sua arte mandou fazer…etc, etc, etc.”

São dois apontamentos.

São dois testemunhos de uma certa maneira de estar na vida.

           

Na verdade quem tem razão é o “Principezinho” quando diz:

O Essencial é invisível para os olhos!

Só se vê bem com o coração!

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:56





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