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Partidos, partidas e desafios

Segunda-feira, 28.09.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1732 – 27 de Abril de 1984

Partidos, partidas e desafios

       

Depois de se terem separado e repartido por partidos com a mesma cega paixão clubista, o mesmo entusiasmo com que militavam nos velhos futebóis – tinham adeptos das diferentes cores – que se alhear, por cansaço, dos novos desafios, ao reconhecer a evidente falta de lógica com que decorrem as modernas partidas…

       

Não que se negue a semelhança que persiste… continuam as negociações… não se recusa compra ou venda… fazem-se cálculos sobre os resultados possíveis depois das novas aquisições… estudam-se surtidas pela direita… e pela esquerda… calculam-se avanços e recuos…

          

Pára-se, jogo ao centro … multiplicam-se ataques e contra ataques… há cargas! Há caneladas! Jogo alto e jogo rasteiro… toques duvidosos em áreas perigosas…

Sofrem-se impensadas lesões traiçoeiras… exibem-se vistosos lances individuais a procurar o ângulo certo para o pontapé ou a cabeçada que gera o golo almejado…

      

Caiem jogadores no campo. Precipitam-se ávidos os possíveis substitutos. Surgem os estímulos de circunstância – as palmadas nas costas, as palavras encorajantes, os apoios…

Há perdas e recuperações imprevistas. Aparecem ameaças nas cores com que se acena – amarelo – vermelho! Alguns mudam com o aviso e reencontram o equilíbrio no jogo. A outros nada os detém.

      

Há rubros de raiva. Há cores de medo.

Realmente as leis não mudam…

Porém no futebol tradicional o jogo – o tira teimas – é à frente de todos num rectângulo limitado, e a assistência julga, aplaude, apupa, em cima da refrega. Vê perder e ganhar – “ganhava ou perdia” – sabendo da lealdade da contenda – da sorte – do acaso – que sempre conta, também.

Nos novos “futebóis” é tal a subtileza de meios e intenções que muito embora se “goze” em directo da vista de certos lances, perde-se o fio à jogada e vêem-se tropeçar e cair jogadores com tal rapidez que as cores se baralham, não se notou a rasteira, e não se percebe de imediato onde começou ou vai acabar a jogada. Mas… o resultado fica a evidencia.

       

Não admira pois que o povo saiba distinguir entre “futebol” e “futebóis” e soberanamente decidida quando quer que o apito mude de boca…

 

Futebol é uma festa

“Futebóis” uma festança

Já que o povo anda na roda…

Que ao menos comande a dança.

 

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:01

AMANHÃ

Sexta-feira, 25.09.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.767 – 4 de Janeiro de 1985

AMANHÃ

           

Curiosamente, no princípio de cada ano, todos estamos de “peito feito” para um recomeço de vida em moldes diferentes.

Todos sentimos um reforço de confiança e de fé – como se a alvorada do dia primeiro de Janeiro não fosse apenas a alvorada de mais um dia! – Como se cada dia, não fosse – ou não devesse ser, sempre – amado e respeitando – como um dia novo – como um único dia.

       

Mundo fora – monte em monte

A cantar, rompendo a noite,

Já o galo o repetia!...

Dia que nasce – é sempre hoje,

É sempre um único dia!

 

É sempre um único dia!

Sem quase nos apercebermos aceitamos os dias como direito nosso, coisa vulgar e assente…

Daí que vivamos como “milionários do tempo”, esbanjando dias e dias, às vezes é a vida toda que estragamos sem a ter sabido merecer…

Por força de hábito, vamo-los contando… Repartidos por semanas, meses…

      

Quando somamos mais um ano, junto com a alegria e a esperança de iniciarmos outro  - há por vezes, uma percepção incómoda de que o que já contámos, nos foi descontado, e então, tomamos consciência de sermos uma espécie de heróis adiados a sonhar com amanhãs, onde sempre cabem as realizações bem sucedidas – ao que não fizemos – hoje.

         

-- Heróis à noite, da esperança para amanhã…

-- Amanhã farei!... Ai faço! Faço!

-- Amanhã é que é!...

-- Assim o Ano Novo torna-se num “amanhã maior” – é um amanhã com 365 dias…

            

E, se tudo quanto é novo costuma apresentar um ar limpo e apetecível, se tudo quanto é novo cria no espírito a ideia da “festa de estrear”, ou a emoção meio gulosa, meio assustada de provar… experimentar… ousar… - que bom que o dia de Ano Novo nos abra a porta de “o amanhã” tão grande…

         

Que bom…

Se eu tiver amanhã – talvez embarque no sonho do poeta e tente

               

 

“Subir a todos os montes

Beber em todas as fontes”

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:01

O meu comício!

Quarta-feira, 23.09.09

A lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.824 – 14 de Fevereiro de 1986

O meu comício!

 

A campanha está no auge!

Parece a cantiga; ora agora dizes tu – ora agora digo eu – agora dizes tu – dizes tu mais eu!

E, Deus do céu! – As coisas que me dizem!

E, Deus do céu – As coisas que se insinuam e nem se ousam dizer! – E nem se ousam dizer! E que, como tal, têm apenas a leitura possível da pureza de coração de quem as escuta.

             

É verdade a campanha está no auge. O “cheiro a sardinha assada” – embebeda o ar e, cada um puxando a brasa para o seu lado.

Da minha janela olho. Da minha casa escuto, que por todas as frestas de portas e janelas nos entram os ventos da história que em histórias de verdade e mentiras emaranhadas se aventam como crianças que riem soltando papagaios de papel.

Da minha janela olho. À minha janela penso: deve ser a hora! – É por certo a hora de começar também a minha campanha – o meu recado a Elvas.

Também assim.

Elvenses! Esta é a vossa cidade, tomai-a – como ela é – pertença vossa!

Não a deixeis emporcalhar – não deixeis que a belisquem, sequer! - Cada canto e recanto, é vosso – usai-o com o respeito que a tudo se deve.

Levai os vossos amigos e, ide vós, visitar o vosso museu - as vossas igrejas – os vossos monumentos – com o orgulho de quem sabe e sente que está usufruindo de uma herança que século após século, outras gerações conservaram para vós – para nós.

Ganhe quem ganhar! – Nós é que não podemos nem devemos perder! – É esta a Vitória que está apenas nas nossas mãos porque só depende do nosso empenho e da nossa vontade. Vamos tornar para nós, seus habitantes, a mordomia da nossa cidade. Vamos cuidar e defender Elvas desde as suas árvores, aos seus monumentos, ao seu casario bonito, aos bancos e às flores dos jardins, ao asseio das suas ruas, de tudo em pormenor até aos pardais dos telhados e às pombas branquinhas do parque da Piedade.

Vamos? Vamos de verdade?

Ganharemos se não se perder em nós este espírito de campanha – esta febre de alta de comício em que a fé e a esperança no futuro dão asas e horizontes aos sonhos de ideal que mesmo em segredo todos acalentamos.

“Entregar Elvas a Elvas” pode também ser o grito de um propósito a ecoar de rua em rua…

.

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:00

Com a mesma musica

Segunda-feira, 21.09.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.801 – 30 Agosto de 1985

Com a mesma musica

 

Desde que surgiram os dois (eu conto dois) partidos novos no nosso panorama político, muitas vezes conjecturo que a maioria dos portugueses deve andar tão confusa quanto eu me sinto.

                     

Até agora havia: (assim que se visse) o CDS, o PSD, o PS, o PPM, o PCP, e mais uns trocos sobrantes que se metiam em bolsos diversos conforme a ocasião ou circunstância!

Dez anos de manipulações constantes deram a conhecer – à sociedade – as componentes das “pastas” usadas e a louça que com elas se faziam.

                           

Agora, porém, com os mesmos barros, passíveis das mesmas qualidades e desfeitos, surgem mais dois compostos: - o partido não sei quê Renovado e o P.S.D. escavacado!

       1763330.jpg image by joycinha

Temos por tanto mais dois elementos susceptíveis de fragilizar a qualidade do material de que já dispúnhamos. De confusões, estamos saturados.

Ditadores, não nos vão a gosto! – Qualquer dia somos levados a descobrir que deve ser melhor ter um Rei do que tantos “reizinhos” regalados ao sol nesta “ocidental praia lusitana”.

           

Enquanto pensamos podemos aproveitar a música com que nos embalam, e trautear:

 

Tanto erro nos separa!

E ninguém quer dar um passo

P’ra que a justiça esperada

A todos dê o seu abraço

 

- Como hão-de as crianças rir,

- Se é choro o que ouvem mais?

- Que é das casas p’ra morar?

- Que é do trabalho p’ros pais?

 

Tanta conversa falaz!

Tanta mentira jurada!

- Mas não há ninguém capaz

De honrar a palavra dada?

 

Que é do Abril de cada vida?

(flor de cada raiz?!)

Passe ao largo a abrilada

Vem Abril! – Ao meu País.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:47

Aniversário do Gilinho

Sexta-feira, 18.09.09

 

Não nos esquecemos do dia 18

Como não encontramos ninguém em casa

resolvemos deixar

este cartão debaixo da porta.

Parabéns Gilinho

Felicidades

Bons Amores

E muitos anos de vida

Beijinhos da

Tia Zé

e Paula

 

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:01

É São Mateus

Quarta-feira, 16.09.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.753 – 21 de Setembro de 1984

 É São Mateus

 

Setembro, em Elvas, é o mês das festas da cidade.

Setembro, em Elvas, é por excelência, o mês das tradições.

Se, pelo Natal e pela Páscoa no mundo inteiro se revivem velhos ritos e se procura ressuscitar as centelhas de Amor e de Fé que habitam em cada ser humano, por mais afogadas em cinzas que elas se encontrem…

Com as festas regionais é diferente!

Neste mês de Setembro são os costumes locais que despertam. É a região, em si, que fala pelo alvoroço dos seus habitantes. É o espreguiçar do rame-rame, é o ressurgir das vontades. É o… vamos caiar a frontaria? – Vamos pintar o chão? E… a cortina nova para a porta – que tal? E…, a saia que se desejou? – O lenço que se sonhou, a prenda que se quis dar? – Será? – Não será?

- Talvez! Talvez se torne possível – é São Mateus!

É a magia do sonho a imiscuir-se na dureza da realidade do dia a dia.

É a Poesia. É o vibrar da alma das coisas, das recordações, a acenar, como asa que passe rente aos olhos.

É o contar e recontar dos “cobres”!

- Dará para a carne de borrego? – Para o bolo de que tanto se gosta e de que já quase se perdeu o jeito de fazer! – Com o açúcar ao preço que está!

- E os ovos?! – Mais cara a dúzia do que a galinha, ainda outro dia… É verdade! – Pois é! – Mas é São Mateus.

E o Santo lá vai emprestando o Nome, como aval da coragem que se cria para gastar em extras o que num ano inteiro a rigidez do orçamento garantiu como impossível.

- É o milagre a acontecer. As ruas enchem-se dos cheiros antigos, que irradiam das ousadias das donas de casa…

Cheira a assado! – A “coxo frito”! – a azeite quente fritando costeletinhas panadas… a bolos no forno…Cheira a foguetes, a churrasco na feira, a vinhos e petiscos!

Cheira a alegria, a fé renovada no viver, a sonhos saciados no riso das crianças… a choro de fato novo estragado na queda imprevista…

Cheira a Setembro em Elvas com o Outono a insinuar-se no bailado das folhas secas pelo chão. Cheira a São Mateus!

Vamos ao arraial? Vamos?

Vamos todos atrás dos Pendões.

Vamos que a festa é nossa e … Bendito seja o Senhor Jesus da Piedade.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:26

FELICITAÇÕES

Segunda-feira, 14.09.09

À Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.059 – 7 de Setembro – 1990

 FELICITAÇÕES

 

Não é sem íntima satisfação que se felicita, pelos 40 anos de vida, um jornal que se acompanhou desde a primeira hora da sua existência.

Se fosse possível, a esta distância no tempo fazer um retrato do pequeno grupo de amigos que se reuniram “conspirando” para dar forma e vida a este sonho, seria um documento notável.

Numa época em que a censura era fronteira difícil e perigosa de transpor – Linhas de Elvas – que foi criado sob o signo da liberdade, propôs-se cumprir e tem cumprido um destino de independência.

Fiel ao seu propósito de ser reverente e colaborante com o que os seus princípios de dever e honra, e, irreverente e incómodo para tudo quanto fosse barbilho que refreasse o seu amor da verdade e da liberdade, ele tem vindo a trilhar a estrada que escolheu.

Vão ficando longe da juventude os “quatro mosqueteiros” deste sonho vivo – Marciano Ribeiro CiprianoCasimiro da Piedade Abreu Ernesto Ranita AlvesJosé de Almeida Rijo.

Porém a idade que desgasta os homens nada pode quanto aos jornais que vivem do espírito e do pensamento servidos pela palavra sempre renovável e recreada através dos tempos.

Assim, ao longo destes quarenta anos muitos nomes ilustres deram ao “Linhas de Elvas” – “ao nosso Linhas” – a preciosa colaboração que o tem feito permanecer novo, dinâmico e actualizado em cada exemplar da sua regular e ininterrupta presença.

Nesta hora de festa – que é também de responsabilidade – pelo bem que quero a este jornal que vi sonhar e nascer sinto-me impelida a confessar que como todos, também eu – penso com gratidão.

Ao Ernesto – seu proprietário e “fazedor” desde a hora do começo – e, desde há longos anos seu ilustre e devotado director – deixo aqui – especiais felicitações.

Manter um jornal na província, um jornal que cada elvense, fora ou dentro da sua terra, espera como a visita dum mensageiro amigo – requer muita coragem e espírito de sacrifício.

Por tudo isso e pela consideração de quem o entende e estima – o meu abraço.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:17

Mote sem Glosa

Sexta-feira, 11.09.09

Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.906 – 18 de Setembro de 1987

 Mote sem Glosa

 

“O Senhor da Piedade

Tem 24 janelas”

Fosse eu pomba, tivesse asas,

Que pousaria na Cruz

Porque fica acima delas.

 

Ás vezes, apetecia-me falar de Amor

do segredo de ser

da paz de quem se dá

e se reencontra limpo e renovado

que o Amor purifica e recria

com a força duma aurora

que da noite rasga o dia…

 

Ás vezes, apetecia-me falar de Amor

como o pressinto e sei

procura de perfeição

que se suspeita e sente

no dia a dia imperfeito

da condição de ser gente…

 

Às vezes, apetecia-me falar de Amor

amor que de si nos solta

e permite dizer; - “eu”

encarar o mundo em volta

chamar: “vida” – “minha vida”

à viagem de regresso

a esse Amor do começo

que foi ponto de partida…

 

Às vezes, apetecia-me falar de Amor

olhando a crista da onda

alta, bela, transparente,

imponente, tenebrosa

e dizer-lhe intimamente

com a inocência da rosa

ou a força da semente

sem palavras

( na cósmica cumplicidade

de me saber – nada –

e saber-me – eternidade )

olá, água! – olá, apenas água!

Vês?

Só na praia, como espuma,

Descansam vidas e marés

 

Às vezes, apetecia-me falar de Amor

sendo diferente

mas ajoelho, rezo o Teu nome bendito

-- Senhor Jesus da Piedade!

-- Senhor Jesus da Piedade!

Rezo e repito:

-- Senhor Jesus da Piedade!

e só assim – tudo está dito.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 17:54

Convite !

Segunda-feira, 07.09.09

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.035 - 3 de Setembro de 2009

Convite

 O Linhas de Elvas - faz anos!  - 59!

- Celebremos!

Cada um que só agora chegou ou está a chegar ao seu convívio...

Cada um que o viu nascer, que o viu crescer, que o viu e vê viver.

Cada um que o lê, nele anuncia, nele trabalha ou escreve...

 Cada um que o aguarda semana a semana para que, ele lhe conte, no seu jeito, feito da soma desses vários jeitos, como pulsa e vive a cidade -  que venha à festa !

Está convidado.

Que, para a festa da Vida - com as nossas vidas – somos todos convidados.

Que, Vida, é mesmo isso – estar presente...

E, estar presente é - também - dar testemunho do que se recorda, de quem se recorda, de quem no passado fez o caminho por onde se caminha agora.

Assim que nesta festa, as minhas recordações trazem-me...

Ernesto Ranita Alves e Almeida – o realismo, o rumo – o fundador -  presente em espírito – sempre – e, hoje,  em

seu filho e continuador –

João Alves e Almeida que aqui saúdo!

...Marciano Ribeiro Cipriano – o saber – o bom senso e o bom conselho, a decisão certa, um mentor...

Casimiro Abreu - a criatividade, a aventura, a poesia, o sonho, a fantasia... seu primeiro Director...

José Rijo –o dinamismo, o vínculo ao desporto, trazido da vivência do Colégio Militar.

Sempre, em cada qual de nós - conforme a época - a memória de um ou outro nome dessa plêiade inumerável de colaboradores impossível de mencionar  de cor e que, ao longo destes anos, desde o tempo da perícia dos tipógrafos, revisores... deram vida, com tempo das suas vidas, ao jornal cujo aniversário celebramos.

De quantos lembro, citarei, por todos, apenas de um – um elvense de corpo inteiro – que fez escola – um Mestre – o Senhor José Picão Tello.

                 

Foi ele quem trouxe para o jornal, como figura crítica atenta à vida da cidade -  o “Zé de Melo”- (que ainda sobrevive) .

José Tello foi um homem de cultura e sabedoria. Era a memória viva de uma época. Conhecera, lembrava, sabia, e, contava, ensinava, esclarecia, com generosidade, sobre os mais diversos assuntos da história de vida de Elvas, quem lho solicitasse.

Na sede deste jornal era recebido, com a fidalga deferência que Ernesto lhe dispensava cedendo-lhe sempre o seu lugar à secretária ,  que ele, por amizade aceitava.

Ouvi-lo, era como participar de uma aula de história de Elvas em todos os tempos.

Tanto com ele se aprendia.

Aliás, ele usava também outra “cátedra”- era na Pastelaria “Flor”.

Sentava-se sempre no mesmo lugar, pelas tardinhas, e, era rodeado por amigos e admiradores ávidos de o escutar, aprender e conhecer minúcias de Elvas, dos seus costumes, tradições, gentes...

Foi assim que ouvi que fora ele quem amortalhara António Sardinha - cuja memória venerava – e, de quem tinha uma carta emoldurada, em lugar distinto,  numa parede de sua casa, como muitas vezes vi.

Um jornal, não será jamais – apenas – umas folhas de papel com letras impressas com boas ou más tintas...

Um jornal é – são – essas folhas de papel impresso por onde a vida de uma cidade, de uma região, de um país – se retrata e respira.

Um jornal fala de nascer e morrer, de sofrimento e alegria. Fala do que se ama ou odeia. Do que nos engrandece ou envergonha – porque um jornal tem a medida da grandeza e miséria do que somos capazes de construir...

...Do que somos capazes de ser...

 

Se a cidade dá corpo ao “Linhas,” com a sua vida...

Se a garra de quem reúne os esparsos dessa vivência o lança nas bancas em cada semana...

Se ganha adeptos, amigos, leitores, se com todos convive e por todos é aceito porque é verdadeiro e honesto...

Então o Linhas é, sem dúvida, o nosso jornal, o jornal da nossa terra...

E... o convite impõe-se – que o merece:

Festejemos!

Parabéns!

- Que viva!                 

                             

 

Maria José Rijo                   

 

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publicado por Maria José Rijo às 17:45

1º aninho da Magé

Domingo, 06.09.09

 

 

 

 "Toutes les grandes personnes

ont d'abord été des enfants"

 

 

Beijinhos, beijinhos,beijinhos

Parabéns para todos

 

Tia Zé

e Paulinha

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:04


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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

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