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Nove anos depois…

Sábado, 13.06.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.841 – 13 de Junho de 1986

 Nove anos depois…

 Era dia 5 de Junho de 1977 quando Elvas perdeu EURICO GAMA.

Então, muita gente como eu, anonimamente, somando as suas parcelas de amargura, demos corpo à amargura da cidade.

 Eurico tinha uma personalidade rica em mas controversa porém, quer os que o entenderam, quer os que o combateram, sabiam, e não se negavam a afirma-lo que – perdendo-o Elvas, perdia um admirador convicto e fiel, um investigador devoto e reverente, um filho de raiz, que sem descanso entre a poeira dos tempos e as traças dos arquivos catava minúcias, investigava, indícios por mais ténues que fossem para que nada faltasse ao brilho da imagem que ele paulatinamente ia compondo – da sua amada terra natal.

 

Avaliando então a vida desse “Gama” – que partia …

-- Lembro-me de ter pensado que tal como o “Gama das Descobertas” – também este Gama dos nossos dias, passara a vida embarcado no sonho de engrandecer com o seu trabalho, com o seu estudo, com os seus livros – a terra em que nascera. Depois – lembro-me ainda de ter desejado que alguém quisesse e fosse capaz de agarrar o facho que só a morte lhe retirara das mãos e prosseguir a obra que lhe preenchera a existência…

 

Aconteceu agora que, nove anos após o seu desaparecimento, coube à Câmara, a que dou contributo, cumprir o seu último desejo e recolher em sala própria o valioso legado desse Homem que – como outros – “ por obras valorosas se vão da lei da morte libertando”.

 

E, se é verdade que nos falta mérito para continuar os seus trabalhos – já nos conforta integrar a Câmara que dá à Cidade, que serve, a oportunidade de homenagear a sua memoria e agradecer à sua viúva – Senhora Dona Maria Amélia Gama – a inteligência e a generosidade com que se despojou de móveis e lembranças pessoais para que se preserve, através dos tempos, uma imagem mais verdadeira de seu marido.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 17:35

Um Sábio

Sábado, 13.06.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.957 – 9 de Setembro de 1988

 Um Sábio

 

O Senhor Professor Agostinho da Silva, grande amigo de Elvas, - que está a ajudar e a encaminhar uma série tentativa para que se edite o dicionário de Vitorino de Almada – deu, há algum tempo, uma entrevista para a televisão.

Já terá dado outras, não sei, a esta assisti, como da primeira vez que tive a sorte de escutar o Professor, ainda ando a pensar no que da sua boca, ouvi.

Conheci o Professor Agostinho da Silva em Olivença, quando do encerramento dos “Encontros da Ajuda”, através de amigos espanhóis e portugueses, pelos quais nutro o mais carinhoso apreço, pois a eles devo belos momentos de saudável convívio – o Paco Conzales, o Luís Limpo e o Frederico Zagalo. Mas, contava eu, que quando por todos me foi indicado com profunda reverência:

-- “O Professor” -  “O Professor”

-- “O Professor” nem sei que espécie de figura de homem esperava ver.

                     Agostinho da Silva

Sei, porém, que não esperava aquele Avozinho de conto de fadas, barba branca, oitenta anos, olhar penetrante e vivo de arguta inteligência, pequena estatura, figura seca, bonita, desembaraçado ainda no gesto e no andar, e tão sem pompas, tão discreto e simples, que não condizia de forma alguma, com a ideia que temos de aparência de SÁBIO - ou que, pelo menos, eu – tinha.

             

O Senhor Professor Agostinho da Silva é conselheiro do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, fundador da Universidade no Brasil, cidadão do Mundo e um dos maiores filósofos e contemporâneos.

             

O Professor Agostinho da Silva é tudo isso, e é também, uma pessoa de trato encantador que consegue, com afectuosa bonomia, ensinar com a jovialidade de quem reparte gulodices com amigos – convivendo – participando.

        

É o Homem que confessa levantar-se cedo, ás 5 horas, só porque: - “é quando acabo de dormir” – e se levanta então para ir ao jardim perto da sua casa dar de comer aos pombos.

O Homem que acorda os pássaros, como quem chama a madrugada – Pensei eu!

É o Homem que fala de não ter coisas, nem pessoas, nem a si próprio.

       

É o Homem que diz com a maior simplicidade – como se fosse, assim, tão fácil para todos – que: “O nada foi sempre, a possibilidade de tudo” e fale no “Banquete gratuito da vida”

            

referindo o culto do espírito Santo e de tantas e tão belas coisas que tornam aquele Senhor já de idade, num verdadeiro Homem novo!

 

Maria José Rijo

 

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A VOZ do Professor Agostinho da Silva

Agostinho da Silva - Solidão, Tolerância, Trabalho e Poesia

http://es.truveo.com/agostinho-da-silva-solid%C3%A3o-toler%C3%A2ncia-trabalho/id/2881323524

 

 

 

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:07





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