Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Não lavemos as mãos
Á Lá Minute
Jornal Linhas de Elvas
Nº 1.759 – 9 de Novembro de 1984

Tenho andado a querer falar duma árvore que vicejava aqui na Av. da Piedade, antes das Festas do São Mateus.
Quando saia, pelas noites de verão, em procura do fresco, olhava-a e, cá por dentro “torcia” por ela:

--Aí, sua valente! Cresça. Não se mostre aos vândalos! Veja se escapa mais um aninho ou dois e talvez já aguente algumas inscrições a canivete sem morrer, como aconteceu a algumas das suas companheiras já de mais idade. Estas e outras coisas diziam-lhe os meus olhos contentes por a ver, frágil, mais viva, nesta nossa terra, onde o uso de partir e estropiar árvores já vai tomando ares de feição – quer dizer: - deformação aceite!

A policia anda a multar viaturas mal estacionadas (no que faz muito bem) e, como isso origina um apertado circuito de ronda, porque os carros mal arrumados estão sempre nos mesmos conhecidos lugares – as árvores são plantadas e arrancadas também nos mesmos conhecidos lugares em velocidades paralelas, pelo que os autores das proezas nunca se cruzam ou encontram com a aludida actividade policial.
Eis aqui, explicado, porque ao segundo dia de feira, alguém impunemente, terá feito um bordão com o tronquinho tenro e vivo duma pequena árvore que queria crescer enfeitada de folhas e pássaros em cada primavera.
Escusada violência! Escusada brutalidade!
Nesta terra que é nossa, situada num país que é nosso também, todos temos um quinhão de responsabilidade em tudo quanto acontece.
Quem nos governa são as pessoas que contaram para si e maior número de votos que nós lhe demos.
Tenhamos disso consciência e a coragem de o reconhecer.
Tenhamos o bom senso de reconsiderar no pouco, muito ou nada, que colaboramos para o bem comum, e, façamo-lo pelo menos antes de … lavar as mãos… fingindo que não contribuímos em nada para a sorte que nos cabe e de que nos lamentamos…
Maria José Rijo


