Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Dá para pensar…
Á Lá Minute
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.052 – 20 de Julho de 1990

Uma garota, de 13 ou 14 anos, pretendendo convencer a família a mudá-la de ambiente escolar que frequentava, esclarecia, justificando-se:

- Os professores tratam os rapazes por putos!
- Em lugar de dizerem sim, dizem: - Okei! Etc, etc, etc”
E, concluía, com um ar muito infeliz, perguntando:
“- O que tem isto que ver comigo?
- O que faço eu no meio desta gente?”
Sei que pus a mim estas questões:
-- Quando na televisão alguns locutores, “entram em nossas casas” de casaco desabotoado e mãos nos bolsos das calças…

-- Quando se ouvem pronunciarem nomes de pessoas e localidades com acentuação mais do que exótica…
-- Quando se fazem citações latinas com silabadas de ranger os dentes…
-- Quando os ditos de espírito consistem em se chamarem entre si de: bêbados, bêbadas, anormais e elefantes…
-- Quando apresentadores de concursos, com larga audiência, exclamam, sem constrangimento: - que gaita! – e provocam e encorajam o palavrão e a grosseira ambiguidade como forma de fazer rir…
-- Quando tudo isto acontece…

Se, nas escolas o ambiente é como a menina referia!...
Valerá a pena ensinar boas maneiras às crianças?
--Será que não basta proferir, com destreza, algumas inglesadas, em lugar de falar em português, para sermos muito cultos, muito poliglotas e muito finos?
-- Especialmente se os fatos fossem de costureiros de moda!

Verdade, verdade, dá para pensar.
E, mais, dá até para concluir que, quando a igreja tiver o seu canal próprio, a nossa, a nossa T.V. tem muito que se cuidar…
Maria José Rijo

